<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500</id><updated>2012-01-11T05:57:45.217Z</updated><title type='text'>Batalha Final</title><subtitle type='html'>«E no final é preciso calar e actuar/
sabendo que o mundo se desmorona/
mas ter empunhada a espada/
para a última hora...»

Gottfried Benn</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>168</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116675408249906729</id><published>2006-12-22T02:20:00.000Z</published><updated>2007-07-21T22:45:39.282+01:00</updated><title type='text'>Novo Espaço</title><content type='html'>A batalha segue aqui: http://ofogodavontade.wordpress.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116675408249906729?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116675408249906729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116675408249906729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116675408249906729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116675408249906729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/12/novo-espao.html' title='Novo Espaço'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116353567610068595</id><published>2006-11-14T20:14:00.000Z</published><updated>2006-11-14T20:26:46.903Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Batalha Final encerra.Obrigado a todos os que leram, participaram e ajudaram.Fica aqui, entretanto, o convite para o colóquio da Causa Identitária no próximo dia 25(não se esqueçam que é necessário fazer reserva).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/1600/COLOQUIO2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/400/COLOQUIO2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116353567610068595?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116353567610068595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116353567610068595' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116353567610068595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116353567610068595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/11/o-batalha-final-encerra.html' title=''/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116249503205947095</id><published>2006-11-02T19:07:00.000Z</published><updated>2006-11-14T18:58:59.580Z</updated><title type='text'>A direita moderada e o sistema</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Se o conjunto do establishment político faz prova da sua impotência para enfrentar os desafios do presente, a eficiência da «direita estabelecida» surge, ao longo do tempo, menor do que a da esquerda, que, ela ao menos, conseguiu transformar a sociedade conforme a sua ideologia (exemplo: impor a sua ideologia penal ou pedagógica) enquanto a direita permaneceu, na segunda metade do século XX, abalada pelos acontecimentos e pelas correntes ideológicas. Isso deve-se principalmente ao facto de que a direita adopta em geral um comportamento menos político que a esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário da esquerda, que sempre procurou demarcar-se da direita (mesmo quando esta última se tornou, na realidade, apenas mítica) a «direita estabelecida» sempre procurou o compromisso com as ideias de esquerda. É o «complexo de direita» próprio dos «moderados» que remonta ao pacto político da Libertação: A direita não é tolerada senão com a condição de adoptar os valores da esquerda e de se refugiar na gestão. Caso contrário é diabolizada e reenviada para o inferno do fascismo e da colaboração (hoje em dia do «populismo»).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A «direita estabelecida» foi incapaz de sair desta prisão no último quarto do século XX, em particular porque ela não se preocupou suficientemente com as questões ideológicas. Isso conduziu-a a vários erros estratégicos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-Recusar o conflito de valores com a esquerda e, em consequência, não ter delineado uma estratégia de fundo, isto é, contestar a esquerda no plano das suas finalidades e não somente dos meios que ela utiliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto traduziu-se no facto de a «direita estabelecida» ter adoptado o essencial do vocabulário da esquerda, o que representa a adesão aos seus valores( exemplo: luta contra a «exclusão», contra as «discriminações», pelos «sem-papéis», etc.); a direita está assim afectada pelo mimetismo ideológico e portanto pela incapacidade estratégica. Desta forma tornou-se incapaz de toda a ruptura com o «sistema», por causa da conivência ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direita, ademais, aliou-se à dominação dos valores mercantis, dominação à qual estamos sujeitos desde o fim do século XX. Mas o facto de se ter, em parte, ligado ao discurso neo-liberal( isto é, à ideologia do mercado e dos direitos do homem) não a conduziu minimamente à emancipação da tutela ideológica da esquerda: porque esta ideologia neo-liberal vincula-se ao mito igualitário de outra maniera (é preciso não esquecer que a ideologia do Maio de 1968 serviu de «quebra-gelo» ao neo-capitalismo deslegitimando todas as instituições que poderiam ser obstáculo ao triunfo dos valores mercantis: que é a única verdadeira revolução da segunda metade do século XX). É o que explica também que a esquerda tenha aderido ao mercado na segunda metade do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoptando em parte a ideologia dos proponentes do neo-capitalismo, que afirmam que a função de regulação do poder político é sempre menos eficaz que a do mercado e que o único futuro das sociedades humanas é o da abolição das fronteiras, desenvolvimento do comércio e triunfo das democracias de mercado de modelo anglo-saxónico (cf.Francis Fukuyama e o pretenso «fim da história») a direita não parou de perder a sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, o que continuamos, por comodidade, a chamar direita, nos media ou nas sondagens, tomou uma forma pouco diferenciável da esquerda, recentrada ao mesmo tempo sobre a economia de mercado. De resto, um homem político «de direita» não é hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém que diz tudo e o seu contrário porque procura sempre uma aprovação da esquerda?&lt;br /&gt;- Que não respeita os compromissos assumidos perante o seu eleitorado?&lt;br /&gt;-Que cita sempre homens de esquerda em defesa das suas propostas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2-Distanciar-se do povo: enquanto a base sociológica da esquerda se pulverizava à medida que reduzia o emprego industrial, a direita mostrou-se incapaz de elaborar uma estratégia de substituição. Pior, acabou por adoptar a estratégia anti-popular da esquerda, preferindo apostar numa lógica de nichos, de fracções e de minorias de opinião (ao contrário da estratégia «gaulista» de agregação): os árabes, os homossexuais, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direita instituída aliou-se claramente a esta estratégia e privou-se assim de poder apelar ao povo para superar os bloqueios do sistema. Ela encontra-se, de facto, sempre em situação de inferioridade face a uma esquerda que continua a dispor de numerosos esteios (organizações sindicais e associativas, media), mesmo se em declínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O establishment, primeiro à esquerda depois à direita, veio assim a desconfiar do «político» depois que se apercebeu que o povo se arriscava a votar «mal», isto é, a votar nos partidos «populistas».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que vota o povo mal? Porque o sistema é cada vez mais disfuncional e porque é principalmente o povo, e não o establishment, que paga o custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claramente, a despolitização tornou-se um objectivo estratégico do sistema institucional; este procura promover um povo e consumidores dóceis que não se revoltem contra o sistema (o desporto de massas é uma invenção do século XX que visa o mesmo objectivo – cf. O filme «Rollerball», de Norman Jewison -: substituir a paixão política para a neutralizar; veja-se também o papel da música, o ruído mediático e a ideologia da comunicação: reduzir o espaço do silencio individual significa reduzir o espaço de reflexão que poderia ser propício à revolta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No plano metapolítico esta estratégia viu-se instrumentalizada na ideologia da libertação individual (libertação dos costumes provocada pela ruptura cultural do Maio de 1968). Porque esta ideologia é encorajada pelo establishment: com efeito, em troca do «direito» a dar livre curso às suas pulsões individuais e hedonistas os indivíduos perdem progressivamente, na realidade, os seus poderes colectivos. Isto traduz-se nomeadamente na perda dos atributos da cidadania e da soberania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…) Daí também o desprezo pelo povo enquanto tal no discurso do establishment de direita como de esquerda: O desprezo do «populismo» exprime a recusa do establishment em conduzir uma política que considere o povo como uma entidade orgânica (conformemente à doutrina mercantil e ao dogma igualitário: não existem senão indivíduos e átomos sociais cambiáveis). Podemos também juntar a isso a moda do «arrependimento» e do dever de memória «das horas sombrias da nossa História» na qual o establishment parece deleitar-se: porque é sempre a nação que é julgada, nunca o establishment (que faz o papel de procurador).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que passámos do «tudo é político» dos anos 60 a uma despolitização das questões societais e inclusive a uma vontade deliberada de recusar todo o verdadeiro debate político( cf. A segunda volta das eleições presidenciais francesas de 2002: a recusa de Jacques Chirac em debater com J.-M. Le Pen; esta recusa de uma confrontação ritualizada é impolítica por natureza).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resulta disto uma crise maior do sistema político que, por outro lado, é um factor de impotência colectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a impotência política permite também que o sistema fuja do confronto político transparente e se esforce por não submeter nada mais de crucial ao julgamento do povo. É o que lhe permite conduzir imperturbavelmente políticas que o povo não apoia. O sistema político não desempenha senão marginalmente o seu papel de impulsionamento, regulação e de sanção. É de resto por esta razão que o establishment político se mantém apesar do seu fracasso global; é o seu único verdadeiro sucesso duradouro: ter-se transformado numa máquina de conservação do poder mas que não o exerce ao serviço da sociedade.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução livre de um excerto da intervenção de Didier Lefranc na reunião do Club de l'Horloge de Outubro último.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116249503205947095?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116249503205947095/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116249503205947095' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116249503205947095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116249503205947095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/11/direita-moderada-e-o-sistema.html' title='A direita moderada e o sistema'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116222901092721790</id><published>2006-10-30T17:08:00.000Z</published><updated>2006-11-12T17:18:50.116Z</updated><title type='text'>Cai a noite sobre o Cabo Horn</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Durante toda a nossa juventude procurámos os caminhos difíceis. Vagabundeáramos pelos pólos onde as últimas manchas brancas do mapa do mundo flutuam como icebergs sobre o azul pálido dos atlas e dos mares frios. Seguíramos os cães de trenó, no Alasca, com os heróis de Jack London e perdêramo-nos, corpos e bens, ao largo da Islândia no «Pourquoi pas?» do comandante Charcot. Vivêramos com Byrd, Nobile, Scott e Amundsen. E choráramos de raiva sobre as velhas gravuras dos nossos livros de eleição porque os grandes veleiros apodreciam nos portos e nós não dobraríamos jamais o Cabo Horn à vela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao dobrarem o Cabo Horn, os marinheiros d’outrora haviam conhecido a coragem e o que está para além da coragem, a alegria e o medo ao mesmo tempo. As ondas eram tão altas e a bruma tão espessa que deixávamos mesmo de ver as falésias cobertas de neve e esses rochedos que arrombavam os navios de Hamburgo, de Liverpool e de Bordéus…Existiram, dantes, homens nestas ilhas. Eram-nos mais estranhos que os da pré-história. Tripulantes nos navios dos nossos sonhos, não prestávamos atenção senão aos nossos capitães e aos nossos marinheiros. Eram os nossos irmãos maiores, homens dos nossos litorais. Falavam flamengo, bretão ou basco, como os pescadores dos pequenos portos onde passávamos as férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1953 senti brutalmente, folheando as páginas de «La Nuit Commence au Cap Horn», o ardor do sal, o sibilo do vento, e essa vertigem da solidão no grande silêncio branco, quando nada parece sobreviver ao interminável crepúsculo polar. É um desses livros inolvidáveis que nos introduzem, como nunca, num outro universo. E esse universo é o nosso, a milhares e milhares de quilómetros das nossas costas temperadas. Banidos das nossas ruas e das nossas praias pelos pequenos intelectuais frágeis, pelo seu vício pobre, pelo seu amor imoderado aos proletários e ao Whisky, pelo seu snobismo social, não sabíamos mais em que exílio se encontravam os verdadeiros escritores. André Malraux não fazia já falar senão o silêncio e Montherlant desaparecia. Restava-nos o escutismo literário de Brasillach e Saint-Exupéry. Por vezes seguíamos os Hussardos nas suas cavalgadas, mas não tinham o fascínio dos cavaleiros de Hedjaz e do Arizona. Para nos perdermos no desconhecido refugiávamo-nos no cinema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois houve Saint-Loup. Que Furacão! Foi primeiramente o que vi neste livro: um sopro que vinha de um outro mundo, no outro lado da Terra. E este mundo era o nosso mundo, aquele da vontade de poder e do espírito de sacrifício, aquele dos homens que escolhem a sua aventura e se dão até à morte a um herói que trazem no fundo do seu coração e que não tem outro nome que o deles mesmo. O livro de Saint-loup cortava a árvore morta da literatura como um machado. Não se tratava já de julgar este homem segundo as regras habituais da crítica. Por fim estávamos para lá da escrita, numa alvorada incerta que anunciaria o despontar de um dia assombroso. Ao ler «La Nuit Commence au Cap Hord» tínhamos a impressão de regressar à superfície, rumo à luz e ao sol, como esses mergulhadores que lentamente emergem de águas tenebrosas. Não devia ser o único a deixar-me levar por este livro. Mesmo os especialistas sentiam a respiração cortada. E é a corrida aos prémios…Francis Carco lança o livro na lista dos «Goncourt». Muito rapidamente conquista metade dos votos. Colette telefona mesmo ao director literário das Edições Plon para lhe dizer que estava ganho e que «La Nuit Commence au Cap Horn» seria o prémio Goncourt de 1953.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o «Fígaro Littéraire» (e imobiliário) publica uma nota revelando que Saint-Loup não é outro senão Marc Augier, antigo animador dos albergues de juventude, chefe de redacção de «La Gerbe» de Châteaubriant, combatente voluntário na Frente Leste e condenado à morte, à revelia. Um polícia copiará o dossier do Tribunal Militar e apresentá-lo-á a Roland Dorgelès: E o prémio Goncourt é atribuído a Pierre Gascar por «Le temps des morts». Doze anos mais tarde ninguém pensa mais neste laureado de circunstância. A «Les Presses de la Cite», pelo contrário, acaba de fazer reaparecer «La Nuit Commence au Cap Horn». O livro de Saint-Loup não será certamente repescado para o Goncourt de 1965. Mas terá dezenas de milhares de leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumando o seu cachimbo, Saint-Loup evoca esse ano de 1948 em que beneficiará do seu posto de conselheiro técnico de questões de montanhismo no exército argentino para partir à descoberta do Chile Austral: - Entre os padres salesianos de Magalhães compreendi por que as populações indígenas haviam desaparecido: Quiséramos fazê-las viver num quadro que não era o seu. Foi um verdadeiro genocídio. Os missionários que evangelizaram essas tribos quiseram transgredir a lei que faz os homens diferentes. Ele levanta-se, mostra-me as fotografias de montanhas atingidas pelo vento: - Não brincamos com a lei do paralelo 55 Sul. A verdadeira liberdade é respeitar a natureza. Querer deformar os países e os homens é o pior dos crimes. – E o teu livro? – Escrevi-o durante o Inverno de 1950-51 em Itália, em Courmayeur. Nevava quase todos os dias. Eu não havia deixado o Cabo Horn…este romance, escrito depois de tantas aventuras, é do melhor Saint-Loup. Descobrimos em cada página o homem de acção. Aviador que sobrevoou florestas e motociclista que devorou quilómetros, esquiador na Lapónia e combatente na Ucrânia, alpinista, explorador, cavaleiro. Um homem digno de uma peça, escritor, montanhista, historiador, viajante. E, com ele, nós seguimos, passo a passo e dia a dia, o pastor Duncan Mac Isaac. Há cem anos este missionário metodista tentava o impossível, pretendendo converter ao cristianismo os índios da Terra do Fogo. Ele quer negar o real, esquecendo que os homens são determinados pela sua raça antes de o serem pela sua religião. E ao querer salvar as almas ele vai destruir várias tribos. Este romance é o maior requisitório contra o colonialismo… «La Nuit Commence au Cap Horn», que descreve a agonia de uma raça, encontra-se na linha do realismo biológico mas não corresponde de todo à ideia que os «anti-racistas» fazem do racismo. Estarão em dificuldades para descobrir ali a menor «apologia do crime». Bem pelo contrário, Saint-Loup demonstra – e com que aura épica – que é o universalismo que é um crime, a religião uma miragem e que a verdadeira liberdade, para cada homem e para cada povo é, antes de tudo, o direito de ser o que são.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recensão de Jean Mabire,«Europe-Action» N°35 – Novembro de 1965&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116222901092721790?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116222901092721790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116222901092721790' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116222901092721790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116222901092721790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/10/cai-noite-sobre-o-cabo-horn.html' title='Cai a noite sobre o Cabo Horn'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116163474317717752</id><published>2006-10-23T21:14:00.000+01:00</published><updated>2006-10-23T21:19:03.340+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://dragoscopio.blogspot.com/2006/10/tempo-de-antena-obus-gay-ilda-anormal.html"&gt;Tempo de Antena da Obus Gay, Ilda Anormal e LGTB-GTI&lt;/a&gt;. Magistral!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.antiaborto.blogspot.com/"&gt; Pela Vida, contra a liberalização do aborto&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116163474317717752?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116163474317717752/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116163474317717752' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116163474317717752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116163474317717752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/10/tempo-de-antena-da-obus-gay-ilda.html' title=''/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116118962692320376</id><published>2006-10-18T17:36:00.000+01:00</published><updated>2006-10-19T02:22:41.586+01:00</updated><title type='text'>Democracia "à la sinistra"</title><content type='html'>Num folheto do PCP sobre a questão do aborto e sob o sugestivo título: «Mudar a lei do aborto sem recurso a referendo» escrevia-se em Março de 2005: «O PCP rejeita a ideia de que seja necessário novo referendo. Recorda-se que o referendo de 1998 tem sido invocado para tentar negar a plena legitimidade da AR para legislar sobre a matéria. Acontece que tal referendo não teve carácter vinculativo, visto que votaram apenas 31,9% dos eleitores. E mesmo que tivesse tido mais de 50% de votantes o seu efeito vinculativo já teria há muito caducado, passados que são oito anos dessa consulta.»(*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerónimo de Sousa tem comprovado a coerência do seu partido nesta questão ao continuar a defender que a alteração à lei existente deveria ser realizada sem consultar a população, uma vez que isso acarretará incerteza quanto ao resultado. Naturalmente a ideia de incerteza quanto ao resultado é central ao processo democrático mas também é evidente que essas «particularidades» nunca foram do agrado dos comunistas, que simplesmente, e por força das circunstâncias, se viram forçados a aceitar a participação política baseada nesses métodos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é interessante naquela posição dos comunistas nem é tanto o argumento do carácter vinculativo mas a ideia de que mesmo que o tivesse não faria qualquer diferença, «passados que são oito anos dessa consulta». De acordo com esta posição ficamos a saber que o resultado do novo referendo, seja vinculativo ou não, é irrelevante, já que daqui a meia dúzia de anos não há qualquer razão para o não alterar em sede parlamentar, mesmo, naturalmente – reconhecerá o PCP coerentemente –, se esta nova consulta tiver o desfecho que o partido pretende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que isto pressupõe é, obviamente, uma perda de legitimidade dos mecanismos de democracia directa para além deste caso específico. Se as decisões populares assim definidas valem simplesmente durante um curto período, presume-se que durante o governo de um determinado partido – pois que com a vitória de outro a Assembleia da República assume novo contorno ideológico e pode ganhar as condições de alterar essas leis –, não há qualquer lógica que justifique a existência dessas consultas à população. Claro que uma decisão referendada não tem de vigorar indefinidamente, mas parte-se do princípio que deve valer por um tempo alargado e para além da vontade estritamente parlamentar, será esse um dos objectivos subjacentes a este tipo de processos democráticos que, caso contrário, seriam realmente desapropriados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o PCP não gosta da democracia directa nem a entende, ponto. Já sabíamos que os marxistas não eram propriamente os maiores entusiastas da democracia representativa, tradicionalmente apresentada como sistema de dominação burguesa sobre o proletariado, ficamos agora também conscientes (falo com ironia pois não creio que alguém não o soubesse já) que a democracia directa também não lhes serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o mesmo texto mostra bem que o PCP, para além de não perceber a lógica da participação directa, tem dificuldades em interpretar o funcionamento da própria democracia representativa. Lemos mais à frente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Despenalizar a interrupção voluntária da gravidez na Assembleia da República sem referendo prévio não significa desrespeitar a vontade dos (as) eleitores (as) porque das últimas eleições saiu uma ampla maioria parlamentar constituída por forças que, na campanha eleitoral, se afirmaram favoráveis à despenalização do aborto».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, mas esqueceram-se de referir que uma dessas forças, curiosamente a que ganhou as eleições (e não foi o PCP), também prometeu durante a campanha eleitoral não alterar a lei da IVG na Assembleia da República sem consultar novamente o povo. E embora isto possa parecer estranho para o PCP, estas coisas são, em princípio (e reforço isto porque, como sabemos, a realidade é muitas vezes outra), para cumprir, e é isso que supostamente credibilizará o processo democrático assente em formas representativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que o PS tenha demonstrado com a sua decisão maior compreensão das instituições democráticas que os seus confrades de extrema-esquerda; bem nos lembramos que o partido socialista também pretendeu, a dado momento e contra os seus compromissos de campanha, alterar a lei no parlamento, posição que reunia o apoio de BE e PCP …simplesmente, Sócrates, consciente de que já havia mentido aos portugueses na questão dos impostos, achou por bem ter algum pudor, foi mais uma posição tomada por contingências políticas do que por convicção democrática. No fundo, esta incompreensão do PCP face aos factores de idoneidade da própria democracia representativa (porque quanto à directa estamos falados) - como o programa eleitoral - pode até ser relativizada quando os «primos socialistas» também não parecem ter sobre isso mais que uma posição utilitária, de conveniência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)&lt;a href="http://www.pcp.pt/actpol/temas/ivg/200503folheto.pdf"&gt;Folheto comunista&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116118962692320376?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116118962692320376/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116118962692320376' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116118962692320376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116118962692320376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/10/democracia-la-sinistra.html' title='Democracia &quot;à la sinistra&quot;'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116066439099741839</id><published>2006-10-12T15:44:00.000+01:00</published><updated>2006-10-12T23:08:01.473+01:00</updated><title type='text'>Uma questão de higiene</title><content type='html'>As recentes eleições municipais na Bélgica assinalaram um crescimento geral, na Flandres, do partido identitário Vlaams Belang. Um êxito que a imprensa local e europeia, de forma esperada, procurou minimizar ou relativizar fazendo eco de uma derrota na importante Antuérpia, para os socialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa cidade, a mais importante da Flandres, o VB era até agora a força política mais votada; tendo obtido 33% das preferências nas últimas eleições conseguiu agora um acréscimo de 0.5%. O sp.a, partido socialista flamengo, conseguiu aí passar de 19,5% para 35%; a subida dos socialistas flamengos em Antuérpia foi conseguida sobretudo à custa da queda dos ecologistas e dos liberais e dos ganhos na comunidade imigrante, não do eleitorado do VB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, se tomarmos em conta que após as eleições de 2000 – onde ocorreu um sucesso admirável do VB –, os partidos do sistema decidiram conceder aos imigrantes o direito a votarem nas eleições municipais e alteraram o critério de acesso à nacionalidade, facilitando enormemente a sua obtenção por parte de qualquer estrangeiro residente há 3 anos, poderemos concluir que os resultados dos nacionalistas do VB foram anda mais notáveis do que à partida se poderia supor. Sem os votos dos imigrantes e dos recém naturalizados, naturalmente exercidos contra o Vlaams Belang, os resultados relativos do partido seriam ainda melhores e certamente teria continuado como força maior de Antuérpia, já que o sp.a beneficiou desse voto dos «novos belgas» (o Partido da Liberdade austríaco, apoiando-se em fontes flamengas, afirma em comunicado que só em Antuérpia o número de belgas «inventados por naturalização» e de imigrantes a quem foi concedido direito a votar andará à volta dos 90 000, numa cidade que tem cerca de 450 000 habitantes!)(*). Não tenho qualquer problema em afirmar que estes resultados, mesmo fora de Antuérpia, onde o VB teve importantes ganhos, foram adulterados pelas políticas de imigração e naturalização desenvolvidas nos últimos 6 anos … parabéns aos «bons democratas», objectivo parcialmente atingido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas até que ponto faria realmente diferença o resultado alcançado pelo partido nacionalista flamengo nestas eleições? A pergunta é pertinente porque, na Flandres, o VB está praticamente impedido de exercer o poder mesmo nas localidades onde é a força mais votada. Ao abrigo daquilo a que chamaram «cordão sanitário», todos os outros partidos têm um acordo tácito que permite estabelecer entendimentos por forma a impedirem o VB de governar nos municípios onde vence. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este acto eleitoral tinha assim sobretudo uma dimensão simbólica, porque, realisticamente, e em face do atrás exposto, a probabilidade do VB vir a exercer o poder em algumas municipalidades era muito diminuta. A grande vitória do partido foi a demonstração de que tem o seu eleitorado consolidado e em crescimento, que, ao contrário do que pretenderiam alguns, o seu sucesso vem sendo construído de forma sólida e gradual, não foi um fenómeno conjuntural de curto-prazo, e esse sinal é uma fonte de esperança e força para toda a «Europa Livre». De resto, a única forma de romper verdadeiramente essa farsa democrática que denominaram «cordão sanitário», e que junta desde socialistas a conservadores, é obter mais de 50% dos votos, o que, convenhamos, é tarefa particularmente difícil para qualquer partido quanto mais para os que sofrem dos bem conhecidos estigmas que a «honesta comunicação social» se encarrega de impor sobre as organizações patrióticas de toda a Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este cordão sanitário remete-nos para a «aliança útil» que se gerou contra Le Pen em França, nas presidenciais que disputou com Chirac, e mesmo para as pressões transnacionais que se realizaram sobre a Áustria aquando do sucesso eleitoral de Haider. Porém, considero que nenhum termo foi tão feliz para caracterizar estas práticas, como a designação «cordão sanitário». O que é um cordão sanitário senão uma forma de preservação de higiene ou de isolar o que está contaminado do que é saudável, o que é sujo e porco do que é limpo? Pois é disso mesmo que se trata, o Vlaams Belang, como as restantes forças nacionalistas europeias, representa o que ainda é salutar na Europa, representa a Europa que se estima, que se preserva, que não chafurda na lama e na porcaria, que não se prostitui, essa Europa está de facto isolada e cercada, e não encontro melhor imagem para caracterizar o que a separa do lixo que se acumula e alastra dentro das suas próprias portas – da esquerda à direita – do que a ideia de cordão sanitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yves Daoudal, no National-Hebdo, definiu magistralmente a situação: «Não há mais que dois partidos políticos na Flandres, o Vlaams Belang, que defende os valores nacionais, e a grande coligação cosmopolita». De facto, e generalizando, não só na Flandres mas em toda a Europa existirão sobretudo duas forças em confronto, os nacionalistas e os outros, a nação contra a anti-nação, a Europa contra a anti-Europa. Tudo o resto será cada vez mais secundário, menor, irrelevante, porque é da nossa própria sobrevivência enquanto povos que hoje falamos, a luta decisiva definirá simplesmente dois campos maiores, os defensores da memória nacional e da identidade europeia contra a grande coligação da perfídia, que junta desde os mundialistas de esquerda aos universalistas de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que os partidos do «cordão sanitário», a grande coligação, com o objectivo de impedirem a chegada ao poder do VB, não só não hesitaram em colocar milhares de estrangeiros a votar e de naturalizar outros tantos como foram mesmo mais longe: para garantir os votos dos cidadãos instantâneos que entretanto criaram, esses diversos partidos encheram as suas listas de indivíduos de origem não europeia, ao ponto de, por exemplo na referenciada Antuérpia, cerca de 1/3 dos eleitos socialistas e democratas-cristãos serem agora provenientes de Ásia e África. Quando da esquerda socialista à direita cristã se coloca a Flandres sob o governo de africanos e asiáticos para combater os nacionalistas dispensam-se mais considerações… cordão sanitário? Concerteza, afinal é mesmo de uma questão de higiene e sanidade que falamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)&lt;a href="http://www.fpoe.at/index.php?id=477&amp;backPID=390&amp;tt_news=11038"&gt; Comunicado do Partido da Liberdade&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116066439099741839?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116066439099741839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116066439099741839' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116066439099741839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116066439099741839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/10/uma-questo-de-higiene.html' title='Uma questão de higiene'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-116041971858956546</id><published>2006-10-09T19:43:00.000+01:00</published><updated>2006-10-10T04:06:50.563+01:00</updated><title type='text'>O ocidente dos ingénuos</title><content type='html'>Antes de morrer, em circunstâncias pouco claras, Slobodan Milosevic apresentou perante o peculiar Tribunal de Haia um documento que assinalava a presença de guerrilheiros da famigerada Al Qaeda na luta de «libertação do Kosovo», apoiada pelos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo o documento verdadeiro ou não, o que é certo é que são vários os analistas políticos que referem a presença de radicais islâmicos ligados a essa organização nas guerras dos Balcãs, particularmente no Kosovo. Naturalmente não seria necessário qualquer apoio americano para que isso se concretizasse uma vez que essas pessoas serão movidas pelo que entendem ser a necessidade de cumprir e expandir o Islão mas não deixa de ser verdade que a luta desses homens acabou por constituir uma feliz coincidência de sentido com a luta travada pelos EUA, sob a capa da NATO, na região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 20 de Setembro de 1999, num artigo no «The Independent», Michael Radu escrevia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E como poderia a afirmação, voluntariamente ignorante, do general Wesley Clark, de que não existiam evidências de limpeza étnica por parte do KLA (Exército de Libertação do Kosovo) ser interpretada como algo mais que permissão para acabar o serviço(...) A dicotomia mal direccionada entre bons e maus por parte das potências ocidentais era já evidente em Outubro último quando os EUA e a NATO impuseram uma capitulação de facto à Sérvia, exigindo que parasse as operações de insurgência contra o KLA. Continuou com o acordo de Junho de 1999 que acabava a guerra e que eliminou toda a presença administrativa, policial e militar no Kosovo – em resumo, apenas se manteve simbolicamente a região como parte da Sérvia. O mau julgamento da NATO foi completado pelo facto de não se ter mostrado preparada para substituir a presença sérvia depois de a ter eliminado».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, os norte-americanos, que dirigiram ali as operações da NATO, auxiliaram peremptoriamente a fundação de um potencial enclave islâmico com autonomia reforçada – a que só falta independência oficial – numa das zonas historicamente mais instáveis e problemáticas do Continente Europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não se terá tratado simplesmente de uma opção de uma administração em particular, porque a verdade é que neste caso a política externa norte-americana parece manter-se concordante de governo para governo, obedecendo a uma estratégia que ultrapassa a alternância democrática eleitoral. Atesta-o a própria diplomacia da Administração Bush nos Balcãs. Estando concluída a islamização do Kosovo e quando grande parte da população sérvia se viu forçada a abandonar a região, as reivindicações autonómicas dos albaneses ganharam outra dimensão, é pois lógico assumir que o abatimento de Belgrado não esteja ainda finalizado uma vez que o reconhecimento do Kosovo como parte da Sérvia não é hoje mais que uma mera formalidade, existe na população islâmica albanesa, que actualmente manda de facto na região, a ambição de secessão efectiva. Para isso, claro, é essencial a complacência do «Ocidente», o mesmo é dizer dos EUA e respectivo séquito europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora isto, tudo o indica, terá sido assegurado em Junho deste ano quando Condoleezza Rice recebeu em Washington, com todas as honras, o bom aliado Agim Ceku, primeiro-ministro do Kosovo, antigo comandante do KLA e acusado de crimes de guerra pelos sérvios (infelizmente, estes, como outros na Historia, parecem estar condenados a serem os únicos criminosos do conflito, pelo que, do outro lado, não se avistam senão libertadores heróicos), num acto decisivo para selar o desmembramento final da pátria sérvia e a independência efectiva do novo Kosovo. Agim Ceku sabe que está em Washington o apoio que realmente precisa e aquele que verdadeiramente conta, a Europa, provavelmente também nisto, triste sombra do seu passado, acatará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sérvia deve preparar-se para a estocada final, parece próximo o epílogo amargo que há muito lhe haviam destinado. A ironia maior é que o país que tantas vezes nos procuram apresentar como «vélite do Ocidente» face ao perigo islâmico, os EUA, é o sustentáculo fulcral da criação nos Balcãs de um Estado de população muçulmana, numa região que tem um enorme significado espiritual para uma Sérvia que foi ao longo de várias décadas, ela sim, uma fiel defensora da Europa e da cristandade contra o avanço do Islão no Continente. No século XIV a Sérvia do príncipe Lazar personificou a Europa (e não o «Ocidente») que enfrentou no Kosovo, com trágicos custos, o invasor otomano, passados alguns séculos os EUA comandariam as forças do «Ocidente» (e não da Europa autêntica) que entregariam o Kosovo aos muçulmanos…emblemático!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-116041971858956546?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/116041971858956546/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=116041971858956546' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116041971858956546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/116041971858956546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/10/o-ocidente-dos-ingnuos.html' title='O ocidente dos ingénuos'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115919512884337897</id><published>2006-09-25T15:31:00.000+01:00</published><updated>2006-11-12T17:17:13.526Z</updated><title type='text'>A estratégia da mentira</title><content type='html'>Na Hungria, o reconhecimento (trazido a público) por parte do primeiro-ministro socialista de que havia mentido à população sobre a situação económica do país e que o programa eleitoral que o levou à reeleição não poderia, em face disso, ser cumprido, que era apenas uma manobra eleitoralista para conseguir a continuidade no governo, encaminhou para as ruas milhares de cidadãos revoltados exigindo a sua demissão. Cinicamente, confesso que a única coisa que acho invulgar no caso é a forma como trespassou para o público a gravação daquelas conversas internas. Não há, verdadeiramente, nada de particularmente extraordinário no resto, ocorre dizer: «Hungria, bem vinda à democracia».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que pela sua natureza a democracia moderna é, por excelência, reino de demagogia, que deriva naturalmente da necessidade imposta pelo eleitoralismo existente, promete-se tantas vezes o que à partida não pode, em consciência, ser realizado, pois o objectivo é chegar ao poder e lá permanecer o maior tempo possível (e nada mais que isso – é flagrante a completa ausência de projectos políticos mobilizadores, nada mais temos que a alternância dos mesmos de sempre na gestão corriqueira do situacionismo conjuntural), e o meio de o fazer e de lá se manter é oferecendo, continuadamente, à imaginação das massas de votantes a mentira, o «melhor dos mundos» e conseguido sem grandes chatices. Mandam as multidões que nada mandam que lhes mintam na cara, merecidamente, a maior parte conforma-se, habitua-se. Aqueles que do sistema vivem e os órgãos de informação que servem o dito cujo encarregam-se de manter sempre presente sobre as populações os fantasmas que asseguram a eternização das oligarquias vigentes, debaixo da ideia de que chegámos, neste caso, a um fim da história…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua breve apresentação do livro de Thierry Desjardins, «Assez!», Lambert Christian afirma: «Como em democracia, mesmo relativa, é imperativo seduzir a opinião, a tentação de praticar a estratégia da mentira é grande»(Électoralisme : la stratégie du mensonge, Les 4 Vérités, nº 556)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, reportando-se exclusivamente ao caso francês, dá dois exemplos concretos (mas que são completamente transponíveis para a realidade portuguesa): a distorção oficial dos números relativos ao desemprego e a manipulação dos dados referentes ao número de imigrantes e os seus custos para o Estado( O Instituto de Geopolítica das Populações, desafiando as informações que sobre o assunto se procuram divulgar, estima em 80% do défice orçamental o custo total da imigração e sua integração em França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por cá não precisamos de recuar muito para encontrar exemplos flagrantes da «estratégia da mentira», notem-se as diferenças de orientação nas promessas apresentadas pelo actual governo antes de ser eleito e as decisões tomadas depois de atingido o «El Dorado» no caso da política fiscal. E não entremos sequer na discussão dos dados económicos e sociológicos que manipulam e naqueles que nos ocultam. Não mais sairíamos daqui…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta «estratégia da mentira» é o próprio âmago das democracias-liberais modernas, Ferenc Gyurcsány teve simplesmente «azar», foi ironicamente apanhado num momento de franqueza privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será interessante analisar a forma como a direita imaculadamente democrática e sensata tem vindo a lidar com a questão. Os húngaros, ainda algo novatos nestas coisas da «classe discutidora», reagiram nas ruas (mais uns anitos e aquilo passa-lhes, acostumar-se-ão, os ingénuos) e ao fazê-lo obrigaram a direita «moderada e respeitável» ao envolvimento, directo ou indirecto, nas manifestações, caso contrário teriam sido deixadas exclusivamente nas mãos da direita radical, o que, está bom de ver, seria má estratégia eleitoral para a «boa direita». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas muitos sectores dessa direita não escondem a intenção de permitir ao actual governo completar o mandato. Afinal, vêm aí as eleições locais e após o escândalo a «boa direita» tem plena consciência de que será recompensada, e depois, nas próximas legislativas, a vitória apresenta-se também muito próxima, não só porque o escândalo continuará presente, e disso se assegurará a oposição fazendo também ela bom uso da demagogia e da «estratégia da mentira», como as medidas que foram anunciadas pelo governo socialista, de austeridade e sacrifício, garantirão o mote perfeito para o eleitoralismo triunfante, com a vantagem que advirá do facto de as reformas problemáticas mas necessárias terem então sido já parcialmente ou totalmente realizadas(o que não deixa de constituir menos um fardo). Aconteça o que acontecer é uma situação de «ganho-ganho». Torna-se simplesmente necessário acompanhar e controlar o poder da direita «dura» nas ruas, porque é fulcral não deixar fugir a imagem de liderança da oposição perante as massas de votantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115919512884337897?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115919512884337897/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115919512884337897' title='44 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115919512884337897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115919512884337897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/09/estratgia-da-mentira.html' title='A estratégia da mentira'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115733968792965502</id><published>2006-09-04T04:03:00.000+01:00</published><updated>2006-09-06T16:44:54.546+01:00</updated><title type='text'>Ernst von Salomon - O questionário de um proscrito</title><content type='html'>A partir de 1919,com apenas 17 anos, Ernst von Salomon está nos Freikorps, combate no Báltico contra os comunistas e na Silésia contra os polacos que procuram anexar essas terras, os seus companheiros lutam, igualmente, contra os movimentos separatistas, na Baviera e na Renânia, contra os partidários de Marx e Engels que, quais abutres, aproveitam a derrota alemã na primeira guerra para alastrar a sua mensagem subversiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os altos responsáveis da República de Weimar mostram-se, perante esta Alemanha humilhada pelo tratado de Versailhes, controlada pelos “aliados”, à beira da fragmentação interna, fracos, quando não condescendentes. Não é já só a humilhação a que foi sujeitada a nação a partir do exterior que move os movimentos de resistência nacional, é a indignidade interna do governo instalado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolta cresce e expande-se, dos veteranos da primeira guerra ao povo anónimo. Juntam-se, nesses “corpos livres”, voluntários dos mais diferentes meios, desde homens formados nas academias militares, filhos de oficiais, a antigos soldados rasos e gente sem experiência militar. O chamamento unificador da pátria vexada começa a agregar, ali ultrapassam-se as questiúnculas de “classes”, marcha-se então por cima da cartilha marxista, o "mito" da nação mostra-se mais forte que o da consciência classista, o inimigo principal começa a surgir claramente aos olhos desses voluntários nacionalistas do pós-guerra: É o novo “Deutsches Reich”, a nova ordem que emana de Weimar, é a democracia-liberal imposta pelos “aliados” à nova Alemanha que enfraquece a pátria, com o seu patético espectáculo de divisionismo parlamentarista, de pequena politiquice num país já de si à beira da ruína. Se a extrema-esquerda não aceita o novo regime porque está apostada em realizar ali o que fora conseguido na Rússia, para os nacionalistas a democracia-liberal é um corpo estranho à tradição da orgulhosa pátria imperial, alicerçada sobre a honra, o heroísmo e a autoridade; nauseia o constante comprometimento, os meios-termos, as meias-medidas, a dissimulação partidária, as discussões sobre coisa alguma…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O regime de Weimar mostra-se incapaz de assegurar a ordem interna, aniquilar os movimentos marxistas de secessão e reagir aos ditames de Versailhes que subjugam a Alemanha, de forma vergonhosa, ao estrangeiro. Walther Rathenau, ministro dos negócios estrangeiros da República, é, no período, um dos homens mais proeminentes da nova democracia, grande responsável pelas negociações das condições impostas pelos vencedores ao povo germânico. Defende a necessidade de cumprir com as imposições de Versailhes ao mesmo tempo que negoceia o tratado de Rapallo com a União Soviética. Em 1922 é assassinado por membros dos Freikorps, entre eles Ernst von Salomon. Por isso este passará 5 anos na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1930, no seu “Die Geächteten”(Os Proscritos), relatará os tempos passados na prisão e a luta desses corpos de voluntários em defesa da Alemanha, esses homens, camaradas de revolta, sem ideal político sistematizado, representantes antes de uma visão do homem perante a realidade, a exaltação do dever, a não rendição, a rebelião, o culto da acção, reagindo instintivamente às agressões percepcionadas contra a sua memória histórica colectiva, como se reage quando nos atacam a família, serão os “proscritos” da Prússia vencida, o mesmo é dizer os que não se predispuseram a ser vassalos. Eles foram os filhos fiéis de uma pátria controlada por um Estado que viam como desleal para com o seu povo, inimigos do Estado porque cumpridores da nação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ascensão de Hitler ao poder von Salomon assiste ao desenrolar da História com algum distanciamento e vive, durante o regime, com a sua companheira judia. A sua luta estava travada, derrubar o Estado colaboracionista de Weimar, vingar o ultraje pátrio de que essa República fora expoente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naqueles tempos que sucederam à primeira derrota alemã, a revolução reunia todas as contradições em torno de um único objectivo claro, a restauração de uma Alemanha autenticamente soberana, senhora de si, portadora de uma identidade própria. É Ernst von Salomon que o define na perfeição quando afirma que todos aqueles combatentes aglomerados nos Freikorps não tinham ainda precisado as suas ideias quanto à organização do Estado, reagiam simplesmente contra a insidiosa situação em que o país havia caído. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam precisamente esses “revolucionários conservadores” que naqueles agitados anos se dedicariam, progressivamente, em inúmeros artigos, livros e conferências, a fornecer à Alemanha uma ideia de si, definindo conceitos, apontando caminhos, relembrando a História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Hitler não se consegue identificar, sempre havia tido uma postura aristocrática, cultivado um sentido de autoridade e hierarquia e desagradava-lhe aquele populismo nazi, aquela imagem que Hitler tinha de homem das massas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ascendência veneziana e tradição monárquica Ernst von Salomon não era um anti-semita, o culto da raça interessava-lhe sobretudo em termos espirituais, não era a “raça ariana” mas o espírito prussiano que exaltava. Esse espírito prussiano identificava-o com a coragem, o cumprimento do dever, com um sentido trágico da vida e épico da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não servia partidos mas apenas a nação. Eram, pois, as horas difíceis, quando não eram partidos que o exigiam mas a própria nação que estava em jogo, que lhe importavam. Por isso ofereceu-se novamente em 1939 para combater na segunda guerra, tendo porém sido rejeitado pelos serviços militares…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finda a guerra é novamente preso, desta vez pelos americanos. Levado para um dos campos de detenção é violentamente agredido por militares e testemunha vários actos semelhantes praticados sobre compatriotas seus bem como violações de mulheres germânicas, perante o gozo, as gargalhadas ou o voyeurismo passivo dos soldados norte-americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Alemanha vencida é agora dividida em 4 partes, que ficam sob administração francesa, inglesa, norte-americana e soviética. Na zona americana implementa-se intensivamente um plano de “desnazificação” que leva, para além do processo de Nuremberga, ao julgamento de 169 282 alemães, contra 22 296 na zona inglesa e 18 000 na zona sob administração soviética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na zona sob controlo americano é elaborado, no âmbito da “desnazificação” da população, um questionário com 131 perguntas ao qual são obrigados a responder todos os maiores de 18 anos. De acordo com as respostas cada alemão poderia ser classificado em 5 grupos cujas sentenças podiam passar, por exemplo, pela pena de morte, a expropriação dos bens pessoais, o impedimento de exercer qualquer profissão que não fosse de trabalho manual ou a absolvição de culpa. Foram emitidos 12 000 000 de questionários que resultaram em 930 000 sentenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abrigo da conferência de Postdam, que decidira que todas as pessoas hostis aos propósitos dos aliados deveriam ser eliminadas de qualquer cargo de responsabilidade e substituídas por funcionários “apropriados à implementação das ideias democráticas” e que o povo alemão deveria ser submetido a programas de “reeducação”, os americanos retiraram o emprego a 141 000 alemães, destituíram 80% dos professores e impediram 50% dos médicos de exercerem a sua profissão, isto num país a atravessar inúmeras carências na área da saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, Roosevelt, com a directiva J.S.C. 1067, dá ordens claras para levar a Alemanha à falência económica, reduzindo-a a um Estado agrário, e afirma a intenção de castigar todo o povo alemão, sujeitando-o à fome e humilhação. Só posteriormente, quando os interesses económicos norte-americanos compreenderam que o mercado europeu, do qual necessitavam, estava dependente da recuperação alemã foi alterada a sua estratégia para o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade de rebaixamento da Alemanha levou mesmo à perseguição da aristocracia e à investigação de pessoas que tivessem “von” no nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tudo isto assistiu Ernst von Salomon, bem como os milhões de alemães que foram submetidos ao domínio aliado, especialmente americano. A tudo isto respondeu Ernst von Salomon num pungente livro datado de 1951, “Der Fragenbogen”( O Questionário –  as respostas às 131 questões do Governo Militar Aliado). O livro, que foi publicitado nos EUA como um manifesto alemão anti-americano, sobretudo a partir dos círculos de influência judaica, teve um grande acolhimento popular. Foi escrito com fervor patriótico, sem ceder a manifestações de contrição pública, sem reconhecimentos oportunos de descoberto democratismo – ele que talvez se pudesse ter prestado a esse papel por nunca ter feito realmente parte do establishment nazi, que se considerou sempre um prussiano, não um alemão, que considerou sempre como sua bandeira a da Prússia imperial, que não se revia no ideal ariano do nacional-socialismo( “se não tivesse nascido prussiano teria escolhido sê-lo”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é escrito num registo altivo, como quem se dirige aos americanos, e aos “democratas ocidentais” em geral, olhando de cima para baixo, é pleno da mais fina ironia, da crítica mais mordaz, e é isso que incomodou…aquele homem, no meio das ruínas, manteve-se de pé, não quebrou, como quebrado pela vergonha e pela culpa deveria estar todo o alemão, em penitência, em expiação. Pior, com o “Questionário” exortou o seu povo a não quebrar também, a não se justificar, a elevar-se uma vez mais, a socorrer-se do “espírito prussiano”, a mostrar orgulho na sua identidade, a procurá-la no fundo da sua memória e a não permitir que esta fosse recriada pelos vencedores conforme a sua vontade, a não permitir que impusessem à “Prússia” um regime estranho à sua natureza. O espelho que o livro coloca à frente da moralidade americana, denunciando-a em toda a sua falsidade, contando a história como ela não pode ser contada, nos antípodas das fábulas hollywoodescas, é um exercício de impertinência imperdoável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro tem um simbolismo próprio que ganha significado na vida do seu autor, ele encerra um ciclo, representa um regresso à origem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quando muito jovem adere aos Freikorps do capitão Erhardt, a menos numerosa das unidades e uma das mais activas dos “corpos”; depois das batalhas na Silésia e na Renânia entra na “Warte”, um exíguo grupo de poucas dezenas de homens, uma elite de escolhidos entre os comandados de Erhardt. Não foi por acaso que escolheu voluntariar-se para a mais pequena das unidades e uma das que desempenhava missões mais difíceis, era assim que deveria ser pois era essa a forma mais heróica de combater, inspirado pela ideia de Goethe de que o soldado deve escolher a tropa mais pequena, a guerra mais difícil. Combatia do lado de poucos contra muitos, como se lutasse sozinho contra os outros. Era-lhe apelativo esse sentido de desproporcionalidade, essa atitude de rebelião, esse confronto da qualidade com a quantidade. Mas se nos tempos que se seguiram à primeira derrota alemã combatia quase sozinho, não o fazia por si mas pela pátria, pelo povo, numa atitude autenticamente aristocrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Depois, quando o ciclo da História trouxe o peso e o êxtase das multidões, o signo do número, uma vaga de restauração nacional, sob a direcção de Hitler, afastou-se, tornou-se um contemplador, ali já não combateria sozinho, não seriam já poucos contra muitos, não haveria batalhas impossíveis a travar. Não estaria já entre os selectos, os derrotados da História que se recusavam a sê-lo, apenas poderia ser mais um de entre os vencedores momentâneos, e esse nunca foi o papel que lhe interessou, faltava o sentido trágico da vida que o atraía…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E finalmente o ciclo encerra-se com a segunda derrota alemã, a definitiva. Tendo assistido ao sofrimento do seu povo às mãos dos libertadores, testemunhado as purgas, acompanhado a “reeducação” da população e a reconstrução da memória colectiva da Alemanha, olha em volta e vê novamente um país caído, um povo perdido, não existem já multidões exaltando a pátria mas novamente o ultraje e àquele corpo já maduro regressa o espírito aristocrático prussiano de um jovem cadete adolescente que fora ensinado a morrer pela nação. É novamente a oportunidade de se juntar ao mais pequeno exército e travar a mais difícil guerra, de estar contra a corrente da História. Desta vez, sem os seus camaradas dos Freikorps, está ainda mais sozinho, só contra muitos, contra quase todos, como sempre preferira, mas não lutará por si, lutará uma vez mais, como sempre fizera, pelo espírito prussiano, por um ideal, pelo seu povo, e então, aludindo à divisão em 4 zonas da Alemanha ocupada, dirá solene:”Hoje sou o representante da quinta zona, da zona alemã…”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115733968792965502?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115733968792965502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115733968792965502' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115733968792965502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115733968792965502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/09/ernst-von-salomon-o-questionrio-de-um.html' title='Ernst von Salomon - O questionário de um proscrito'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115677765690321902</id><published>2006-08-28T16:01:00.000+01:00</published><updated>2006-08-28T16:18:25.376+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Imperdível este texto no &lt;a href="http://vanguardanacional.blogspot.com/2006/08/o-idiota.html"&gt;Vanguarda Nacional&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;, retirado do portal &lt;a href="http://id.crearphpnuke.com/noticia-40.html"&gt;Identidad&lt;/a&gt;&lt;/li&gt; e da autoria de Rafael Sanz. Crónicas da imbecilidade ou a idiotice crónica...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115677765690321902?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115677765690321902/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115677765690321902' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115677765690321902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115677765690321902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/08/imperdvel-este-texto-no-vanguarda.html' title=''/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115629140076532365</id><published>2006-08-23T01:02:00.000+01:00</published><updated>2006-08-23T15:51:03.446+01:00</updated><title type='text'>O Club de l'Horloge e a "preferência nacional"</title><content type='html'>Em 1974 foi fundado, em França, o Club de l’Horloge. Influenciados parcialmente pela Nova Direita (embora, oficialmente, o não assumam) e dividindo alguns dos seus membros com o GRECE, o clube estabelecerá um caminho próprio desde muito cedo. Ao contrário do que sucedeu com a maior parte das organizações da Nova Direita o Club de l’Horloge entrega-se com maior dedicação à tarefa de estabelecer uma aliança entre o nacionalismo e a economia de mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constituído sobretudo por altos funcionários do Estado e quadros do mundo empresarial francês a sua influência virá a fazer-se notar sobretudo sobre a FN de Le Pen. O objectivo do grupo é prover doutrina aos sectores da direita que não estejam dispostos a colaborar com a “destruição da nação”. Para isso tentam construir pontes entre toda a direita assentes em premissas de defesa da identidade nacional e rejeição dos socialismos. Esta batalha compreende-se à luz do background político da maioria dos seus membros, formados ideologicamente na luta contra o comunismo, contra a União Soviética, e provenientes de uma direita menos revolucionária nas suas posições que aquela que o GRECE criará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A síntese procurada entre o nacionalismo e um “liberalismo económico” levará a que a organização e aqueles que influenciou sejam definidos por alguns, e muitas vezes assim se assumam, como “nacional-liberais”. Mas o termo está longe de ser pacífico, como está longe de ser pacífica a inserção dos seus representantes na tradição liberal. Um dos focos do problema é a oposição que o grupo estabelece entre um “liberalismo nacional”, protector da identidade da nação, que consideram ameaçada de morte pela imigração e pelo multiculturalismo, e um liberalismo desenraizador e mundialista que rotulam de inconsciente e utópico (mas que, no fundo, será a expressão natural do que é de facto o liberalismo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nacionalismo do Club de l’Horloge vai inclusive para além daquele nacionalismo cívico, puramente institucional, que olha a pertença à nação como uma mera expressão da vontade individual. Isto contribui ainda mais para colocar as posições do grupo no limiar, ou na marginalidade, de qualquer corrente tradicionalmente liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1985, na obra “la préférence nationale, réponse à l'immigralion”, dirigida por Jean Yves le Gallou, o Club de l’ Horloge apresenta uma ideia que abordaremos aqui e que será posteriormente aproveitada pela generalidade da direita nacionalista francesa mas que constituirá, igualmente, heresia intolerável para grande parte da direita liberal, que juntará a sua voz à consternação esquerdista: conforme o título indica fala-se da concepção de “preferência nacional”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como afirma Henry de Lesquen, presidente do clube, não pode haver nação, com efeito, sem que a lei estabeleça uma diferença entre os nacionais e os estrangeiros. A nação é uma comunidade e nenhuma comunidade pode existir se não existe alguma distinção entre aqueles que dela fazem parte e os que lhe são estranhos. A diluição progressiva da diferenciação entre nacionais e estrangeiros não pode conduzir, logicamente, senão ao efectivo desaparecimento da nação. Uma vez que é inquestionável que a existência de qualquer nação, de qualquer grupo, exige um factor de exclusão, a única questão passível de debate é saber como se definem e materializam essas condições de diferenciação. Numa altura em que as nações ocidentais estão a ser submergidas por uma invasão populacional sem precedentes e com uma colaboração interna igualmente sem antecedência histórica surge urgente reforçar, alargar, a distinção que se esbate de dia para dia entre os nativos e os alógenos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de “preferência nacional” insere-se, assim, nessa diferenciação natural entre nacionais e estrangeiros que reforça a nação ao mesmo tempo que, e note-se que as duas coisas são interdependentes, procura estabelecer uma conjuntura que desencoraje a imigração, pretendendo desincentivar a entrada de populações forasteiras, atraídas pelos Estados Providência europeus que tantas vezes são sobrecarregados com a torrente terceiro-mundista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A síntese proposta pelo Think Tank francês entre o nacionalismo e o “liberalismo económico” funcionaria então em duas vertentes. Decorrente directamente da aplicação da ideia de “preferência nacional” os cidadãos pátrios passariam a ter prioridade, por exemplo, em questões de emprego, no acesso à habitação social e acesso reservado a determinadas prestações sociais, resultando numa triagem de benefícios que são considerados pelo Club de l’Horloge como um íman para as populações extra-europeias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem dois direitos que o agrupamento considera que não podem, em situação alguma, estar senão reservados aos nacionais: o direito de voto e o direito de permanência indefinida no território do país. O Club de l’Horloge por várias vezes manifestou preocupação pela existência de lobbies cada vez mais fortes que visam garantir o direito de voto inclusivamente a cidadãos de países que não pertencem ao espaço de construção europeia mas que aí residem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao direito de permanência, consideram-no violado pelo sistema de autorizações de residência constantemente renovadas e que acabam por garantir a estadia perpetuada de estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que toca à defesa da liberalização económica e ao seu impacto nos fluxos migratórios o agrupamento defende que a livre circulação de mercadorias e capitais desincentiva a imigração na medida em que facilita o investimento directamente nos países cuja mão-de-obra é procurada em vez de atrair essa mão-de-obra para o território nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subjacentes a este raciocínio estão premissas teóricas que apontam para uma relação de substituição entre a mobilidade de factores produtivos e o comércio. Não devemos, contudo, esquecer que estes modelos são baseados em simplificações da realidade e não podemos deixar de notar que a liberalização do comércio ao abrigo da NAFTA não diminuiu as pressões imigratórias para os EUA. O período em que passou a vigorar coincidiu até com uma entrada maciça de mexicanos nos Estados Unidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, no entanto, uma condição importante para uma aplicação optimizada da ideia de “preferência nacional” e que não pode deixar de ser salientada. Para o efeito atentaremos numa parte fulcral das considerações desenvolvidas por Jean-Christophe Mounicq( Les 4 Vérités, Janeiro de 1999) ao conceito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Primeiramente o que é um nacional? Qualquer um que tenha a nacionalidade francesa! Ok, e como se obtém a nacionalidade francesa? Por casualidade ou quase: basta nascer em território francês(…)chamamos a isso direito de solo ou “jus soli”, em latim. Por esta razão os vândalos que incendeiam viaturas nos subúrbios de Estrasburgo ou Toulouse, mesmo se são na maior parte de origem imigrante e africana, não são adolescentes argelinos ou marfinenses mas jovens franceses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, então por que querem que prefira estes jovens vândalos franceses a jovens russos, vietnamitas ou brasileiros respeitadores do próximo? Francamente, podemos compreender que os alemães evoquem a preferência nacional. Eles souberam manter uma população homogénea porque o seu critério de nacionalidade é baseado no direito de sangue, o jus sanguinis»( nota: A Alemanha acabou, sob a égide da governação de esquerda, por assinar a sua sentença de destruição ao abandonar posteriormente o direito de sangue).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ponto é essencial. De facto, a virtude da concepção de “preferência nacional” na defesa da nação está interligada ao critério de nacionalidade, é o direito de sangue, numa formulação bastante restritiva, que pode garantir a maior eficiência da “preferência nacional” enquanto mecanismo de luta contra a extinção da nação ou, se quisermos, a sua completa transformação numa nova entidade marcada por uma matriz étnica e cultural estranha à sua origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto notemos que a ideia de “preferência nacional” pode ser adaptada e exercida, aqui de forma voluntária e informal, naturalmente com inteligência e respeito pela condição humana, por todos os nacionalistas no quotidiano, imbuídos do mais autêntico sentido de comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima de tudo, como me lembrou um companheiro de caminho, tenhamos presente o seguinte: o Direito que foi injustamente construído, com a marca da traição e contra o “espírito do povo”, deverá ser, a seu tempo, justa e legitimamente modificado! Porque o Direito, como a História, não atingiu o seu fim…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115629140076532365?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115629140076532365/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115629140076532365' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115629140076532365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115629140076532365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/08/o-club-de-lhorloge-e-preferncia_23.html' title='O Club de l&apos;Horloge e a &quot;preferência nacional&quot;'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115559738987372267</id><published>2006-08-15T00:15:00.000+01:00</published><updated>2006-08-16T23:26:30.916+01:00</updated><title type='text'>Compreender o «sistema»</title><content type='html'>Os movimentos da direita nacionalista ou identitária apresentam-se normalmente como sendo «anti-sistema». Mas o que significa isso exactamente? O que é o «sistema»? O termo é usado para definir os regimes dominantes no Ocidente; serve para ilustrar o antagonismo que opõe a mundividência identitária a um conjunto de valores que partilham uma génese comum: o liberalismo. É isso que define o «sistema», e é esse pensamento liberal que se espraiou da esquerda à direita. Os valores da tradição liberal penetraram todo o espaço político que subsiste na orla do poder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta de uma direita nacionalista exige o conhecimento dos adversários, é essencial compreender aquilo que se enfrenta. Uma direita nacional, voluntarista e combativa, agora como num tempo não tão distante, que ainda ecoa na memória, é, pois, anti-liberal. A fina ironia da História coloca hoje a resistência europeia defronte do mesmo inimigo que conheceu depois da primeira guerra mundial e antes da derrota que assinalou a grande hecatombe continental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o termo liberal deve ser aqui entendido não só no sentido clássico, aquilo que comummente se compreende como o primado completo do mercado, mas sobretudo identificado com o chamado liberalismo social, que podemos associar à esquerda reformista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Identificar os princípios liberais enquanto inimigos da direita identitária exige a capacidade de fugir aos habituais reducionismos que marcam vulgarmente o discurso anti-liberal: na Europa como sendo um discurso contra o capitalismo, nos EUA como prédica exclusivamente dirigida contra o progressismo social. É preciso compreender a abrangência dessa tradição filosófica e política, cujas raízes surgem ligadas ao iluminismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa tradição que se confunde com a modernidade, com o espectro político vigente e dominante, da esquerda à direita, na órbita do poder são os frutos do liberalismo que dirigem o Ocidente, da esquerda «respeitável» à direita «moderada», do centro-esquerda ao centro-direita, do socialismo democrático à direita liberal. De uma forma ou outra todas estas forças políticas regem-se por um conjunto de valores comuns que, sintetizando, assinalaremos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interesse do indivíduo acima dos laços orgânicos, da tradição, da comunidade histórica e holística, a colectividade percepcionada de forma institucional (ou contratual) e não primordial, o humanismo, traduzido legalmente num conceito universalista e descontextualizado de «direitos do homem», ao abrigo do qual se legitimam todas as estandardizações da vida humana, a bem ou a mal, pela palavra ou pelas armas, e uma concepção de «liberdade» como valor principal da causa política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo é o entendimento que se tem da «liberdade» que estabelece a diferença entre as diferentes famílias liberais. Enquanto à esquerda, terreno do liberalismo social, se parte da ideia de liberdades positivas, à direita, reino de inspiração clássica, parte-se da ideia de liberdades negativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto marca a diferença fulcral, na medida em que essa concepção distinta da ideia de liberdade implica uma diferente percepção do papel do Estado na sociedade. Assim, o conceito de liberdades positivas vai justificar a intervenção estatal em nome da plena integração do indivíduo na sociedade em que está inserido, uma vez que aqui a liberdade é apenas alcançada quando o homem está capacitado a participar plenamente na vida social, a «realizar-se», a exercer a sua «autonomia», e esta ideia, embora delimitada pela subjectividade, implica para a esquerda liberal que o indivíduo disponha de certas condições que lhe assegurem a «inclusão social»; acesso à saúde, à educação, um rendimento mínimo, subsídios de várias ordens, medidas de discriminação positiva em favor de membros de grupos considerados como prejudicados (mulheres ou minorias étnicas, por exemplo), assegurar juridicamente o indiferentismo das preferências sexuais, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta interpretação que o liberalismo social faz da ideia central de todo o pensamento liberal, a de «liberdade», dá-lhe, por comparação com o liberalismo clássico, uma dimensão mais colectivista; porque força o envolvimento de toda a sociedade, através do Estado, na activação dos direitos ou liberdades positivas que procuram garantir, na sua óptica, o objectivo da «realização da pessoa».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, não nos deixemos levar pelas aparências, é essencial notar que continua a ser o indivíduo o eixo desta corrente liberal; é sobretudo a colectividade – que aqui é sociedade, mera soma de unidades unidas num espaço por instituições e relações de interesse, e não comunidade tradicional – que tem obrigações e responsabilidades para com o indivíduo e não tanto o indivíduo que prova um sentido de dever face a uma realidade comum e histórica que o ultrapassa, como seja uma nação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto surge evidente ao examinarmos as ideias dos mais ilustres representantes do pensamento liberal de esquerda. A análise incide prioritariamente sobre o bem-estar individual, usando uma abordagem multidimensional que procura avaliar o impacto de uma miríade de factores sobre o bem-estar de cada indivíduo. Defendendo que a autêntica liberdade pode apenas ser alcançada quando cada pessoa dispõe das capacidades que permitem a participação plena na sociedade e a sua realização, não só afirmam a sua filiação liberal como reforçam, em última análise, os princípios comuns dessa tradição, a liberdade individual como fim da acção política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o seu raciocínio caminha no sentido da lógica de liberdade do indivíduo isolado na sua própria condição de existência, validando a concepção clássica na qual o homem económico, enquanto agente livre, define o perfeito funcionamento dos mercados, local onde os indivíduos trocam os seus trabalhos particulares, transformando o interesse egoísta individual em benefício social. Dar condições de existência básicas a esse homem económico é, portanto, o objectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a lógica essencial do liberalismo social, da esquerda progressista, entroncando-a depois numa mesma visão do homem e do mundo que é partilhada pelo liberalismo postulado por Smith e seus sucessores, o tal liberalismo que alguma direita adopta ou que a direita adopta parcialmente (depende dos casos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que para essas direitas a concepção de «liberdade» assenta, ao invés, na ideia de liberdades negativas, isto é, na liberdade de não ser coagido por outros; na ausência de factores externos à vontade de cada um passíveis de condicionamento. A questão passa então a ser não o que o indivíduo precisa para alcançar a sua «realização» mas antes aquilo que a sociedade não lhe deve impor. Poder expressar uma opinião sobre qualquer assunto pode ser encarado como um exercício de liberdade negativa, já que implica apenas, como condição suficiente, a não interferência externa; o direito a um serviço público de saúde pode ser encarado como um exercício de liberdade positiva, uma vez que o acesso universal à saúde pode ser visto como fundamental para a auto-determinação do homem na medida em que sem «saúde» este não será autenticamente livre e, porque resulta muitas vezes assim o cumprimento das liberdades positivas, vai exigir a participação compulsiva da sociedade, do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noção de liberdade negativa é mais pacífica, mais acessível ao «senso comum», surge-nos mais facilmente. A ideia de liberdades positivas, por seu lado, é objecto de maior contestação e polémica; alguns autores defendem que existe o risco de dirigir a sociedade rumo a estádios autoritários, já que a activação das referidas liberdades positivas pode acarretar a contribuição coerciva, através do Estado, de quem não o pretenderia fazer voluntariamente, não reconhecendo, dessa forma, nesse conceito uma verdadeira liberdade, senão mesmo a sua antítese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, ao contrário do que sucede com a liberdade negativa, a ideia de liberdade positiva tem a dificuldade acrescida de não se desenrolar num quadro de neutralidade moral, tem subjacente um juízo de valor sobre aquilo que capacita o indivíduo a realizar-se, o que implica compreender e justificar a fonte da autoridade moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem também aqueles que não reconhecem a validade da distinção entre liberdade positiva e negativa ou os que consideram ambas indissociáveis. Acrescente-se a recusa por parte de alguns simpatizantes ou seguidores do liberalismo clássico em reconhecer, amiúde, a legitimidade da incorporação da esquerda progressista na tradição liberal, argumentando frequentemente que o dito liberalismo social (como seja o norte-americano) se apropriou abusivamente de uma designação que não justifica…tudo isto são pontos que continuam a ser alvo de debate e as opiniões vão variando conforme as fidelidades políticas dos intervenientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós, que pretendemos uma direita identitária, vitalista, reivindicativa, esses debates internos do liberalismo são razoavelmente irrelevantes. Quem se afirma contra o «sistema» deverá ter como primeira preocupação não aceitar que seja o «establishment» a ditar, nos seus termos, como nos devemos definir ou defini-lo. É preciso quebrar a ilusão, com honestidade e coerência crítica, é certo. O entendimento que se faz do conceito de «liberdade» pode dividir a tradição liberal, ninguém o nega, mas o papel e a hierarquia atribuída à ideia de «liberdade»( como se detivessem a patente) e a centralidade do «indivíduo» no corpo ideológico de todas as derivações do liberalismo é comparável, brota de uma similar concepção do mundo, aonde depois regressa, e que se traduz no conjunto de valores e anti-valores que sintetizei, de forma simples, anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As divisões internas da tradição liberal não resultam em muito mais que nas superficiais acusações de colectivismo por parte de uns e insensibilidade social por parte de outros, não vão muito além de saber que papel cabe ao Estado, se mais minimalista, assegurando sobretudo as liberdades negativas do indivíduo, se mais interventivo, zelando por uma ideia de inclusão que garanta uma predeterminada concepção de liberdades positivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As contemporâneas democracias-liberais caracterizam-se pelo desinteresse da população face à participação cívica, as eleições são caracterizadas por elevadas taxas de abstenção e é habitual ouvirmos queixas de que tudo fica sempre inalterado, vença a esquerda ou a direita, e de facto, tudo fica sempre mais ou menos no mesmo, mas como poderia não ser assim quando tudo provém do mesmo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de qualquer divisão fundamental no seio do regime é uma exacerbação, existem diferenças de opinião quanto às funções a desempenhar pelo Estado mas a mundividência é partilhada em toda a área que pode ter aspirações de poder. Derrubar as paredes desse labirinto, sair dessa matriz que se encerrou sobre a psique europeia é o verdadeiro acto de libertação, a ideia de alternância política autêntica é, desde o pós-guerra, a maior ilusão colectiva de que há memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As distintas ramificações que o liberalismo foi desenvolvendo não escondem a origem num tronco comum, numa mesma árvore, nascida das mesmas raízes que foram semeadas com o iluminismo, os seus ramos ocuparam todo o espaço político, os seus ramos e frutos, tal a fecundidade da árvore, conseguiram cobrir todo o horizonte, de tal forma que para se voltar a ver o sol é necessário quebrar alguns desses ramos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115559738987372267?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115559738987372267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115559738987372267' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115559738987372267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115559738987372267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/08/compreender-o-sistema.html' title='Compreender o «sistema»'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115404681848109067</id><published>2006-07-28T01:15:00.000+01:00</published><updated>2006-08-23T05:57:06.096+01:00</updated><title type='text'>Os substitutos dispensáveis</title><content type='html'>Um dos chavões de estimação dos imigracionistas é o de que os imigrantes do terceiro-mundo, que invadem literalmente o Ocidente, vêm realizar trabalhos que os autóctones não pretendem fazer. Ainda que tenhamos consciência de que sob outras condições salariais, laborais (que são precisamente impedidas de concretização pela pressão que a imigração coloca sob o mercado de trabalho), o argumento cai por terra, é preciso dizer que mesmo fora desse cenário alternativo, isto é, mesmo no contexto da realidade que temos, essa é uma ideia falsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas embora seja uma ideia falaciosa não deixa de ser constantemente repetida por quem é conivente com a destruição da identidade ocidental. Ao contrário do que os imigracionistas possam pensar (e isto poderá ser um choque, aconselha-se por isso aos mais sensíveis de entre eles que parem imediatamente de ler) a verdade é que antes da entrada numerosa de imigrantes nos países europeus, os autóctones – miraculosamente – já tinham cafés, restaurantes (com empregados e tudo!), já construíam casas, pontes, estradas, colhiam os frutos da terra, conduziam transportes e sabe Deus o que mais – espantosa e inexplicavelmente, é claro. Saindo da realidade ocidental consta que até mesmo em países com políticas de imigração tradicionalmente muito restritivas, como o Japão, todo o tipo de serviços foram sendo efectuados! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, assim como todo o género de trabalhos eram realizados antes do início da moderna vaga de imigração de larga escala para o Ocidente, continuariam a sê-lo se ela não existisse. As economias dessas nações não deixariam de funcionar, dar-se-ia um ajustamento dos salários e dos preços, apenas isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente (ou não), este argumento dos imigracionistas é generalizado a todo o mundo desenvolvido, ele é usado pelos lóbis multiculturalistas em todos os países afectados pelo fenómeno, o que significa que é indiferente às regras a que estão sujeitos os subsídios de desemprego em países com modelos de funcionamento diferentes, dos mais liberais aos menos, dos que têm mercados laborais mais flexíveis às suas contrapartes. De tal modo que os próprios imigracionistas americanos o papagueiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steven Camarota, do Center for Immigration Studies, analisou a questão nos EUA e chegou à conclusão que em todas as áreas onde incide maioritariamente o trabalho imigrante existem percentagens significativas de trabalhadores nacionais no desemprego, ou seja, não existem trabalhos que os nacionais não estejam dispostos a fazer. Conclui também que o desemprego de nacionais tende a ser superior nos sectores onde incide o maior influxo de imigrantes; como esses sectores são os de trabalho menos qualificado acabam por ser os cidadãos mais desfavorecidos a pagar o preço directo mais elevado da torrente imigratória. Finalmente, o estudo contesta a benignidade da permanência no país de imigrantes ilegais e o próprio aumento do número de imigrantes legais.(*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é válido aqui para a realidade norte-americana é extensível, na generalidade, ao mundo desenvolvido. Também no Velho Continente existem autóctones a trabalhar em todas as áreas e também por cá existem desempregados nos sectores mais atingidos pela imigração. A questão não é, pois, que existam trabalhos que apenas conseguissem realização pela imigração mas antes que existem interesses em disputa para controlar o mercado laboral, através da afluência permanente de imigrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)&lt;a href="http://www.cis.org/articles/2006/back206.pdf"&gt;Dropping Out.&lt;br /&gt;Immigrant Entry and Native Exit&lt;br /&gt;From the Labor Market, 2000-2005&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115404681848109067?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115404681848109067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115404681848109067' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115404681848109067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115404681848109067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/07/os-substitutos-dispensveis.html' title='Os substitutos dispensáveis'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115353179155059170</id><published>2006-07-22T02:29:00.000+01:00</published><updated>2006-07-25T17:04:53.030+01:00</updated><title type='text'>Domesticando o Líbano</title><content type='html'>Tem sido consensual – com a excepção de alguns grupos mais dispostos a acenar a bandeira de Israel – considerar desproporcionada, bárbara até, a reacção do Estado judaico ao assassínio de 3 dos seus soldados (mais 5 morreriam na reacção imediata das forças israelitas) e rapto de outros dois por parte do Hezbollah, a 12 de Julho. Nos poucos dias em que o conflito se desenrolou o Estado democrático de Israel matou mais de três centenas de civis libaneses, provocou mais de um milhar de feridos, criou mais de meio milhão de desalojados e destruiu uma enorme quantidade de infra-estruturas essenciais à vida quotidiana das populações libanesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que foi o Hezbollah a despoletar as hostilidades; o movimento pretenderia capturar soldados israelitas para posteriormente poder trocá-los com os libaneses que Israel ainda mantém nas suas prisões. No fundo existia o precedente, anteriormente o Hezbollah havia já conseguido trocar israelitas por prisioneiros libaneses e palestinianos. Mas desta vez as condições geopolíticas eram distintas e aos olhos do governo judaico abriu-se uma oportunidade; em face da presente situação estratégica na região poderia juntar-se o útil ao…desagradável (a morte e captura dos seus).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de analisarmos as razões por detrás da dimensão e características da resposta israelita convém referir alguns dados particulares deste conflito. É verdade que Israel está a responder a um ataque perpetrado contra si e ocorrido na fronteira norte do país, mas este ataque foi dirigido exclusivamente a alvos militares e teve como resposta uma ofensiva desproporcionada que atingiu essencialmente alvos civis. Na lógica da moralidade muito própria imposta internacionalmente pelos EUA e seus aliados, a definição de movimentos ou acções terroristas estava em larga medida balizada pelo marco da sociedade civil, isto é, a actuação terrorista distinguir-se-ia sobretudo pela arbitrariedade que envolveria os ataques contra populações civis, os militares estariam assim cientes de que, pelo seu estatuto, encontrar-se-iam necessariamente sujeitos, sobretudo em áreas de conflito, a riscos que não poderiam ser igualmente assumidos por civis, responsabilidades distintas, naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado é também importante lembrar o histórico das violações fronteiriças entre o norte de Israel e o sul do Líbano. Lembremos que desde a retirada israelita do Líbano, conseguida muito graças à acção de combate do Hezbollah – o que justifica em grande parte a aura de que goza o movimento entre alguns sectores islâmicos –, Israel continuou a violar a fronteira sul do Líbano, com incursões nesse espaço, e que o Estado judaico deixou vastas áreas do sul do Líbano minadas tendo recusado disponibilizar às autoridades libanesas os mapas completos da localização dos engenhos explosivos lá colocados, o que resultou na morte de vários civis libaneses. Foi aliás numa troca de prisioneiros como a agora procurada que o Hezbollah conseguiu do governo israelita alguns mapas da localização de minas terrestres deixadas por Israel no país vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos assim um histórico de violações de soberania muito próprio no qual Israel não pode ser tomado como exemplo. Por outro lado, o alvo militar do ataque do Hezbollah, sem negar que a esse movimento cabem as responsabilidades imediatas no despoletar deste novo problema, por contraponto com certa arbitrariedade e clara brutalidade da ofensiva israelita sobre populações civis, leva a uma necessária reflexão sobre o epíteto «terrorista» e os critérios que estão subjacente à sua atribuição. Porque o terrorismo de Estado também existe, e pelas suas características tem um potencial de destruição superior, ainda mais protegido por uma atribuída superioridade moral que parece imune ao confronto com a realidade, como se se tratasse de um galardão ostentado por uns quantos (o amigo americano e seus aliados) para a posteridade, independentemente das suas acções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a reacção israelita seria expectável o modo em que decorreu e o extremismo que assumiu espantaram o mundo. Mas existem razões objectivas que a explicam. Essa retaliação no limite da brutalidade (ou para além dele) obedece a um timing e a contingências estratégicas próprias, a agressão sofrida pelo pequeno grupo de militares judeus foi a justificação perfeita para colocar em curso, nas condições mais favoráveis, o plano de política externa divisado pelo Estado israelita, e apoiado pelos EUA, para a região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, antes de mais( mas não só), de forçar a implementação total da resolução 1559 da ONU, que exigia o fim da presença militar Síria no Líbano( propósito que já estava alcançado) e da sua intervenção nos assuntos internos libaneses bem como o desmantelamento das milícias armadas do país, numa clara referência ao Hezbollah. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora é preciso recordar que a influência síria no Líbano tem também um longo historial e recolheu durante muito tempo, mesmo junto do governo libanês, considerável apoio. Refira-se que, por exemplo Rafik Hariri, antigo primeiro-ministro libanês, supostamente assassinado por Damasco, fora durante muito tempo um claro defensor da aliança entre o Líbano e a Síria e um defensor do Hezbollah como força de protecção do país face à ameaça israelita. Embora tenha depois tomado o lado das forças anti-sírias as posições por ele anteriormente defendidas continuaram a ter eco e representantes em sectores da sociedade civil e na política libanesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido algumas notas devem ser salientadas para que se possa compreender completamente o que está em jogo. Notemos então: a ligação do Hezbollah aos sectores que apoiam a proximidade do Líbano com a Síria, a admiração sempre manifestada pelo Hezbollah em relação à revolução iraniana e a sua consequente proximidade com Teerão, o acordo de defesa assumido pelo Irão em relação à Síria, o facto de Irão e Síria serem consideradas as duas maiores ameaças aos interesses estratégicos de Israel e EUA na região, e finalmente o receio crescente que a influência iraniana e a eventualidade da emergência de Teerão como grande potência geopolítica da região está a causar em vários estados árabes, pelo medo que alguns desses governos, alinhados tradicionalmente com os EUA, manifestamente sentem em relação a um possível cenário de revolução popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma a ofensiva radical de Israel no Líbano tem 3 objectivos encadeados. O primeiro, abertamente assumido e que resulta naturalmente da execução da referida resolução 1559, é o desmantelamento do Hezbollah no Líbano de modo a assegurar a segurança directa do Estado judaico, objectivo consonante com a destruição do Hamas, por via da acção militar em curso simultaneamente na Faixa de Gaza, agora que o exército judaico regressou em força à região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo objectivo, que decorre directamente do anulamento do Hezbollah, passa por isolar Damasco, extinguindo toda a influência síria sobre o Líbano, algo que começou a ser realizado com a retirada das forças sírias mas que não foi completamente alcançado, uma vez que continuaram a existir milícias e forças políticas pró-sírias no panorama político libanês com a anuência do governo. A retirada das forças sírias do Líbano, na sequência do processo que ficou conhecido por Revolução dos Cedros, foi alvo da oposição do Hezbollah (Partido de Deus), que organizou o apoio popular à Síria tendo posteriormente nas eleições conseguido o seu melhor resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, destruir o Hezbollah não significa apenas garantir a segurança imediata da fronteira norte de Israel mas também destruir a força política e o movimento armado com maior capacidade de mobilização popular nos segmentos pró-sírios, etapa fundamental para o isolamento de Damasco. Ao erradicar a influência síria no país está dado o passo decisivo para garantir o alinhamento completo do Líbano com os EUA e Israel, implementa-se assim na região, e mais importante, num país que faz fronteira com o Estado judaico, um governo controlado pelo «Ocidente» e cujos segmentos anti-judaicos e anti-americanos perdem toda a relevância, desprovidos que ficam de capacidade armada e diplomática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro objectivo, que não deixa de estar interligado com os anteriores e é, a nível geopolítico, tão ou mais importante, passa pelo isolamento do Irão. A força crescente de Teerão na região é motivo de preocupação para os EUA, para Israel e para vários governos de países árabes. O crescente poder de Teerão passa também pela sua influência sobre Damasco e sobre o Hezbollah – e logo, necessariamente, sobre o Líbano. Na actual conjuntura, estando a situação no Iraque e no Afeganistão por controlar e com o preço do petróleo em níveis muito elevados, não estão reunidas as condições ideais para intervir no Irão, deste modo, restringir ao máximo a ascendência de Teerão sobre outros Estados ou movimentos do Médio Oriente é um passo fulcral para aumentar a eficácia da pressão sobre o regime de Ahmadinejad. Enquanto se procura criar um cenário mais favorável a uma efectiva intervenção militar no Irão, ou pelo menos um cenário em que Teerão sinta isso como uma ameaça mais real, é essencial ganhar tempo e no entretanto cercear a capacidade de acção de Teerão na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por tudo isto que a ofensiva israelita no Líbano tem a dimensão e a intensidade apresentadas. As condições reunidas e o timing não podiam ser desaproveitados. Conta com o apoio tácito dos EUA( o mesmo é dizer da «comunidade internacional»), ou até declarado, como o atestam algumas afirmações de pessoas ligadas à Administração Bush, que vê com bons olhos a hipótese de isolar ainda mais a Síria e o Irão, conta com o apoio subentendido de vários Estados árabes, beneficia de um álibi legitimador – o ataque aos seus militares –, é uma hipótese de garantir a segurança de Israel a norte, numa zona onde sempre foi particularmente vulnerável,  e surge como uma possibilidade de restringir a força do Irão no Médio Oriente numa altura em que é urgente ganhar tempo face à vontade de Teerão se estabelecer como potência regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que neste contexto parecem existir sobretudo dois factores a considerar no rumo desta história, e não creio que a «comunidade internacional» e as suas organizações tenham voz no assunto( a não ser que cesse a conivência americana); um será a avaliação do apoio que eventualmente o Hezbollah possa conquistar entre a população libanesa, sentindo-se esta desamparada ante a ofensiva israelita, o outro será naturalmente a reacção (ou não) do Irão e o que essa eventual reacção exigirá dos EUA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115353179155059170?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115353179155059170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115353179155059170' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115353179155059170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115353179155059170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/07/domesticando-o-lbano.html' title='Domesticando o Líbano'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115118771376195230</id><published>2006-06-24T23:02:00.000+01:00</published><updated>2006-06-25T00:22:26.896+01:00</updated><title type='text'>Comunidade e Sociedade</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Assim como a distinção propriamente política é a oposição entre as categorias “amigo” e “inimigo” público, da mesma maneira o contraste entre “comunidade” e “sociedade” vem a ser a distinção fundamental de todo o pensamento sociológico. Seja que uns valorizem mais a categoria de “comunidade” e outros a de “sociedade”, o certo é que ninguém escapa a tal oposição e acabam enunciando-a com diferentes termos. Assim temos: sociedade aberta e sociedade fechada em Karl Popper, comunidade e sociedade em Ferdinand Tönnies, sociedade tradicional e sociedade moderna em Max Weber, solidariedade orgânica e solidariedade mecânica em Emile Durkheim, comunidade de sangue e comunidade de eleição em Martin Buber, sociedade homogénea e sociedade heterogénea em Herbert Spencer, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há já uma década defendemos a esse respeito que:”O certo é que a ideia de comunidade enuncia no seu sentido original a participação dos homens que a compõem num núcleo aglutinado de valores (“bens”) que lhes são comuns. Ao passo que a sociedade enuncia antes a aceitação por parte dos seus membros de um conjunto de normas (“deveres”) que regulam a relação entre eles” (Alberto Buela,1987). Notamos como a teoria liberal coloca, como o fez desde Kant a Rawls, a primazia do “dever e do direito” sobre o “bem”, enquanto a teoria social-comunitária desde Aristóteles a McIntyre outorga a prioridade do “bem” sobre o “direito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de comunidade supõe a existência de bens ou valores que são comuns ao seus membros e dado que ante os valores existem apenas duas atitudes: preferi-los ou preteri-los – não há lugar para a conduta neutra como a proposta liberal de Estado neutro –, a vinculação dos membros na comunidade é existencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de sociedade está vinculada à de contrato social enquanto a de comunidade à de "estado" social. A solidariedade é subjectivamente sentida pelos seus membros (Weber) enquanto na sociedade se limita ao prescrito pelas normas legais e pode, no máximo, entender-se como filantropia. A noção de sociedade está relacionada com a ideia de “humanidade civilizada e progressista” própria dos filósofos do iluminismo (Diderot, Condorcet, Montesquieu, Kant, Herder, Goethe, Schiller, Schaftesburg, etc.) enquanto o conceito de comunidade refere-se sobretudo à união orgânica e natural do homem à sua pátria (*).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade, na definição clássica do sociólogo Ferdinand Tönnies (1855-1939), é um círculo de indivíduos que, apesar de viverem pacificamente uns ao lado dos outros, não estão “essencialmente unidos, mas essencialmente separados” (1944). Numa palavra, a ideia de sociedade vincula-se à de capitalismo demo-liberal-burguês, onde a satisfação egoísta das necessidades do homem-indivíduo deixa de parte toda a referência ao próximo, enquanto que a categoria de comunidade vincula-se com a de sociedade pré-moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista filosófico foi Hegel (1770-1831) que nos brindou com a mais profunda caracterização de sociedade quando na sua Filosofia do Direito no-la descreve e logo nos mostra a sua superação pela ideia de comunidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Excerto de "Comunitarismo e Poder Político", de Alberto Buela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)Embora Buela seja professor de filosofia a inclusão de Herder naquele grupo de filósofos não me parece a mais correcta.Creio que mesmo os nomes de Goethe e Schiller só poderão ser ali incluidos na sua fase pós "Sturm und Drang".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115118771376195230?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115118771376195230/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115118771376195230' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115118771376195230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115118771376195230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/06/comunidade-e-sociedade.html' title='Comunidade e Sociedade'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115072377728565471</id><published>2006-06-19T14:11:00.000+01:00</published><updated>2006-06-24T18:45:29.786+01:00</updated><title type='text'>Clarificações</title><content type='html'>A última edição da revista Visão publicou um dossier, intitulado "Alerta skin", procurando apresentar o movimento skinhead aos seus leitores. Embora a quase totalidade dessa reportagem seja centrada nesse fenómeno específico surgem também associadas as habituais extrapolações e considerações sobre o movimento nacionalista na sua generalidade, a maioria reveladoras de manifesta ignorância ou, quiçá pior, da mais descarada má-fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas a título de exemplo, porque outros encontramos por lá, um dos jornalistas encarregues desse caderno explica-nos que o PNR é um partido neo-fascista, e prova-o através de um brilharete na arte do raciocínio indutivo afirmando que esse partido tem uma doutrina corporativista, e acrescenta: «o seu símbolo é aliás, um facho».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente não se percebe que doutrina corporativista é a do PNR, uma vez que o programa do partido não a defende, mas enfim, entende-se que a tentativa de fascizar a organização necessitasse desse exercício de criatividade artística. E depois a conclusão que reforça a evidência fascista é de ir às lágrimas; o símbolo do partido é um facho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leram bem, a chama, ou o facho, segundo a definição do jornalista “alistado”, passou a ser o símbolo fascista. Facho…fascista, óbvio! Não sei como classificar isto, bastaria até uma passagem pela Wikipedia para saber que o símbolo do fascismo não era uma chama, ou o tal facho, mas sim um fascio, que é algo completamente diferente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Reparemos no que diz a Wikipedia, até porque a parte final do texto ganha um redobrado sentido irónico em face do remate do jornalista da Visão: «A palavra fascismo deriva de 'fasces lictoris' (latim) ou de 'fascio littorio' (italiano). Trata-se de uma espécie de cilindro, composto de um feixe de varas ligadas à volta de um machado. Simboliza a força da união em torno do chefe. Era usado na Roma Antiga, associado ao poder e à autoridade, em cerimónias oficiais - jurídicas, militares e outras. Na década de 1920, foi adoptado como símbolo do Fascismo, em Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: Não se deve confundir com "facho", que se usa como equivalente de chama em "facho olímpico", por exemplo, e que é um dos símbolos das Olimpíadas.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso o douto escriba não conseguisse ainda assim entender a diferença a própria Wikipedia traz uma figura de um fascio, para que se possa visionar a diferença entre uma chama e o referido objecto. Quem não lê… vê os bonecos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chamou-me sobretudo a atenção nessa reportagem uma caixa final que denuncia claramente, embora de forma inadvertida, o sentido de serviço de quem a elaborou. Um pormenor que explica o jornalismo de causas que vamos tendo e do que é esse jornalismo tributário, particularmente evidente quando concerne à análise do nacionalismo como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz então o jornalista: «No artigo 46.º, a Constituição portuguesa estipula que não são consentidas organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista. São, pois, proibidas as organizações de extrema-direita. Porquê estas e não as de extrema-esquerda? Por duas razões. A primeira, de carácter interno, é que Portugal sofreu 48 anos sob uma ditadura de direita, sendo a Constituição de 1976 o fruto da revolução que abalou essa estrutura repressiva, dessa festa que as gerações mais novas não viveram e cujo alcance dificilmente imaginam. A segunda razão é de carácter geral: os fascismos espalharam o terror na Europa, arrastaram o mundo para a II Guerra Mundial e saíram derrotados. É, pois, natural que o seu banimento esteja consignado na lei da maioria dos países.» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este pequeno comentário tem matéria de discussão suficiente para escrever um livro mas não é obviamente num espaço como este que se poderia processar uma reflexão de fundo sobre tudo o que deste texto se poderia dizer. Fiquemos por isso por algumas questões que me merecem atenção mais imediata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais podemos dizer em relação ao artigo constitucional que, não havendo entre os especialistas do fenómeno uma convergência razoável sobre uma possível taxonomia do fascismo, a definição do que é uma organização que perfilhe a ideologia fascista permite um tal grau de amplitude classificativa que facilitará a arbitrariedade no julgamento do que poderá ser ou não uma organização desse cariz. Mas à questão da Constituição chegaremos mais à frente. Por ora atentemos nas conclusões do jornalista da Visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que desperta imediatamente a atenção é um indisfarçado posicionamento político do autor no que respeita à relação extrema-direita/extrema-esquerda. De tal forma que, de modo paternalista (típico da esquerda), nos explica, a nós os ávidos de compreensão, porque são justificada e apropriadamente proibidos partidos de extrema-direita e porque é licita e naturalmente permitida a existência de organizações de extrema-esquerda, não escondendo, ou legitimando, a sua concordância com esta realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se também, por uma questão de rigor, que a associação que o jornalista faz entre organizações racistas e/ou de cariz fascista à extrema-direita é abusiva ou, se quisermos, prima pela inexactidão, já que aquilo que tradicionalmente se entende por extrema-direita compreende movimentos que não são racistas ou fascistas. Mas adiante…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor começa por afirmar: «São, pois, proibidas as organizações de extrema-direita. Porquê estas e não as de extrema-esquerda? Por duas razões. A primeira, de carácter interno, é que Portugal sofreu 48 anos sob uma ditadura de direita, sendo a Constituição de 1976 o fruto da revolução que abalou essa estrutura repressiva, dessa festa que as gerações mais novas não viveram e cujo alcance dificilmente imaginam.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Constituição de 1976 é o fruto de uma revolução que abalou a estrutura repressiva da ditadura de direita, dessa festa que as gerações mais novas não viveram nem podem imaginar…de facto é verdade, as gerações mais novas não viveram essa realidade e é por isso que estão habilitadas, a partir do sistema de ensino, da comunicação social( e o jornalista em causa é um bom exemplo disso) e de outras instituições deste regime, a que lhes seja criada essa imaginação colectiva sobre o terror repressivo do salazarismo e os supostos feitos heróicos dos bravos revolucionários, sem que sejam confrontadas com um outro lado da História. De tal forma é eficaz esse exercício de construção de um imaginário colectivo sobre as gerações mais novas que a maioria dos que não viveram esses acontecimentos ficam guarnecidos com todas as certezas e sem qualquer vontade de procurarem a contradição, que lhes permitiria ao menos tentar fazer uma avaliação crítica do que lhes é enfiado cabeça dentro pelos fazedores de opinião, de imaginação e de História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é que nos diz essa razão de carácter interno, ou particularista, sobre a proibição das organizações de extrema-direita (como lhes chama o autor) e a existência de organizações de extrema-esquerda? Nada. Não permite qualquer juízo de valor geral sobre a dicotomia extrema-direita/extrema-esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notemos que pela mesma lógica se justificam as proibições e restrições legais que pendem sobre organizações de extrema-esquerda em países como a Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, República Checa ou Hungria. O que pensará disto o autor do texto? Certamente não tendo vivido o terror repressivo que a extrema-esquerda impôs nesses países e a “festa” que as gerações da libertação viveram advogará essas restrições legais, por uma questão de coerência. Ou não? Suspeito que talvez não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que se conclui sobre a justiça deste tipo de proibições assentes em razões particulares? Que não há que temer a filiação totalitária da extrema-esquerda nos países onde vigorou a repressão de direita e não há que recear a extrema-direita nos países onde vigorou o terror de esquerda? Nenhum juízo sério sobre a natureza comparativa da extrema-esquerda e da extrema-direita pode ser baseado em razões históricas particulares e parciais. As razões internas, para usar o termo do jornalista, não são, pois, um critério válido para emitir qualquer juízo crítico sobre o valor intrínseco, ou a virtude, da extrema-direita por comparação com a extrema-esquerda, já que não podem servir de base a uma concepção normativa de cariz “genérico” sobre qualquer dos dois fenómenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única conclusão que retiramos daqui é que a História é sempre escrita pelos vencedores, que impõem a sua própria lei. Nada de novo, verdade seja dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois o jornalista segue com a razão de carácter geral para o banimento das forças de “extrema-direita”: «os fascismos espalharam o terror na Europa, arrastaram o mundo para a II Guerra Mundial e saíram derrotados. É, pois, natural que o seu banimento esteja consignado na lei da maioria dos países.» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade a razão de fundo está lá, uma vez mais é o facto de terem saído derrotados na II Guerra Mundial a explicar esse banimento, ou seja, regressamos à razão de contingência: o acaso da História determina que se imponha a lei e a verdade dos vencedores. Mas noto, novamente, que por si só isto não subentende qualquer juízo normativo sobre a justeza dos fascismos ou dos seus oponentes, apenas uma determinação circunstancial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é curioso neste excerto é a defesa desse banimento pelo “terror espalhado pelos fascismos”. Então é esse terror que justificaria valorativamente, na generalidade, e já não numa dimensão meramente particular, o banimento das organizações fascistas e a legalidade das organizações que perfilham ideologias de inspiração marxista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale assim a pena recordar ao autor de tão clara lógica que os regimes de inspiração marxista foram responsáveis pela morte de cerca de 100 milhões de pessoas onde foram implantados, entre execuções sumárias, mortos em campos de concentração (pois, não foram só os “outros” a mantê-los e aliás não foram sequer os “outros” a inventá-los), vítimas de deportações e outras práticas do mesmo jaez. E lembremos que vários estudiosos consideram que estes números são estimativas por baixo face a uma realidade ainda mais sanguinária.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vale a pena recordar que nestes regimes o clima de repressão e terror atingiu níveis inauditos, e certamente sem comparação possível com a “ditadura de direita” que governou Portugal antes da revolução.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A título meramente exemplificativo, e porque para um tratamento exaustivo existem inúmeros documentos disponíveis no mercado, no campo de concentração de Kronstadt, em apenas 1 ano morreram 5000 dos 6500 detidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explique-nos lá novamente o jornalista da Visão como se fundamenta de forma coerente e estruturada, assente numa concepção normativa com carácter “universal”, a distinção legal entre extrema-esquerda e extrema-direita. Porque, francamente, a única coisa que conseguiu ao tentar justificar o injustificável foi revelar que causas serve. Na verdade a distinção justificada remete-nos para a diferenciação entre as boas chacinas e as más, os que assassinam milhões em nome do “humanitarismo”, da “igualdade”, de todos os “oprimidos”, e os que só podem matar por “ódio”, por “vileza”, representantes de toda a “brutalidade”. Pois…nós conhecemos os chavões. A boa tirania e a má. Velha história…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda a este propósito relembre-se que a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa votou favoravelmente em Janeiro deste ano a condenação internacional dos crimes dos regimes totalitários comunistas, com 99 votos a favor, 42 contra e 12 abstenções, entre os votos contra e as abstenções figuraram votos de diferentes forças de esquerda. Nessa resolução era pedido que os partidos de ideologia comunista e pós-comunista  se distanciassem claramente desses crimes, reconhecendo-os e reprovando-os, algo que os comunistas e seus derivados em Portugal se recusaram a fazer, reagindo, ao invés, com a habitual histeria de vitimização e legitimando de forma manifesta as atrocidades cometidas por aqueles que, no fundo, sempre foram e continuam a ser os seus exemplos de actuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembremos igualmente que recomendações que acompanharam essa resolução e que incentivavam a tomada de medidas efectivas por parte dos governos europeus, saindo portanto da dimensão simbólica da resolução aprovada, foram rejeitadas, já que necessitavam de uma maioria qualificada de 2/3,impossível de atingir pela oposição dos diferentes grupos parlamentares da esquerda europeia. As boas consciências e as velhas fidelidades ideológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque há memórias na nossa imprensa que são especialmente selectivas recuemos até Maio de 2005 quando o Parlamento Europeu votou favoravelmente uma resolução condenando as ditaduras comunistas e o regime soviético. Nessa resolução é dito que o comunismo deve ser condenado da mesma forma que o fascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como referiu um deputado francês na altura em que se debateu a resolução de Janeiro de 2006 na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, a actuação criminosa dos regimes de inspiração marxista nada tem a invejar à que é atribuída aos fascismos, com a diferença que esta última não é passível de discussão ou revisão, porque tendo perdido a guerra o fascismo perdeu também a voz, porque a análise dos crimes que lhe são atribuídos está enquadrada por uma legislação repressiva como nenhuma outra, que leva facilmente à prisão ou ao ostracismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a diferença é também que face a estas resoluções reinou o silêncio cúmplice na generalidade da comunicação social europeia, e na portuguesa em particular. É sobretudo revelador que várias organizações marxistas e neo-marxistas se tenham insurgido contra elas, assim como é revelador que continue a ser livremente exercido o revisionismo histórico sobre as chacinas da extrema-esquerda, no mundo académico e jornalístico, com total impunidade e até notório encorajamento quando, pelo contrário, o “revisionismo fascista” destrói vidas e leva pessoas ao encarceramento por crimes de pensamento, como acontecimentos recentes continuam a provar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade é que, por mais voltas que se dê, o artigo 46.º da Constituição é impróprio de qualquer regime que se pretenda exemplo de uma democracia-liberal. Estas, dizendo-se herdeiras dos princípios filosóficos liberais, seriam caracterizadas pela liberdade de associação, liberdade de expressão e pluralismo político. Exactamente tudo aquilo que esse artigo constitucional restringe. E, o que é pior, fá-lo de forma arbitrária por comparação com o tratamento dado a organizações historicamente associadas a regimes totalitários como os de inspiração marxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma Constituição inaceitavelmente politizada, fruto da habitual sanha persecutória dos marxistas e socialistas de todos os géneros, que no período pós-revolucionário detiveram um enorme poder sobre a política nacional. É um texto que não pode jamais representar a nação como um todo e que não respeita o princípio elementar que se exigiria de uma Constituição própria de uma democracia-liberal, a neutralidade política e a garantia de real liberdade para a participação dos cidadãos na vida pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que não sou herdeiro do pensamento liberal (e para que conste, porque essa confusão é frequente, não estou a falar de economia), exijo apenas desta democracia uma definição. Das duas uma, ou consigna de facto essa liberdade política e se assume como uma real democracia-liberal eliminando o nº4 do artigo 46.º, repressivo e excludente, ou deixa cair definitivamente a máscara da hipocrisia e admite que não é esse o seu modelo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me contentava com a última alternativa, porque apesar de tudo o mais execrável é o cinismo e a falsidade com que este regime se auto-caracteriza. Se admite que limita a liberdade dos seus adversários fica claro que, tal como os regimes ditos totalitários restringiam legalmente a acção dos seus inimigos, também este o faz, de forma menos feroz é certo, porém mais requintada e claramente mais eficaz. A diferença passa assim a ser sobretudo de método e não de princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se é este o caminho então há que exigir ao menos alguma coerência, que limite, pois, a liberdade de todos aqueles que historicamente foram seus oponentes, incluindo os marxismos, e não apenas de alguns, que exista um critério congruente, caso contrário, para além de politizada assume a ausência de um preceito moral perceptível para além da contingência, do acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa definição que é necessária, se se pretende uma Constituição própria de uma democracia-liberal e dos seus princípios, se é esse o seu arquétipo, então o nº 4 do artigo 46.º não tem justificação. Se assume que não é essa a sua natureza e deixa visível o seu carácter excludente,diferindo apenas nos processos em relação a regimes opostos, resta a escolha entre um critério de exclusão coerente face a tudo o que ameace a sua perpetuação ou a arbitrariedade que vigora neste momento. No fundo a menos sustentável de todas as opções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115072377728565471?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115072377728565471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115072377728565471' title='88 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115072377728565471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115072377728565471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/06/clarificaes.html' title='Clarificações'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>88</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-115012857348739081</id><published>2006-06-12T17:06:00.000+01:00</published><updated>2006-06-12T19:57:31.963+01:00</updated><title type='text'>Direitos Humanos?</title><content type='html'>Na pluralidade ruidosa e multiforme que caracteriza o sistema – pluralidade de todos os modos ilusória, que tende a mascarar a substancial convergência das suas formas – destaca-se, pela unanimidade que o rodeia, o tema dos «direitos humanos».Hoje em dia não há ninguém – ninguém – que se atreva a declarar-se publicamente contrário à moral dos direitos do homem e à filosofia que se encontra na sua base. Isto é facilmente constatável somente observando o «debate» que tem caracterizado estes dias de guerra, debate essencialmente destinado a demonstrar se o melhor modo de exportar ao mundo os valores «universais» dos direitos do homem é mediante a utopia cosmopolita e pacifista à maneira da «Emergency» ou mediante o precipitado pragmatismo yanqui à maneira de Bush. Duas perspectivas, como se vê, tão distantes e no entanto tão próximas. Nenhuma das duas, em qualquer caso, se distancia dos mesmos valores de fundo e da mesma ideologia implícita. Os direitos humanos continuam sempre a ser o substrato, assumidos tacitamente como valor supremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreender a essência desta religião moderna, descobrir as suas origens e desenvolvimento parece-nos, portanto, essencial para quem queira hoje situar-se em contraposição ao sistema sem ter as suas armas obstruídas à partida encontrando-se entre aqueles que combatem o fogo com gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Genealogia da doutrina dos direitos humanos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os «direitos do homem» são a suprema expressão do igualitarismo, isto é, daquela tendência histórica que nasce e se afirma pela primeira vez na História com o judeo-cristianismo e, posteriormente, resulta historicamente nas suas variantes laicas (democracia-liberal, comunismo, mundialismo, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fase originária – a que Giorgio Locchi chamava fase «mítica» (1) – do igualitarismo contém já em si todos os seus desenvolvimentos futuros, ainda que de forma latente e não expressa. Isto serve também para a doutrina dos direitos humanos. Adverte Stefano Vaj (2), de facto, que o monoteísmo judeo-cristão contém, na sua primeira formulação, todos os postulados teóricos que se encontram na base da moderna doutrina dos direitos do homem: a crença num direito natural cuja validez transcende todo o direito positivo concreto e que é expressão de uma moral objectiva e universal, a afirmação da prioridade do indivíduo sobre toda a comunidade orgânica, afirmação directamente consequente da ideia de salvação individual; a crença na existência de uma «pessoa humana» independente de toda a determinação concreta, isto é, a primazia do «Homem» tout court sobre os «homens» historicamente situados, a mentalidade universalista e cosmopolita que considera o género humano como uma unidade indiferenciada face à qual toda a pertença é um acidente que pode ser olvidado. Todos estes mitemas estão contidos de modo claro e explícito na formulação originária da tendência histórica igualitarista, isto não quer dizer, no entanto, que na Bíblia se encontre expressa, também de modo explícito, a mesma ideia de direitos humanos que conhecemos hoje. Para chegar a isto o igualitarismo deve desenvolver-se totalmente, atravessando e consumando até ao fundo a sua fase «ideológica» – usamos sempre a linguagem de Locchi – a fase, portanto, em que as diferentes ideologias humanas, nascidas do mesmo seio, se contrapõem umas às outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta a fase histórica que coincide com o período que vai da afirmação do protestantismo até ao final do Oitocentos. Neste arco de tempo as distintas formas ideológicas do igualitarismo, esquecendo-se da sua origem comum, combatem-se, reivindicando cada uma a primazia na afirmação da mesma visão do mundo. Os fundamentos teóricos da doutrina dos direitos humanos surgem de modo cada vez mais evidente no interior da reflexão igualitarista ( pensamos em Grócio, em Locke, em Kant, na Constituição dos EUA, nas declarações solenes da França pós-revolucionária, nos ideais da irmandade universal que constantemente emergem na tradição marxista, etc.), e no entanto, não se está em condições de «recompor a ruptura», para dizer como Benjamin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que falta? É óbvio: falta um inimigo absoluto ante o qual coligar-se e reencontrar a unidade perdida. Este inimigo, quase não é preciso dizê-lo, está representado pelo surgimento na cultura europeia de uma tendência nova, anti-igualitarista e anti-humanista, que se cristaliza logo politicamente nos movimentos fascistas europeus. É na guerra contra o fascismo que o igualitarismo encontra a sua síntese final debaixo da bandeira dos «direitos humanos». Esta unidade reencontrada terá a sua celebração na farsa judicial de Nuremberga. Todo o pós-guerra, servirá depois para expulsar todo o «resíduo ideológico». Neste sentido compreende-se o afã – entre arrependimentos, conversões, mudanças de opinião e psicodramas – dos «progressistas» em busca, durante toda a metade do Novecentos, de um comunismo «de rosto humano», de um ideal de emancipação depurado finalmente de toda a veleidade revolucionária, de todo o impulso de heroísmo, de toda a tentação autoritária. Encontrarão tudo isto no culto dos direitos humanos, verdadeiro ponto de convergência de todas as ideologias igualitárias, velhas e novas, lugar de abrigo para todos os que abandonaram os hábitos da revolução e para os maoistas em crise de consciência. 1989, ano da queda do muro de Berlim – e bicentenário da revolução francesa – representará portanto a data do triunfo da doutrina dos direitos humanos como nova religião laica do Sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Triunfo de uma moral&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havido sido definitivamente elevada a «horizonte moral dos nossos tempos» ( Robert Badinter), a religião dos direitos humanos celebra hoje o seu triunfo e a sua expansão planetária. Vírus ideológico pela sua capacidade etnocida quase total, esta moral presumidamente universal proporciona a armadura ideológica a um neo-colonialismo que em lugar do «fardo do homem branco» tem hoje como justificação um cocktail devastador de messianismo e hipocrisia.«Tratando de impor uma norma moral particular a todos os povos (a religião dos direitos humanos) pretende voltar a dar uma boa consciência ao Ocidente permitindo-lhe instituir-se uma vez mais como “modelo” e denunciar os “bárbaros” que rejeitam este modelo» (3). A destruição dos povos passa também a partir daqui pela imposição a nível planetário dos «valores» ocidentais e pela consequente desintegração de todo o vínculo orgânico, de toda a tradição particular, de todo o resto de comunidade – obstáculos todos eles à tomada de consciência da nova «identidade global» por parte do cidadão da era da globalização.«Como edificar a sociedade multirracial? Evidentemente extirpando toda a identidade precedente( e, portanto, toda a diferença). A eliminação das diferenças é o a priori transcendental, a condição de possibilidade da sociedade multirracial. Mas como preencher este vazio? Recorrendo necessariamente a um instrumento abstracto( e, portanto, ideológico).E então: o Direito é a resposta; unir todos os homens através do Direito» (4) … A resposta é óbvia: através da concepção abstracta e anti-política dos direitos do homem. Se a globalização é o nosso destino – como diz a vulgata – então os direitos do homem contêm em si uma verdade para-religiosa, são verdadeiramente a expressão de uma moral que tem o seu fundamento num renovado «sentido da História».Pretendo-se verdade auto-evidente (Cfr. A Declaração de Independência dos EUA: «consideramos como verdade evidente por si mesma que os homens nascem iguais…») a moral dos direitos humanos faz-se dogma, protege-se de todo o questionamento. Quem se opõe, portanto, ou inclusive quem simplesmente ostenta indiferença, situa-se contra uma espécie de verdade indiscutível, contra uma espécie de Lei inerente à História; é um herege, um blasfemo, um inimigo do Homem. Daí o ardor inquisitório por parte da «nova classe» contra povos e indivíduos culpáveis de transgredir os dogmas do politicamente correcto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Então?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonemos os lugares comuns induzidos pelo Sistema: Rejeitar a doutrina dos direitos humanos não significa tomar partido pelo extermínio, a injustiça ou o ódio. Diga-se o que se disser na Declaração Universal, não é o reconhecimento de tal doutrina que funda «a liberdade, a justiça e a paz no mundo». Liberdade, justiça e paz já existiam antes que a expressão «direitos humanos» tivesse algum sentido. O reconhecimento dos direitos humanos, por si mesmo, não funda, na realidade, nada mais que o tipo de justiça e liberdade que, tautologicamente, se encontram expressos… na própria doutrina dos direitos humanos! Pese o facto de que os defensores de tal doutrina continuem a pensar que «inventaram a felicidade» é preciso manter com firmeza que outra justiça, outra liberdade, outra paz, são possíveis.  Opor-se aos direitos humanos significa rejeitar uma moral, uma antropologia, uma certa ideia das relações internacionais e da política, uma visão do mundo global herdeira de uma tendência histórica bem identificável; hoje em dia «é o primeiro gesto subversivo fundamental que se impõe a quem queira tomar posição para regenerar a História contra o universalismo mercantilista e ocidental» (5).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano Scianca &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Cfr Giorgio Locchi, Wagner, Nietzsche e il mito sovrumanista, Akropolis, Roma 1982.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Stefano Sutti Vaj, Indagine sui diritti dell’uomo, LEDE, Roma 1985.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Robert de Herte, Un instrument de domination, em Eléments n. 107, Dezembro de 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) Giovanni Damiano, Elogio delle differenze, Edizioni di Ar, Padova 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) Stefano Sutti Vaj, op.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orion, número 226, Julho de 2003.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-115012857348739081?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/115012857348739081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=115012857348739081' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115012857348739081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/115012857348739081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/06/direitos-humanos.html' title='Direitos Humanos?'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114990097794465549</id><published>2006-06-10T01:55:00.000+01:00</published><updated>2006-06-10T02:04:50.016+01:00</updated><title type='text'>Portugal acima de tudo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/1600/bandeira%20PORTUGUESA.2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/200/bandeira%20PORTUGUESA.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114990097794465549?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114990097794465549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114990097794465549' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114990097794465549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114990097794465549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/06/portugal-acima-de-tudo.html' title='Portugal acima de tudo!'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114968921237515320</id><published>2006-06-07T14:53:00.000+01:00</published><updated>2006-06-08T17:36:13.346+01:00</updated><title type='text'>Ponto de ordem</title><content type='html'>1-O Batalha Final continuará a ser um blog assumidamente nacionalista e, dentro dessa área, manter-se-á fiel aos princípios e tradições que o têm guiado desde a sua criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2-Acredito que o combate nacionalista é um combate político e acredito que o poder político é reflexo da influência que as ideias têm na sociedade. Assim sendo, qualquer vitória no campo político é necessariamente antecedida pela ascendência e disseminação de um conjunto de ideias numa sociedade. A eficácia da difusão e consolidação de um ideário numa comunidade exige um trabalho em planos diferentes. É importante reconhecer o papel da doutrina para o escol mas igualmente a importância complementar da “política real”, pragmática, para o cidadão comum, fundada sobre as suas preocupações quotidianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Por triunfo político não entendo necessariamente, ou exclusivamente, um triunfo partidário nas urnas. Uma vez que os partidos políticos, e outras organizações que intervêm na sua órbita, são também receptores dos anseios e pensamentos que emergem da sociedade eles podem ser movidos para posições determinadas e distintas em ordem a responderem a pressões ou tendências sociais. Daí também a importância de influenciar ideológica e culturalmente o corpo social. Embora este combate cultural deva, idealmente, ter um partido que funcione como expoente institucional da absorção e difusão de ideias essa não é uma condição sine qua non, pelo menos no curto-prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Acredito que um partido não pode ser invisível para a sociedade mas rejeito em absoluto a ideia absurda de que «toda a publicidade é boa publicidade», muito menos no que concerne à arena política. Nesse sentido entendo que um partido tem obrigatoriamente que gerir a sua imagem, surgindo perante o público, sem dúvida, mas definindo sempre os timings, os assuntos e os contextos dessa aparição pública. Por consequência deve saber escolher a melhor forma de passar a sua mensagem, atendendo à linguagem e à imagem. Um partido que não compreenda a sociedade em que se insere estará eternamente condenado a celebrar ilusórios e efémeros triunfos quando os momentos são de retumbantes e reais derrotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5- Não sou nem nunca fui filiado em qualquer partido político. Foi porém, neste espaço, assumido o meu apoio público ao PNR, enquanto eleitor, e às suas iniciativas. Não seria portanto correcto afirmar que fui apartidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6- Nos últimos dias manifestei, noutro local, divergências fundamentais face à estratégia política do PNR. Em virtude do exposto nos pontos anteriores, e porque penso que tendo do combate nacionalista uma perspectiva muito diferente da adoptada pelo PNR não seria justo manter qualquer tipo de ligação ao referido partido, o Batalha Final sofre uma reorientação passando a ser um blog completamente apartidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7- Em consequência do que fica dito no ponto anterior nenhuma posição expressa por mim neste blog pode, de forma alguma, responsabilizar o PNR. Obviamente o inverso é igualmente verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114968921237515320?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114968921237515320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114968921237515320' title='45 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114968921237515320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114968921237515320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/06/ponto-de-ordem.html' title='Ponto de ordem'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>45</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114944564900799500</id><published>2006-06-04T19:05:00.000+01:00</published><updated>2006-06-04T19:32:46.843+01:00</updated><title type='text'>"je suis un écrivain fasciste" ou "assim falava Bardèche"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/1600/sparteetsudistes_gd.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/320/sparteetsudistes_gd.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Acredito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acredito que o homem moderno é um projecto de desnaturação do homem e da criação. Acredito na diferença entre os homens, no malefício de algumas formas de liberdade, na hipocrisia da fraternidade. Acredito na força e na generosidade. Acredito noutras hierarquias que não a do dinheiro. Vejo o mundo corrompido pelas suas ideologias. Acredito que governar é preservar a nossa independência, depois deixar-nos viver à nossa vontade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Novo mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A alienação face a um pensamento correcto implica necessariamente a submissão a uma atitude correcta, que na sociedade de consumo compreende a boa vontade face às instituições, o optimismo democrático, a ambição de ser semelhante aos colegas e de aspirar a ser o favorito do chefe, a satisfação de ser um bom cliente e um bom cidadão, empenhado em conseguir dinheiro para comprar cada vez mais coisas que nos são inúteis. Tudo isto a título individual mas cedendo cada vez mais as nossas responsabilidades (políticas, sociais, económicas, ecológicas, familiares, municipais…) a um Estado-Sistema que sofre um acelerado processo de privatização multinacional. A consciência industrial é completada com uma educação industrial que encaminha os seus esforços para fazer de nós uns consumidores teleguiados. A administração e os tecnocratas, menos hipócritas que os académicos, falam de nós como “sujeitos” ( no sentido de “sujeitar”, “reprimir”, “dominar”) e classificam-nos como “recursos humanos”, esta é uma sociedade onde não existem virtudes mas antes normas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Liberalismo, Marxismo e a demanda da liberdade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A hipocrisia da sociedade liberal e a hipocrisia da sociedade marxista criam finalmente um igual mal-estar e uma igual repulsa. Porque tanto a sociedade liberal como a sociedade marxista mentem e ambas propõem um falso ideal que encobre umas vezes a lei implacável do lucro e da exploração e outras a ditadura imbecil da caserna. E as suas mentiras, as suas falsas  posições provêm daquilo que ambas tomaram por fundamento de toda a estrutura, o económico e não o homem. Elas propõem-nos duas escravaturas diferentes do económico que, no final, acabarão por se assemelhar, todos os “trusts”, do Estado ou de Bancos, não são mais, no fundo, que uma única mecânica. Ora, o que é importante é o destino que se dá ao homem. E neste destino há alguns elementos inatacáveis, porque são a essência da natureza humana. É preciso que o homem seja chefe de família, é preciso que o homem tenha uma casa e que a erga ao seu gosto, é preciso que o homem tenha um trabalho e que goste desse trabalho, que o faça com prazer e que o fruto desse trabalho lhe seja remunerado lealmente. Nestas condições o homem vive, conduz a sua vida de homem livre, ele não é espoliado da sua existência. E o Estado não existe senão para lhe assegurar as condições desta existência que são as próprias condições da liberdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aos últimos europeus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;As palavras (…) enganam-nos, as palavras sobretudo. Dizem-nos:”É o fascismo que é preciso abandonar no mar dos mortos”. Não é apenas o fascismo que vejo perder-se no horizonte. É todo um continente que nós abandonamos. E as palavras não servem senão para disfarçar o êxodo. Os fumos que se elevam das cidades da planura impedem-nos de ver as colinas felizes que deixamos para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que importa para o futuro não é a ressurreição nem de uma doutrina nem de uma certa forma de Estado, ainda menos de um autoritarismo ou de uma polícia, é o regresso a uma certa definição do homem e a uma certa hierarquia. Nesta definição do homem, estabeleço as qualidades que referi; o sentido de honra, a coragem, a energia, a lealdade, o respeito pela palavra dada, o civismo. E esta hierarquia que ambiciono é aquela que coloca estas qualidades para lá de todas as vantagens dadas pelo berço, a fortuna, as alianças, e que escolhe a elite apenas em função das suas qualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autoridade no Estado não é mais que o respeito por estas qualidades e por esta hierarquia. Ela pode dotar-se de muita tolerância quando este reino dos melhores é estabelecido. Ela não exige a perseguição ou a evicção de ninguém. Mas creio que nenhuma nação, nenhuma sociedade, pode durar se os poderes que assentam sobre outros méritos que os que referi não forem essencialmente precários e subalternos. Toda a nação é conduzida, certamente, mas toda a nação se comporta igualmente de uma certa forma, toda a nação tem uma certa conduta, nobre ou baixa, generosa ou pérfida, como dizemos de um homem que tem uma boa ou má conduta. Um dos nossos erros actuais é admitir demasiado facilmente que estas coisas não têm qualquer importância. Queixamo-nos a cada dia da imoralidade e não nos dignamos a perceber que destruímos nós mesmos, ou deixámos destruir, toda uma parte das bases da moral, que as destruímos ainda a cada dia. As raízes que firmámos no lugar das grandes árvores abatidas definham e secam. E queixamo-nos de avançar num deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconstruímos as pontes, as fábricas, as cidades que as bombas haviam arrasado, mas não os valores morais que a guerra ideológica destruíra. Neste domínio estamos ainda perante um amontoado de ruínas. Insectos habitam estas ruínas, encontramos lá vegetação desconhecida, encontramos visitantes estranhos. O vazio moral que criámos não é menos ameaçador para o nosso futuro que o vazio geográfico que deixámos instalar no coração da Europa, mas não o percebemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se interessa. Há muita gente que se aproveita deste vazio moral no qual encontra vantagens. Não têm talvez ilusões sobre o seu futuro mas pensam que este interregno durará tanto quanto eles. Isso chega-lhes. Temem o tempo incómodo em que a coragem faz clamor, em que a energia se exibe, em que a lealdade é condecorada. Não gostam dos edificadores deste cenário. Consideram um pouco caro o preço que lhes pedimos pela sua segurança, o perigo não lhes parece premente. É de facto assim que se raciocinava em 1939.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sobretudo as fantasias que lhes inculcaram no cérebro agitam o seu sono: vêem cavalos negros surgirem no céu. A coragem, a energia, a lealdade, parecem-lhes grandes palavras inquietantes. Este vocabulário de professor de ginástica finda em Esparta, a criança à raposa, os soldados do ano II, Robespierre, os canhões que substituem a civilidade, e Napoleão que acaba sempre por surgir sob o jacobino Bonaparte. Estas brumas nos seus cérebros não são alheias ao seu desencorajamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se tanta gente se sujeita à operação que se faz aos gatos selvagens para transformá-los em gatos domesticados é, em grande parte, porque não vêem muito bem para que pode servir aquilo que lhes retiram: pensam mesmo, confusamente, que aquilo não pode servir senão para coisas ignóbeis. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extractos de «Sparte et les Sudistes»,Maurice Bardèche, Les sept couleurs, 1969&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114944564900799500?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114944564900799500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114944564900799500' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114944564900799500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114944564900799500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/06/je-suis-un-crivain-fasciste-ou-assim.html' title='&quot;je suis un écrivain fasciste&quot; ou &quot;assim falava Bardèche&quot;'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114909806382773689</id><published>2006-05-31T18:52:00.000+01:00</published><updated>2006-06-01T02:53:39.053+01:00</updated><title type='text'>Futuro desfocado</title><content type='html'>A RTP emitiu nesta terça-feira uma reportagem intitulada «Quando a violência vai à escola»; um quadro negro do estado a que chegou este país, da cultura de total desrespeito pela autoridade – resultado prático de anos e anos de labuta ideológica árdua e permanente de marxistas, neo-marxistas e socialistas -, do processo de autêntica substituição populacional que está completado com sucesso em determinadas zonas de Lisboa( algumas das salas de aula mostradas na reportagem aparentavam não ter quaisquer alunos portugueses) e da mais-valia que a diversidade étnica tem trazido à nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim nada daquilo foi surpreendente e creio que só se espantou com o que ali foi mostrado quem não faz ideia do que é hoje a zona colonizada que foi outrora a capital de Portugal, ou porque vive fora de Lisboa, ou porque, vivendo em Lisboa ou arredores, não costuma andar de transportes públicos, tem os filhos em colégios particulares, vive em condomínios luxuosos, em zonas elitistas, enfim, consegue, de certo modo, por via de uma específica condição social, passar ao lado da realidade quotidiana da insegura e nauseabunda cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreciei a preocupação da RTP em assegurar que em momento algum escola, alunos ou docentes pudessem ser identificados, desfocando as imagens da pequena barbárie que ia exibindo; agressões entre alunos, ameaças a professores, por parte dos «jovens» e dos respectivos pais, assaltos, assédio sexual a professoras, tudo o que se possa imaginar. Mas o essencial não pôde esconder, os marginais surgiam, ainda assim, facilmente identificáveis, todos percebemos quem são, são os que todos sabíamos que seriam; as eternas pobres vítimas de discriminação a quem tudo se desculpabiliza, para os quais tudo se justifica pelo chavão do «racismo» ou da «exclusão social» …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez numa próxima oportunidade a RTP possa simplesmente fazer como João César Monteiro na sua obra «Branca de Neve», ecrã completamente negro permitindo apenas ouvir as vozes dos delinquentes. Haveria algo de simbólico nessa ideia do ecrã negro, negro como a mancha que alastra progressivamente por todo o país e que se abate sobre o nosso futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois seguiu-se um debate... comecei a fazer zapping, havia acabado de jantar e achei melhor poupar a minha digestão às tretas das opiniões do costume, e de resto não precisava sequer de as ouvir, é por demais óbvio que o problema se resume à «exclusão social» e que a solução é colocar o «Zé Camelo» a sustentar com os seus impostos mais programas de integração, assimilação, inclusão, ou o que lhe decidam chamar, sobretudo não atacar o paradigma sagrado das nossas sociedades, nada de questionar a religião da multiculturalidade, que a nova Inquisição espreita e não perdoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso estado o deste Estado, não pára de crescer, não pára de gastar e, no entanto, mostra-se incapaz de cumprir responsabilidades mínimas que lhe são necessariamente exigíveis, como fazer respeitar a autoridade. E mais grave, demitiu-se voluntariamente daquilo que, numa situação normal, ou não estivéssemos nós sob ocupação de forças anti-nacionais, seria uma das suas obrigações essenciais, defender e preservar a identidade da nação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114909806382773689?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114909806382773689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114909806382773689' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114909806382773689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114909806382773689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/05/futuro-desfocado.html' title='Futuro desfocado'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114869402049191780</id><published>2006-05-27T02:36:00.000+01:00</published><updated>2006-05-28T01:45:00.216+01:00</updated><title type='text'>Uma democracia carrilha</title><content type='html'>Nunca li um livro de Manuel Maria Carrilho e não faço tenção de ler algum, mas não deixo de reconhecer que a última obra do candidato derrotado à Câmara Municipal de Lisboa e a discussão pública que originou teve duas grandes virtudes. A primeira foi a confirmação das suas falhas de carácter: um homem que alega não ter cumprimentado um adversário político por se ter sentido gravemente ofendido na sua dignidade no decorrer de um debate e que, dias depois, cumprimenta sorridentemente o «ofensor», pousando para a comunicação social, é um homem com problemas de carácter. Quando optou por não cumprimentar Carmona Rodrigues pensou não estar a ser filmado, ou talvez não tenha, no imediato, reflectido sobre o impacto político que esse gesto causaria. Alertado pelos seus assessores para a má imagem pública que terá daí resultado achou por bem, agora com a consciência que estava a ser televisionado, cumprimentar o mesmo indivíduo que havia desferido o que considerou um «imperdoável» ataque à sua honra. O carácter de Carrilho tem, pois, momentos, conforme a agenda política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é de somenos importância, de qualquer forma nunca tive Manuel Maria Carrilho em grande conta, nem, para o efeito, a maioria dos nossos políticos. O homem, no fundo, não é nenhuma excepção à regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda virtude foi a divertida e súbita controvérsia desencadeada pelo livro em torno da fiabilidade da «informação» veiculada pelos órgãos jornalísticos de «referência». Aparentemente existem «agências de comunicação» que controlam grande parte da «informação».Os estudos efectuados indicam que cerca de 70% das notícias publicadas nos jornais portugueses originam destas «agências de comunicação»,que podem estar ao serviço dos mais diferentes interesses, ou de gabinetes de imprensa de poderes públicos. Noutros países a tendência diminui, segundo uma reportagem do «Expresso», mas ainda assim mantém um peso significativo. Creio que o padrão se estenderá a todos os países ocidentais. Esta ausência de transparência entre interesses económicos e políticos e os «Media» não é novidade alguma. Christopher Lasch havia há muito identificado o problema como um dos factores de degeneração da democracia. A publicidade ou a propaganda, que originavam, de entre outras, precisamente de instituições do género destas «agências de comunicação» e gabinetes de assessoria, passavam cada vez mais como «informação objectiva» para a sociedade civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim não existe aqui uma perversão decisiva da democracia, essa vem muito detrás, é a democracia-liberal moderna que é em si uma degeneração política, a manipulação da comunicação e as relações dúbias que se estabelecem no quadro demoliberal entre informação e propaganda são uma natural característica do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que naquilo que hoje se convenciona chamar sistemas totalitários o controlo sobre a informação era claro ao passo que, como a democracia-liberal se publicita enquanto sistema pluralista, livre e transparente, esse controlo informativo tem de ser sujeitado a uma maquilhagem, a uma ilusão para venda ao público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucede que a questão não se centra só na dita «informação objectiva» que se confunde amiúde com propaganda, é a própria «informação subjectiva», ou para ser mais claro, a «opinião», que é controlada nos «Media». Todos sabemos que as crónicas de opinião nos jornais ou os comentadores televisivos são seleccionados a partir de uma área bem delimitada que exclui uma parte das posições ideológicas, que não têm qualquer acesso à comunicação de massas e, por consequência, ao grosso da população. Estes sectores ideológicos não só são os mais vulneráveis à «propaganda-informação», porque não têm apoios financeiros nem poder político, como estão impedidos do acesso à comunicação social de forma a poderem exprimir-se pela sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta manietação informativa não é suficiente, apesar de tudo existem questões que fogem à «rede». E sobre essas torna-se cada vez mais claro que é também preciso actuar. Nesse caso é o próprio Estado que já não se coíbe de condicionar, implicitamente ou explicitamente, a informação e a opinião que deve ser disponibilizada à população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que se explica que o Ministério da Administração Interna (MAI) tenha exigido a responsabilização criminal dos dirigentes do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) que afirmaram a ligação, que é factual, entre imigração e criminalidade e as novas formas que esta tem vindo a assumir no nosso país, fruto das maravilhas da «diversidade multicultural». A intimidação como estratégia de controlo da informação e da opinião patrocinada pelo próprio Estado democrático… E é dessa forma que se explica que a CICDR, orgão do ACIME, que é um organismo governamental, financiado pelos contribuintes, tenha «aconselhado» recentemente os jornais a não publicarem a origem étnica dos criminosos, o mesmo é dizer que o Estado instigou a comunicação social a ocultar informação da população, no caso sobre a relação entre crime e etnia. Este não é um problema exclusivo de Portugal, nem um problema exclusivo das questões relacionadas com imigração e minorias étnicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em França, o ministro da cultura, Renaud Donnedieu de Vabres, prepara um projecto, ainda mal esclarecido, para controlar a informação que circula na Internet, que se tem mantido até aqui como o único meio realmente livre de comunicação. Para além de outras implicações políticas que daqui poderão surgir convém lembrar que em França os sociólogos identificaram como uma das causas da rejeição da Constituição Europeia o trabalho desenvolvido pelos blogs e sites que se lhe opunham, fazendo um contraponto com o que era defendido nos «Media» tradicionais, onde as posições pelo sim tinham maior preponderância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa altura em que alguns comissários europeus anunciam que o tratado constitucional será novamente levado a votação em 2009 não será irrelevante que se preparem projectos de controlo da informação na Internet precisamente num dos países onde o texto foi rejeitado. A escolha da data não é, obviamente, casual, coincidirá com um período em que se prevê que a economia europeia esteja já num processo de crescimento consolidado e em que, logicamente, a convulsão social será residual. Esta  esperada estabilidade económica aliada a uma selecção daquilo que é disponibilizado como opinião e informação à população, condicionando a Internet, será a garantia (ou assim o esperam alguns) de que, desta vez, se votará «acertadamente».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo a lógica subjacente a tudo isto é simples, o povo não pode emitir juízos de valor sobre informação que desconhece e tanto maior é a predisposição para a anuência quanto menor for o acesso à comunicação dissidente ou quanto maior for a exposição a propaganda disfarçada de «informação objectiva» e a crónicas de opinião criteriosamente escolhidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia-liberal apregoa em público as suas virtudes únicas: a liberdade de expressão, a contraposição de opinião, o pluralismo político,a independência informativa, mas dissimuladamente – e por vezes nem tanto – vai impondo outras regras, garantindo um estranho conceito de liberdade e pluralismo na conformidade. Pois alguém julga possível haver real possibilidade de divergência quando a informação está condicionada? É exactamente a efectiva liberdade de informação e a sua independência, como o acesso aos meios de comunicação de massas por parte de diferentes forças políticas, que garantem tudo o resto. O carácter desta democracia é similar ao de Carrilho, em público apresenta uma face, na sua «esfera privada»( no caso a dos interesses económicos e políticos que a dirigem) tem outra. Uma espécie de «democracia carrilha»…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114869402049191780?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114869402049191780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114869402049191780' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114869402049191780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114869402049191780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/05/uma-democracia-carrilha.html' title='Uma democracia carrilha'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114807975756777126</id><published>2006-05-19T23:41:00.000+01:00</published><updated>2006-08-24T18:18:05.740+01:00</updated><title type='text'>Reinterpretar Hans Freyer</title><content type='html'>Hans Freyer é um nome pouco conhecido entre aqueles que se destacam vulgarmente naquilo que chamaremos a direita revolucionária alemã do pré-guerra. Filósofo e sociólogo, foi o principal impulsionador da “Escola de Leipzig”, uma escola sociológica sedeada na Universidade da cidade com o mesmo nome e que, sob a direcção de Freyer, se pretendeu constituir como um “Think Tank” para o nacionalismo, reunindo nomes como Arnold Gehlen, Gunter Ipsen, Heinz Maus, Karl Heinz Pfeffer ou Helmut Schelsky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora Freyer seja um homem frequentemente olvidado no panorama da Revolução Conservadora o seu trabalho influenciou parte do movimento nacional-revolucionário alemão e a sua visão política insere-se facilmente dentro dessa tradição. Pertenceu ao complexo espiritual que reagiu contra a ordem imposta pela democracia-liberal à época e pode ser considerado um dos expoentes da ideia de meta-política na Alemanha dilacerada pela primeira guerra mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência da sua obra no nacionalismo alemão esteve confinada a alguns sectores, e vale a pena lembrar, porque é muitas vezes esquecido, que o nacional-socialismo não foi um movimento monólito. Não encontramos em Freyer um ressentimento anti-semita nem um enfoque primordial na questão racial per se, mas antes uma exaltação do Volk germânico como essência e agente do ideal político. O nacionalismo de Hans Freyer assenta num posicionamento moral de rejeição do mundo que via surgir e que, como tantos outros homens, encontrava na mundividência proposta pelo nacionalismo a alternativa revolucionária de enraizamento social, histórico e espiritual do homem num mundo cada vez mais marcada pela fragmentação liberal e ameaçado pela barbárie materialista proposta pelo comunismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Hans Freyer surge uma visão cíclica da História, expressa em “Der Staat”, que concebe  3 fases progressivas que se repetiriam, Crença, Estilo e Estado. Na última fase, o Estado, a sociedade atingiria o apogeu. O Estado surge aqui como a estrutura que agrega a comunidade histórica e cultural, ou nacional, na unidade, dando-lhe um sentido ancorado no passado e uma forma para a realização futura, protegendo a sua particularidade. A ideia de liberdade em Freyer está sujeita ao bem comum, a liberdade individual não pode actuar de forma a colocar em causa a harmonia da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta concepção do Estado pode apenas ser entendida à luz de uma adaptação da herança Hegeliana da ideia de Estado ético. Em Hegel a vida ética está fundada em três instituições fundacionais: a família, a sociedade civil e o Estado. Freyer adopta a mesma concepção considerando a sociedade civil como coincidente com a comunidade primordialmente definida. O Estado, como em Hegel, assegura a unidade necessária que   invalida o fraccionamento e a desordem social inerente ao individualismo mais radical e, dessa forma, é ao mesmo tempo o garante de uma concepção própria de liberdade. Esta posição de Freyer é anti-universalista, e uma vez mais regressamos a Hegel e à noção de que o Estado não pode ser ultrapassado por uma ordem mundialista porque tal como não pode existir um indivíduo sem outros indivíduos não pode existir Estado sem outros Estados, depositários da soberania e do poder político que representem as diferentes comunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As 3 fases cíclicas da história que Freyer identifica em “Der Staat” são um resultado do conceito de “espírito objectivo”, que havia sido desenvolvido anteriormente em “Theorie des objektiven Geistes. Eine Einleitung in die Kulturphilosophie"(disponível em espanhol como “Teoría del Espíritu Objetivo”). Nessa obra identificamos uma abordagem da cultura que pode apenas ser plenamente entendida num contexto pré-determinado, o da sua própria realidade. A cultura surge como interacção, é produto de um povo mas é também geradora desse povo, tal como, naturalmente, as “formas objectivas” que assume: símbolos, arte, organização; o carácter da comunidade. Estas formas, depois de criadas, almejam o enraizamento na realidade que as rodeia. Esta cultura criada e criadora não pode nunca ser independente da psique que a produz, isto é, do espírito (objectivo) próprio do povo que lhe dá forma e que sob as suas formas evolui. Freyer identifica a ideia de tradição como uma configuração desse espírito objectivo, fortalecendo as bases para a coesão particular de cada comunidade. Podemos então identificar nessas “formas objectivas” de criação cultural, enquanto dispersas,  o Estilo que antecede a fase posterior da História, o Estado, onde serão unificadas e harmonizadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante salientar que Hans Freyer é um construtivista e que a visão política exposta em “Der Staat” terá um cariz parcialmente utópico. Mas este carácter utópico da sua visão não é entendido na sua obra como um factor de limitação ou desmotivação perante um objectivo supostamente irrealizável, antes deve esse cunho utópico ser compreendido como móbil da busca da superação e da perfeição e como factor de inegável valor no desenvolvimento e aprimoramento do espírito humano. Isto significa que na impossibilidade de se concretizar o projecto na sua totalidade é possível tender para isso, e é possível alcançar algo que se aproxime do desígnio traçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de utopia em Freyer está intimamente ligada a uma ordenação política da sociedade que no seu estádio final atingiria a estabilidade. Esse estádio perfeito seria atingido na projecção do “3º Império”, marcado por um primor ético, que sucederia ao “2º Império”, caracterizado pelo dever Kantiano. Em Freyer a procura da sociedade ideal está sempre ligada à ideia de pátria e à sua salvaguarda, não existe procura do ideal para além da comunidade. As duas funções históricas da utopia, a crítica social e o construtivismo sistemático, podem apenas mover a sociedade em direcção ao aperfeiçoamento quando estão localizadas espacialmente e centradas numa realidade cultural particular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da sua reflexão sobre a utopia, e porque não existem sociedades perfeitas, podemos retirar que a aproximação à boa sociedade exige 3 condições:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Um equilíbrio das forças que actuam na sociedade para constituir uma ordem funcional que exige que a comunidade se saiba fechar ao exterior quando uma abertura implica uma alteração da sua estrutura;&lt;br /&gt;2- Alcançado o sistema ideal(ou o que dele se aproxima) este deve ser protegido de uma transformação;&lt;br /&gt;3- A comunidade política não pode ser resultado de uma mera imposição jurídica para se manter agregada, o que significa que exige uma uniformidade à priori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da influência de Hegel sobre Freyer ser também comum aos marxistas a visão de Freyer é extremamente crítica do Marxismo, sobretudo do determinismo económico, que ele rejeita. Também opostamente a Marx, Freyer, como já vimos, não tem por objectivo o desaparecimento último do Estado, pelo contrário, vê aí a concretização da união da comunidade e a partir do qual nasceriam as mais elevadas formas de cultura(1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa rejeição do determinismo económico marxista baseia-se numa interpretação distinta da História, porque se no marxismo ela é determinada pelos factores económicos em Freyer é o “político” e não o “económico” que explica o curso histórico. E a rejeição resoluta da primazia económica afasta-o, igualmente, do liberalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta diferença no entendimento das forças motrizes da História explica a “dialéctica Freyeriana”. Ao passo que no Marxismo a posição materialista justifica que a acção de transformação social sobre a História seja encarada no contexto da luta de classes, e portanto de uma comunidade dividida pelo económico, cujo elemento actuante, ou se preferirmos, o agente de transformação, é a classe proletária, em Hans Freyer o agente de acção, aquele sobre o qual recai a necessidade de actuar sobre a História é o Volk, o povo, a comunidade, que necessariamente precisa de se percepcionar como uma realidade unida pelo mesmo substrato, com um objectivo de realização comum, e não como um conjunto de indivíduos divididos pelo mercado ou apenas ligados por relações que derivam daí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a revolta marxista é ditada por uma concepção economicista da realidade, o desencanto "Freyeriano" ultrapassa largamente essa dimensão, é uma reacção espiritual face a um mundo desenraizado, onde a nação surge fragmentada pela filosofia liberal, ameaçada pelo comunismo, dividida pelas lutas partidárias em prol de interesses próprios que não os da comunidade. É no contexto do advento dessa nação cada vez mais desintegrada, cada vez menos orgânica e afastada da sua memória histórica que Freyer afirma a urgência do mito como factor estruturante da pátria: o nascimento num povo particular deve ser elevado a um destino ou vocação conscientemente afirmada(2). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)Esta visão Hegeliana do papel do Estado na ordem política é comum a algumas correntes fascistas, provavelmente aquelas que mais apropriadamente se podem assim denominar, e vale a pena aqui lembrar as palavras de Mussolini:”Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Na prática o corporativismo fascista não realizou esta ideia e assim somos remetidos para a procura da utopia em Hans Freyer, entre o projecto ideal ambicionado e o realizado existe o confronto com a contingência, que provoca a necessária adaptação, mas os princípios subjacentes podem, não obstante, ser largamente realizados. É a aproximação ao ideal que só é conseguida quando é a plenitude que se ambiciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2)Relembrando um seu contemporâneo,Carl Gustav Jung:"O sentido torna muitas coisas suportáveis, talvez tudo.Nenhuma ciência substituirá o mito e o mito não pode ser construído a partir de qualquer ciência.Porque não é que Deus seja um mito mas que o mito é a revelação de uma vida divina no homem"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerry Z. Muller,"The Other God that Failed : Hans Freyer and the Deradicalization of German Conservatism",Princeton University Press,1988&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans Freyer,"Teoría del Espíritu Objetivo",Editorial Sur,1973&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114807975756777126?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114807975756777126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114807975756777126' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114807975756777126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114807975756777126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/05/reinterpretar-hans-freyer.html' title='Reinterpretar Hans Freyer'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114773935837874269</id><published>2006-05-16T00:58:00.000+01:00</published><updated>2006-05-16T17:22:39.026+01:00</updated><title type='text'>Divulgue e contribua</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://img409.imageshack.us/img409/8868/campanha1pnrsmall4gi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://img409.imageshack.us/img409/8868/campanha1pnrsmall4gi.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ver um sorriso no rosto de uma criança  é uma das formas de nos ver sorrir, o PNR inicia, no próximo dia 10 de Maio, uma campanha de recolha de brinquedos para as nossas crianças carenciadadas.  &lt;br /&gt;Consideramos que não é só no Natal que se devem organizar este tipo de actividades, e como tal, resolvemos fazer as crianças um pouco mais felizes também em outras alturas do ano.&lt;br /&gt;As associações a quem vamos entregar os brinquedos recolhidos serão rigorosamente seleccionadas.&lt;br /&gt;Aos Portugueses lançamos o convite: quem tenha disponibilidade para doar brinquedos de filhos, sobrinhos, netos ou outras crianças ou queira adquirir um brinquedo, seja de que valor for, e participar nesta campanha, o PNR agradece.&lt;br /&gt;Vamos pôr um sorriso no rosto de cada uma das nossas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pnr.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=125&amp;Itemid=153"&gt;Para mais informações visitar esta página do site do PNR&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Actualização: Os brinquedos recolhidos nesta campanha do PNR serão entregues ao Retiro Aboim Ascenção, dirigido por Luís Villas-Boas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114773935837874269?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114773935837874269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114773935837874269' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114773935837874269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114773935837874269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/05/divulgue-e-contribua.html' title='Divulgue e contribua'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114748144664833668</id><published>2006-05-13T01:48:00.000+01:00</published><updated>2006-05-18T15:15:44.606+01:00</updated><title type='text'>Prós e Prós - texto de desintoxicação</title><content type='html'>Quem assistiu ao programa Prós e Prós da passada segunda-feira pode considerar-se um privilegiado. Bem sabemos que por norma o programa é uma exposição de indigência intelectual, mas creio que pode ter ultrapassado todos os limites nesta última sessão. Há muito que não via reunidos no mesmo espaço tantos estúpidos em defesa do fim de Portugal, há muito que não via tamanha manipulação informativa em horário nobre da televisão que é financiada com os nossos impostos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde começar quando, durante mais de duas horas, assisti a todo o tipo de intrujices, imagináveis e inimagináveis, por parte de uma Irene Barata que é autarca, um  ex-comissário europeu, um sociólogo que deu pena, um comissário para a imigração que é um autêntico «Miguel de Vasconcelos» dos tempos que correm e um padreco cujo nome não recordo mas que avivou na minha memória a razão pela qual considero hoje a Igreja Católica uma instituição de tendências neo-marxistas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja melhor começar pelos pontos menos negativos; foram tão poucos que serão rápida e facilmente abordados. O sociólogo Rui Pena lá disse a custo que a imigração não é uma solução sustentada para os problemas sociais e demográficos do país no médio-longo prazo. António Vitorino subscreveu esta afirmação e acrescentou que para lá dos «aspectos positivos» este fenómeno acarreta também custos, embora aparentemente se tenha esquecido de os focar, uma vez que durante todo o programa assistimos a uma apologia incontestada da imigração. E pronto…quanto ao que de  minimamente  proveitoso foi dito em mais de duas horas de programa ficámos já conversados. Passemos então a uma sucinta análise crítica das intervenções dos protagonistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Irene Barata, uma história mal esclarecida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pela intervenção da autarca em foco… A senhora Irene Barata ter-se-á queixado de não conseguir encontrar trabalhadores portugueses dispostos a irem para Vila de Rei. Isto conduz-nos, antes de mais, a uma questão que ultrapassa o caso específico de Vila de Rei. Se de facto existem empregos que não conseguem trabalhadores, se existem empresas que por mais que tentem não conseguem mão-de-obra e se temos pessoas que preferem continuar a viver do subsidio de desemprego a aceitar trabalho então a discussão terá de ser situada ao nível das reformas do subsídio de desemprego, sujeitando-o a regras de activação mais exigentes e excluindo do seu acesso quem as não cumpra. No entanto, este caso particular levanta também questões sobre a lógica de funcionamento dos próprios centros de emprego, importa saber a quem disponibilizam informação sobre a procura de trabalho e segundo que critérios. Porque francamente, num país com cerca de 500 mil desempregados ninguém acredita que a autarquia não estivesse em condições de atrair alguns portugueses…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a questão não fica por aqui, vamos supor, para efeito de discussão, que de facto Irene Barata não conseguiu encontrar pessoas dispostas a trabalharem em Vila de Rei pelas condições oferecidas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou no programa a ideia de que Irene Barata acumulará a função de presidente da Câmara com um cargo numa grande empresa do concelho e sabemos que estão a ser criados no município um centro de lazer com capacidade para 300 utentes e dois lares para idosos, com capacidade para 70 utentes cada um, ou seja, estão na forja alguns projectos que necessitarão de uma quantidade razoável de mão-de-obra e de preferência a baixo custo. É importante saber qual a eventual ligação da autarca, a existir, a estes investimentos, que são privados, segundo as palavras da própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque quando Irene Barata se queixa de não conseguir trazer gente para o concelho, com emprego garantido, é preciso também dizer que o emprego garantido de Irene Barata paga o salário mínimo, se a senhora Barata não pudesse importar imigrantes os empresários( incluindo-a a ela?) que necessitassem de mão-de-obra, no caso de a não conseguirem encontrar ao salário oferecido, teriam de aumentar esse valor salarial para atrair trabalho, dispondo da possibilidade de importar mão-de-obra estrangeira a senhora autarca prestou às empresas envolvidas um valioso serviço(em oposição aos interesses dos eventuais trabalhadores): poderem contar à priori com trabalho remunerado ao nível mais baixo que a lei permite. Será portanto relevante saber se Irene Barata tem de facto ligações a uma das maiores empresas do concelho e conhecer que tipo de relações existirão eventualmente por parte de todos os envolvidos nesta história às empresas por detrás destes novos investimentos, interessadas concerteza em dispor de mão-de-obra ao mais baixo custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estas questões devem ser analisadas para que este assunto possa ser devidamente clarificado, o que não é de forma alguma normal e aceitável é que poderes públicos importem imigrantes num país que tem meio milhão de desempregados. E mais, a autarquia de Vila do Rei não está apenas a importar trabalhadores estrangeiros para o seu concelho como se se tratasse de uma realidade desligada do resto da nação, que não afecta os portugueses como um todo. Estas pessoas vêm com contratos de 3 anos, renováveis por mais 3, ao fim dos quais poderão adquirir nacionalidade portuguesa. Ora não só a mobilidade destas pessoas não pode ser efectivamente controlada, já que não há nada que garanta que ao fim desse tempo não abandonarão Vila de Rei, como no processo, por diligência desta presidente de Câmara, o país ganhará mais uns quantos novos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Comissário Rui Marques, sempre ao serviço da anti-nação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste senhor não podemos esperar grande honestidade na análise do problema da imigração já que é pago pelo Estado para fazer a apologia do fenómeno, e, verdade seja dita, tem-no feito por todas as formas ao seu alcance, particularmente manipulando informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos por uma das afirmações da noite, quando Rui Marques afirmou, com a convicção de quem sabia à partida que não iria ser contestado( o painel oferecia-lhe essa garantia), que não existia qualquer relação entre criminalidade e imigração e que as taxas de criminalidade dos imigrantes eram similares às dos portugueses se levados em consideração os factores idade, ocupação e género.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Marques fez uma objectiva distorção da questão. O que o Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas afirmou é que, descontados os factores sexo, idade e ocupação, os números relativos de delinquência seriam semelhantes entre imigrantes e população autóctone, porque os homens adultos, mal remunerados ou desempregados, apresentam taxas de violação da lei superiores aos outros grupos, e estes constituem a maior parte dos imigrantes. Mas a verdade é que de facto os números da criminalidade imigrante ultrapassam os dos portugueses, e enquanto os lobbies imigracionistas não conseguirem trazer para a Europa mais mulheres, mais trabalhadores altamente qualificados e enquanto os terceiro-mundistas com 6 ou 85 anos de idade não forem uma percentagem significativa dos imigrantes, essa correlação crime/imigração continuará a ser uma realidade que nenhum Alto Comissariado conseguirá esconder. Portanto a ligação entre os dois fenómenos é indesmentível e pode aliás ser facilmente comprovada analisando a percentagem de imigrantes detidos nas nossas prisões, que ultrapassa a taxa de imigrantes presentes na população do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda assim, será verdade que descontados os factores sexo, ocupação laboral e idade os níveis de criminalidade dos imigrantes correspondem aos dos portugueses? Não propriamente, uma vez que essa análise está adulterada à partida. Isto porque o estudo em que o Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas se baseou para referir essas percentagens, que supostamente fariam equivaler as taxas de crime dos portugueses às dos imigrantes, contabiliza como crimes de nacionais os que são praticados pelas minorias étnicas entretanto naturalizadas, fazendo aumentar a respectiva taxa de delinquência dos portugueses e diminuir a das minorias, em última análise se a todos os imigrantes for assegurada a nacionalidade portuguesa( e já estivemos mais longe) a taxa de criminalidade desse grupo cairá para 0%. Se quiséssemos pois estudar devidamente o problema seria necessário fazê-lo discriminando entre grupos étnicos, impensável em Portugal mas prática corrente noutros países. Louve-se então o desvirtuamento do critério de nacionalidade que os sucessivos governos têm levado a cabo neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o senhor comissário esqueceu-se convenientemente de outro ponto não menos importante. É que a criminalidade engloba uma miríade de situações de violação da lei, das mais graves às menos significativas. Se analisarmos a distribuição dos crimes verificaremos que os de natureza mais gravosa têm uma incidência percentual superior entre as minorias étnicas. Não é propriamente equivalente um português passar um cheque sem cobertura e um não europeu alvejar alguém com uma arma de fogo no curso de um roubo. Sucede que o comissário Marques nunca apresenta estes dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente caricata foi a tentativa de Rui Marques de definir o que seria a identidade europeia. Na ânsia de defender que a actual vaga de migrações para a Europa não constituiria qualquer ameaça à nossa identidade o comissário definiu-a, balbuciando uma série de frases sem grande nexo mas com alguma graça, como caracterizada pela «diversidade e diferença», ao mesmo tempo ligando a identidade das nações europeias ao actual monstro jurídico que conhecemos por U.E., construção que, como sabemos, é recente, e terminou a série de disparates dizendo que antes de falar em identidade europeia lhe interessa sobretudo falar em «humanidade», o tipo de frase que cai sempre bem em auditórios cuja capacidade de raciocínio não prima pelo brilhantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém coloca em causa o conceito de «humanidade», não creio que alguém duvide que os diferentes povos do mundo fazem parte da espécie humana, mas isso não invalida que dentro da humanidade existam diferenças identitárias a preservar e que enriquecem o mundo; e elas sim garantem a verdadeira diversidade. Assim, um português é diferente de um sueco como um europeu é diferente de um africano, todas estas distinções estão marcadas por factores de identidade que devem ser preservados sem no entanto implicarem que se renegue a quem quer que seja a pertença à «humanidade». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A identidade ancestral europeia não pode obviamente ser confundida com os valores propugnados pela superestrutura denominada U.E., nada é mais absurdo, e certamente que as características fulcrais da identidade dos povos europeus não são nem nunca foram a «diversidade e a diferença», que não passam de uma construção social moderna e que quanto muito poderiam ser apontadas como a própria negação de factores identitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ficou claro na intervenção do comissário foi a completa incapacidade de definir o que constitui a identidade das nações europeias, simplesmente não sabe o que isso significa, não lhe interessa, não tem conhecimentos históricos para a caracterizar ou mostra-se incapaz de o fazer em função de propósitos políticos e ideológicos ao serviço dos quais se encontra. Para que não restem dúvidas os povos europeus são, em traços largos, de raiz indo-europeia na sua quase totalidade, de raça «branca», fruto do encontro da cultura greco-latina com o cristianismo, unidos pela proximidade geográfica e cultural e por processos históricos directa ou indirectamente partilhados, e tudo isto faz com que possamos correctamente definir a Europa como um bloco civilizacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Rui Pena, o sociólogo esquerdista de serviço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As declarações deste participante não fugiram à mediocridade das dos restantes convidados e de resto o referido indivíduo é conhecido pela sua filiação ideológica à esquerda e pelo empenho, assumido, na defesa da agenda multiculturalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os inúmeros disparates proferidos pela personagem alguns merecem especial atenção. A dada altura, negando que a imigração/invasão que assola a Europa possa constituir uma desagregação da identidade dos povos europeus e de Portugal em particular comparou o actual fenómeno de imigração com a recepção de milhares de retornados vindos das nossas antigas províncias ultramarinas. Comparar o regresso a Portugal de portugueses, que sempre o foram independentemente de se encontrarem fora do território continental europeu, que partilhavam connosco o sangue dos nossos antepassados, a mesma cultura e tradição, com a entrada desregrada de imigrantes estranhos à Europa e que nada têm a ver com a nossa identidade bio-cultural não merece comentários, fica exposto e à consideração de todos a legitimidade de semelhante comparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois Rui Pena afirmou que a actual vaga migratória para a Europa não é significativa em termos históricos uma vez que em séculos anteriores os fenómenos de migração atingiram dimensões superiores, dando o exemplo da emigração europeia para o Novo Mundo. O que Rui Pena se esqueceu de referir foi que a esse processo se chamou, apropriadamente, colonização, e de facto, se pretende estabelecer um paralelismo com o que está a suceder na Europa esse seria o termo que deveria ter empregue e que decorreria naturalmente da lógica do seu raciocínio. Mas ao contrário dos referidos processos de colonização, que compreenderam a oposição dos povos colonizados, vencidos pela superioridade técnica dos colonizadores, na situação actual a Europa está a ser colonizada por povos que são, quanto muito, civilizacionalmente inferiores e que não disporiam das condições para levar a cabo essa empreitada se não contassem com a colaboração do poder político e económico do Ocidente, que atraiçoa as suas populações e chega mesmo a impedir a reacção destas através de mecanismos de condicionamento legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente Rui Pena chegou ao cúmulo de afirmar que a imigração para a Europa apresentava números insignificantes em termos absolutos, espantosa declaração quando não são os números absolutos que aqui interessam porquanto sabemos que em toda a Europa Ocidental os números relativos da invasão face às populações autóctones se situam já em percentagens elevadíssimas, de tal modo que entre imigrantes legais, ilegais e naturalizados, na quase totalidade dos países do Oeste europeu mais de 10% da população é já de origem estrangeira e maioritariamente não europeia. É caso para perguntar a partir de que valores começam estes números a ser um factor de destruição das identidades dos povos europeus para Rui Pena, nos 25%? Nos 50%? Ou pura e simplesmente não há limite? Deveremos tão-somente abdicar voluntariamente da defesa da nossa herança colectiva, erguida sob o sangue dos nossos antepassados, num processo induzido a partir de cima e consentido na base por populações anestesiadas que caminham voluntária ou inconscientemente para a sua morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;António Vitorino e as meias verdades&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intervenção de António Vitorino no programa ficou marcada pela divulgação de algumas ideias que merecem aqui ser complementadas, uma vez que, criteriosamente, o ex-comissário europeu se limitou a passar meias verdades, tolhendo a informação que não lhe interessava passar mas que, não obstante, necessita ser rematada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dada altura Vitorino referiu que a distribuição espacial da imigração pelo território nacional não se processava da mesma forma para os diferentes grupos de imigrantes que Portugal, e a Europa, recebem. É verdade. E é também verdade que são os grupos que tendem a concentrar-se nas zonas urbanas que implicam maiores custos( sobretudo de dimensão social) para o país. Mas chegado aqui teria sido interessante se António Vitorino tivesse, uma vez que as estruturas da U.E. conhecem estas realidades, dito claramente quais são os grupos étnicos que propendem a criar as maiores pressões sociais sobre as zonas urbanas e as suas periferias. Uma dica… não são os provenientes da Europa de Leste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando sobre o problema demográfico António Vitorino referiu a necessidade de criar uma estrutura de apoio social que permitisse a execução de medidas de estímulo à natalidade e apontou como exemplo, como sempre sucede, o modelo de Estado Providência escandinavo. Falou em particular da urgência de implementação de medidas estatais que imponham a paridade, incentivando a igualdade entre homens e mulheres no mercado laboral e nos papéis parentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui torna-se necessário abordar alguns pontos que ficaram por dizer na intervenção de Vitorino. Sabemos que o modelo de Welfare escandinavo é uma espécie de vaca sagrada para socialistas e social-democratas, que o tomam por exemplo de excelência nas análises comparadas com os modelos liberais e continentais. Mas é preciso referir também que os modelos de Estado Providência desses países estão em mutação e num processo de abertura ao mercado por imperativos de competitividade e, sobretudo, é importante perceber que os resultados desses modelos sobre a demografia não são muito melhores que os dos restantes, a ponto de mesmo nos países escandinavos não estar assegurada a taxa de natalidade que garante o nível de substituição da população, isto é, o problema subsiste também aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falamos em diferentes modelos de Welfare, com particular ênfase no escandinavo, surge normalmente à discussão o trabalho daquele que será talvez o maior especialista no campo, pelo menos no que ao exemplo nórdico diz respeito, Esping-Anderson. No seu mais recente estudo Esping-Anderson propõe uma reforma do modelo social que estimule a natalidade precisamente focando a inserção da mulher no mercado laboral através do que chama uma nova política de género, implementando políticas centradas na criança, ao nível das creches e dos horários escolares, por exemplo, e na ideia de um novo conceito de contrato de trabalho. No essencial aquilo que António Vitorino defendeu no Prós e Prós para estimular a natalidade europeia foi uma reprodução quase textual das medidas que encontramos nesse trabalho de Esping-Anderson, o que não tem grande significado para além de nos levar a concluir que a Comissão Europeia tem esse estudo, e os que se situam nessa linha, por modelo para a Europa. Nada do que Vitorino ali defendeu é novo ou produto da sua meditação. Mas, uma vez que achou por bem reproduzir as conclusões desse estudo ou dos seus similares, com o ar de quem estava ali a apresentar medidas revolucionárias nunca antes ponderadas e saídas do seu génio, não pude deixar de notar a omissão de um pequeno «pormaior»…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que os especialistas que analisam as propostas de Esping-Anderson, repetidas no programa por António Vitorino, concordam que esse modelo social, muito generoso e abrangente, está dependente da homogeneidade e do grau de coesão das sociedades. Ou seja, o Estado social propugnado por Esping-Anderson é apenas possível em sociedades onde, precisamente, não impera a «diversidade» e o «multiculturalismo», onde o laço de solidariedade social germina de um profundo sentimento de identidade e similaridade etno-cultural. De resto são vários os estudos sociológicos e económicos que concluem que nas sociedades multiculturais não existe apoio por parte das populações a um Estado Providência abrangente, precisamente derivado da percepção que as transferências de rendimento que esse modelo implica beneficiam grupos étnicos distintos. Essa é aliás a razão apontada por trabalhos publicados em revistas especializadas para a inexistência de apoio popular a um modelo social de tipo escandinavo nos EUA – a existência de grupos raciais distintos em proporções consideráveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos assim que o ex-comissário Vitorino conseguiu a proeza de fazer a defesa de ideias que provêm de um modelo social que assenta a sua eficácia no pressuposto de sociedades homogéneas ao mesmo tempo que fazia a apologia da imigração, que é o factor principal de corrosão dessa homogeneidade das nações, sobretudo quando falamos de imigrantes pertencentes a grupos étnicos afastados dos das populações receptoras. Exaltou o Welfare State escandinavo, seleccionando as ideias de Esping-Amderson para a resolução do problema demográfico simultaneamente minando as bases que permitiriam o funcionamento eficaz desse modelo. Bravíssimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente e a propósito do comentário de uma anterior convidada do mesmo programa, historiadora e por sinal de esquerda, que terá dito que a Europa é «branca e cristã», o Dr. Vitorino afirmou que não lhe interessava nada se a Europa, devido à imigração, continuasse «branca» ou não. Esta afirmação vinda de um antigo comissário europeu é especialmente gravosa e relembra-nos por que razão não há hoje sombra de dúvida de que a U.E. é uma estrutura construída sem qualquer respeito pelos Estados nacionais e sem qualquer interesse em defender a identidade europeia; é na verdade o paradigma da destruição das nossas nações e da nossa herança histórica enquanto povos do Velho Continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está em causa aqui, nesta afirmação de António Vitorino, não é nem a apologia do racismo nem a sua rejeição, como se poderia apressadamente concluir. É tão simplesmente a constatação de um facto inegável, os povos europeus são, sem excepção, caucasianos. Ao afirmar que não lhe interessa que a imigração altere esse facto, Vitorino está a dizer que lhe é indiferente que a Europa continue a ser maioritariamente habitada por europeus ou não, que Portugal continue a ser habitado por portugueses ou não. A que estado chegaram as nações europeias para que um indivíduo que ocupou importante cargo na U.E., que hoje, infelizmente, controla grande parte da nossa soberania, afirme isto com o maior desprendimento e até com um mal disfarçado orgulho, que nível de decadência atingimos quando quem nos governa não receia manifestar o desprezo pela continuidade das nações europeias enquanto tal. Nos países da Ásia e da África, ciosos da sua identidade, declarações deste tipo seriam impensáveis, na Europa já não há limites, já não se esconde sequer a falta de vontade de sobrevivência, não há desejo de superação, de recuperação de uma grandeza perdida, é quem nos governa que declaradamente nos cospe em cima com um estúpido sorriso nos lábios, perante auditórios repletos de patetas alegres, também eles sorrindo perante o anúncio do seu óbito...E sempre a mesma pergunta ecoando na mente daqueles (poucos) de nós que por qualquer estranho desígnio do destino se vão mantendo lúcidos num mundo de cobardes abdicantes: para que sacrificaram a sua vida os que caíram nos campos de batalha que ergueram as nossas nações? Como chegámos a isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O padre da Obra Católica Portuguesa das Migrações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me alongarei nos comentários à participação do padre católico de serviço, de quem honestamente não recordo o nome. Achei simplesmente absurda a sua intervenção, pela forma, conteúdo, mas também por ter sido a duplicação do discurso proferido pelo Bloco de Esquerda alguns dias antes sobre o caso do Bairro da Torre e reproduzido na edição do «Expresso» do passado sábado por Daniel Oliveira. O Padre, cheio de indignação, mostrou-se chocado com a forma e os meios utilizados pela PSP na recente intervenção no Bairro citado; inconcebível, afirmou, que as forças policiais tenham desencadeado uma operação com tantos recursos para um desfecho que resultou «apenas»( termo seu) na apreensão de 19 armas. E como se não bastasse a desproporção de forças policiais ainda sujeitaram os pobres imigrantes ao estigma público da criminalidade, sem razão alguma, já se vê, quando poderiam ter levado a cabo uma intervenção mais «discreta», menos «agressiva», mais «amigável».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, esclareçamos primeiramente o seguinte: Nessa operação policial foram apreendidas 19 armas de fogo, 500 munições, 22 carregadores e 2 silenciadores, isto para que a informação surja completa. Mas falta dizer ainda que vários moradores da zona se haviam queixado repetidamente da ocorrência de tiroteios no bairro com alguma regularidade. Ainda que o número de agentes envolvidos possa ter sido desproporcionado, 600 homens, e convém dizer que nós não sabemos que tipo de informação motivou aquela rusga, o que me parece francamente anedótico é que a preocupação principal da Igreja Católica( não tanto do B.E. porque todos sabemos o que essa organização representa) tenha sido a «mácula» provocada na imagem dos imigrantes, uma vez mais apresentados como vítimas perante a diabolização das forças da ordem, e não a segurança dos cidadãos e dos agentes que tantas vezes, ao entrarem nesses bairros de pacíficos e sacrificados imigrantes, acabam, cravejados de balas, na morgue. É então pouca coisa encontrar 19 armas de fogo , 500 munições, 22 carregadores e 2 silenciadores? Talvez para quem não arrisca a própria vida de cada vez que entra nesses locais, como o referido padre ou os bloquistas enraivecidos; para o cidadão comum e, sobretudo, para os agentes da autoridade, a apreensão desse armamento pode significar várias vidas que se salvam. Entre a inquietação com a imagem dos residentes e o risco de vida que pende sobre os polícias nas operações nesses pacíficos bairros onde, como bem sabemos, impera uma lei própria, a minha preocupação, como a de qualquer indivíduo que ainda mantenha uma réstia de sanidade, será sempre para com a segurança pública e a dos polícias que a garantem. Questões de perspectiva, calculo…A imagem deixada pelo representante da Igreja Católica é um retrato fiel do que é hoje essa instituição, mais um vírus, entre tantos outros, que corrói a identidade nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Multiplicam-se os inimigos da nação, os inimigos da Europa, silenciam-se as últimas forças vivas que a defendem, manipula-se a informação, selecciona-se o que é dado conhecer às populações, mente-se, distorce-se, tudo vale… e propagandeado em horário nobre na televisão pública, o irónico toque final neste triste espectáculo. Permaneçamos nós com a bandeira hasteada perante a horda que tudo controla, alicerçados na força da nossa convicção!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114748144664833668?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114748144664833668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114748144664833668' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114748144664833668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114748144664833668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/05/prs-e-prs-texto-de-desintoxicao.html' title='Prós e Prós - texto de desintoxicação'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114686335239647667</id><published>2006-05-05T22:07:00.000+01:00</published><updated>2006-05-06T01:53:03.623+01:00</updated><title type='text'>Sobre a Revolução Conservadora</title><content type='html'>Quando o termo «Revolução Conservadora» é usado na Europa é sobretudo no sentido que lhe deu Armin Mohler no seu famoso livro «Die Konservative Revolution in Deutschland 1918-1932». Mohler apresentou uma longa lista de autores que rejeitaram os pseudo-valores de 1789( desprezados por Edmund Burke como meros «blue prints»), exaltaram o papel do «germanismo» na evolução do pensamento europeu e recolheram a influência de Nietzsche. Mohler evitou, por exemplo, conservadores puramente religiosos, fossem católicos ou protestantes. Para Mohler a marca essencial da «Revolução Conservadora» era uma visão não linear da História. Mas ele não toma simplesmente a visão cíclica do tradicionalismo. Depois de Nietzsche, Mohler acredita numa concepção esférica da História. O que significa isto? Isto significa que a História não é simplesmente uma repetição dos mesmos padrões com intervalos regulares nem um caminho recto que conduza à bem-aventurança, ao fim da História, ao paraíso na terra, à felicidade, etc., mas que se assemelha a uma esfera que pode girar (ou ser empurrada) em todas as direcções, de acordo com os impulsos que receba de fortes personalidades carismáticas. Tais personalidades carismáticas dirigem o curso da História através de algumas vias muito particulares, vias que não estão previamente fixadas pela mão da providência. Neste sentido, Mohler nunca acreditou em doutrinas políticas universalistas mas sempre em tendências particulares e pessoais. Tal como Jünger, queria lutar contra tudo o que fosse «geral» e apoiar tudo o que fosse «particular».Mais, Mohler expressou a sua visão das dinâmicas particulares usando o algo invulgar termo «nominalismo».Para ele, «nominalismo» era a expressão  que melhor  indicaria como as personalidades fortes seriam capazes de abrir novas e originais vias para si e seus seguidores  na floresta da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As principais figuras do movimento foram Spengler,Moeller van den Bruck e Ernst Jünger ( e o seu irmão, Friedrich-Georg).Podemos acrescentar a este triunvirato os nomes de Ludwig Klages e Ernst Niekisch. Carl Schmitt, como advogado católico e constitucionalista, representa outro aspecto importante da chamada «Revolução conservadora».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spengler ficará como o autor de um brilhante fresco das civilizações mundiais que inspirou o filósofo britânico Arnold Toynbee. Spengler falou da Europa como civilização fáustica, melhor representada nas catedrais góticas, a intersecção da luz e das cores dos vidrais, as tormentas de neve com nuvens brancas e cinzentas de muitas pinturas holandesas, inglesas e alemãs. Esta civilização é uma aspiração da alma humana face à luz e ao auto-compromisso. Outra importante ideia de Spengler é o conceito de «pseudo-morfose»:Uma civilização nunca desaparece completamente depois de uma decadência ou uma conquista violenta. Os seus elementos passam à nova civilização que lhe sucede e formatam-na em direcção a caminhos originais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moeller van den Bruck foi o primeiro tradutor alemão de Dostoievski. Deixou-se influenciar profundamente pelo diário de Dostoievski, que continha severas críticas ao Ocidente. No contexto alemão, depois de 1918, Moeller van den Bruck advogava, com base nos argumentos de Dostoievski, uma aliança russo-germânica contra o Ocidente. Como podiam os respeitáveis cavalheiros alemães, com uma imensa cultura artística, mostrar-se a favor de uma aliança com os bolcheviques? Os seus argumentos foram os seguintes: durante toda a tradição diplomática do século XIX a Rússia foi considerada o escudo da reacção contra todas as repercussões da Revolução Francesa e contra a mentalidade e modos revolucionários. Dostoievski, enquanto antigo revolucionário russo que mais tarde admitiria que a sua opção revolucionária fora um erro, considerava mais ou menos que a missão da Rússia no mundo era apagar na Europa o rasto das ideias de 1789.Para Moeller van den Bruck a revolução de Outubro de 1917 foi apenas um cambio de vestes ideológicas: A Rússia continuava a ser, apesar do discurso bolchevique, o antídoto à mentalidade liberal do Ocidente. Derrotada, a Alemanha deveria aliar-se a esta força anti-revolucionária para se opor ao Ocidente, que aos olhos de van den Bruck, é a encarnação do liberalismo. O liberalismo, expressa Moeller van den Bruck, é sempre a doença terminal dos povos. Após algumas décadas de liberalismo um povo entrará inexoravelmente numa fase de decadência final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho seguido por Ernst Jünger é sobejamente conhecido. Começou como um ardente e galante jovem soldado na primeira guerra mundial, saindo das trincheiras sem qualquer pistola, apenas com uma granada de mão, manejada com a mesma elegância com que um típico oficial britânico usava a chibata. Para Jünger, a primeira guerra mundial foi o fim do pequeno mundo burguês do século XIX e da «Belle Époque», onde toda a gente era «como devia ser», isto é, comportando-se de acordo com normas estabelecidas por professores ou sacerdotes, exactamente como hoje temos de nos comportar de acordo com as auto-proclamadas  regras da «correcção política». Debaixo das «tempestades de aço» o soldado podia afirmar a sua insignificância, o seu mero ser biológico, mas esta afirmação não podia, a seu ver, levar a um pessimismo inepto, ao medo e desespero. Havendo experimentado o mais cruel dos destinos nas trincheiras, debaixo do bombardeamento de milhares de armas de artilharia que sacudiam a terra, vendo tudo reduzido ao «elementar», o soldado de infantaria conheceu melhor que outros o atroz destino humano sobre a face da terra. Toda a artificialidade da vida civilizada urbana surgiu de repente como pura impostura. No pós guerra, Ernst Jünger e o seu irmão Friedrich-Georg, tornam-se os melhores escritores e jornalistas nacional-revolucionários. Ernst evoluiu para uma espécie de cínico, irónico e sereno observador da humanidade e dos factos da vida. Durante um bombardeamento sobre um subúrbio parisiense, onde as fábricas estavam a produzir material de guerra para o exército alemão, na segunda guerra mundial, Jünger ficou aterrorizado com a anormal rota aérea, recta, tomada pelas forças norte-americanas. A linearidade das rotas aéreas sobre Paris era a negação de todas as curvas e sinuosidades da vida orgânica. A guerra moderna implicou a destruição dos ondulantes e serpenteantes traços do orgânico. Ernst Jünger começou a sua carreira como escritor fazendo a apologia da guerra. Depois de haver observado os irresistíveis assaltos dos B-17 americanos ficou totalmente enojado pela falta de nobreza da forma puramente técnica de conduzir uma guerra. Depois da segunda guerra mundial, o seu irmão, Friedrich-Georg, escreveu o primeiro trabalho teórico que levaria ao desenvolvimento do novo pensamento alemão crítico e ecologista,«Die Perfektion der Technik»(A Perfeição da Técnica).A ideia principal deste livro, em meu entender, é a crítica da «conexão».O mundo moderno é um processo de intenções de conexão das comunidades humanas e dos indivíduos a grandes estruturas. Este processo de conexão destrói o princípio da liberdade. És um pobre operário acorrentado se estás conectado a uma grande estrutura, ainda que ganhes 3000 libras por mês, ou mais. És um homem livre quando estás completamente desconectado desses enormes tacões de aço. Em certo sentido Friedrich-Georg escreveu a teoria que Kerouac experimentou de forma não teórica escolhendo largar tudo e viajar, convertendo-se num cantante vagabundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ludwig Klages foi outro filósofo da vida orgânica contra o pensamento abstracto. Para ele a principal dicotomia era entre Vida e Espírito(Leben und Geist).A vida é esmagada pelo espírito abstracto. Klages nasceu no norte alemão mas migrou enquanto estudante para Munique, onde passou o seu tempo livre nos pubs de Schwabing, local onde artistas e poetas se encontravam( ainda hoje).Tornou-se amigo do poeta Stefan Georg e um estudante da figura mais original de Schwabing, o filósofo Alfred Schuler, que acreditava ser a reencarnação de um antigo colono romano nas terras do Reno. Schuler tinha um genuíno sentido teatral. Disfarçava-se com a toga de um imperador romano, admirava Nero e montava peças evocativas do antigo mundo grego ou romano. Mas para além da sua faceta fantasiosa, Schuler adquiriu uma importância cardinal na filosofia desenvolvendo, por exemplo, a ideia de «Entlichtung», ou seja, o gradual desaparecimento da Luz desde o tempo das antigas cidades-estado da Grécia ou Roma. Não há progresso na História: Pelo contrário, a Luz está a desaparecer como a liberdade do cidadão para definir o seu próprio destino. Hanna Arendt e Walter Benjamin, na esquerda e no campo conservador-liberal, foram inspirados por esta ideia e adaptaram-na para audiências diferentes. O mundo moderno é o mundo da completa escuridão, com pouca esperança de encontrar períodos «iluminados» novamente, excepto se personalidades carismáticas, como Nero para Schuler, dedicadas à arte e a um estilo de vida dionisíaco, marcassem uma nova era de esplendor que duraria apenas o tempo abençoado de uma primavera. Klages desenvolveu as ideias de Schuler, que nunca escreveu um livro completo, depois da morte deste em 1923 devido a uma cirurgia mal conduzida. Klages, pouco antes da primeira guerra mundial, pronunciou um famoso discurso na colina Horer Meissner, na Alemanha Central, para os movimentos da juventude (Wandervogel).Este discurso teve o título de «Homem e Terra» e pode ser visto como o primeiro manifesto orgânico de ecologia, com uma clara e compreensível, mas sólida, base filosófica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carl Schmitt começou a sua carreira como professor de direito em 1912 e viveu até à respeitosa idade de 97 anos. Escreveu o seu último ensaio aos 91.Não posso enumerar todos os pontos importantes do trabalho de Carl Schmitt neste espaço. Resumamos dizendo que Schmitt desenvolveu duas ideias principais, a de decisão na vida política e a de «Grande Espaço». A arte de moldar a política em geral ou uma boa política em particular está na decisão, não na discussão. O líder tem de decidir para liderar, proteger e desenvolver a comunidade política de que está à frente. A decisão não é ditadura como diriam hoje em dia muitos liberais na nossa era do «politicamente correcto».Pelo contrário, uma personalização do poder é mais democrática, no sentido que um rei, um imperador ou um líder carismático é sempre um mortal. O sistema que ele eventualmente imponha não é eterno, já que ele está condenado a morrer como qualquer ser humano. Um sistema nomocrático, ao invés, procura eternizar-se, mesmo se os acontecimentos correntes e inovações contradizem as suas normas ou princípios.O segundo grande tópico no trabalho de Schmitt é a ideia de Grande Espaço Europeu (Grossraum). As forças externas devem ser impedidas de interferir nesse Grande Espaço.Schmitt queria aplicar à Europa o mesmo princípio simples que animava o presidente norte-americano Monroe. A América aos americanos.Ok, dizia Schmitt, mas apliquemos a ideia de Europa aos europeus. Schmitt pode ser comparado aos «continentalistas» americanos, que criticaram a intervenção de Roosevelt na Europa e na Ásia. Os latino-americanos também desenvolveram similares ideias continentalistas, tal como os imperialistas japoneses. Schmitt deu a esta ideia de Grossraum uma forte base jurídica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niekisch é uma figura fascinante no sentido em que começou a sua carreira como líder comunista no «Conselho da República da Baviera» de 1918-19, que foi destruído pelos Freikorps de von Epp, von Lettow-Vorbeck, etc. Obviamente Niekisch ficou desapontado pela ausência de uma visão histórica entre o trio bolchevique na Munique revolucionária (Lewin, Leviné, Axelrod).Niekisch desenvolveu uma visão euroasiática, baseada na aliança entre a União Soviética, a Alemanha, a China e a Índia. A figura ideal que deveria ser o motor humano desta aliança seria o camponês, adversário da burguesia ocidental. Um certo paralelo com Mao Tse-Tung surge aqui evidente. Nos jornais que Niekisch editou descobrimos todas as tentativas alemãs de apoiar movimentos anti-britânicos ou anti-franceses nos impérios coloniais ou na Europa (Irlanda contra a Inglaterra, Flandres contra uma Bélgica francófona, nacionalistas hindus contra o Reino Unido, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Steuckers&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114686335239647667?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114686335239647667/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114686335239647667' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114686335239647667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114686335239647667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/05/sobre-revoluo-conservadora.html' title='Sobre a Revolução Conservadora'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114686325772971953</id><published>2006-05-05T22:04:00.000+01:00</published><updated>2006-05-05T22:07:37.796+01:00</updated><title type='text'>Crónica cinematográfica - Terra sem Rei</title><content type='html'>Quiçá porque o homem foi separado das suas raízes, porque o conduziram a um mundo mecanizado onde perdeu a noção dos ciclos lunares, do sentir da Terra e suas estações, e quiçá porque desviaram os seus olhos do Sagrado, agora a figura de um rei surgido da bruma, um rei no cimo de um cavalo e com a autoridade de uma espada forjada pelo Destino e pela História, nos interpela e comove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vazio não pode ser eterno. Assim, nas nossas alienadas sociedades, nas nossas urbes dominadas pelo lixo e pelo fumo, a espada daquele Rei anuncia-nos o Retorno do Mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento que a história do Rei Artur nos provoca não é, no entanto, novo. Tanto “Gladiador”, como “Braveheart” e a insuperável trilogia de “O Senhor dos Anéis” já nos haviam levado a redescobrir quem são os europeus. Em todas essas histórias está latente o mesmo espírito fáustico e cavalheiresco. A luta do homem europeu por alcançar um Destino, ainda que sabendo da inutilidade da batalha, arriscando a vida, apostando nela a sua palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra, a “Honra”. Esse é o grito que nos percorre como uma corrente eléctrica de cada vez que é pronunciado por Artur ou os seus cavaleiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quiçá a Europa, nestes tempos de tormenta, de ameaças de guerras devastadoras, precise apetrechar-se de novo de espíritos sem medo, na força que dá o compromisso com o Sagrado e com a História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retorno dos valores que estão latentes na epopeia celtica-cristã de Tolkien fez com que alguns dos seus protagonistas tenham aberto os olhos para uma necessidade de combate cultural pelo que consideram a essência da sua identidade enquanto europeus. O popular Gimli, interpretado por John Rhys-Davies, declarava em Janeiro deste ano na revista World Magazine:« Penso que Tolkien anuncia-nos que as gerações terão que fazer frente a um desafio e que se não despertam para fazer frente a esse desafio perderão a sua civilização». Consciente da gravidade das suas palavras – em que falava da beleza e grandiosidade da cultura europeia – acrescentava:«Pode ser que esteja a enterrar a minha carreira com declarações como esta, e isso é doloroso, mas penso que há questões prioritárias que exigem respostas honestas».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o actor que interpreta Aragorn( também o rei que retorna - como Artur - ) afirmava este ano:«Sou celta e escandinavo, cresci entre os mitos nos quais Tolkien se inspirou em “O Senhor dos Anéis”.É parte da minha herança».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herança que “O Rei Artur” nos projecta. Um mundo agonizante apresenta-se aos nossos olhos mas onde, não obstante, a esperança é possível. O seu tempo presencia a queda de uma ordem e a incerteza de uma nova era. Artur, rei, traz Vontade e Espírito. Ainda que é ali que a história perde credibilidade pelos erros que introduz, já que não existia Inquisição naqueles anos nem certeza da afiliação de Artur à heresia de Pelagio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na história que se nos narra surgem-nos muito longínquas aquelas projecções de Hollywood de lânguidas damas esperando desvigorados cavaleiros.À sua vista também nos parece wagneriana e excessiva a “Excalibur” de Boorman. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Rei Artur” – como essas outras películas que citámos como precedentes de ressurreição de um cinema heróico com raízes na cultura europeia – deixa-nos, no final, de novo nas ruas das nossas urbes, com a música maravilhosa de Hans Zimmer soando no nosso interior e com uma palavra repercutindo: Honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se foi assim para muitos – como foi para o autor deste comentário –, já foi suficiente. Porque o destino aguarda-nos entre as brumas e, como o cavalo de Galahad, procura-nos…de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Martínez-Cava Arenas,"El semanal digital", 5 de Setembro de 2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114686325772971953?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114686325772971953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114686325772971953' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114686325772971953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114686325772971953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/05/crnica-cinematogrfica-terra-sem-rei.html' title='Crónica cinematográfica - Terra sem Rei'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114635923420728780</id><published>2006-04-30T02:05:00.000+01:00</published><updated>2006-04-30T05:05:49.956+01:00</updated><title type='text'>O caminho dos partidos nacionalistas</title><content type='html'>Uma sondagem realizada pela Sky News(*) revelou resultados interessantes sobre o BNP, partido nacionalista britânico. Apresentou-se aos inquiridos um conjunto de propostas políticas do partido e foi-lhes perguntado se concordavam com essas propostas. Entre as pessoas que não sabiam a origem partidária das propostas sobre as quais foram chamadas a dar opinião 55% revelou concordância com o conjunto que lhes foi exposto. Entre os que conheciam que as políticas apresentadas partiam do BNP o apoio diminuiu para 49%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente( e na verdade nem tanto) no que refere às políticas de imigração os resultados apresentaram a seguinte variação: Perguntados sobre se apoiariam o fim de toda a imigração para o Reino Unido, 59%(!) dos que desconheciam estar a julgar uma proposição do BNP responderam positivamente, ou seja, um valor acima da média para o conjunto de todas as políticas postas a análise para o grupo referido. Sabendo tratar-se de uma proposta do BNP o apoio à mesma caiu para os 48%, uma queda de 11 pontos e que colocou o apoio à proposta abaixo da média do conjunto total para o grupo considerado( neste caso o dos inquiridos que sabiam estar a analisar uma ideia do BNP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante compreender estes números e retirar as ilações necessárias, até porque as conclusões para que apontam estes dados não são um exclusivo da sociedade britânica mas antes fruto de uma série de condicionantes que são, em maior ou menor escala, comuns a todos os movimentos nacionalistas europeus, incluindo o português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar há que salientar uma oposição, direi mesmo radical, à imigração por parte dos inquiridos, ao ponto de ser a posição anti-imigracionista do BNP que mais empatia encontra nos britânicos. Isto significa que existe hoje uma clara separação entre o que os engenheiros da nova sociedade da diversidade e da multiculturalidade querem impor ao povo e o que o povo pretende de facto, a verdade é que o sentido de identidade continua vivo na seio das populações e as forças iluminadas da “cultura” ou os pregadores da “eficiência” económica, apesar de todo o esforço, de toda a publicidade, de todas as mentiras, não conseguiram ainda apagar por completo a chama que arde no mais profundo recanto da alma europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar todas as propostas do BNP, abarcando diversos problemas da sociedade britânica, são recebidas com considerável apoio por parte da amostra da população. Isto significa que a mensagem nacionalista detém os temas certos, acertando nos problemas que interessam ao povo assim como nas soluções apresentadas, pelo menos parcialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar os efeitos da propaganda anti-nacionalista( disfarçada de informação isenta) são claros e é visível a sua força enquanto arma de manipulação da população, é isso que explica a queda de apoio às ideias do BNP quando é conhecida a sua fonte. Existe um condicionamento psicológico do povo, resultado de uma propaganda incessável de diabolização dos partidos nacionalistas que faz com que uma parte mais vulnerável da população, menos independente, mais influenciável, com menor capacidade crítica, digamo-lo frontalmente, mais fraca, sinta pânico de qualquer associação que possa ser percepcionada pelos outros ao nacionalismo, numa espécie de efeito “pressão-de-pares” que expõe um patético aprisionamento intelectual dessa parcela da sociedade. Note-se que se esse receio ou esse constrangimento é visível num simples inquérito, que não implica particular responsabilização, quando for altura de votar o peso desses condicionamentos aumentará e a ideia que o sistema faz passar do “problema nacionalista” será suficiente para que grande parte dos indivíduos que concordam com as propostas do BNP não ponderem dar ao partido o seu voto. Está demasiado enraizada a publicidade mediática da suposta perigosidade dos partidos pró-nação. Quebrar essas correntes que aprisionam a liberdade de espírito dos europeus é um processo moroso e gradual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a diferença maior entre os grupos situa-se na área das políticas de imigração, são as propostas sobre esse tema que mais apoio recolhem entre os que desconhecem a origem partidária das ditas e são essas que mais perdem (percentualmente) entre os que a conhecem. Isto significa que, sobretudo, está inculcado na população o receio de certos rótulos muito próprios. A força do dogma da benignidade do multiculturalismo, mesmo contra as evidências, e o maniqueísmo radical que estigmatiza quem o rejeita - racistas, xenófobos,nazis, intolerantes, etc. – mostra aqui toda a sua força. Se já existe o embaraço, mais ou menos consciente, de surgir como apoiante de um partido nacionalista, esse ganha maior peso quando o assunto é a imigração, precisamente porque é nessa área que mais facilmente se estabelecem as associações socialmente incorrectas e individualmente prejudiciais (na comunidade, entre os amigos, no trabalho) que referi atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal conclusão da sondagem:” Se o BNP mudasse a sua imagem poderia sair-se muito bem nas eleições locais”( são as próximas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta constatação do inquérito deve servir de reflexão não só para o BNP mas para todos os partidos nacionalistas europeus. A imagem dos movimentos nacionais não é da exclusiva responsabilidade dos mesmos, é preciso dizê-lo, a comunicação social tem muita responsabilidade nessa imagem pública e, ao contrário do que sucede com todas as outras forças políticas, os nacionalistas não têm ninguém nos órgãos de informação que os defendam, estão por isso sujeitos a todo o tipo de distorções, porém…é preciso também reconhecer que frequentemente os nacionalistas têm pousado para o retrato nas exactas condições que convêm a quem os caricatura negativamente, reforçando por vezes essa imagem negativa por sua acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade de crescimento de um partido nacionalista tem por isso dois vectores base: a mensagem e a imagem. No que concerne à mensagem ela está centrada nos temas certos, combate à imigração, defesa da ordem e da segurança pública, combate ao desemprego, mais e melhor justiça, etc., são temas que recolhem o apoio das populações. No que toca à imagem há muito por fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem de um partido estará tanto ligada à “estética visual” da organização como à linguagem utilizada. As organizações nacionalistas só terão a ganhar com uma “estética”que as aproxime do cidadão comum, na qual este se reveja, seja identificando-se com os seus militantes ou com a simbologia associada. São por isso de evitar arquétipos e comportamentos que sejam visualmente estranhos ao cidadão, o caminho natural de um partido nacionalista é ser compreendido como representante da nação real, das suas gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à linguagem, os partidos nacionalistas são percepcionados como organizações inatamente radicais, uma linguagem demasiado extremada apenas reforçará essa percepção perante a sociedade, o que não é necessariamente positivo. Acima de tudo uma organização política deve saber que o povo não quer instabilidade e não confiará em quem associar a cenários de grande incerteza. Os partidos nacionalistas têm de compreender que existem muitas maneiras de fazer passar a mesma mensagem,utilizando palavras ou terminologias muito diferentes; interessa o conteúdo do que se diz mas também a forma como se diz, não existe portanto uma necessidade permanente de radicalizar o discurso para marcar uma posição anti-sistema quando, à partida, os temas abordados, as propostas e as mensagens transmitidas já possuem essa natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma linha que separa o que deve ser abordado e dito daquilo que as boas consciências do “politicamente correcto” gostariam de permitir, a desradicalização do discurso de um partido nacionalista não significa cruzar essa linha até à transformação em “mais um como os outros”, significa apenas saber onde está essa linha e jogar com ela, não extremando a linguagem quando não há disso necessidade. Existe uma postura institucional que se exige de um partido político e à qual não estarão obrigadas as diferentes organizações, muito menos sites ou blogs, que gravitam em seu redor, que dispõem por isso de maior liberdade de acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exigência que se coloca tanto ao BNP, como aos partidos nacionalistas europeus em geral, é compreender que o seu objectivo é responder aos anseios da sociedade civil, não ao seu núcleo duro ou aos seus sectores internos mais intransigentes, abrir à sociedade e atrair o cidadão médio, absorvendo os quadros qualificados que tanta falta fazem, mais que corresponder aos desejos de pequenas franjas revoltadas da sociedade. São os partidos nacionais que têm de se adaptar à população e não esperarem que esta venha ao seu encontro independentemente da imagem que passam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sobretudo é preciso não cair num encerramento sobre si, em que um qualquer directório ou círculo fechado nos partidos comemora qualquer aparição pública ou qualquer tipo de publicidade com triunfalismo, isolados da realidade, de vitória em vitória, de comemoração em comemoração, até à derrota nas próximas eleições. É preciso saber distinguir o trigo do joio, saber quando foi bem aproveitada a exposição pública e quando não foi, para que nesses últimos casos se estudem as formas de alterar a situação nas próximas oportunidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto implica um tratamento inteligente da publicidade, a máxima “falem bem ou falem mal, mas falem” é concerteza muito útil para as “socialites”, para um partido não serve, a má publicidade é isso mesmo, má! Se um consumidor for informado que determinado produto é muito prejudicial à saúde e se depois a imprensa cobrir a questão variadas vezes isso não constitui qualquer mais valia para o produto ou marca associada, antes pelo contrário. Naturalmente que no caso dos partidos nacionalistas a publicidade é um problema sério, o bloqueio da comunicação social é tremendo e quando ele é quebrado as intenções subjacentes são constantemente maliciosas, como pudemos constatar recentemente em Portugal com o relatório do SIS sobre as ameaças à segurança interna. Esse relatório foi discutido em quase todos os jornais e televisões, o objectivo foi claramente espalhar e reforçar a imagem de ameaça que o nacionalismo constituiria. Pelo meio misturou-se tudo, o PNR com a Frente Nacional, o nacionalismo com skinheads, a extrema-direita tradicional com neo-nazis, enfim, uma salada sem sentido mas com propósitos óbvios, prejudiciais para o PNR.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se o bloqueio informativo é um problema aquilo que sucede quando esse bloqueio é quebrado já é, em parte, da responsabilidade das organizações nacionalistas, a forma como aproveitam melhor ou pior os tempos públicos que vão conseguindo, mesmo se alguns são despoletados com objectivos adversos ao nacionalismo, define a qualidade, força, maturidade e capacidade de engrandecimento dos movimentos. No Reino Unido, como em Portugal, os primeiros bloqueios foram já ultrapassados, agora é escolher o caminho que se pretende percorrer, os temas existem e estão devidamente identificados, a imagem que os partidos nacionalistas quiserem cultivar definirá em parte o seu potencial de crescimento e as gentes que atrairão, exactamente como concluiu o estudo da rede britânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)&lt;a href="http://www.sky.com/skynews/article/0,,30000-13520516,00.html"&gt;Backing for BNP policies&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114635923420728780?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114635923420728780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114635923420728780' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114635923420728780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114635923420728780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/04/o-caminho-dos-partidos-nacionalistas.html' title='O caminho dos partidos nacionalistas'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114582999498847798</id><published>2006-04-23T23:03:00.000+01:00</published><updated>2006-04-26T00:55:31.996+01:00</updated><title type='text'>A economia à beira do precipício?</title><content type='html'>O preço do petróleo continua numa subida imparável tendo ultrapassado já a fasquia dos 70 dólares. O FMI mostra-se preocupado com os desequilíbrios que esta subida continuada nos preços está a provocar na economia mundial:«estes desequilíbrios foram claramente exacerbados pelos preços mais elevados da energia», afirmou o Fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo o FMI aconselhou o BCE( Banco Central Europeu) a não ter pressa na subida das taxas de juro, uma vez que as pressões inflacionistas estarão controladas, no entanto são esperadas novas subidas das taxas na zona euro já em Junho, que se poderão reflectir sobre o crescimento da economia europeia, mercado do qual a recuperação da economia nacional mais depende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora as pressões inflacionistas pareçam controladas, o BCE mostra natural preocupação com a situação que ocorre no mercado petrolífero, o que deixa antever a possibilidade futura de uma política monetária do BCE mais restritiva. Quanto mais alto o preço do petróleo maior a probabilidade de se desencadear na zona euro uma espiral preços-salários com consequente aceleração da inflação. A situação do mercado petrolífero foi, aliás, apontada pelo FMI como o risco maior que pende sobre a economia europeia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como afirma Joseph Stiglitz(*), os preços do petróleo são hoje, em grande parte, uma consequência da guerra no Iraque, não reflectindo a evolução que deveriam apresentar num cenário de normalidade, o que significa que a Europa está a sofrer as consequências económicas da ofensiva militar dos lunáticos de Washington. Antes do início da guerra no Iraque o preço do petróleo nos mercados de futuros rondava os 25 dólares, que é um valor aproximado do que deveria apresentar correntemente numa situação normalizada, hoje transacciona-se a mais de 70 por barril de crude! A instabilidade criada no Iraque e a diminuição da produção acabaram por conduzir a economia mundial para esta conjuntura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não importa falar, em relação à aventura iraquiana dos cavaleiros apocalípticos de Washington, na violação do direito internacional, porque na verdade tal nem sequer conta; o direito internacional está subjugado à vontade do mais forte, de quem domina o mundo, o mesmo é dizer à vontade imposta pelo humor dos EUA( ou de quem lá manda…), podemos, no entanto, falar numa guerra sem justificação aceitável. Os argumentos utilizados para a ofensiva foram completamente desmentidos pela realidade, não existiam armas de destruição maciça nem quaisquer indicadores fiáveis que ligassem o regime de Hussein aos ataques do 11 de Setembro ou à «Al Qaeda».Ademais, o «Washington Post» publicou recentemente documentos da Administração americana revelando que a «ameaça Al Qaeda» no Iraque foi manipulada, e continua a sê-lo, pelos serviços de informação norte-americanos, utilizando os meios de comunicação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes «vencedores» dessa guerra até ao momento são os lobbies judaicos em Washington e as companhias petrolíferas envolvidas na Administração Bush, que se assemelha cada vez mais a uma associação empresarial em vez de um Governo; os  principais perdedores são os cidadãos comuns, ameaçados pelo risco económico de um novo choque petrolífero. Mas existe um outro vencedor indirecto, precisamente o regime de Teerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do momento em que os EUA lançaram o Iraque no caos o papel do Irão no mercado energético ganhou nova importância e permitiu ao regime iraniano uma posição de força perante a comunidade internacional que não teria noutras circunstâncias. Foi a intervenção desastrada no Iraque, que a Administração Bush previa rápida e de baixo custo, que destruiu a capacidade de pressionar diplomaticamente e economicamente Teerão na questão nuclear. Neste momento o regime iraniano sabe que detém sobre a economia mundial um ascendente que lhe permite desvalorizar essas opções. Se porventura forem impostas sanções económicas ao Irão, o barril de crude disparará provavelmente para mais de 100 dólares, atingindo valores que terão um impacto muito pesado sobre a economia mundial.Caso o mercado energético estivesse normalizado a eficácia das pressões diplomáticas e económicas sobre o Irão seria completamente distinta, com as condições actuais podemos afirmar que os EUA arruinaram essas opções e assim não é de estranhar o consecutivo falhanço das negociações e a condescendência paternalista com que o Irão as vê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intervenção militar, por sua vez, para além de todas as dificuldades que acarreta a nível de meios e de despesa, não resolverá o problema no mercado energético podendo ser mais gravosa que a imposição de sanções, já que não parece possível uma intervenção rápida e eficaz no Irão que implique uma mudança de regime, e apenas isso poderia alterar, de facto, a situação no mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucede que, tal como na guerra do Iraque, também neste caso os interesses americanos não são convergentes com os da Europa, e vale a pena lembrar que os EUA são, neste momento, o terceiro maior produtor de petróleo do mundo. Assim, depois de minada a capacidade diplomática europeia junto do Irão pela situação criada com a guerra iraquiana, depois de colocada a Europa sob o risco de uma espiral preços-salários decorrente da instabilidade do mercado petrolífero, temos novamente a Europa (juntamente com a China, muito dependente na área energética do Irão) como o bloco que se apresenta mais vulnerável na eventualidade de uma guerra contra Teerão, embora essa hipótese, a concretizar-se, possa arrastar toda a economia mundial para uma recessão de dimensão imprevisível. Só Israel, verdadeiramente ameaçado pelo regime iraniano e financiado largamente pelo congresso americano, está facilmente disposto a pagar para ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)&lt;a href="http://service.spiegel.de/cache/international/spiegel/0,1518,409710,00.html"&gt;Entrevista de Joseph Stiglitz ao «Der Spiegel»&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114582999498847798?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114582999498847798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114582999498847798' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114582999498847798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114582999498847798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/04/economia-beira-do-precipcio.html' title='A economia à beira do precipício?'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114539518641686319</id><published>2006-04-18T22:17:00.000+01:00</published><updated>2006-04-19T05:09:12.246+01:00</updated><title type='text'>A caricatura da liberdade</title><content type='html'>Quando recentemente o jornal dinamarquês Jyllands-Posten decidiu publicar umas caricaturas de Maomé, seguido posteriormente por mais alguns jornais de outros países, a Europa assistiu ao despoletar de uma série de problemas com as comunidades islâmicas. À vontade de provocar de uns correspondeu a esperada irracionalidade e fanatismo de outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante o costumeiro radicalismo dos islâmicos ergueram-se uns quantos defensores de ocasião do Ocidente( muito de ocasião) em defesa de uma presumida ideia de liberdade tomada como valor civilizacional da Europa. O direito de caricaturar um profeta religioso e abordar livremente as questões da fé foi então tornado a bandeira simbólica da oportunidade de livre expressão que distinguiria as democracias ocidentais do «obscurantismo» de outras partes do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes a roçar o histerismo esses defensores de ocasião do Ocidente, que quando toca a defendê-lo integralmente se encontram sempre ausentes, asseguraram-nos que os movia simplesmente a apologia da «liberdade», que se tratava de uma questão de valores… a liberdade seria uma condição fundacional da «Europa democrática» e eram limitações a esses valores base que estavam em causa e não poderiam em consciência aceitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira, 10 de Abril, Pedro Varela, proprietário da Livraria Europa, em Barcelona, foi detido pela polícia da Catalunha. Segundo as forças de autoridade o objectivo principal seria a Associação Cultural Editorial Ojeda, sediada na referida livraria. Na operação foram confiscados vários milhares de livros. As acusações dirigidas a Pedro Varela foram de «delito contra o exercício de direitos fundamentais e liberdades públicas» e «delito contra as liberdades públicas por apologia do genocídio».A sustentar as acusações apresentaram-se os livros editados pela Ojeda e vendidos na livraria, desde obras de ficção a livros nacional-socialistas, revisionistas ou estudos sobre diferenças raciais(*).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta detenção de Pedro Varela – que não foi a primeira – não choca os defensores da tal liberdade que dizem valor civilizacional da Europa, pelo menos a julgar pelo silêncio generalizado a que os outrora histéricos defensores dos «valores fundacionais do Ocidente» se remeteram neste caso e noutros semelhantes. Em qualquer livraria podemos encontrar obras que apresentam visões revisionistas sobre os crimes do comunismo, e muito bem , acrescento, uma vez que considero ter o direito de conhecer outras opiniões para além das que são correntemente aceites como verídicas. As pessoas têm o direito de avaliar posições distintas e em posse de informação variada tomarem as suas decisões e fazer os seus julgamentos sem que uma qualquer autoridade lhes passe atestados de menoridade mental legislando o que podem ou não ler, o que podem ou não escrever ou pensar. Mas isto não é válido para a História da segunda guerra mundial ou para questões que abordem o tema racial, aí essa «coisa» da liberdade de expressão transforma-se frequentemente em «apologia do genocídio».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Varela foi preso por vender livros. Onde estão as boas consciências que lembram que a censura ou confiscação de livros é um sinal inequívoco de se estar na presença de Estados autoritários e inimigos da liberdade? As mesmas que criticam a censura literária em Cuba ou que falam da destruição de obras na Alemanha nazi como sinal profético do que estaria para vir? Afinal não vivemos em democracias cujo valor central é a possibilidade de dissidência e de livre opinião? Não é sempre essa a diferença fulcral que apresentam na defesa da superioridade democrática ocidental? Pois…estão de férias agora os defensores dos «valores civilizacionais do Ocidente» que há alguns meses se insurgiam energicamente na defesa do direito à liberdade de expressão, esse dogma das nossas democracias de «homens livres».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta «liberdade ocidental» cujos limites são impostos pelo poder político dominante, que decide em função dos seus interesses os critérios do que podemos dizer e escrever é a mais cínica negação do conceito. Ninguém é livre se não puder aceder a informação diferente e for forçado a aceitar as teses únicas da verdade institucionalizada, pois essa é a verdadeira limitação que impede o livre juízo e a decisão autónoma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, o «homem livre» europeu é como uma criança de 6 anos a quem o poder político, fazendo o papel de adulto responsável pela sua educação, estabelece os limites do que pode ou não saber, e, tal como um adulto faz com uma criança, justifica a sua acção para o próprio bem desse «homem livre» europeu, em boa verdade infantilizado. A liberdade apregoada por alturas da polémica em torno das caricaturas de Maomé quando comparada com a sua negação em tantos outros casos de que Pedro Varela é apenas o exemplo mais recente faz lembrar a liberdade que se permite aos fedelhos: que façam umas caricaturas, uns bonecos e uns rabiscos, mas não se intrometam nos assuntos sérios dos adultos; eles é que sabem o que é melhor para a criançada, incapaz de raciocinar por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)A este propósito será bom que o professor J.P.Rushton, que recentemente publicou um estudo cientifico mostrando que as diferenças de QI entre os diferentes grupos raciais são sobretudo genéticas e que  o ambiente social e educacional não tem um impacto superior a 20% nos resultados ou, para o efeito, o professor Richard Lynn que em «Race Differences in Intelligence: An Evolutionary Analysis» concluiu existirem diferenças de inteligência significativas que separam as raças, evitem passar por Barcelona, não vá dar-se o caso de acabarem detidos por incitamento ao genocídio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114539518641686319?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114539518641686319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114539518641686319' title='94 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114539518641686319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114539518641686319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/04/caricatura-da-liberdade.html' title='A caricatura da liberdade'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>94</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114522541392506073</id><published>2006-04-16T23:09:00.000+01:00</published><updated>2006-04-17T18:09:28.666+01:00</updated><title type='text'>Christopher Lasch, a direita ao lado do povo contra as elites</title><content type='html'>Christopher Lasch é normalmente considerado nos EUA um autor difícil de definir ou catalogar, não é um pensador que seja facilmente encaixado em categorias padrão. Para essa ideia de indefinição ideológica que no mundo anglo-saxónico lhe está associada contribui, concerteza, a sua posição face ao capitalismo. Um homem que esteve ligado a pertinentes análises sociais elaboradas a partir de uma certa visão de direita , foi também um crítico convicto do liberalismo económico. Na sociedade americana, praticamente sem tradição socialista, espera-se geralmente da direita uma posição claramente contrária ao Estado Social, favorecedora do governo minimalista, inequivocamente capitalista, provavelmente herdeira do liberalismo clássico. Sair desta matriz é condição para garantir o rótulo de herético que coube a Lasch.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição europeia é diferente, até tempos recentes o conservadorismo e o liberalismo estavam em pólos opostos, foi o erguer do socialismo que fez convergir ambos no mesmo campo, numa aliança frequentemente contra-natura e que acabou na completa destruição dos movimentos realmente conservadores, corroídos, desvirtuados e dominados pela filosofia liberal, como sempre acontece com as ideologias que se associam a essa doutrina. De resto como esperar outra coisa da junção do conservadorismo, defensor das instituições tradicionais e natural portador de uma visão comunitária da vida com uma filosofia que faz a apologia da liberdade como um fim em si e do individualismo radical? Lasch seria necessariamente um «desenraizado» na sociedade americana, mas não entre os europeus, cuja memória alcança outras realidades. Arrisco dizer que na Europa seria considerado um homem autenticamente de direita, sem necessidade de particular confusão ou contestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre entrevistas e artigos controversos Christopher Lasch escreveu 8 livros, dos quais se destacarão «The Culture of Narcissism» e «Revolt of the Elites: And the Betrayal of Democracy». Este último, publicado já depois da sua morte, é provavelmente a obra mais abrangente e conseguida do ponto de vista político. São abordados 3 temas maiores que Lasch identifica como centrais à crise societal do Ocidente:1- as características das novas elites; 2- a comunicação social, a informação e o discurso público e 3- a crise espiritual do Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ensaio «central», que justifica o título do livro, remete-nos para a obra de Ortega y Gasset, «A Rebelião das Massas»; mas se Gasset identifica a emergência das massas como a grande ameaça aos valores europeus, pelo efeito destrutivo que teria sobre os padrões de qualidade na cultura e na política mantidos até então num certo patamar pelas elites, Lasch, pelo contrário, situa o problema na nova elite, os burocratas, os tecnocratas, os «peritos», os gestores, apresentando-os como a verdadeira causa da decadência da cultura e identidade do Ocidente bem como da própria democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário da direita que se revê em Gasset, elitista e desconfiada da  democracia, sempre olhada como um mal menor, a direita de Lasch é popular( ou populista), e se critica a democracia actual é porque acreditou na ideia. Em oposição ao conservadorismo elitista que emana da obra de Ortega y Gasset a direita de Christopher Lasch é fundada nas classes trabalhadoras, no povo. O ataque de Lasch às elites é também a afirmação de uma posição que sempre lhe foi constante, a exaltação das virtudes das classes populares, das massas, das classes médias e baixas, que considera como o verdadeiro último reduto dos princípios que ergueram o Ocidente. Para o autor é precisamente entre as massas que se encontra o espírito de resistência ao politicamente correcto e de preservação da tradição ocidental, ameaçadas sim por elites que constituem a linha avançada da destruição desses princípios. O multiculturalismo, os estilos de vida «alternativos», as medidas de «affirmative action», o feminismo radicalizado, a relativização do valor da vida, a defesa do aborto, toda a agenda progressista encontra, sengundo Christopher Lasch, a maior resistência entre o povo e a maior força de imposição entre as novas elites do sistema globalizado, detentoras do poder económico e informativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas elites vivem num mundo aparte em que a informação e a elevada especialização técnica constituem os alicerces do poder e são elas que detêm o monopólio dos factores geradores de controlo social. Uma vez que o mercado destes factores é internacional e é daí que advém o seu estatuto dominante as novas elites são fiéis à manutenção e aprofundamento da nova ordem global e não manifestam qualquer lealdade para com as suas comunidades nacionais e as instituições tradicionais. Na verdade a distância que separa as novas classes dominantes das massas é de tal ordem que  perderam toda a ligação à sua população, à sua nação. Vivem num mundo privado e selecto, habitam condomínios fechados, frequentam clubes privados, colocam os filhos em caras escolas particulares, desconhecem os bairros problemáticos, beneficiam de seguros de saúde que os asseguram contra os problemas dos sistemas de assistência médica, são portanto incapazes de compreender o mundo que está fora do seu círculo fechado e que afecta o povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo tema abordado por Lasch e que foi também recorrente em toda a  sua obra é o da manipulação da informação e controlo dos «media». Cristopher Lasch ataca a ideia de uma qualquer suposta neutralidade da comunicação social ligando esse embuste à aliança entre os «media» e a indústria de publicidade. Os interesses comerciais pretendiam promover os seus «produtos» sob a capa da respeitabilidade, assegurada pela ideia de uma comunicação social objectiva, enquanto os jornais e televisões pretendiam abarcar a maior percentagem de público servindo-se dos serviços da publicidade. Gera-se assim uma dinâmica nociva, a publicidade promove a ideia de neutralidade da informação enquanto a «informação» vende propaganda ao serviço de grupos e interesses sob o manto da veracidade factual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este controlo sobre a informação é exercido pelas novas elites internacionalistas e aqueles que com elas se relacionam, incluindo, naturalmente, jornalistas. As massas, ao lado das quais sempre se situa, são compostas por consumidores, recipientes destes fluxos de propaganda sem capacidade de influenciar ou retaliar, porque sem acesso aos «media». São, apesar de tudo, os instintos de preservação dessas classes médias e baixas que vão impondo os limites à disseminação das ideias ou ideais veiculados pela comunicação social e é essa resistência quase instintiva à engenharia social procurada pelo poder que as elites globais tentam destruir progressivamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim surge a crítica do vazio espiritual que considera ter tomado conta da civilização ocidental. A ideia de progresso secular, segundo Lasch, surge hoje como um substituto completo da religião, apresentando a fé religiosa dos nossos antepassados como mero fenómeno que serviria para apaziguar a ignorância existente. Por outro lado aparecem novas religiões e espiritualidades que na sua opinião representam uma inversão da natureza religiosa, uma vez que o homem toma o papel de Deus, ou cria o seu próprio Deus, modelando as novas expressões de religiosidade às suas próprias necessidades de auto-estima e realização, sem exigir verdadeira disciplina espiritual. Essa «noite negra da alma», como lhe chama, levanta a derradeira questão, pode ainda sobreviver uma civilização que já perdeu a ligação com o que está para lá do homem, ou que, na melhor das hipóteses, está muito perto de a perder por completo? Afinal, por que estão dispostos a lutar, sacrificar-se ou morrer os representantes de um Ocidente que já não acredita em nada que ultrapasse o indivíduo? Este reconhecimento do papel estruturante da religião assume especial interesse no autor porquanto nunca foi um homem religioso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114522541392506073?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114522541392506073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114522541392506073' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114522541392506073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114522541392506073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/04/christopher-lasch-direita-ao-lado-do.html' title='Christopher Lasch, a direita ao lado do povo contra as elites'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114455728627633502</id><published>2006-04-09T05:29:00.000+01:00</published><updated>2006-04-09T15:57:11.490+01:00</updated><title type='text'>O tsunami da escravidão</title><content type='html'>Desde a extrema-esquerda mais retrógrada à extrema-direita de Anson passando por todos os governos que temos tido, escutamos sempre o mesmo argumento: a imigração é necessária para manter o sistema de pensões. Assim, quando algum político, submetido aos interesses do capital, queria fazer render o seu lugar entoava o «mantra» de que os imigrantes vinham para aqui salvar as nossas pensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desgraçadamente o Banco de Espanha (BE) informou que, apesar da imigração, o impacto do envelhecimento da população e a escassa natalidade provocará o défice do sistema, não se adoptando novas medidas, particularmente entre 2025 e 2050. Para chegar a esta brilhante conclusão o BE não elaborou simulações com super computadores, constatou tão-somente, com informação do Instituto Nacional de Estatística, que os imigrantes também envelhecem e que, no futuro, exigirão direitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No diário neoconservador La Razón (2/4/06) uma tal Rosa Carvajal afirma que «é indubitável que a sua entrada [de imigrantes] no nosso país potenciou a nossa expansão económica e favoreceu a criação de emprego». Mas se tivesse lido o relatório do Serviço de Estudos Económicos da fundação BBVA (3/3/05) saberia que a mão-de-obra imigrante «favorece a moderação salarial», por excesso de oferta, e «facilita a contenção de preços». A salários mais baixos corresponde menor poder de compra e é um facto que o depauperamento das famílias é uma causa directa na diminuição da natalidade. Beneficia isto o país? Indubitavelmente não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquín Almonia, comissário europeu de Assuntos Económicos, afirmou diante do Colégio de Economistas que faz falta «reformar o sistema de pensões». Já sabemos como é. Por exemplo, nos EUA, segundo o diário El País (2/4/06) «cada vez mais empresas congelam os planos empresariais tradicionais, criados depois da segunda guerra mundial, enquanto promovem com entusiasmo os fundos de aforro para a reforma, os chamados fundos 401(k), que permitem às companhias contribuições mais flexíveis e passar para o empregado os riscos da gestão… Os «experts» asseguram que no futuro muitos trabalharão pela força para evitar cair na pobreza durante a velhice».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim estão as coisas, o capital global está a ponto de consumar o negócio do século. Quando faz falta vende a imigração como panaceia para sanear o sistema de pensões. Mas se quer destruir o sistema público de pensões a fim de obter os benefícios dos planos privados, então diz que as pensões não se salvarão nem com a imigração maciça. No final teremos imigração maciça para garantir os salários esclavagistas e não teremos pensões públicas porque haverá que pagar religiosamente o plano de pensões do Banco de ocasião. E ainda dizem que não existe o crime perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim estão as coisas, enquanto nos enchem os ouvidos com a última idiotice do bufão Otegi ou com as mágoas da «alcaldesa» de Marbella, o tsunami da escravidão, fomentado pelo demoliberalismo, avança imparável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Arroyo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114455728627633502?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114455728627633502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114455728627633502' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114455728627633502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114455728627633502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/04/o-tsunami-da-escravido.html' title='O tsunami da escravidão'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114426080206021997</id><published>2006-04-05T19:12:00.000+01:00</published><updated>2006-04-06T23:08:51.110+01:00</updated><title type='text'>O PCP, Marx e a democracia</title><content type='html'>O PCP, pela voz do seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa, afirmou que está em curso uma campanha ideológica levada a cabo pela «direita conservadora e revanchista» para alterar a Constituição, manifestando a sua preocupação face a essa eventualidade. Segundo o PCP uma alteração do texto constitucional poderá colocar em causa a sua «vertente de democracia política».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de profundamente surrealista nesta persistente argumentação comunista. É impressionante a quantidade de vezes em que o PCP se manifesta publicamente como uma espécie de guardião da liberdade e da democracia. Falamos de um partido que é em si a própria negação da ideia de democracia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os comunistas portugueses podem hoje, desavergonhadamente, falar em nome da liberdade e da democracia devem-no precisamente ao facto de terem sido a facção derrotada no pós 25 de Abril. Caso o modelo de sociedade por eles preconizado tivesse sido implantado em Portugal o país teria sido dirigido por um regime ditatorial. Uma das  mais absurdas explicações para a forma como estes hipócritas enchem a boca com semelhantes alegações é dada pelo exemplo de luta demonstrado contra o regime autoritário de Salazar. O caso é risível, pela mesma lógica se os comunistas tivessem implantado um regime ditatorial, como sempre sucede com as experiências marxistas, os eventuais resistentes da direita reaccionária e anti-democrática passariam a ser vistos como principais guardiães da liberdade democrática? Claro que não… O PCP não lutou pela democracia, lutou por um regime ideologicamente diferente do que existia, apenas isso, as ditaduras não têm só um sentido político, podem vir de quadrantes muito diversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se quando os dirigentes do PCP falam de liberdade e democracia estão simplesmente a ser hipócritas, se à força de tanto o repetirem passaram realmente a acreditar nas suas próprias mentiras, não sei se desconhecem a filiação ideológica do partido ou os resultados práticos do marxismo-leninismo que sempre caracterizou o partido, não sei se têm fraca memória e desconhecem a história do PCP e o seu apoio a regimes ditatoriais de inspiração marxista, na antiga União Soviética, em Cuba, as simpatias manifestadas pela Coreia do Norte, etc., não sei se os dirigentes do PCP, conhecendo os seus militantes, regra geral pouco menos que analfabetos, extrapolam para o todo da sociedade portuguesa essa imagem do eleitorado, não sei…mas o caso é quase patológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que existem vários marxismos mas a linha em que sempre se inseriram os comunistas portugueses é clara, o marxismo-leninismo, que foi tornado realidade na União Soviética; temos por isso um exemplo histórico do que é a ideia de democracia do PCP. A empatia do PCP com o próprio Estalinismo invalida até aquela linha de argumentação que considera que Estaline terá traído os princípios do marxismo-leninismo; ao PCP as suas posições históricas não lhe permitem sequer enveredar por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo essa argumentação não é sólida. O regime de Estaline foi apenas uma consequência do comunismo implementado por Lenine, que executou centenas de milhares de opositores, criou a Cheka e deu início ao sistema que viria a ser conhecido pelos Gulags. Ou seja, Estaline limitou-se a continuar o que havia sido já iniciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é também verdade, como alguns marxistas pretendem, de forma a «lavar» a História, que os regimes comunistas que existiram tenham representado qualquer traição aos ideais de Marx, representaram tão só, na medida do possível, a aplicação prática do que fora teorizado por Marx e Engels. A verdade é que Marx foi sobretudo um crítico do que existia, em Marx encontramos a crítica da sociedade capitalista mas as soluções que aponta são sempre mal definidas, nunca devidamente aclaradas, explica como destruir mas nunca como construir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que surge claro no pensamento político de Marx? Sabemos que o comunismo de Marx levaria à abolição da propriedade privada, das classes sociais e, posteriormente, do próprio Estado. Mas antes de chegar à fase em que o Estado seria abolido Marx defende a necessidade de implementação da «ditadura do proletariado», como uma espécie de fase intermédia antes do fim do Estado. Até à «ditadura do proletariado» Marx indica o caminho e esse caminho está dependente da vontade e da acção revolucionária dos executantes, mas a partir da implementação da ditadura não há nada em Marx ou Engels que explique convenientemente como se processaria o desaparecimento do Estado e a presumida libertação final do «povo», supõe-se simplesmente que a «ditadura do proletariado» criaria as condições de alteração social – nomeadamente através da colectivização dos meios de produção - que permitiriam o fim natural do estado. Engels afirma taxativamente que o Estado desaparecerá autonomamente; diz ele : «O primeiro acto pelo qual o Estado surge como representante do todo social – a tomada de posse dos meios de produção em nome da sociedade – é também o seu último acto independente como Estado», a partir daqui Engels afirma que a intervenção do Estado na vida dos cidadãos se tornará progressivamente supérflua, desnecessária e este desaparecerá, «morrerá por si próprio».[1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o estádio ditatorial em que caíram todos os regimes comunistas é um estádio que deriva directamente de Marx e Engels, da sua «ditadura proletária». Se considerarmos que a colectivização dos meios de produção foi alcançada com a execução dessas ditaduras em todos os regimes comunistas então os pressupostos definidos por Marx e Engels para o desaparecimento do Estado estiveram reunidos em todos eles. E no entanto o Estado, obviamente e como seria de esperar, não desapareceu em nenhum dos casos conhecidos, ora se o marxismo previa a extinção natural do Estado depois de reunidos esses pressupostos então a conclusão que retiramos é a de imperfeição da própria teoria marxista e não a de qualquer desvirtuamento do pensamento marxista, muito simplesmente porque na teoria marxista o fim do Estado, ao contrário da revolução e da instauração da ditadura, surgiria por si. [2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o resultado lógico da teoria marxista é a instauração da ditadura e de uma burocracia omnipresente, não de qualquer democracia. Seria aliás lógico chegar a esta conclusão pela análise das realidades históricas, todos os regimes marxistas conseguiram chegar à supostamente intermédia fase da «ditadura proletária» mas nenhum deles viu o Estado opressor – segundo a própria teoria marxista - desaparecer. Muito simplesmente porque a ditadura é, na verdade, a fase final, o culminar de todo o projecto autenticamente inspirado no marxismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto Marx como Engels são claros na sua objecção à democracia-liberal, ou ao sistema democrático como o conhecemos nas nossas sociedades, que definem como uma ditadura capitalista, ou burguesa, sobre o proletariado. As referências à democracia que vêm directamente da teoria marxista são raras e contraditórias. As únicas referências a qualquer ideia de democracia que encontramos em Marx e Engels remetem-nos para a experiência da Comuna de Paris, que não foi propriamente um exemplo de respeito por ideias divergentes. Mas mesmo no que concerne à opinião de Marx sobre a Comuna as incoerências são óbvias; em «The Civil War in France» Marx refere-se à Comuna como o sistema que melhor terá representado a sua concepção de organização revolucionária e socialista da sociedade, com uma democracia descentralizada, mas posteriormente, em 1881, em resposta a Nieuwenhuis, Marx refere-se à Comuna como não sendo verdadeiramente revolucionária e socialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Engels, que como Lenine verá na Comuna o modelo da «ditadura do proletariado», dirá sobre a mesma: «…E o partido vitorioso deve manter o seu poder por meio do terror que as suas armas inspiram nos reaccionários. Teria a Comuna de Paris durado mais que um dia se não tivesse usado a autoridade do povo armado contra a burguesia? Não podemos, pelo contrário, culpá-la por ter feito tão pouco uso dessa autoridade?...»[3]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclarecedor quanto à possibilidade de oposição e divergência na concepção democrática do marxismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem Marx nem Engels explicam como se transformaria a «ditadura do proletariado» num «Estado democrático» em que todos governam e ninguém governa, daí que, com base nas próprias afirmações de Marx e Engels,[4] Lenine( um dos ideólogos principais do PCP) tenha concluído que o Estado é uma organização de força e violência para a supressão de certas classes e que a ditadura é necessária «para quebrar a resistência da burguesia, para inspirar o medo nos reaccionários, para manter a autoridade do povo armado sobre a burguesia , para que o proletariado possa controlar os seus adversários»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só o Estado não desaparece naturalmente como afirma a teoria marxista como nada em Marx ou Engels explica como transformar a «ditadura proletária» num Estado democrático mantendo ao mesmo tempo o regime socialista. A razão é simples, falamos de abstracções irrealizáveis. Nenhum regime socialista, em que os meios de produção estão colectivizados, pode permitir a existência de oposição ideológica e a possibilidade de subida ao poder dessa oposição por via eleitoral, pois nenhuma economia consegue sobreviver se de 4 em 4 anos ou de 8 em 8 anos a produção for nacionalizada ou privatizada ao sabor das circunstâncias. Para que o socialismo marxista possa funcionar é necessária uma estabilidade de longo prazo que é incompatível com a ideia de alternância ideológica no poder e que só pode por isso ser assegurada por um Estado autoritário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raymond Aron, em «As etapas do pensamento sociológico», identifica como a última crise do pensamento marxista saber se existe um estádio intermédio entre as realidades comunistas e as sociedades social-democratas ao estilo ocidental, isto é, saber se é possível conjugar a colectivização geral da produção com a existência de democracia. Pela razão que apontei acima não creio ser possível essa conjugação, mas é a própria realidade factual que reforça essa convicção e parece mostrar mais uma imprecisão teórica no marxismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos modelos marxistas aquele que melhor revela uma dinâmica de evolução, o chinês, evolui para uma progressiva liberalização económica mantendo o sistema autoritário e anti-democrático. Ou seja, tudo se passa em sentido contrário ao previsto pela teoria marxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Marx e Engels, uma vez alcançada a nacionalização da produção o Estado desapareceria naturalmente libertando o povo e instaurando uma verdadeira democracia( que nunca se percebe bem o que significa no marxismo), mas na realidade o que sucedeu em todos os Estados que colectivizaram a produção foi a manutenção da burocracia estatal totalitária sem qualquer natural desaparecimento da mesma ou instauração de qualquer realidade democrática. Pelo contrário, aparentemente o que pode suceder nos regimes comunistas, se olharmos para a China, é precisamente o inverso, é o Estado que se mantém e o socialismo que progressivamente vai sendo mitigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante isto é preciso afirmar com clareza que os regimes ditatoriais de inspiração marxista não constituíram qualquer traição à  teoria política de Marx e Engels mas são, tão-somente, a sua aplicação prática, as eventuais divergências no interior dos movimentos marxistas são da exclusiva responsabilidade da má formulação e das imprecisões inerentes à teoria fornecida por Marx. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que democracia fala então o PCP, que é um partido marxista-leninista? E como é possível que uma Constituição que se afirma democrática, como a portuguesa, esteja manchada pelo marxismo, que é anti-democrático ou, pelo menos, claramente oposto à ideia de democracia-liberal? Se a democracia é um quadro neutro que suporta ideologias distintas, e inclusive aquelas que se lhe opõem, uma Constituição democrática deve necessariamente ser despolitizada e não conter referências ideológicas, marxistas ou quaisquer outras. Se a Constituição portuguesa pretende ser coerentemente democrática não faz qualquer sentido, por exemplo, a proibição da existência de organizações fascistas. Se, por outro lado, a Constituição da República portuguesa pretende garantir a perpetuidade democrática-liberal sem possibilidade de alteração do regime, limitando a liberdade de expressão dos que não são democratas, não há justificação para que não sejam interditadas organizações de inspiração marxista, como o PCP ou o Bloco de Esquerda. O que é preciso é uma clarificação, o que não é aceitável é esta incoerência constitucional promovida pelo PCP que não revela mais que a sua influência ideológica sobre o texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Frederick Engels, «Anti-Dühring. Herr Eugen Dühring’s Revolution in Science»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Esta posição explica também algumas divergências com os movimentos anarquistas que fazem depender o fim do Estado da actuação política directa, daí que, ao contrário do marxismo, no anarquismo se fale, não no desaparecimento do Estado mas na sua abolição. O ponto principal é compreender onde se situa a «acção», no marxismo ela situa-se na revolução para a implementação da ditadura, no anarquismo a «acção» provoca o fim do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3]  Marx e Engels, «Selected Works»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Vladimir Lenine, «The Proletarian Revolution and the Renegade Kautsky»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114426080206021997?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114426080206021997/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114426080206021997' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114426080206021997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114426080206021997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/04/o-pcp-marx-e-democracia.html' title='O PCP, Marx e a democracia'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114408089414119811</id><published>2006-04-03T17:05:00.000+01:00</published><updated>2006-04-03T18:02:27.680+01:00</updated><title type='text'>A luta pelo essencial - uma visão pagã</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/1600/krebs.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6810/888/320/krebs.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é, para Pierre Krebs, intelectual de origem francesa e residente na Alemanha, principal animador em terras germânicas da «Nova Cultura Europeia», nascida das cinzas da «Nouvelle Droite», a «luta pelo essencial»? Dito rapidamente: o maior desafio a que nos chama a modernidade moribunda, a batalha decisiva, aquela que afecta qualquer outra contenda não é outra senão a da Identidade contra a Decadência, a luta pela regeneração étnica e cultural dos povos europeus debaixo da norma de uma renascida consciência indo-europeia pagã, contra o Ocidente etnocida nascido do judeocristianismo. O Ocidente, de facto, na visão de Krebs, não é outra coisa que a conclusão do projecto igualitário claramente formulado já na pregação bíblica. Um Ocidente como anti-Europa, que compreende não só a América como essa parte doente da Europa que se renega a si própria, às suas raízes, ao seu destino, que não engloba em si mesma «nem a Europa de filiação grega eraclitiana, nem a Europa de filiação romana imperial, nem a Europa de filiação germânica fáustica, nem a Europa de filiação céltica druídica, nem a Europa de filiação monista Eslava».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Ocidente que se pretende «moderno» mas é apenas «actual», fossilizado, como está, em todas as suas formas essenciais, por «arcaísmos mentais hebreus do Antigo Testamento», completamente privado do dinamismo fáustico próprio da civilização europeia. Um Ocidente, finalmente, que resulta ser um verdadeiro «sistema para matar os povos» segundo a definição de Faye dos primeiros anos da década de 80. Esta função etnocida desenrola-se, para Pierre Krebs, em três momentos fundamentais: Numa primeira «fase política», a democracia orgânica, baseada na realidade etnocultural, a partir do modelo grego, é substituída pela «instituição vagabunda e cosmopolita do parlamento»; na segunda fase, «jurídica», pretende-se que as constituições de todos os Estados do mundo se inspirem num único modelo de cariz americano; finalmente no momento «ideológico», é a integridade territorial e étnica de cada povo que se desagrega. É a fase actual, a da sociedade multiracial, baseada no desenraizamento biológico e cultural de toda a comunidade étnica. Sociedade multiracial que, apesar do nome, se baseia fundamentalmente na negação dos dados raciais e étnicos, opondo o dogma politicamente correcto aos dados cada vez mais evidentes que vêm de estudos científicos.Na luta contra esta máquina devastadora de culturas, povos e comunidades, assim como na renovada afirmação da nossa identidade pan-europeia, as inteligentes reflexões de Pierre Krebs podem, sem dúvida, servir de valiosa ajuda.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Recensão de Adriano Scianca, na &lt;a href="http://www.tierraypueblo.com/"&gt;Tierra y Pueblo&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114408089414119811?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114408089414119811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114408089414119811' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114408089414119811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114408089414119811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/04/luta-pelo-essencial-uma-viso-pag.html' title='A luta pelo essencial - uma visão pagã'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114380487966945747</id><published>2006-03-31T12:33:00.000+01:00</published><updated>2006-08-09T21:10:16.323+01:00</updated><title type='text'>Jean Mabire, Presente!</title><content type='html'>Jean Mabire morreu na passada quarta-feira, 29 Março de 2006. Jornalista, romancista, historiador, militante, combatente identitário de longa data, a sua escrita foi a do outro lado da História. Foi um homem fiel à sua Normandia natal e à Europa. A sua obra fala da guerra - sobretudo a segunda guerra mundial, as misérias e grandezas dos seus actores - e das tradições europeias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicia a carreira com a revista «Viking» e, entre muitas outras, destacar-se-ão a sua colaboração na «Défense de l'Occident» de Maurice Bardèche e na «National- Hebdo». O seu nacionalismo, como a sua ideia de Europa, deve muito a Saint-Loup, Marc Augier para os conhecidos, antigo voluntário na frente leste e também ele romancista maior, que considerará o verdadeiro profeta da Europa das pátrias carnais, ideia que marca incontornavelmente o seu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua era a Europa das etnias, a Europa das 360 bandeiras, como a definiria; era um opositor dos Estados que foram sendo edificados desrespeitando essa identidade primordial das pátrias. O europeísmo de Jean Mabire não se confundia com criações como a UE:«Esta ideia de Europa dos povos não surgiu de qualquer cimeira de Bruxelas ou Estrasburgo, mas da base. Nasceu de militantes enraizados na sua terra e não de funcionários internacionais tomados pela vontade de transformar a Europa tecnocrática num gigantesco puzzle».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa Europa de Mabire deveria preservar a sua identidade afirmando-se face ao resto do mundo e contrapondo-se ao imperialismo americano, e para isso teria de ser «una e diversa», dizia. Una politicamente, militarmente, diplomaticamente, economicamente, mas diversa culturalmente, preservando as identidades matriciais dos seus povos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em «La Torche et le Glaive» afirma: «Escrever, para mim, não é um prazer nem um privilégio. É um serviço como outro(…)Escrever deve ser um jogo perigoso. É a única nobreza do escritor, a sua única maneira de participar nas lutas da vida». Um serviço…No fundo talvez seja nesta sua obra que mais claramente encontramos o autor ao serviço de uma causa, da causa. Ele que sempre disse não ser um político serviu, da maneira que melhor sabia, a política pela arte; «La Torche et le Glaive» é uma récita literária, histórica, mas principalmente ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo das oito partes em que está dividido o livro somos conduzidos através da História do Velho Continente, da sua memória, confrontados com os problemas que o sistema actual põe às nações europeias e colocados perante os caminhos a percorrer, rumo a um Império Europeu assente no respeito pelas pátrias físicas, construído de baixo para cima, a partir das raízes profundas das diferentes culturas europeias e apostado na sua imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean Mabire está já em Walhalla, a tocha fica connosco, e lembro uma frase do autor, que com simplicidade define toda a sua luta, a nossa luta: «A identidade de um povo é o seu espírito tanto quanto a sua carne».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean Mabire, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ils ont rêvé l'Europe des Patries charnelles&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laurent Schang, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Entretien exclusif avec Jean Mabire: Réflexions sur l’ «Aventurier »&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114380487966945747?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114380487966945747/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114380487966945747' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114380487966945747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114380487966945747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/jean-mabire-presente.html' title='Jean Mabire, Presente!'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114365621045608063</id><published>2006-03-29T19:09:00.000+01:00</published><updated>2006-03-31T22:26:29.290+01:00</updated><title type='text'>Os Protocolos de Harvard e Chicago</title><content type='html'>John Mearsheimer e Stephen Walt, respectivamente professores nas universidades de Chicago e de Harvard e especialistas em ciência política, são os autores de um trabalho de 83 páginas sobre a política externa norte-americana que está a causar polémica no país,&lt;a href="http://ksgnotes1.harvard.edu/Research/wpaper.nsf/rwp/RWP06-011"&gt;«The Israel lobby and US foreign policy»&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse documento denunciam o poder do lobby judeu na determinação da política externa americana. Segundo os autores a intervenção no Iraque e as pressões para uma intervenção no Irão são o resultado da força desse mesmo lobby, que dirige a Casa Branca e define a política externa americana em prejuízo dos interesses nacionais e em benefício de um único país: Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento traça a evolução e ascensão do referido poder, desde a década de 60 até ao presente. Nem todos os envolvidos são judeus, o lobby abarca gente de várias confissões e, sobretudo, de vários quadrantes políticos, dos democratas aos republicanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À direita encontramos instituições como o AEI e o Wall Street Journal, à esquerda a Brookings Institution e o New York Times, a dirigir a rede, funcionando como centro de coordenação, o AIPAC ( American Israel Public Affairs Committee). Estas ligações, atestam os autores, colocaram em perigo a segurança dos EUA e do mundo. Os autores afirmam ainda, claramente, que o surgimento da Al Qaeda não pode ser entendido sem ser à luz do conflito israelo-palestiniano e da posição americana face ao mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente o documento trazia o selo da Universidade de Harvard mas posteriormente a instituição decidiu retirá-lo (pergunto-me porquê, e sim, estou a ser irónico…) afirmando que as opiniões expressas no documento responsabilizavam apenas os autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, nada de surpreendente, todos os que acompanham a política norte-americana conhecem esta realidade e qualquer indivíduo que se decida a raciocinar sobre o assunto compreende que as intervenções americanas no Médio Oriente são ditadas por uma convergência de interesses económicos por um lado e interesses políticos ligados a Israel por outro. Neste blog já por diversas vezes apontei a influência desse lobby nos EUA e a ligação de instituições como o AEI ao mesmo, é uma situação conhecida na sociedade americana. Desta vez, porém, são reputados professores universitários de conceituadas universidades que o escalpelizam, o que confere outra notoriedade à denúncia e agrava as preocupações da imprensa judaica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o trabalho apresentado pelos dois professores o lobby judaico estará também a pressionar Washington para uma intervenção no Irão, algo que os dois universitários consideram contraproducente: «Se Washington pôde viver com a União Soviética ou com uma China “nuclearizada”, pode fazê-lo também com Teerão»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que as reacções não se fizeram esperar. Alan Dershowitz, professor de direito em Harvard e filho de judeus ortodoxos, desclassificou o trabalho afirmando que não se trata de um estudo académico mas antes da compilação de ideias plenas de ódio( cá está, começa sempre assim…) com frases e citações que circulam nos sites neo-nazis. E pronto, está feito! A ligação assassina. Os responsáveis pelo documento serão certamente nazis encapotados, como de resto o são todos os que se atrevem a denunciar a força judaica nas estruturas de poder dos EUA. Não interessa muito discutir a validade do que é escrito, não interessa rebater os argumentos do oponente, basta colocar-lhe o rótulo de emergência para todas as ocasiões, assim como um «pronto-a-servir», sempre à disposição: Nazi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais curiosa foi a reacção do jornal israelita «Haaretz», que denominou o documento como «Os protocolos de Harvard e Chicago», comparando-o aos «Protocolos dos Sábios de Sião». Uma comparação desastrada… a não ser que o «Haaretz» pretenda reabilitar os «Protocolos dos Sábios de Sião».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Com um agradecimento ao Nonas pelo artigo de Davide Frattini, no «Corriere della Sera», que me enviou&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114365621045608063?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114365621045608063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114365621045608063' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114365621045608063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114365621045608063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/os-protocolos-de-harvard-e-chicago.html' title='Os Protocolos de Harvard e Chicago'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114356120564445486</id><published>2006-03-28T16:51:00.000+01:00</published><updated>2006-03-28T16:57:56.636+01:00</updated><title type='text'>Rodrigo Emílio</title><content type='html'>Passam hoje dois anos sobre a morte do &lt;a href="http://217.68.17.178/"&gt;poeta&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefa(s)cio-II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De entre todos os motivos&lt;br /&gt;porque sulco os loucos trilhos&lt;br /&gt;de extermínio&lt;br /&gt;em que me abismo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobressaem, sempre vivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os meus livros,&lt;br /&gt;os meus filhos&lt;br /&gt;e o fascínio&lt;br /&gt;do fascismo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Emílio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114356120564445486?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114356120564445486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114356120564445486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114356120564445486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114356120564445486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/rodrigo-emlio.html' title='Rodrigo Emílio'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114339046656796330</id><published>2006-03-26T17:26:00.000+01:00</published><updated>2006-03-27T02:15:37.030+01:00</updated><title type='text'>O estado dos artistas</title><content type='html'>Paulo Portas estreou o seu programa na Sic Notícias, «O Estado da Arte», a consagração definitiva do seu estatuto de figura política incontornável no panorama nacional...ah, a glória! Vi parte do dito programa e sobre o assunto tecerei aqui algumas observações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi começar por abordar o tema pegando no texto de Rui Tavares no «Público» de ontem. A coluna do jornalista é um ataque continuado a Portas, não que isso me chateie, mas as considerações do jornalista, calculo que de esquerda e ao serviço da mesma, merecem alguns comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Tavares começa por criticar uma afirmação de Portas, a de que a democracia na Índia seria uma homenagem ao Império Britânico. Lembra o cronista que, na realidade, os indianos conseguiram a independência em luta contra a coroa britânica e que o Império de Sua Majestade criou alguns problemas que se prolongam até aos dias de hoje, o Afeganistão, o Paquistão e o Iraque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação a este último escreve Rui Tavares: «No caso do Iraque, a herança é pesada: em 1919 os ingleses anexaram três províncias autónomas( e relativamente sossegadas) do Império Otomano, Mossul, de maioria curda, Babilónia de maioria sunita e Bassorá de maioria xiita, e juntaram as três num só Estado, rico em petróleo a sul e norte e dominado pela minoria sunita do centro. Quase cem anos depois ainda não se descobriu o que fazer com tão brilhante ideia. Mas Paulo Portas certamente que se esqueceu destas três ex-colónias de Sua Majestade, até porque são países que aparecem pouco nas notícias. Como na Índia, onde as coisas correram “bem”, o resultado só pode ser uma homenagem ao Império Britânico, também nos outros lugares, onde as coisas correram se calhar “menos bem”, a culpa simplesmente não pode ter sido dos nossos louros e infalíveis primos de além-Mancha.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas não correram «bem» no Iraque precisamente porque, como inadvertidamente reconhece o jornalista, o Estado iraquiano foi uma construção multiétnica sem real base histórica, uma invenção que juntou debaixo da mesma autoridade etnias distintas e que só a força manteve agregadas; e ainda assim com tensões permanentes entre os diferentes grupos. O Iraque nunca foi uma nação porque uma nação caracteriza-se exactamente pela homogeneidade étnica e cultural que é provida pelo sangue e pela História. Não há nada de particularmente espantoso nos problemas internos desse Estado artificial. Estados multiétnicos são muito mais instáveis e passíveis de contínuos conflitos internos, e tanto mais quanto se trate de organizações democráticas; excepto se um dos grupos for claramente maioritário e os restantes não tiverem real expressão relativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será verdade que as coisas na Índia correram «bem»? Não completamente. É preciso lembrar a História da Índia colonial para perceber, uma vez mais, que não foi assim e que as razões foram as mesmas que abordei acima. Em 1947 deu-se uma secessão territorial a norte formando o Estado do Paquistão, isto derivou da existência de uma maioria muçulmana nessa área. Em 1971, a minoria bengali, naquilo que era o Paquistão Oriental,  e na sequência de uma terceira guerra entre a Índia e o Paquistão, formou o Estado do Bangladesh. Este caso é particularmente interessante porque a esmagadora maioria dos bengali são muçulmanos, e no entanto nem essa unidade religiosa evitou a criação de um novo Estado. Aquilo que é hoje a Índia é apenas parte do que foram os territórios administrados pelo Império Britânico, as diferenças étnicas e religiosas levaram à natural partição das terras e à constituição de novos países. E se a Índia é um caso mais ou menos «bem sucedido» de democracia deve-o à natureza muito específica da religião largamente dominante no país, o hinduísmo, professada por mais de 80% da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, Rui Tavares, depois de continuar o seu ataque a Portas ao longo do artigo, afirma, para o fim, o seguinte: «Aliás, tratando-se de Portas, não é  preciso ser nenhum Zandinga para saber que depois da insegurança vem sempre a imigração. Sobre esta última, Paulo Portas gabou a superioridade da “sua” política afirmando que no tempo de Guterres tinham entrado 200 mil imigrantes e no tempo do centro-direita apenas 80 mil. Esqueçamos que Guterres esteve seis anos no governo e não três. Não falemos sequer das vantagens de terem entrado imigrantes.» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, primeiramente, Portas falou da imigração subsequentemente ao tema da insegurança por ter sido essa a ordem em que a entrevistadora lhe colocou as perguntas, como o próprio cronista do «Público» reconhece, a não ser que Rui Tavares esteja a insinuar que foi Portas quem o exigiu à jornalista ele não terá qualquer responsabilidade na ordem das questões abordadas. A afirmação de Rui Tavares é não só um exercício básico de manipulação como um desrespeito à sua colega de profissão. Mas mais interessante é a insinuação de que o tema da insegurança nada teria a ver com o da imigração... pois bem, são as estatísticas de vários países que confirmam essa relação, não ficamos por isso a saber com base em quê descarta Rui Tavares essa relação, ou melhor, ficamos, com base na sua ideologia, na apologia da esquerda que resulta clara em todo o artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais curioso é a frase final deste excerto: «Não falemos sequer das vantagens de terem entrado imigrantes».Falemos, falemos. Quais são elas? Isso é que Rui Tavares deveria dizer, mas não diz, uma vez mais é a ideologia a falar, nada para além disso. As vantagens da entrada de imigrantes são largamente ultrapassadas pelas desvantagens. Já o referi, não há justificação económica para a política de imigração sem critério que existe em Portugal e na Europa, antes pelo contrário. E no mais, o impacto principal da imigração numa nação não é uma questão nem meramente económica nem sequer sobretudo económica, as questões sociais, culturais e identitárias ultrapassam a dimensão economicista, mas mesmo esta, como já disse anteriormente, não justifica a imigração corrente, renega-a. Quais são então essas vantagens? Ficamos sem as conhecer, apenas compreendemos que ao jornalista move uma aversão política face a Portas e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais espantoso nisto é que Rui Tavares reconhece que as razões por detrás dos problemas de coesão do Iraque resultam da convivência sob a mesma autoridade estatal de identidades etno-culturais distintas mas depois advoga, precisamente pela defesa da imigração desregrada que assola Portugal e a Europa, a criação do mesmo tipo de realidades no interior das nossas fronteiras! É que a imigração maciça para a Europa está a criar comunidades com identidades ainda mais distintas do que aquelas que existiam no Iraque. A lição da secessão do Paquistão da Índia pela existência a norte duma região de maioria islâmica não leva Rui Tavares e seus correligionários pró-imigracionistas a reflectirem que a imigração islâmica para a Europa poderá conduzir ao mesmo tipo de situação? Nem a lição do Kosovo lhes chegou. Estão cegos pela doutrinação esquerdista. E não compreendem sequer que na Europa grande parte da imigração não só é etnicamente distinta das comunidades de recepção como, na maioria dos casos, é racialmente distinta( o que não sucedia, por exemplo, no caso iraquiano), o que ajuda ainda mais a aumentar a distância entre comunidades. Ou seja, sabe o que está na origem da instabilidade histórica do Iraque mas apoia a «iraquização» da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os nacionalistas alertam para a situação são fascistas, autoritaristas, nazis, xenófobos, seja o que forem, e no entanto limitamo-nos a compreender as lições da História. Quando na Europa começarem a fazer-se sentir os problemas que sempre ocorreram onde faltou a unidade étnica e cultural, quando reivindicações separatistas, autonómicas, fronteiriças, começarem a surgir, ninguém se lembrará de quem em tempo útil tentou defender a integridade nacional. Lembrar-nos-emos nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a democracia for colocada em causa e para manter agregados certos Estados for necessário impor regimes autoritários ninguém se lembrará de quem alertou para a incompatibilidade de fazer conviver democraticamente populações com culturas antagónicas no mesmo espaço político. Lembrar-nos-emos nós, os fascistas, os autoritários, os inimigos da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as medidas de «affirmative action» começarem a ser implementadas e quotas para grupos étnicos surgirem em todos os níveis da vida civil, fazendo recair sobre os europeus os custos económicos e sociais das populações que nos invadem, ninguém se lembrará de quem o afirmou quando ainda era possível reagir. Lembrar-nos-emos nós, os «discriminadores».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao que ouvi de Paulo Portas algumas notas breves, porque a demonstração de vazio intelectual a que assisti não merece mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dada altura o antigo líder popular afirmou, a propósito das eleições directas nos partidos, não acreditar no dogma da multidão, prefere antes a democracia representativa, que diz ser superior. Muito interessante esta posição de Portas; é que foi precisamente com base no dogma da multidão e da democracia directa que o PP «venceu» o referendo ao aborto e foi precisamente alegando essa legitimidade das «multidões» que o PP de Portas se opôs a qualquer alteração da lei no parlamento, afinal expoente máximo da democracia representativa a que Portas agora reconhece superioridade. Calculo então que hoje o antigo líder do PP não obstasse a que, como exigia a extrema-esquerda, a lei sobre o aborto fosse simplesmente alterada na Assembleia da República, sem recurso a nova consulta popular. De facto a temporada passada nos «States» e a amizade cultivada com Rumsfeld e companhia fez-lhe bem, regressou com a lição neoconservadora bem estudada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a contestação à lei da nacionalidade com base na possibilidade de um candidato à naturalização poder cometer um crime e ainda assim obter o estatuto de cidadão nacional não vejo nada de louvável na posição de Portas. O absurdo de naturalizar criminosos não deveria servir para dividir posições de esquerda e direita mas antes idiotas de gente sensata. Que a lei tenha passado sem qualquer voto contra diz muito sobre as pessoas que se sentam no parlamento português. Que a bancada parlamentar do CDS/PP se tenha abstido diz muito sobre o partido do qual Paulo Portas é figura maior; foi um acto de inacreditável hipocrisia, cobardia e demissão política, a abstenção não foi mais que uma manobra de diversão. De resto a lei é de tal forma atentatória da identidade nacional que não seria sequer aceitável rejeitá-la apenas com base nessa questão. Se é apenas a isso que se agarra o PP e Portas é porque o partido dele foi co-responsável na elaboração do documento. As declarações do representante máximo do ACIME aquando da aprovação da lei dizem tudo o que há para dizer sobre o CDS/PP:«Em nenhum outro país da Europa conseguiríamos aprovar esta lei sem a oposição da direita». Pois, nós sabemos senhor comissário…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando da insegurança defendeu a imputabilidade criminal aos 14 anos, menos mal, alguma coisa de positivo haveria de dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora as declarações de Portas sobre a imigração... Foram de uma pobreza desoladora e muito clarificadoras quanto ao que é hoje a direita portuguesa. Portas criticou a política de imigração dos socialistas  justificando a necessidade de «controlar o fenómeno»( mas não muito) porque estando o país numa crise e o desemprego em alta é necessário ser mais cauteloso na entrada de imigrantes por forma a limitar o eventual crescimento de movimentos xenófobos! Disse o entrevistado que posteriormente, quando a economia recuperar, se deverá aumentar o fluxo imigratório. Uma visão estritamente utilitária da questão e apenas isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ir às lágrimas… digo que fiquei verdadeiramente sensibilizado com as preocupações anti-racistas de Portas mas o que mais me interessou naquelas declarações do ex-dirigente partidário foi a total ausência de um critério por detrás das suas posições face à imigração que não fosse conjuntural. Não há uma ideia de identidade nacional subjacente às visões de Portas sobre o assunto( como aliás já não havia no respeitante à lei da nacionalidade, criticada por meras questões securitárias e nada mais), o impacto da imigração sobre a nação, enquanto entidade histórica, é inexistente para Portas, resume-se a questão ao controlo de movimentos xenófobos e ao mercado. Não há uma concepção de pátria, de identidade, de comunidade nacional, nada, zero…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São bons artistas, de facto, eu é que há muito deixei de gostar de circo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114339046656796330?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114339046656796330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114339046656796330' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114339046656796330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114339046656796330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/o-estado-dos-artistas.html' title='O estado dos artistas'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114316406622845623</id><published>2006-03-24T01:30:00.000Z</published><updated>2006-03-24T05:11:17.080Z</updated><title type='text'>Guerras geopolíticas</title><content type='html'>O triunfo de Alexander Lukachenko nas recentes eleições bielorussas significou um pequeno contratempo na estratégia «ocidental» de isolamento da Rússia e domínio geopolítico da região. Para a Rússia foi uma pequena vitória que, depois dos danos de influência sofridos nas eleições da Ucrânia e da Geórgia, acaba por ter um significado maior que a manutenção da preponderância num país de 10 milhões de habitantes faria supor noutras condições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ocidente, EUA e UE, apoiavam o candidato da oposição, Alexander Milinkevich, contra o regime de Lukachenko, que apelidaram de autoritário, totalitarista, anti-democrático…as palavras mágicas. Não é mentira que o regime bielorusso seja autoritário mas o que está realmente em jogo na Bielorússia nada tem a ver com a vontade americana ou europeia de fazer vingar os valores da liberdade e democracia. São questões geoestratégicas que contam realmente, ali como em todos os pontos do planeta onde as forças euro-americanas( isto é, os EUA e os seguidistas europeus) intervieram, supostamente em nome dos valores democráticos. O problema é que, ao contrário do que sucedia com outros Estados, a Bielorússia está na área de influência estratégica de Moscovo e portanto o assunto tem de ser conduzido com dobrado cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O isolamento russo e o novo século anglo-judaico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abordei o tema da guerra na Jugoslávia referi que um dos objectivos por detrás da complexa questão do desmembramento do antigo estado balcânico era precisamente o isolamento da Rússia. O «Diário de Notícias» de ontem traz uma pequena crónica que enuncia o apoio dado pelo «Ocidente», sobretudo através dos EUA, a certas forças políticas em países do antigo bloco comunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o jornal que vários movimentos políticos, com forte apoio estudantil -  no fundo é um velho padrão, são os jovens os mais susceptíveis de serem manietados nestes jogos e os mais capazes de criar agitação – financiados pela UE e particularmente pelos EUA, sobretudo através de George Soros, se têm notabilizado pela acção subversiva que tem feito cair vários regimes nos países saídos das antigas repúblicas soviéticas. Ao traçar a história destes movimentos patrocinados por EUA e UE concluímos que se iniciaram com o Otpor, na antiga Jugoslávia, que foi uma das forças com principais responsabilidades na queda de Milosevic; ficaram célebres as acções de protesto nas ruas e os tais 20 000 «democratas» em Belgrado contra Milosevic( só no seu funeral, apesar de todos os boicotes, compareceram 100 000 pessoas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, na Geórgia, um movimento político que beneficiou da experiência do Otpor sérvio, e dos mesmos apoios, o Kmara, conseguiu contribuir para fazer cair Chevardnadze, que em conflito com os EUA procurou apoio junto do regime Russo( com quem havia tido no passado também sérios problemas). Era a «revolução Rosa». A Rússia sofria mais uma derrota na sua zona estratégica, o «Ocidente» conseguia mais uma vitória para a «democracia». Em 2004, na Ucrânia, um movimento denominado Pora, uma vez mais financiado pelo «Ocidente», estaria na primeira linha da luta contra Lanukovich, o candidato apoiado por Moscovo. A pressão popular, a «onda laranja», contesta nas ruas, em Novembro e Dezembro, a vitória do candidato pró-Moscovo nas eleições, as pressões resultam e numa terceira volta, Viktor Luchtchenko, o candidato apoiado pelo «Ocidente» e suportado nas ruas pelo Pora, vence. A «revolução laranja» estava alcançada e , uma vez mais, Moscovo perdia. Agora surge na Bielorússia o Zubr, um movimento com características similares aos anteriores e com os mesmos objectivos, que se prepara para levar a cabo no país o mesmo tipo de actuação que conduziu à queda dos regimes próximos de Moscovo nos casos supracitados. O cerco à Rússia aperta, rumo ao estabelecimento do mundo unipolar onde o grande eixo de poder é o anglo-israelita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Natureza e importância da relação entre a Rússia e a Bielorússia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação social e económica na Bielorússia não permitiu a vitória da oposição apoiada pelo «Ocidente» e não o permitirá nos tempos mais próximos. São vários os factores que asseguram à Rússia, no curto prazo, a estabilidade do regime de Lukachenko.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os salários na Bielorússia têm subido a taxas de dois dígitos anuais e o presidente mantém sobre o país um controlo muito superior ao que os anteriores presidentes da Geórgia ou Ucrânia alguma vez conseguiram. Os funcionários públicos nos cargos de chefia são formados por um instituto político que molda ideologicamente todos aqueles que pretendem aspirar a subir na hierarquia estatal, e num país onde a economia permanece completamente controlada pelo Estado isto marca toda a diferença. Na Bielorússia 3/4 da produção advêm do sector público. A população, goza de relativa prosperidade, em 2004 o país cresceu 11% e em 2005 9%, o país continua a ter indústrias com forte capacidade de penetração nos mercados regionais, nas áreas do aço, fertilizantes e na produção de tractores, frigoríficos e televisões. Nas presentes condições bem pode o «Ocidente» queixar-se do autoritarismo do regime, para a população será indiferente, é improvável fazer cair no imediato o regime de Lukachenko, com ou sem eleições «justas». Os EUA e a UE sabem isto e, consequentemente, a acção do Zubr é de médio prazo, necessita de esperar pela inversão das tendências económicas do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta conjuntura as relações com Moscovo são de primordial importância, tanto para um lado como para outro. A Bielorússia tem beneficiado da abertura do mercado russo aos seus produtos e sobretudo, beneficia da ajuda de Moscovo no que concerne ao fornecimento de petróleo e gás. A Rússia tem vendido petróleo à Bielorússia a 60% do preço de transacção internacional e tem fornecido gás a preços igualmente abaixo dos determinados pelo mercado internacional. Para a Rússia o pais vizinho tem também importância económica( para além de geopolítica). A Bielorússia é o segundo parceiro comercial da Rússia a seguir à Alemanha, faz parte dos acordos comerciais assinados com as antigas repúblicas soviéticas, e entre os dois países está na forja uma união comercial bilateral. A Bielorússia também fabrica parte dos mísseis russos, exporta para Moscovo 2/3 da sua produção de defesa militar e está integrada no sistema russo de defesa aérea. Com estas condicionantes a natureza da relação entre os dois Estados é de enorme proximidade e de ganhos bilaterais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A geopolítica da região e as guerras da energia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As «revoluções das cores», patrocinadas por Washington, como ficaram conhecidas as movimentações que levaram à alteração( ou tentativa) dos regimes da região, não serão indiferentes à luta pelo controlo das rotas energéticas na área e à tentativa de fazer depender o menos possível da Rússia os países circundantes. A situação da Ásia central e do Mar Cáspio não pode ser completamente entendida sem compreender que falamos de uma zona com petróleo e gás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O oleoduto que liga Baku a Ceyhan na Turquia, numa zona próxima de bases norte-americanas, passa pela Geórgia, a mudança de regime em Tbilisi permitiu aos EUA controlar por completo o trajecto do oleoduto, visto que o regime de Baku, embora incómodo e pouco fiável, já se contava entre os seus aliados. Ao conseguir afastar a Geórgia da influência russa, os EUA conseguiram reforçar decisivamente a sua influência sobre o Mar Cáspio e as rotas petrolíferas da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Ucrânia, depois de uma reunião com o Fórum económico de Davos, em Junho de 2005, o novo regime apoiado pelo «Ocidente» afirmou a vontade de construir novas infra-estruturas , para lá do já existente oleoduto Brody-Odessa,  que permitiriam reduzir a sua dependência de Moscovo no tocante  ao gás e ao petróleo, ou seja, afastar decididamente a Ucrânia da Rússia no capítulo energético. A construção desse projecto seria feita em cooperação com a «Chevron», uma empresa ligada à administração Bush e na qual Condoleezza Rice ocupou importante cargo de direcção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com estas alterações políticas os EUA reforçaram a sua influência sobre os mercados energéticos da região e a capacidade de acesso e controlo do Mar Cáspio e do Mar Negro, ao mesmo tempo que enfraqueceram a influência russa nessas áreas. Simultaneamente, os países que sofreram alterações de regime, «democratizados» agora, procuram um afastamento económico da Rússia, diminuindo as oportunidades de penetração de Moscovo nos seus mercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E agora Rússia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vitória de Lukachenko na Bielorússia garantiu a Moscovo algum tempo. Por enquanto a Bielorússia continuará sob a influência estratégica da Rússia, o que, face às perdas geopolíticas sofridas por Moscovo na região, não é um pormenor de somenos importância. Mas a Rússia não poderá continuar a fornecer energia à Bielorússia abaixo do preço de mercado ad eternum. Por outro lado a economia bielorussa é demasiado estatista e precisará a curto/médio prazo de ser diversificada e liberalizada. Não será possível resistir a essa tendência quando os indicadores económicos começarem a alterar o seu sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que a economia bielorussa começar a abrir Moscovo deve estar preparada para entrar nas empresas principais do país e antecipar qualquer tentativa do género por parte do «Ocidente».Controlar as actuais grandes empresas estatais da Bielorússia garantirá a Moscovo um controlo indirecto sobre o vizinho e a manutenção de relações privilegiadas. É de extrema importância que a diplomacia russa saiba agir e comece no imediato a preparar terreno para essa ofensiva económica, sobretudo não deve cometer o erro do passado quando cortou o fornecimento de gás à Bielorússia. A diplomacia da força será um erro crasso que Moscovo pagará em detrimento da UE. É preciso que Moscovo compreenda que a Bielorússia tem na UE um parceiro económico de igual importância e que a dependência face a Moscovo não deixa de ser para a opinião pública bielorussa e para o próprio regime preocupante. Impõe-se agir com tacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado a Rússia precisa de colocar os serviços de informação a trabalhar, os movimentos de oposição financiados pelos americanos e pela UE começarão a sua tarefa de desgaste do regime de Lukachenko e Moscovo deve saber antecipar as evoluções possíveis do sistema. É importante que a Rússia apoie financeiramente os projectos principais da agenda bielorussa de forma a minar a capacidade de desgaste do actual poder no curto prazo ao mesmo tempo que acompanha, encoraja e dirige, no sentido dos seus interesses, a progressiva reforma económica que irremediavelmente terá de surgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante este período a Rússia deve igualmente agir sobre a Geórgia e a Ucrânia, após a fase de «euforia democrática» o regime de Kiev começa já a enfrentar alguns problemas de credibilidade interna. Apoiar as oposições formais e informais aos novos poderes é tarefa urgente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima década decidir-se-á o futuro da Rússia como contra-poder  a Washington. Neste momento o país está forçado a manter uma aliança contra-natura com a China que representa uma ameaça à sua influência na zona e ao seu controlo sobre a Sibéria. Recuperar o domínio estratégico sobre as antigas repúblicas soviéticas é fulcral neste quadro ou o país ficará reduzido a uma posição secundária no xadrez internacional, subjugado à forca chinesa a oriente e à Europa controlada por Washington a ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que é isto importante para os movimentos nacionalistas? Porque a hegemonia do eixo anglo-israelita é o sustentáculo do sistema que subjuga os movimentos nacionalistas. O surgimento de vários pólos de poder não só poderia permitir aos movimentos políticos dissidentes eventuais pontos de apoio como alteraria o papel estratégico da Europa. Paralelamente a ascensão da Rússia actualizaria novamente a relevância do eixo Paris-Berlim-Moscovo, fulcral para a ideia de uma Europa Potência assente em princípios identitários, que não esta caricatura chamada UE.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114316406622845623?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114316406622845623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114316406622845623' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114316406622845623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114316406622845623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/guerras-geopolticas.html' title='Guerras geopolíticas'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114295976918365837</id><published>2006-03-21T16:46:00.001Z</published><updated>2006-03-22T00:40:16.526Z</updated><title type='text'>A pátria traída pela República</title><content type='html'>«A pátria traída pela República» é um artigo publicado por &lt;a href="http://jeanraspail.free.fr/index.htm"&gt;Jean Raspail&lt;/a&gt; no «Le Figaro» a 17 de Junho de 2004. Jean Raspail foi o autor de &lt;a href="http://www.amazon.fr/exec/obidos/ASIN/2221088409/jeanraspail-21/403-1036853-2387625"&gt;«Le Camp des Saints»&lt;/a&gt; que Samuel Francis considerou, juntamente com «1984» de Orwell e «Admirável Mundo Novo» de Huxley , uma das 3 obras proféticas sobre a derrocada do Ocidente. Neste artigo Raspail volta a pegar no tema proibido que eternizou «Le Camp des Saints», num tom de pessimismo, ou talvez realismo, que atravessa todo o texto, fazendo pesar sobre ele o desencanto de quem vê a pátria atraiçoada e numa marcha acelerada para a morte sem que aviste a reacção. A dado momento,porém, um assomo de esperança, sonha ainda a Reconquista…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto com algumas reflexões fulcrais, sobre a essência da nação, que é carnal, como ele afirma sem lugar a dúvidas, sobre a distinção entre a nação e as formas de governo ou o Estado, sobretudo a distinção entre a natureza particular, identitária, da nação e a ideologia republicana, esta última universalista por excelência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo é de actualidade plena para toda a Europa, como Raspail confirma, mas sobretudo para Portugal, a analogia com o que sucede no nosso país é completa, dir-se-ia falar da nossa pátria, também ela traída pela República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para melhor enquadrar o artigo convém esclarecer que Jean Raspail é monárquico e tradicionalista católico. Adicionei também algumas notas explicativas que poderão eventualmente ser úteis a quem ler o texto. Aqui fica então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Andei de volta deste tema como um treinador de um cão polícia em torno de uma bomba. Difícil de abordar de frente sem que vos expluda na cara. Há perigo de morte civil. É, no entanto, a interrogação capital. Hesitei. Ainda mais porque em 1973, ao publicar «Le Camp des Saints», já tinha dito, mais ou menos, tudo. Não tenho grande coisa a acrescentar excepto que o facto está consumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque estou convencido que o nosso destino de franceses está selado, porque « a minha casa é a casa deles»(Mitterrand), no seio de uma «Europa cujas raízes são tão muçulmanas quanto cristãs»( Chirac), porque a situação é irreversível até à transformação definitiva por volta de 2050 que verá os «franceses de gema» contarem-se somente entre a metade mais envelhecida da população do país, o resto será composto por africanos, magrebinos, ou negros e asiáticos de todas as proveniências saídos do reservatório inesgotável do terceiro-mundo, com forte predominância islâmica, jihadistas  e fundamentalistas incluídos, essa dança está apenas a começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França não é a única atingida. Toda a Europa marcha para a morte. As advertências não têm falta de relatórios da ONU( que se regozija), trabalhos incontornáveis de Jean-Claude Chesnais e Santiago Dupâquier, nomeadamente, mas são sistematicamente ocultados e o INED[1] promove a desinformação. O silêncio quase sepulcral dos media, dos governos e das instituições comunitárias sobre o crash demográfico da Europa dos quinze é um dos fenómenos mais incríveis da nossa época. Quando há um nascimento na minha família ou na de amigos meus não consigo olhar esse bebé sem imaginar o que se prepara para ele na incúria dos «governos» e aquilo que deverá enfrentar na sua idade adulta…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem contar que os «franceses de gema», matraqueados pelo tam-tam lancinante dos direitos do homem, do «acolhimento do outro», da «partilha» cara aos nossos bispos, etc., enquadrados por todo um arsenal repressivo de leis ditas «anti-racistas», condicionados desde a infância para a «mestiçagem» cultural e comportamental, pelos imperativos da «França plural» e por todas as derivas da antiga caridade cristã, não terão outra alternativa que baixar as guardas e fundir-se sem protestar na nova massa citadina   da França de 2050.Não desesperemos apesar de tudo. Seguramente subsistirão aqueles que chamamos em etnologia os «isolados», possantes minorias, talvez uns quinze milhões de franceses, e nem todos necessariamente de raça branca, que falarão ainda a nossa língua, na sua integridade mais ou menos salvaguardada, e insistirão em permanecer impregnados da nossa cultura e da nossa História, tal como nos foram transmitidas de geração em geração. Isto não lhes será fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face às diferentes «comunidades» que vemos formarem-se hoje sobre as ruínas da integração( ou antes sobre a sua inversão progressiva: somos nós que nos integramos no «outro», no presente, e não o contrário) e que em 2050 estarão definitivamente e sem dúvida institucionalmente instalados, tratar-se-á de certa forma, e procuro um termo apropriado, de uma comunidade da perenidade francesa. Esta apoiar-se-á sobre as suas famílias, a sua natalidade, a sua endogamia de sobrevivência, as suas escolas, as suas redes paralelas de solidariedade, talvez mesmo as suas zonas geográficas, as suas porções de território, os seus quarteirões, vejamos, os seus lugares de segurança e, porque não, a sua fé cristã, e católica com um pouco de sorte se esse cimento ainda valer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não agradará. O choque ocorrerá num momento ou noutro. Algo como a eliminação dos Koulaks[2] por meios legais apropriados. E depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois a França não será mais povoada, sem distinção de origens, que por crustáceos que viverão em carapaças abandonadas pelos representantes de uma espécie já desaparecida que se chamava a espécie francesa e que não anunciava em nada a metamorfose genética que daria origem à espécie que na segunda metade deste século se apropriaria do seu nome. Este processo já começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma segunda hipótese que não saberia formular senão em privado e que exigiria antes que consultasse o meu advogado, é que os últimos «isolados» resistam até ao ponto de se aventurarem numa espécie de reconquista, sem dúvida diferente da espanhola mas inspirando-se nos mesmo motivos. Haveria um romance perigoso a escrever sobre isso. Não sou eu que me encarregarei de o fazer, eu já contribui. O seu autor não é provavelmente ainda vivo, mas este livro verá o dia no momento justo, estou certo disso…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não consigo compreender e que me submerge num abismo de perplexidade aflitiva é porquê e como tantos franceses informados e tantos homens políticos franceses contribuem conscientemente, metodicamente, não ouso dizer cinicamente, para a imolação de uma certa França (evitemos o qualificativo de eterna que repugna as belas consciências) sobre o altar do humanismo utópico exacerbado. Coloco-me a mesma questão a propósito de todas estas associações omnipresentes de direitos daqui, direitos dacolá, e todas estas ligas, estas sociedades de pensamento, estas oficinas subvencionadas, estas redes de manipuladores infiltrados em todas as engrenagens do Estado( educação, magistratura, partidos políticos, sindicatos, etc.), estes peticionários inumeráveis, estes media correctamente consensuais e todos estes «inteligentes» que dia após dia e impunemente injectam a sua substância anestesiante no organismo ainda são da nação francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo se posso, no limite, reconhecer-lhes uma parte de sinceridade, dá-se o caso de sentir pena de admitir que são meus compatriotas. Surge-me a palavra «renegado» mas há outra explicação: eles confundem a França com a República. Os «valores republicanos» declamam-se ad infinitum, sabemo-los até a exaustão, mas nunca com referências à França. Ora a França é em primeiro lugar uma pátria carnal. Pelo contrário a República, que não é mais que uma forma de governo, é sinónimo para eles de ideologia, ideologia com um «I» maiúsculo, a ideologia maior. Parece-me que, de qualquer maneira, traem a França pela República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o mar de referências que acumulo em espessos dossiers de apoio a este balanço há aqui uma que, debaixo da aparência inocente, ilustra bem a amplitude dos danos. É extraída de um discurso de Laurent Fabius ao congresso socialista de Dijon, em 17 de Maio de 2003:«Quando a Marianne[3] dos nossos municípios assumir a bela face de uma jovem francesa saída da imigração, nesse dia a França haverá transposto um marco fazendo viver plenamente os valores da República…»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto que estamos em citações, eis aqui duas, para concluir:«nenhum número de bombas atómicas poderá impedir o maremoto constituído pelos milhões de seres humanos que partirão um dia da parte meridional e pobre do mundo para irromper nos espaços relativamente abertos do rico hemisfério setentrional, em busca de sobrevivência»( Presidente Boumediene[4], Março de 1974).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta, tirada do capítulo XX do Apocalipse: «O tempo dos mil anos termina. Saem as nações que estão nos quatro cantos da terra e que igualam em número a areia do mar. Elas partirão em expedição sobre a superfície da terra, avançarão sobre o campo dos santos e a cidade bem amada»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] INED- Instituto Nacional de Estudos Demográficos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] camponeses e artesãos russos perseguidos pelo regime soviético&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] o busto de Marianne é um dos símbolos da República e é esculpido representando uma mulher francesa, algumas actrizes já serviram de inspiração a essa estátua, como Brigitte Bardot ou Catherine Deneuve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Houari Boumediene foi um antigo presidente argelino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114295976918365837?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114295976918365837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114295976918365837' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114295976918365837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114295976918365837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/ptria-trada-pela-repblica.html' title='A pátria traída pela República'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114261762694944540</id><published>2006-03-17T17:46:00.000Z</published><updated>2006-03-18T01:35:57.426Z</updated><title type='text'>Nova vaga</title><content type='html'>O governo prepara-se para implementar uma nova lei da imigração que facilitará a entrada de imigrantes em Portugal. Os imigrantes deixarão de precisar ter um contrato de trabalho celebrado antes de entrar em Portugal, bastará um visto de residência. Além disso cria-se o estatuto de residente de longa duração, que  permitirá, segundo o governo, uma “protecção acrescida”, ou seja, um provável aumento dos custos sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da alteração à lei da nacionalidade (que deveria ser denominada lei da irracionalidade) e não contente com o caos que se prevê daí resultante o governo decidiu aumentar ainda mais os incentivos à imigração descontrolada para Portugal. O objectivo parece ser acabar com a percepção de identidade nacional o mais rapidamente possível, que o tempo urge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento de que esta alteração de critério permitirá a inserção dos imigrantes e portanto favorecerá a sua contribuição para o sistema oculta o essencial: essa contribuição imigrante não traz significativos benefícios económicos ao país, ao contrário do que afirma a propaganda oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pelos efeitos sobre o rendimento da população nacional;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo se a entrada de imigrantes tender a provocar um aumento do PIB esse aumento será sobretudo absorvido pelos salários da população imigrante. O ganho total de rendimento para os nacionais será diminuto podendo mesmo ser negativo. A imigração provoca por outro lado uma redistribuição considerável do rendimento relacionada com a diferença de qualificações entre os imigrantes e a população nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nacionais com aptidões similares às dos imigrantes ou que concorrem nos mesmos segmentos de mercado perdem rendimentos ao passo que aqueles que beneficiam da oferta de trabalho (empregadores) dessa imigração tendem a ganhar.Isto significa uma redistribuição do rendimento dos mais pobres para os mais ricos com um consequente aumento da desigualdade nas sociedades que recebem essa imigração.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Devido às imperfeições do mercado de trabalho uma parte do efeito rendimento sobre os nacionais será substituído por efeitos ao nível do emprego, o que significa que a baixa de salários provocada pelos imigrantes acabará por ser parcialmente substituída por desemprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os efeitos da imigração sobre as finanças públicas, ao contrário das certezas que nos prendem impor, são igualmente potencialmente negativos. Tomemos em atenção a contribuição ao longo do ciclo de vida dos imigrantes para o sistema do país de acolhimento; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os imigrantes que entrem no mercado de trabalho até cerca dos 25 anos( tomando esta por idade padrão para o início da vida activa), que possuam elevadas qualificações e que por via disso consigam uma boa performance salarial poderão dar um contributo relativamente positivo, porém, a idade, as qualificações e os  níveis salariais do imigrante médio que entra na Europa ocidental( e naturalmente em Portugal) não corresponde de todo a este modelo; e é precisamente por isso que o típico imigrante não ocidental constitui antes um peso para o orçamento público. Isto não é o mero resultado do baixo rendimento salarial mas também, obviamente, dos abrangentes sistemas de protecção social da Europa. Os únicos imigrantes que constituem um benefício registável para as finanças públicas são os que se inserem nos sectores de alta produtividade, manifestamente estes não são os que a Europa recebe. A verdade é que a imigração não constitui um factor de alívio das finanças públicas capaz de compensar os custos governamentais associados ao envelhecimento populacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe nada na teoria económica que sustente o tipo de imigração que invade, literalmente, a Europa. Mesmo a assumpção convencional de que a imigração seria necessária para compensar o declínio populacional é discutível, uma vez que a estrutura organizacional e a tecnologia podem ser substitutos para o factor trabalho. E a questão demográfica levanta questões mais sérias, há várias décadas que os governos europeus estão a par das tendências declinantes da natalidade europeia, incapaz de assegurar a substituição populacional, no entanto nada fizeram ou fazem para alterar verdadeiramente essa situação e estimular a natalidade dos nacionais de modo a assegurar a continuidade da nação, do seu povo, que deveria ser a responsabilidade primeira de qualquer governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conjugação destas constatações só nos pode levar a concluir que por detrás de tudo isto estão razões fundamentalmente políticas, por um lado pela transformação das causas político-sociais dominantes, por outro a destruição do sentido de pertença nacional garante a médio prazo a fragilização da resistência face aos fenómenos de mundialização.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114261762694944540?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114261762694944540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114261762694944540' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114261762694944540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114261762694944540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/nova-vaga_114261762694944540.html' title='Nova vaga'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114230415460500538</id><published>2006-03-14T02:41:00.000Z</published><updated>2006-03-17T05:07:05.673Z</updated><title type='text'>Uma morte oportuna</title><content type='html'>Slobodan Milosevic morreu! Não foi, de facto, um homem de paz, e provavelmente nunca o poderia ter sido, viveu tempos de guerra e ele era o líder de uma nação atacada em várias frentes. Os homens são muitas vezes ultrapassados pela História e tantas vezes não podem fazer mais que representar honradamente o papel que o destino lhes fez caber. Quanto a mim reconheço-lhe exactamente isso. A sua luta foi sempre em defesa da Sérvia e, como tal, recordo-o como um patriota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não duvido que nos inúmeros confrontos militares que se sucederam na região tenham sido cometidas atrocidades, é sempre assim em qualquer guerra, concerteza muitas delas pelas forças sérvias, mas de forma alguma  serão estas as únicas responsáveis por tais acções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que começou a ser preparado o desmembramento da ex-Jugoslávia, com a inestimável contribuição das forças democráticas ocidentais, todos calculavam que surgissem conflitos étnicos numa região dividida por identidades ancestrais distintas. Quando no início da década de 90 a Eslovénia, a Croácia e a Bósnia-Herzegovina forçaram a saída da Federação Jugoslava, em nome do direito à autonomia, com o apoio do “Ocidente”,iniciaram-se esses conflitos. Sucede que existiam populações sérvias no seio destas comunidades que não pretendiam ficar sob a autoridade de populações estranhas e, também em nome da sua autonomia, procuraram a desvinculação desses territórios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milosevic faz o que qualquer patriota faria, fica do lado do seu povo e procura proteger os interesses das populações sérvias. A guerra prolonga-se, sempre com os sérvios debaixo de pressões e ameaças internacionais, sem apoios. Milosevic reconhece então, em 1995, a impossibilidade da sua luta e assina em Dayton os acordos de paz. Estava, por fim, completa e irremediavelmente alcançado o objectivo de desmembramento jugoslavo. Mas se até aqui falávamos ainda e sobretudo da destruição de um Estado multiétnico que nunca fora verdadeiramente representante de uma nação, a situação ganharia contornos diferentes no Kosovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando a vaga anti-sérvia, o Exército de Libertação do Kosovo, que era até então considerado uma organização terrorista pelos próprios EUA, alarga o âmbito das suas acções revoltosas e inicia, a partir de 1996, generalizadas acções armadas contra a Sérvia e os seus nacionais, a ideia inspiradora, por detrás da reclamação do estatuto de autonomia alargada, todos os sabiam, era a construção da grande Albânia. Um enorme enclave islâmico no Continente. Este conflito atinge uma natureza distinta dos anteriores; para albaneses e sérvios o Kosovo tem um simbolismo especial, os primeiros consideram-no a terra ancestral dos lírios, que olham como seus antepassados, para os segundos trata-se de uma região que vêem como berço da sua pátria, não do Estado jugoslavo mas da própria Sérvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os sérvios o Kosovo é o berço político e religioso da nação, havia sido a sede do império sérvio na idade média e é lá que se localizam os seus mais importantes monumentos históricos e religiosos. O Kosovo é o cerne da identidade nacional da Sérvia. Depois das humilhações sofridas pelas populações sérvias durante as guerras de secessão da Jugoslávia a perda de controlo sobre o kosovo seria a derradeira humilhação, aquela que não poderiam de forma alguma tolerar e que exigiria enérgica reacção, sabiam-no todos, inclusive a comunidade internacional, e é nesta conjuntura de ultraje continuado que se compreende a reacção violenta das forças sérvias. Essas reacções permitiram, uma vez mais, apresentar perante a opinião pública internacional os sérvios como as bestas negras dos Balcãs. Esquecidas ficaram as perseguições às populações sérvias por parte dos albaneses e que levaram a que, em 1990, instigado por exigências populares e amparado por consenso nacional, Milosevic tivesse  suprimido o estatuto autonómico da região islâmica do Kosovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém recuar no tempo para compreender verdadeiramente a dimensão histórica da questão. Em 1389 os sérvios enfrentaram no Kosovo os otomanos, em clara inferioridade numérica, na Batalha dos Melros. Lutaram bravamente mas saíram perdedores e esta derrota marcou também a queda do Império. Para sempre o Kosovo ganharia na memória colectiva sérvia uma dimensão mítica e trágica, local sagrado onde as forças nacionais haviam sido derrotadas pelos invasores islâmicos e que passaria a representar a aspiração de redenção nacional pela Reconquista. Entendamos, os sérvios, que sempre tiveram de si a imagem de última muralha contra a invasão islâmica da Europa, consideram que se bateram ao tempo, no Kosovo, contra os otomanos, em nome de toda a cristandade. Depois de derrotados, os albaneses, que haviam travado a Batalha dos Melros a seu lado, entretanto convertidos ao Islão, ter-se-ão comportado de forma despótica face às populações sérvias, que ficaram reduzidas ao estatuto de dhimmis e a todo o tipo de humilhações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Sérvia, depois de ter assistido à destruição da Federação Jugoslava, ultrajada pelas derrotas que lhe foram impostas com a colaboração das democracias ocidentais, desejosas de isolar a Rússia na cena continental, sentiu que se estabeleciam no Kosovo, através do Exército de Libertação, as condições para a perda, uma vez mais, do poder político de facto sobre aquela mítica região, toda uma História de um povo foi transportada para aquele presente, 1389 reavivava-se e os albaneses eram agora a reincarnação islâmica do inimigo otomano. Não havia, em boa verdade, alternativa, era a voz ancestral de uma nação que não aceitava mais uma afrontosa capitulação em tão curto espaço de tempo, e esta particularmente insuportável, face ao simbolismo histórico. A Milosevic colocavam-se duas opções, ceder à humilhação derradeira ou, em nome da pátria, reagir e tentar assegurar à Sérvia o controlo da região, o mesmo é dizer que não tinha opção… Uma vez mais Milosevic agiu como um patriota e deu início à derradeira "cavalgada" rumo a uma derrota que ao menos não seria renúncia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os EUA, a coberto da NATO, tratariam de apoiar a causa albanesa e de assinar a derrocada final da Sérvia, instaurando um "protectorado" islâmico em plena Europa; Milosevic, por seu lado, seria entregue posteriormente ao Tribunal de Haia para sofrer a justiça dos vitoriosos. Morreu a 11 de Março de 2006 na cela em que se encontrava detido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As circunstâncias que rodearam a sua morte estão por esclarecer, não sei se foi assassinado, se se suicidou, se morreu de “causas naturais”, neste momento não sei mesmo se algum dia saberei, embora, com certeza, alguma explicação seja dada como provada e oficializada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do julgamento guardo a imagem de um homem que se recusou sempre a trair a memória da sua nação, que não deu a quem montou aquele circo a satisfação da “reverência”, dos “arrependimentos”, das “desculpabilizações”, das “expiações” . Manteve-se firme nas suas convicções e fiel aos seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de cinco anos de julgamento e a 50 horas de testemunhos do seu final não deixo de notar a curiosa conveniência desta morte. Começava a tornar-se embaraçoso para o espectáculo patrocinado pelos EUA e “sus muchachos” que em Haia, depois de toda a campanha de informação, de todos os esforços de propaganda, da apresentação de todas as certezas sobre a “culpabilidade” e monstruosidade do homem ali julgado, diversos analistas afirmassem que, até ao momento, o tribunal não havia conseguido relacionar com sucesso Milosevic aos principais crimes de que era acusado. Afinal, é bem sabido que os bravos soldados do Império do Bem lutam sempre contra os injustos. A morte de Milosevic poupa eventuais embaraços, é a forma de garantir a melhor condenação possível: ficará para sempre como o Carniceiro dos Balcãs.E tudo acaba em bem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114230415460500538?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114230415460500538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114230415460500538' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114230415460500538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114230415460500538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/uma-morte-oportuna.html' title='Uma morte oportuna'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114192933252601923</id><published>2006-03-09T18:32:00.000Z</published><updated>2006-10-11T17:24:36.450+01:00</updated><title type='text'>Desmontando o "islamofascismo"</title><content type='html'>Na guerra da cultura e das ideias as terminologias contam, e muito. São frequentemente indicadores fiéis das visões do mundo que se vão impondo generalizadamente à sociedade e a que aderem as pessoas. Com cada vez maior assiduidade surge o termo islamofascismo associado à análise política que parte de alguns sectores, tradicionais inimigos da luta nacionalista. Analisemos a validade dessa associação ou invenção terminológica e vejamos as suas origens, objectivos, legitimidade e moralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente é preciso situar o surgimento do termo. O vocábulo islamofascismo generaliza-se numa altura em que, por todo o Ocidente, o Islão, como um todo, é visto como uma ameaça descontrolada e um perigo aos chamados valores civilizacionais do Ocidente. Naturalmente que isto ocorre na sequência de acontecimentos recentes ligados a acções terroristas reclamadas em nome do Islão e de manifestações de intransigência religiosa pouco compreensíveis à luz das modernas e seculares sociedades europeias. Existe assim hoje, indiscutivelmente, na opinião pública ocidental, uma imagem generalizadamente negativa do Islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A associação à ideia de fascismo procura agravar essa imagem negativa servindo-se de uma ideologia,o fascismo, que é percepcionada pelo cidadão comum como ligada aos maiores flagelos do século XX. Nada mais é, portanto,que sustentar a hostilidade face ao Islão,alimentando a percepção negativa que as populações têm do fascismo, fomentada por uma visão unilateral da História tornada oficial e incontestável no pós-guerra, procurando passar a ideia de que entre ambos os fenómenos existirá uma particular similaridade. Não é assim tão estranho, o rótulo fascista serve hoje qualquer tentativa de ofender ou desconsiderar politicamente sem precisar ser empregue com um mínimo de propriedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Origens e propósitos da ideia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo islamofascismo surge inicialmente nos EUA, nos meandros neoconservadores e nalguns sectores liberais. Aqui é preciso, antes de mais, referir, porque é importante, que por fascismo estas pessoas entendem sobretudo o nacional-socialismo. A associação entre Islão e fascismo é, pois, o resultado natural da própria origem e essência do neoconservadorismo, um movimento político ligado aos lobbies judaicos norte-americanos e principal impulsionador da política externa dos EUA e da defesa intransigente dos interesses locais e globais israelitas. Sendo conhecida a origem trotskista de alguns dos seus mentores e a influência do pensamento straussiano na sua estratégia de actuação cultural torna-se fácil agora montar o puzzle e perceber a origem e razões de tão espúria associação de conceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conjugar o islamismo com o fascismo é apenas uma forma de mesclar os inimigos tradicionais do povo judaico numa ameaça actual e exportá-la para outros sectores políticos, tornando-a referência para o cidadão comum, como um eficaz slogan publicitário que mecanicamente se apregoa sem grande reflexão, e que pega.... O Islão é actualmente a ameaça maior ao Estado de Israel e o nacional-socialismo é o histórico inimigo tornado eterno e aquele que é necessário, sempre e por todas as formas, denegrir e ao mesmo tempo manter vivo, como um fantasma que não pode ser deixado perdido no tempo. Ainda recentemente li mais um episódio desta comédia, com o artigo de David Meir-Levi( mais um dos judeus do neoconservadorismo) intitulado “ Hamas Uber Alles”.Dispensam-se mais comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrada a origem do termo islamofascismo e os objectivos de quem o procura vulgarizar analisemos então a legitimidade dessa associação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A validade da ideia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de prosseguir é preciso relembrar que existe à partida uma grande diferença entre uma doutrina estritamente política e uma doutrina religiosa, depois, tanto o fascismo como o Islão não são movimentos monolíticos, no seu seio convivem ou conviveram correntes razoavelmente distintas. A análise que segue assenta por isso na síntese de características que são, aproximadamente, definidoras dos dois fenómenos tomados no geral e que permitem um exame comparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascismo e o Islão são, como veremos, fenómenos completamente distintos e não passíveis de comparação e muito menos associação. O fascismo é um movimento de cariz nacionalista,o Islão, pelo contrário, é um fenómeno anti-nacionalista, é tendencialmente universalista e integracionista de base, procurando ultrapassar e subjugar as manifestações nacionalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascismo é um movimento revolucionário enquanto este Islão que ameaça a Europa é marcadamente reaccionário. Aqui os termos revolucionário e reaccionário não devem ser entendidos em face de contextos históricos específicos, pois nesses um movimento será revolucionário apenas na medida em que pretenda um corte radical com o que existe. Devem por isso ser lidos no seu sentido lato, de sempre, o que ultrapassa meras contingências temporais. É a variável tempo que estabelece a diferença; o islamismo é reaccionário porque pretende o regresso a uma realidade passada e marcada no tempo, o fascismo, por outro lado, é revolucionário porque aspira a uma nova ordem e uma nova era, servindo-se de um passado mítico para criar um novo futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascismo afirma uma postura no mundo anti-burguesa e heróica, exalta a força criadora e a acção.O fascismo, como observou Locchi, faz o culto da superação humana, do sobre-humano nietzschiano se quisermos, ao Islão tal formulação é completamente estranha e inaceitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascismo exalta a diferença onde o Islão procura a sua eliminação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe, portanto, qualquer legitimidade na junção de um conceito ao outro, os seus princípios fundamentais são completamente diferentes e até incompatíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há porem 3 excepções onde podemos encontrar alguma convergência e que devemos analisar separadamente, o problema é que estas excepções não são específicas do Islão ou do fascismo e estendem-se a muitas outras realidades, não caracterizam, pois, exclusivamente, qualquer um destes fenómenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira é um caso peculiar, pois sai fora dos objectivos pretendidos por quem promove a disseminação da ideia islamofascista. Tanto o fascismo como o Islão rejeitam uma visão economicista do homem, o que no caso do Islão é inevitável pois uma religião é, à partida, necessariamente anti-economicista, o que significa que esta característica o fascismo partilha-a com qualquer religião (como aliás a partilham todos os movimentos políticos ou sociais que rejeitam o economicismo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente que os objectivos procurados ao associar o fascismo ao Islão não assentam nisto, mas, inadvertidamente, esta é uma razão escondida, que não será admitida para a associação, o que é facilmente perceptível se conhecermos os grupos que estão por detrás desta invenção terminológica, todos eles representam, de facto, uma visão economicista e materialista do mundo e, consciente ou inconscientemente, vêem no fascismo a rejeição dessa mundividência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no que se baseiam então, abertamente, os propagadores dessa suposta similaridade entre os fenómenos considerados? Na natureza anti-democrática e numa alegada tendência totalitária do fascismo e do islamismo radical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que ambos serão anti-democráticos, mas o que significa a apologia da democracia por si só, sem qualquer outro enquadramento, se as democracias podem também servir os mais infames e agressivos regimes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a título de curiosidade, se o objectivo é a exaltação da “democracia” porque não islamocomunismo em vez de islamofascismo? É claro que compreendemos que a associação não poderia ser feita ao comunismo, é que o comunismo, apesar de tudo, também saiu vencedor da ordem mundial que emergiu do pós-guerra, tem no Ocidente quem o defenda em todos os sítios, na cultura, no ensino, nos parlamentos, já nos fascismos é permitido bater à vontade, valem todas as mentiras e distorções, a sua defesa é matéria proibida e anos sucessivos de intoxicação cultural permitem que o cidadão médio, sem saber sequer realmente o que é o fascismo, acene a cabeça em concordância com tudo o que suje a “besta”. Bom, e depois, convenhamos, é que se o nacional-socialismo representou a revolta da Europa face ao liberalismo e uma reacção ao domínio judaico, o comunismo, pelo contrário, teve na sua revolução e nas suas estruturas de poder o bom povo eleito, e isso também faz a diferença, pelas razões que expliquei anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao suposto totalitarismo do fascismo ele é muito diferente do que encontramos no Islão, como veremos adiante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Averiguemos então a validade destes dois pontos na sustentação da ideia de um islamismo fascista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dois conceitos em análise&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pela questão democrática… Não é por serem realidades anti-democráticas que estas doutrinas são relacionadas e atacadas, os países ocidentais, campeões da “liberdade e democracia”, como várias das áreas políticas que sustêm a democracia-liberal, nunca mostraram qualquer problema em apoiar regimes anti-democráticos e pouco respeitadores dos “direitos humanos”, desde que convergentes com os seus próprios interesses geopolíticos e económicos. São vários os casos  presentes e passados de países onde vigoram( ou vigoraram) regimes autoritários( e nem fascistas), limitativos da existência de oposições internas, que merecem(ou mereceram) o apoio dos paladinos da democracia, com quem mantêm(e mantiveram) inclusive alianças estratégicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, por outro lado, o objectivo é associar aos regimes anti-democráticos a exclusividade de uma qualquer natureza beligerante e expansionista, então o objectivo é categoricamente falhado, visto que as democracias se têm mostrado verdadeiramente exemplares no mesmo tipo de actuação. Acaso os regimes democráticos não têm mostrado apetência belicista e expansionista? Têm de facto! Ou a intervenção militar noutros países, quando feita em nome da democracia, torna-se automaticamente legítima? E sobretudo, que ironia que esta associação seja levada a cabo precisamente pelos movimentos que, ao abrigo de políticas como as definidas no “Projecto para o Novo Século Americano”, mais pressionam a política externa americana para o intervencionismo global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto ao totalitarismo de ambos? Esclareçamos a questão, é verdade que o fascismo procurou o todo, mas na nação, procurou a harmonia nacional dirigida a um fim comum, a união das forças orgânicas nacionais em torno do interesse pátrio, não permitindo pois a expressão dos movimentos que se revelavam anti-nacionais, sim, tinha nesse sentido uma natureza totalitária. O Islão, pelo contrário, tem uma dinâmica totalitária que assenta em princípios internacionalistas (como o marxismo), aspira a um expansionismo face ao todo que é próprio de uma religião que se apresenta como reveladora de uma verdade única que deve ser partilhada por toda a humanidade e que não se ancora na nação nem na sua exaltação, antes pelo contrário, procura a sua superação em nome de um ideal supranacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O absurdo da associação do islamismo ao fascismo é tanto maior quando qualquer regime fascista teria já resolvido definitivamente a “ameaça islâmica”, ameaça essa que foi introduzida na Europa precisamente com o beneplácito dos mesmos que agora falam,de forma oportunista, contra um inventado islamofascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão simples quanto isto: não existe legitimidade nessa invenção vocabular, porque não existe nenhum Islão fascista!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114192933252601923?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114192933252601923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114192933252601923' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114192933252601923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114192933252601923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/desmontando-o-islamofascismo.html' title='Desmontando o &quot;islamofascismo&quot;'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114161314053445562</id><published>2006-03-06T02:42:00.000Z</published><updated>2006-03-17T18:24:33.683Z</updated><title type='text'>A nação;sangue e tradição!</title><content type='html'>Tradição: para uma estirpe dotada da vontade de voltar a situar a ênfase no âmbito do sangue, é palavra brava e bela. Que a pessoa singular não viva somente no espaço. Que seja, pelo contrário parte de uma comunidade pela qual deve viver e, sucedida a circunstância, sacrificar-se, esta é uma convicção que cada homem com sentimento de responsabilidade possui e que postula à sua maneira particular com os seus meios particulares. A pessoa singular não se encontra, no entanto, ligada a uma comunidade superior unicamente no espaço, mas, de uma forma mais significativa, ainda que invisível, também no tempo. O sangue dos antepassados está latente, fundido com o seu, ele vive dentro de reinos e vínculos que eles criaram, custearam e defenderam. Criar, custear e defender: esta é a obra que ele recebe das mãos daqueles e que deve transmitir com dignidade. O homem do presente representa o ardente ponto de apoio interposto entre o homem do passado e o homem do futuro. A vida relampeja como o rastilho incendiado que corre ao largo da mecha que ata, unidas, as gerações…queima-as, certamente, mas mantém-nas enlaçadas entre si, do princípio ao fim. Em breve também o homem presente será igualmente um homem do passado mas, para conferir-lhe calma e segurança, permanecerá a ideia de que as suas acções e gestos não desaparecerão com ele mas antes constituirão o terreno sobre o qual os vindouros, os herdeiros, se refugiarão com as suas armas e instrumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto transforma uma acção num gesto heróico que nunca pode ser absoluto nem completo como fim em si mesmo e que, pelo contrário, encontra-se articulado por meio de um conjunto dotado de sentido e orientação, dados pelos actos dos predecessores e apontando ao enigmático reino daqueles que ainda estão para vir. Obscuros são os dois lados e encontram-se mais para cá e mais para lá da acção, as suas raízes desaparecem na penumbra do passado, os seus frutos caem na terra dos herdeiros… a qual não poderá nunca vislumbrar quem actua e que é todavia nutrida e determinada por estas duas vertentes nas quais justamente se funda o seu esplendor intemporal e a sua sorte suprema. É isto que distingue o herói e o guerreiro face ao mercenário e ao aventureiro: e é o facto de que o herói extrai a sua força de reservas mais elevadas do que as que são meramente pessoais, e que a chama ardente da sua acção não corresponde ao clarão ébrio de um instante mas ao fogo cintilante que funde o futuro com o passado. Na grandeza do aventureiro há algo de carnal, uma irrupção selvagem, e em verdade não privada de beleza, em paisagens variadas… mas no herói cumpre-se aquilo que é fatalmente necessário, fatalmente condicionado: é o homem autenticamente moral e o seu significado não repousa unicamente em si mesmo, nem só no seu dia de hoje, mas é para todos e para todo o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer que seja o campo de batalha ou a posição perdida na qual se esteja, ali onde se conserva um passado e se deve combater por um futuro, não há acção que esteja perdida. A pessoa singular certamente pode andar perdida mas o seu destino, a sua sorte e a sua realização, valem em verdade como o crepúsculo que favorece um objectivo mais elevado e mais vasto. O homem privado de vínculos morre, e a sua obra morre com ele, porque a proporção dessa obra era medida só em relação a ele mesmo. O herói conhece o seu crepúsculo mas o seu crepúsculo assemelha-se àquele sangue vermelho do sol que promete uma manhã nova e mais bela. Assim devemos recordar também a Grande Guerra: como um crepúsculo ardente cujas cores já antecipam uma alvorada sumptuosa. Assim devemos pensar nos nossos amigos caídos e ver no seu crepúsculo o sinal da realização, o assentimento mais duro dirigido à própria vida. E devemos olhar longe, com um desprezo imundo, perante o juízo dos negociantes, daqueles que sustêm que “ tudo isto foi absolutamente inútil”, se queremos encontrar a nossa fortuna vivendo no espaço do destino e fluindo na corrente misteriosa do nosso sangue, se queremos actuar numa paisagem dotada de sentido e significado, e não vegetar no tempo e no espaço onde, nascendo, tenhamos chegado por casualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não: o nosso nascimento não deve ser uma casualidade para nós! Esse nascimento é o acto que nos radica no nosso reino terrestre, o qual, com milhares de vínculos simbólicos, determina o nosso posto no mundo.Com ele convertemo-nos em membros de uma nação, por meio de uma comunidade estreita de laços nativos. E daqui vamos depois ao encontro da vida, partindo de um ponto sólido, mas prosseguindo um movimento que teve início muito antes de nós e que muito depois de nós terá o seu fim. Nós percorremos apenas um fragmento desta avenida gigantesca, neste trecho, todavia, não devemos transportar apenas uma herança inteira mas devemos estar à altura de todas as exigências do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, certas mentes abjectas, devastadas pela imundície das nossas cidades, surgem para dizer que o nosso nascimento é um jogo de azar, e que “poderíamos perfeitamente ter nascido franceses como alemães”. Certo, este argumento vale precisamente para quem assim pensa. Eles são homens da casualidade e do azar. É-lhes estranha a fortuna que reside no sentir-se nascido por necessidade no interior de um grande destino e de sentir as tensões e lutas desse destino como nossas, e com elas crescer ou inclusive perecer. Essas mentalidades sempre surgem quando a sorte adversa pesa sobre uma comunidade legitimada pelos vínculos do crescimento, e isto é típico delas. Reclama-se aqui a atenção sobre a recente e bastante apropriada inclinação do intelecto de insinuar-se parasitariamente e nocivamente na comunidade de sangue, e a nela falsear a essência em nome do raciocínio…isto é, através do conceito, à primeira vista correcto, de “comunidade de destino”. Da comunidade de destino, no entanto formaria também parte o negro que, surpreendido na Alemanha ao início da guerra, foi envolto no nosso caminho de sofrimento, nas senhas do pão racionado. Uma “comunidade de destino”, neste sentido, é constituída por passageiros de um barco a vapor que se afunda, muito diferentemente da comunidade de sangue: formada esta pelos homens de um navio de guerra que descende até ao fundo com a bandeira ondulando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem nacional atribui valor ao facto de haver nascido entre confins bem definidos: nisto ele vê, antes de tudo, uma razão de orgulho. Quando acontece que trespasse esses confins, não sucede nunca que flua sem forma para além deles mas de modo a alargar com isso o seu espaço no futuro e no passado. A sua força reside no facto de possuir uma direcção, e portanto uma segurança instintiva, uma orientação de fundo que lhe é conferida em dote conjuntamente com o sangue e que não precisa das luminárias mutáveis e vacilantes de conceitos complicados. Assim a vida cresce numa maior unidade, e assim devém ela mesmo unidade, pois cada um dos seus instantes reingressa numa conexão dotada de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claramente definido pelos seus confins, por rios sagrados, por férteis vales, por vastos mares: tal é o mundo no qual a vida de uma estirpe nacional se imprime no espaço. Fundada numa tradição e orientada para um futuro longínquo: assim se imprime ela no tempo. Ai daquele que corta as próprias raízes!..esse converter-se-á num homem inútil e num parasita. Negar o passado significa também renegar o futuro e desaparecer entre as ondas esquivas do presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o homem nacional, por outro lado, subsiste um perigo grande: o de esquecer-se do futuro. Possuir uma tradição comporta o dever de viver a tradição. A nação não é uma casa na qual cada geração, como se fosse um novo estrato de corais, deva acrescentar tão-somente um piso mais, ou onde, por meio de um espaço preestabelecido de uma vez por todas, não sirva outra coisa que continuar a existir, mal ou bem. Um castelo, um palácio burguês, dir-se-ão construídos de uma vez para sempre. Prontamente, todavia, uma nova geração, incentivada por novas necessidades, vê a obrigação de impor importantes modificações. Ou, por outro lado, a construção pode acabar por arder num incêndio, ou terminar destruída, e então um edifício renovado e transformado vem a ser construído sobre os antigos cimentos. Muda a fachada, cada pedra é substituída, e todavia, como se encontra ligada à raça, perdura um sentido do todo específico: a mesma realidade que foi num princípio. Talvez se possa dizer que somente durante o Renascimento ou na idade barroca tenha existido uma construção perfeita. Por acaso então se detinha uma linguagem de formas válida para todos os tempos? Não, mas aquilo que existia então permanece de algum modo oculto no que existe hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ernst jünger,"Die Tradition." Die Standarte. Beiträge zur geistigen Vertiefung des Frontgedankens. Sonderbeilage des Stahlhelm. 1.10 (8 de Novembro de 1925)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114161314053445562?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114161314053445562/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114161314053445562' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114161314053445562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114161314053445562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/naosangue-e-tradio.html' title='A nação;sangue e tradição!'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114150099714656066</id><published>2006-03-04T19:34:00.000Z</published><updated>2006-03-17T18:30:20.176Z</updated><title type='text'>O Papa já não mora aqui - Itinerário da resistência católica</title><content type='html'>Um dos fenómenos mais surpreendentes do catolicismo das últimas décadas é a crescente proliferação de grupos católicos em aberta resitência ao espírito conciliar que se apoderou da Igreja a partir de 1962. Isto não significa que antes de 1962 não existiam modernistas na Igreja mas o magistério dos Papas e dos Concílios fazia ouvir fortemente a voz de Cristo e não permitia que esta fosse adulterada. Mas, lamentavelmente, o Cavalo de Tróia do modernismo infiltrou-se na Cidade de Deus depois da morte do Papa Pio X, no ano de 1914.Em 1958 subiu ao trono pontífice o Papa João XXIII. A partir dele todos os Papas atenuaram ou directamente desfiguraram a doutrina de Cristo para torná-la mais agradável aos ouvidos do mundo moderno. Agora a Igreja reconciliou-se com o liberalismo e silenciou as suas críticas ao comunismo. E para reconciliar-se com os protestantes reformou a Missa e os Sacramentos, e a doutrina católica sobre eles atenuou-se e em alguns casos silenciou-se e deformou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente a esta revolução dentro da Igreja dirigida por Roma, iniciou-se uma resistência a partir de várias frentes, nem sempre compatíveis entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vamos mencionar os grupos que elegeram o seu próprio papa porque são intentos pouco sérios e de carácter simplesmente cismático. Vamos mencionar os grupos que nos parecem bem fundados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- O Sedevacantismo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta postura defende que a Sé Romana está actualmente em vacatura. Por isso os Papas conciliares são intrusos já que por serem hereges estão depostos. Mas a crítica que lhe podemos fazer é que o único que pode decretar a heresia formal de um indivíduo católico é o seu superior hierárquico. No caso do Papa o seu superior hierárquico é Jesus Cristo, pois o papa é o vigário de Cristo e cabeça visível da Igreja. Lamentavelmente não ocorreu a intervenção milagrosa de Jesus Cristo e por algum misterioso desígnio divino foi permitido que as autoridades da Igreja continuassem o seu labor destruidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos grupos sedevacantistas mais antigos e inteligentes é o que se congrega em torno da revista alemã Einsicht, fundada por Eberhard Heller em 1971.Em 1981 lograram convencer monsenhor Ngo-Dinh-Thuc (1897-1984) para que consagrasse alguns sacerdotes como bispos e assim pudesse salvar a sucessão apostólica E em 1982 monsenhor Thuc fez uma declaração pública em que terminava dizendo:” É por isso que, na minha qualidade de bispo da Igreja Católica Romana, julgo que a Sede da Igreja Católica em Roma está vaga e que é meu deve, enquanto bispo, fazer todo o possível para que a Igreja Católca Romana perdure com vista à salvação eterna das almas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro grupo muito bem organizado e com muitos fiéis é a União Sacerdotal Trento do México, que é dirigida por monsenhor Martín Dávila, consagrado Bispo em 1999 por monsenhor Mark Pivarunas(bispo da linhagem de Thuc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente mencionaremos a Congregação Imaculada Rainha Maria dos Estados Unidos, dirigida por monsenhor Mark Pivarunas, consagrado bispo em 1991 por monsenhor Moisés Carmona( consagrado bispo por monsenhor Thuc em 1981).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um personagem polémico e acutilante que não se pode deixar de mencionar é o destacado intelectual argentino Carlos Disandro(1918-1994) que se notabilizou por denunciar, sem meias medidas, tanto a igreja conciliar como o tradicionalismo barroco dos lefebvristas .O seu combate é pelo regresso ao catolicismo platónico dos Padres gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dado curioso é que Rama Coomaraswamy , filho do célebre discípulo de Guénon, Ananda Coomaraswamy, é um fiel seguidor do sedevacantismo e foi ordenado sacerdote..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2-A tese de Cassiciacum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta postura defende que o Papa, desde 1965, já não está divinamente assistido e, por isso, já não é seguro o seu ensinamento. Mas não foi deposto pelo que ocupa materialmente o Trono Apostólico. Temos Papa, mas este não tem a autoridade que possuíam os anteriores, podemos resistir-lhe porque pela sua boca já não fala Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro teórico desta postura foi monsenhor Michel Guerad des Lauriers( 1898-1988) da Ordem dos Predicadores. Este sacerdote foi o que redigiu o célebre Breve Examen, crítico da Novus Ordo Missae(1969), que foi a primeira crítica sistemática à nova missa. Depois, na revista francesa Cahiers de Cassiciacum, escreveu a sua tese, que já explicámos no parágrafo anterior. Em 1981 foi consagrado bispo por monsenhor Thuc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Actualmente um dos grupos mais activos que defendem esta postura é o Instituto Mater Boni Consilii, fundado em 1985 por um grupo de sacerdotes italianos expulsos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Têm uma revista, inteligente e combativa, chamada “Sodalitium”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro grupo importante e muito vinculado ao anterior é o “Restauração Católica”. Teve origem num grupo de sacerdotes dos Estados Unidos, expulsos em 1983 da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Em 1993 foi consagrado como bispo monsenhor Daniel Dolan por parte de  monsenhor Mark Pivarunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-Lefebvrismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta postura afirma que os Papas conciliares são plenamente Papas mas estão contaminados pela heresia liberal, por isto a Igreja está em estado de necessidade, pelo que os bispos e sacerdotes da resistência têm jurisdição supletiva entregue pela Igreja e não pelo Papa. Inclusive atreveram-se a fundar tribunais para julgar a nulidade matrimonial. Isto foi firmemente questionado por vários sacerdotes e fiéis católicos que fizeram ver que o poder de julgar corresponde a um direito intrinsecamente vinculado ao Supremo Pontífice. Frente a uma sentença injusta dos tribunais papais só tem lugar a resistência, não a criação de tribunais paralelos que não têm mandato papal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar de honra nesta vasta acção de resistência corresponde sem dúvida a dois bispos católicos: O arcebispo francês monsenhor Marcel Lefebvre (1905-1991) e o bispo brasileiro António de Castro Mayer(1904-1991). Já em pleno Concílio Vaticano II(1962-1965) opuseram tenaz resistência ao modernismo triunfante. No ano de 1970 monsenhor Lefebvre fundou a Fraternidade Sacerdotal São PIO X na Suiça, e em 1976 é suspenso “a divinis” pelo Papa PauloVI. Finalmente é excomungado em 1988, juntamente com monsenhor Mayer, pelo Papa João Paulo II, por consagrar quatro bispos sem sua autorização. Para entender a visão de monsenhor Lefebvre  gostaríamos de citar dois parágrafos da sua célebre Declaração de 1974:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aderimos de todo o coração, com toda a alma à Roma Católica, guardiã da Fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa Fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em troca recusamos, como nos recusámos sempre, a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante, que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e, depois do Concílio, em todas as reformas que dele surgiram.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fraternidade São Pio X está repartida por todos os continentes mas é particularmente forte na França, Suiça, Alemanha, Estados Unidos e Argentina. Conta com quatro bispos e aproximadamente quatrocentos sacerdotes, além de religiosos e religiosas que os ajudam nas suas tarefas quotidianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe também a Irmandade Sacerdotal São João Maria Vianney, que está no Brasil  e foi fundada por monsenhor Mayer. Contam também com mosteiros beneditinos no Brasil , Estados Unidos e França ; um convento dominicano em França e um convento capuchinho, também em França. Os dominicanos editam a melhor revista teológica Lefebvrista: ”Le sel de la Terre”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4-Ecclesia Dei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta posição nasceu em 1988, logo que depois das consagrações episcopais feitas por monsenhor Lefebvre, o Papa João Paulo II escreveu a carta apostólica Ecclesia Dei afirmando que monsenhor Lefebvre e os bispos por ele consagrados haviam cometido um acto cismático e portanto haviam sido excomungados, mas abrindo uma porta à esperança ao assinalar que “ A todos esses fiéis católicos que se sentem vinculados a algumas precedentes formas litúrgicas e disciplinares da tradição latina desejo também manifestar a minha vontade…de facilitar o seu regresso à comunhão eclesial através das medidas necessárias para garantir o respeito das suas justas aspirações”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São várias as comunidades que aproveitaram para se amparar nestes privilégios concedidos pela Santa Sé. Só vamos mencionar as mais importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida a mais importante é a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, fundada em 1988 depois que um grupo de Sacerdotes da FSSPX se retirou, após as consagrações episcopais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras comunidades destacadas são a Abadia beneditina de Ste Madeleine at Le Barroux(França) e a Fraternidade dominicana de San Vicente Ferrer(França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também há grupos organizados de laicos que solicitam os serviços dos sacerdotes Ecclesia Dei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre outros estão a Federação Internacional “Una Voce”, fundada na década de sessenta para preservar e fomentar o conhecimento da liturgia tradicional romana e do canto gregoriano, são particularmente activos nos EUA e Europa Ocidental. O seu actual presidente é Michael Davies, um intelectual que se destacou por escrever livros muito lúcidos onde defende a liturgia tradicional romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro agrupamento que se destaca são as Sociedades de Defesa da Tradição, Família e Propriedade(TFP) fundadas em 1960 no Brasil pelo destacado intelectual brasileiro Plínio Corrêa de Oliveira( 1908-1995). São associações de inspiração católica dedicadas a combater o processo revolucionário que ataca a civilização cristã, são particularmente fortes no Brasil, EUA, França e Itália. Este grupo sofreu uma grave denúncia, feita pelo professor brasileiro Orlando Fedeli, que em 1983 disse ter descoberto no seio da organização um culto esotérico face ao fundador e sua mãe. Aparentemente estas denúncias tinham sólida evidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente temos que mencionar a Associação Cultural Monfort de São Paulo. Fundada em 1983 por ex-membros da TFP. O seu fundador e presidente é o citado professor Orlando Fedeli e destacou-se pela sua defesa pura e apaixonada da Fé Católica, sem se importar com as incompreensões e maledicências. Em 1997 decidiram romper todos os vínculos com os grupos Lefebvristas devido ao estabelecimento dos tribunais paralelos para ditar sentenças em casos de nulidade matrimonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Fuentes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114150099714656066?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114150099714656066/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114150099714656066' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114150099714656066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114150099714656066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/o-papa-j-no-mora-aqui-itinerrio-da.html' title='O Papa já não mora aqui - Itinerário da resistência católica'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114134849856986645</id><published>2006-03-03T01:11:00.000Z</published><updated>2006-03-17T18:29:35.500Z</updated><title type='text'>Anatomia da democracia(3 de 3)</title><content type='html'>Para além da constatação(evidente) de que os regimes não democráticos apresentam, tal como os democráticos, virtudes e defeitos, Burnham reconhece então como válida a argumentação dos 3 teóricos estudados e conclui que a democracia enquanto sistema em que as decisões de governo assentam na vontade e nos termos de uma maioria é uma farsa, uma mentira. Perante isto e pretendendo perseguir o ideário democrático, por motivação ideológica, ele coloca o problema em novos termos, ao invés de olhar para a democracia como o sistema que representa o governo efectivo da maioria ele desloca a análise para o domínio da liberdade e identifica a democracia com qualquer sistema político que permita a existência de oposição. Atentemos nas suas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A liberdade significa acima de tudo, como disse, a existência de uma oposição pública à elite governante. A diferença crucial que a liberdade faz numa sociedade encontra-se no facto de que a existência de uma oposição pública é o único controlo efectivo sobre o poder da elite dirigente.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é o próprio Burnham que reconhece, implicitamente, as limitações deste raciocínio quando, tentando antecipar as críticas dos radicais, sobretudo marxistas( o que é natural visto que ele próprio vem desse campo e portanto teria dele um maior conhecimento) afirma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Pode no entanto ser argumentado, como é por anarquistas e por sectores radicais marxistas, que a influência da oposição na restrição do poder da elite é afinal de pouca importância para a não-elite, para as massas. Quando uma oposição existe, isto significa apenas que há uma divisão da classe dominante; se uma outra elite substitui a elite dirigente, não se trata de mais que uma substituição de pessoal na classe dirigente. As massas continuarão a ser os liderados. Porque haveriam de se preocupar? E que importância tem todo o processo para a grande maioria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que a oposição é apenas uma secção da elite como um todo. É também verdade que quando a oposição toma o poder isto é apenas uma mudança de dirigentes, Os demagogos da oposição dirão que a sua vitória será o triunfo do povo, mas mentem, como os demagogos sempre fazem. Ainda assim não é verdade que a acção da oposição seja indiferente para as massas. Através de um curioso e indirecto caminho, por meio da liberdade, regressamos ao auto-governo, que fomos incapazes de descobrir por um caminho directo. A existência de oposição significa uma divisão na classe dominante. Parte da luta entre secções da classe dominante é puramente interna…quando, no entanto, a oposição se torna pública significa que os conflitos não podem ser resolvidos simplesmente por mudanças internas na elite existente. A oposição é forçada a mover-se para lá dos limites da classe dominante. Confrontada com este ataque , a elite governante , de modo a tentar conservar o seu poder é forçada a fazer algumas concessões e a corrigir pelo menos alguns dos abusos mais flagrantes. É apenas quando existem diversas forças sociais, ou quando não subordinadas a uma  mesma força social, que pode existir garantia de liberdade, porque só então existe um sistema de “checks e balances” capaz de controlar o poder…”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, colocado perante a impossibilidade da realização democrática, como é vulgarmente compreendida, Burnham redefine a democracia fazendo-a coincidir com uma ideia de liberdade que se materializa pela existência de oposição. Mas essa oposição nunca é realizada pelas massas, pelo povo, é sempre o espelho de interesses de uma outra elite,que de momento não governa. E assim ele chega à mais espúria concepção democrática possível, a que faz cumprir a partidocracia mais medíocre, quando a elite na oposição, procurando substituir a elite dominante, ergue causas que supostamente são do interesse das massas sem nunca as cumprir uma vez chegada ao poder, da mesma forma que a elite dominante, na defesa do seu estatuto, tentará apelar igualmente  às massas. Uma e outra, uma vez garantido o poder farão cumprir primeiramente os seus desígnios próprios e as causas da população não passarão assim de objecto útil na luta de minorias que jamais permitem qualquer poder efectivo às populações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é o próprio Burnham que reconhece que os mecanismos democráticos não favorecem necessariamente o triunfo dos mais capazes mas antes dos que melhor utilizam os mecanismos de sufrágio, ou seja, os que melhor recorrem à demagogia que apela ao povo, já que o essencial na democracia é conduzir as massas de forma a que pensem estar perante quem as represente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;”Adicionalmente, a existência na sociedade do mecanismo de sufrágio tende naturalmente a favorecer aqueles indivíduos mais aptos a usá-lo, como numa sociedade onde o poder está fundado directamente na força os mais hábeis lutadores são favorecidos em relação aos restantes” &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acresce que os modernos regimes democráticos têm cada vez menos oposição real, uma vez que a tendência bipolar nos sistemas democráticos faz coincidir as causas políticas principais dos partidos da área de poder, que partilham a mesma visão do mundo, o que torna cada vez mais acentuada a tendência para falar apenas de substituição de elites, ou pessoas, no poder, sem alteração de mundividências, junte-se a isto as limitações legislativas, quando não a proibição das eventuais oposições não democráticas e ficamos reduzidos a um conceito de liberdade, se definido nos moldes em que Burnham o faz( pela existência de oposição), muito limitado, para não dizer insignificante.Pois que oposição pode ser verdadeiramente tomada a sério quando ela não se pode constituir como oposição ao próprio sistema democrático? E ainda que se pretenda admitir esta conceptualização de democracia como válida ela não invalida que não seja mais que a alternância de diferentes elites no poder servindo-se demagogicamente das massas, em nenhuma circunstância ela representa verdadeiramente qualquer povo ou qualquer maioria e isto é reconhecido pelo autor. Burnham admite que a ideia de liberdade como “oposição” apenas permite uma influência indirecta, e muito moderada, das massas, na direcção da sociedade, porque essa oposição, de facto, está também reservada a uma minoria, tal como são sempre as minorias que ditam o rumo de qualquer regime, democrático ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora Burnham parta, desde o princípio do livro, com o objectivo de defender a democracia, reformulando o seu significado, ele acaba por ser pouco convincente nesse ponto específico. O seu argumento da liberdade enquanto possibilidade de oposição está claramente cerceado nas modernas democracias por limitações de vários tipos, desde legais a económicas ou culturais. Por outro lado o autor reconhece a utilidade de manter sobre a população a ideia de que as oposições, mesmo que apenas se representem a si , a interesses privados( e é isso mesmo que são os partidos, associações privadas), ou se resumam a elites que partilham a mesma visão do mundo, são prova da existência de liberdade. No fundo Burnham acaba por defender a existência e o fomento dos mitos de que falava Mosca por forma a garantir a estabilidade social, e no caso democrática. A percepção de “oposição” é, em larga medida, um desses mitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Os líderes devem afirmar, na realidade fomentar, a crença em mitos, ou o tecido social quebrará e eles serão removidos do poder. Em resumo, os lideres, se são científicos, devem mentir. É difícil mentir durante o tempo todo em público mantendo um olhar objectivo face à verdade em privado. Não é apenas difícil, é frequentemente ineficiente, porque as mentiras raramente são convincentes quando contadas com um coração dividido. A tendência é para os mentirosos se iludirem a si próprios, acreditando nos seus próprios mitos. Quando isto acontece já não estão a ser científicos. A sinceridade é comprada ao preço da verdade.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto explica porque conseguem os políticos fazer o elogio da democracia como sistema representativo do povo e defender a liberdade como valor intrínseco do sistema democrático com um ar grave e sério, já chegaram ao estádio em que passaram a acreditar nas suas próprias fábulas, é compreensível, já que o fazem em proveito próprio; é o mesmo Burnham que reconhece a importância para as elites de manterem a ideia de oposição, mesmo se ilusória, de modo a assegurar a estabilidade social e apaziguar as massas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114134849856986645?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114134849856986645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114134849856986645' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114134849856986645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114134849856986645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/anatomia-da-democracia3-de-3.html' title='Anatomia da democracia(3 de 3)'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114134799904730396</id><published>2006-03-03T00:59:00.000Z</published><updated>2006-03-17T18:28:06.503Z</updated><title type='text'>Anatomia da democracia(2 de 3)</title><content type='html'>Prosseguimos com Burnham:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Do ponto de vista da teoria da classe dominante, cada sociedade é o espelho dessa sua classe. A força de uma nação,a sua fraqueza, a sua cultura, a sua capacidade de resistência, a sua prosperidade, a sua decadência, dependem, numa primeira instância, da natureza da sua classe dirigente. Em particular, a forma de estudar uma nação, de a compreender, de prever o seu rumo, requer antes de tudo e primeiramente uma análise da sua classe dominante. A História política e a ciência política são pois, predominantemente, a História e a ciência das minorias dominantes, a sua origem, desenvolvimento, estrutura e mudanças. Por mais arbitrária que seja a ideia de História como História das elites, a verdade é que todos os historiadores, na prática até historiadores como Tolstoi ou Trotsky, cujas teorias contradizem-no, são compelidos a escrever nesses termos. Se por mais nenhuma razão será porque as grandes massas da humanidade não deixam quaisquer registo na História excepto aquele que é expressado ao serviço, ou pela liderança dos indivíduos notáveis e invulgares (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma classe dominante expressa o seu papel e posição através daquilo que Mosca chama uma fórmula política. Esta fórmula racionaliza e justifica o seu domínio e a estrutura da sociedade sobre a qual exerce esse domínio. A fórmula pode ser um “mito racial”, como na Alemanha Nazi ou neste país em relação aos negros e asiáticos: o domínio é então explicado como a prerrogativa natural da raça superior. Ou pode ser um “direito divino”, como nas teorias elaboradas em relação às monarquias absolutistas do século XVI e XVII ou no imperialismo tradicional japonês: nesse caso o domínio é explicado como decorrendo de uma relação peculiar com o divino, frequentemente pela descendência hereditária( estas fórmulas eram muito comuns em tempos anteriores e não perderam  completamente toda a eficácia). Ou, para citar a formula que nos é mais familiar, e a funcionar agora nesta país, uma crença na “vontade do povo”: o domínio é então apresentado como sendo legitimado pela vontade ou escolha popular expressada por algum tipo de sufrágio(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de todas as classes dominantes Mosca mostra ser possível distinguir dois princípios, como lhe chama, e duas tendências. Estes são, pode ser dito, as leis de desenvolvimento das classes reinantes. A sua força relativa estabelece as mais importantes diferenças entre as várias classes dominantes. O princípio autocrático pode ser distinguido do princípio liberal. Estes dois princípios regulam, primeiramente, o método pelo qual os governantes e os líderes sociais são escolhidos. Em qualquer forma de organização politica a autoridade é transmitida de cima par baixo na escala politica ou social(o principio autocrático) ou de baixo para cima( o principio liberal). Nenhum dos princípios viola a lei geral que estabelece que a sociedade está dividida numa minoria dominante e numa maioria liderada, o principio liberal não significa, independentemente da sua extensão, que as massas governem de facto, mas apenas dá uma forma especifica à eleição da liderança. Raramente, provavelmente nunca, apenas um dos princípios opera numa classe dominante. Estão geralmente misturados, sendo um ou outro prevalecente. Algumas monarquias absolutas ou tiranias mostram a maior aproximação a um princípio autocrático puro, com todas as posições formalmente dependentes de nomeação pelo déspota. Algumas pequenas cidades-estado, como Atenas  num certo período da História, chegaram muito perto de um principio liberal puro, com todos os oficiais escolhido a partir de baixo, mas os votantes eram ao mesmo tempo um grupo restrito. Nos Estados Unidos, como na maioria dos regimes representativos modernos, ambos os princípios estão activos. A maior parte do aparelho burocrático e judicial, especialmente o federal, é uma expressão do princípio autocrático, o Presidente e o Congresso são seleccionados de acordo com o princípio liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada princípio apresenta na prática vantagens e desvantagens típicas(…)A autocracia parece dotar as sociedades de maior estabilidade e maior durabilidade do que o princípio liberal. Quando a autocracia funciona bem consegue promover a selecção da liderança mais apta de todos os estratos da sociedade para realizar as diferentes tarefas do Estado.Em compensação a autocracia parece incapaz de permitir um completo e livre desenvolvimento de todas as forças sociais – nenhuma autocracia estimulou tanto a vida cultural e intelectual como alguns curtos sistemas liberais, por exemplo na Grécia e Europa ocidental. E na selecção dos líderes pela autocracia, o favoritismo e o preconceito pessoal facilmente tomam o lugar do julgamento objectivo do mérito, enquanto o sistema encoraja o servilismo e a bajulação por parte dos candidatos.O princípio liberal, por outro lado, estimula mais que a autocracia o desenvolvimento de variadas potencialidades sociais , mas ao mesmo tempo de modo algum evita a constituição de elites fechadas no topo, como na autocracia, simplesmente o modo de formação dessa elites é diferente(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível haver, como já existiram, apesar das opiniões comuns em contrário, autocracias que são de tendência democrática e sistemas liberais que são de tendência aristocrática. O facto é que ambas as tendências, democráticas e aristocráticas, estão sempre operativas dentro de qualquer sociedade. A predominância de uma delas dá-se geralmente na sequência de um período de rápida, e frequentemente revolucionária, mudança social(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há sociedades governadas pelo povo, por uma maioria, todas as sociedades, incluindo as ditas democráticas são governadas por uma minoria.A fórmula democrática e a prática do sufrágio não significam o governo do povo. Exercem contudo um particular tipo de influência na selecção dos membros da classe dominante(…)a fórmula democrática e a introdução de mecanismos de sufrágio mais abrangentes enfraqueceu a posição da antiga aristocracia não-democrática e ajudou a ascensão da nova elite capitalista. A disseminação da fórmula democrática e das práticas eleitorais foram um factor importante, até essencial, na subida dos capitalistas à posição dominante na moderna classe dirigente.(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se perguntamos quais são os principais efeitos, no nosso tempo, da fórmula democrática e do mecanismo de sufrágio teremos de responder que eles reforçam a tendência internacional para o bonapartismo…um pequeno grupo de lideres, ou um único líder, afirmam representar e falar por todo o povo.”&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114134799904730396?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114134799904730396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114134799904730396' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114134799904730396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114134799904730396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/anatomia-da-democracia2-de-3.html' title='Anatomia da democracia(2 de 3)'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114134712652543521</id><published>2006-03-03T00:41:00.000Z</published><updated>2006-04-03T01:58:58.306+01:00</updated><title type='text'>Anatomia da democracia(1 de 3)</title><content type='html'>James Burnham foi um daqueles homens que fez um trajecto político invulgar. Começou por ser um trotskista e acabou como referência de alguns dos mais importantes autores da direita americana. Homem de indiscutível inteligência ficou sobretudo conhecido pelo livro “The Managerial Revolution” que apesar de alguns méritos, sobretudo a ideia central da emergência de uma “nova classe” reinante, contém também algumas análises manifestamente incorrectas, nomeadamente no que concerne ao processo de formação dessa “nova classe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contundo, a sua mais interessante obra é “The Machiavellians”, uma reflexão sobre a natureza da democracia. No essencial retira-se deste livro de Burnham que a democracia, literalmente entendida, não existiu, não existe e nunca existirá em qualquer sociedade com um mínimo de complexidade, é uma impossibilidade, um mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é não só uma excelente introdução ao pensamento dos autores “maquiavélicos” como, em última análise, nas suas conclusões e prescrições, um excelente tributo, mesmo se inconscientemente, ao próprio Nicolau Maquiavel. A análise de Burnham centra-se em 3 autores, Gaetano Mosca, Vilfredo Pareto e Robert Michels, os “maquiavélicos”, mas Sorel não deixa de ser comentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burnham, que escreve em defesa da democracia, acabará por reconhecer que a ideia democrática, enquanto “auto-governo” ou “governo pelo povo”, é ilusória. Defenderá então que a questão se deve centrar não na definição tradicional de democracia mas na ideia de “liberdade”. Assim, o objectivo de uma democracia passa a ser garantir as formas de limitar a autoridade da elite reinante, seja ela qual for, e não o exercício do poder pelo povo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a contextualização do problema democrático ele recorre aos 3 autores citados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaetano Mosca afirma que o governo pela maioria, que constitui a ideia base da democracia é impossível. Ele defende que em qualquer sociedade, independentemente da sua organização política, existe sempre uma elite, uma minoria, que domina. Fá-lo através de “mitos” que mantêm a sociedade coesa, facilitando a normalização dos hábitos que permitem prever e controlar os comportamentos da maioria dirigida. Quando surge uma crise e a maioria rejeita os mitos, contestando o poder da minoria, esta recorre à fraude de forma a reter esse poder. Se a fraude é exposta e a maioria reage a elite recorre à força como solução última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Pareto, se essa revolta da maioria for bem sucedida, em circunstância alguma surgirá um “governo do povo”, ou da maioria, uma democracia se quisermos, o que acontecerá será a simples substituição de elites, a nova elite sairá dos revoltosos, surgirão como “representantes do povo”, mas estabelecer-se-ão sempre como uma nova minoria dominante sobre uma nova maioria. Dos 5 pontos fundamentais que Burnham identifica em Pareto como explicativos da sociedade e das suas mudanças há um que assume particular importância: a ideia de “circulação das elites”. Pareto afirma que os homens não estão igualmente distribuídos na escala social. No topo há uma pequena minoria, existem mais alguns no meio e a esmagadora maioria encontra-se no fundo da escala. A elite é sempre uma minoria, que se divide numa elite que detém o poder e numa elite que o não possui. É o carácter da elite que define a qualidade da sociedade. A elite não é estática e numa sociedade ideal a circulação de elites garantiria que os mais aptos chegassem ao topo, pelas suas capacidades. O problema, afirma Pareto, é que essa sociedade não existe, e dessa forma os princípios de selecção das elites não assentam exclusivamente na competência mas em princípios de selecção diferentes ( a hereditariedade, por exemplo). Isto faz com que eventualmente a fraqueza e a mediocridade se instalem no seio das elites e se dê uma mutação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Michels, por seu lado, estudando as dinâmicas dos movimentos de massas afirma algo que me parece evidente: nenhum movimento poderá triunfar sem uma organização. Ora como a própria natureza de uma estrutura organizativa implica uma hierarquia, uma definição de autoridade, haverá sempre quem detenha mais poder que a maioria. Esta asserção de Michels é obviamente legitimada ou verificada pela História, logo é uma lógica intransponível, ela é inerente à organização social. Daqui resulta a inevitabilidade da existência de oligarquias em qualquer regime. Os líderes têm de assumir o poder de modo a conseguirem responder aos anseios dos liderados, mas eles fazem-no de acordo com as suas próprias ideias e de acordo com as suas próprias condições. As características mecânicas, técnicas, psicológicas e culturais de uma organização requerem sempre uma liderança, isso implica que os líderes, e nunca as massas, exerçam o poder. Esta tendência não é nem arbitrária nem casual nem temporal, é intrínseca à natureza de qualquer organização, não se lhe pode por isso fugir. Chama-lhe a Lei de Ferro da Oligarquia e torna a ideia de democracia inviável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apreciação de alguns excertos do livro permite um conjunto de reflexões sobre a natureza da democracia. Escreve Burnham:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A existência de uma classe minoritária dominante é , deve ser sublinhado, uma característica universal  de todas as sociedades organizadas das quais temos registo. É válida independentemente da forma social ou política – quer a sociedade seja feudal, capitalista, baseada no trabalho escravo, colectivista, monárquica, oligárquica ou democrática, independentemente das leis e constituição, independentemente das convicções e religiões(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela teoria da classe dominante Mosca refuta dois erros generalizados, os quais, embora opostos, são frequentemente assumidos como válidos pelas mesmas pessoas. O primeiro, que vem ao de cima nas discussões sobre tirania e ditaduras e é familiar nos populares ataques actuais aos tiranos contemporâneos, é a de que a sociedade pode ser governada por uma única pessoa. Mas Mosca observa que o homem que está à frente do Estado não seria certamente capaz de governar sem o apoio de uma numerosa classe que assegure o respeito pelas suas ordens e que as aplique, e mesmo que ele possa fazer um indivíduo, ou vários, na classe dominante, sentir o peso do seu poder, ele não pode estar em confronto com a classe como um todo ou dispensá-la. Mesmo se isso fosse possível ele seria forçado a criar uma nova classe,sem o apoio da qual as suas acções estariam completamente paralisadas(…)"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto significa que a real distinção entre um regime não democrático e um regime democrático não se faz por aqui, visto que ambos são liderados por uma elite dirigente, isto é, mesmo as chamadas ditaduras não são, em boa verdade , o governo de um homem só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O outro erro, típico da teoria democrática, é a ideia de que as massas, a maioria, pode governar-se a si própria. Isto não é verdade nem para os governos que assentam no sufrágio universal(…)"&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114134712652543521?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114134712652543521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114134712652543521' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114134712652543521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114134712652543521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/03/anatomia-da-democracia1-de-3.html' title='Anatomia da democracia(1 de 3)'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114114275614939977</id><published>2006-02-28T15:59:00.000Z</published><updated>2006-03-17T18:25:43.206Z</updated><title type='text'>Da França-Filhos de um deus menor</title><content type='html'>A França está novamente em choque, uma vez mais resultado das benesses indiscutíveis do modelo multicultural que está imposto sobre a Europa ocidental. Ilam Halimi, um jovem judeu residente naquele país, que foi outrora europeu e é hoje sabe Deus o quê, foi selvaticamente torturado até à morte por um grupo maioritariamente constituído por africanos, liderados por um indivíduo chamado Youssef Fofana, originário da Costa do Marfim. O bando denominava-se, apropriadamente, «gang dos bárbaros».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência do ocorrido foi convocada uma manifestação “contra o racismo e o anti-semitismo” organizada pela Licra e pelo SOS Racisme ( os congéneres franceses dos farsantes que por cá usam a mesma designação) e que contou com a participação do “partido único” de poder, que aqueles que ainda lutam contra a africanização da França chamam de  UMPS(UMP+ PS), ou  seja, uma espécie de CDS+PSD+PS, lá do sítio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que os cruzados do anti-racismo se juntavam para o seu habitual exercício de hipocrisia e “lobotomização” da sociedade duas personalidades eram “proibidas” de participar, De Villiers e Le Pen. A sua presença não seria aceitável diria a organização. E embora Le Pen tenha acabado por não ir, De Villiers foi ao protesto, tendo inclusive sido por lá agredido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superior ironia! Aqueles que ao longo dos anos mais têm contribuído para a presença dos “Youssefs” e seus semelhantes na França e na Europa, as mesmas organizações que têm incentivado a vinda crescente de imigrantes do Magreb e da África subsaariana para a Europa, as mesmas organizações que têm continuadamente desresponsabilizado essas comunidades nos seus crimes e que têm perseguido judicialmente quem ouse falar contra o fenómeno, pretenderam impedir a participação na marcha de dois homens que têm alertado precisamente para a bomba-relógio que é a imigração africana e islâmica em terras europeias. E no entanto Ilam foi morto às mãos das mesmas gentes que são apadrinhadas, na França e na Europa, pelas associações que agora, no mais ignóbil cinismo, dessa morte tentam tirar proveito político: os marxistas e os “anti-racistas”( que no fundo são uma e a mesma tralha), juntamente com o centrão político, o mesmo é dizer a “partidocracia respeitosa”, que tanta ou mais responsabilidades tem no que sucedeu neste caso e no que sucede em tantos outros, directa ou indirectamente ligados à invasão consentida e encorajada das nações da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao mesmo tempo que era encontrado o corpo de Ilam, Raphaël Clin, um polícia francês, era assassinado em Saint-Martin, no arquipélago de Guadalupe, sob administração francesa, numa ocorrência de contornos claramente racistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto todos os meios de comunicação e toda a sociedade francesa falam do homicídio de Ilam Halimi e se sucedem as discussões em torno do assunto, ao mesmo tempo que se organizava uma manifestação extremamente politizada em torno desse acontecimento, reunindo mais de 30 000 pessoas e contando com a presença em peso da digníssima classe política e das oportunas associações “anti-racistas”, o caso de Raphaël Clin era menosprezado, para não dizer olvidado. Os jornais de referência não pareceram em França encontrar aí particular motivo de interesse, a sociedade civil não pareceu descobrir ali motivos de revolta, os políticos respeitáveis não se indignaram, as associações “anti-racistas” desapareceram…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clin foi atropelado por um piloto de corridas ilegais, depois de ter tentado restabelecer a ordem pública, cumprindo a sua missão ao serviço do Estado francês. Enquanto falecia, mais de 40 pessoas (autóctones) juntavam-se em seu redor injuriando-o, recusando ajudá-lo e gritando: morre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua mulher escreveu posteriormente uma carta que ilustra a situação e que transcrevo aqui parcialmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bom dia,&lt;br /&gt;Eu sou a mulher do polícia que foi morto, Raphaël Clin. &lt;br /&gt;O meu marido foi morto por um piloto que participava num “run” (corrida de motas em Bellevue).&lt;br /&gt;Enquanto o meu marido agonizava havia mais de 40 pessoas em seu redor a injuriá-lo, dizendo-lhe: morre.&lt;br /&gt;O colega que estava com ele pedia-lhes que fossem procurar socorro mas nem um se moveu.&lt;br /&gt;Quando cheguei ao hospital estava lá muita gente, pessoas da família desse piloto. Eles injuriavam os polícias e quando nos foi dito que o meu marido estava morto todos tinham um sorriso e gritaram vitória por ter morto um polícia e ademais branco.”[*]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homicídio de Ilam poderá ser considerado um “crime de ódio”, a maioria dos agressores terão sido africanos islâmicos e Ilam era judeu, mas ao seu rapto esteve subjacente também o móbil dinheiro, afinal à família foi exigida uma quantia que assegurasse a sua libertação. A forma como as organizações "anti-racistas" e as associações judaicas conseguiram reduzir o crime a um delito motivado exclusivamente por questões étnicas e o modo abjecto como foi politicamente aproveitada esta morte por essas mesmas associações e pelos políticos franceses, todos com responsabilidades directas nas causas que estão por detrás destes e doutros factos similares, torna-se particularmente nojenta quando comparada a situação com o assassinato de Raphaël,no qual o ódio racial tem um papel fulcral, mas Clin era branco, europeu, e os seus assassinos não, entende-se pois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reacções à morte do jovem judeu ocupam todos os espaços, uma manifestação foi imediatamente organizada, o delírio anti-racista, no mais vergonhoso descaramento, serviu-se de uma morte na qual tem inegáveis culpas. Para Raphaël guardam-se as palavras, a revolta, a indignação, calam-se os políticos, escondem-se as ”associações cívicas”. Em Março, na cidade de Nice, anuncia-se uma marcha silenciosa em memória de Raphaël Clin. Esperarei para ver quem estará presente e quantos marcharão, para já constato que tem tudo para ser um sucesso, pelo menos no que diz respeito à parte “silenciosa” , nisso todos parecem estar a colaborar. Compreendo, Clin não era negro ( e portanto uma eterna vítima da exclusão, inimputável) e não era membro do “povo eleito”,não,Clin era filho de um deus menor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[*]&lt;a href="http://www.adefdromil.com/Document.php?DOC=02416742"&gt;Carta da mulher de Raphaël Clin&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114114275614939977?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114114275614939977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114114275614939977' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114114275614939977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114114275614939977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/da-frana-filhos-de-um-deus-menor.html' title='Da França-Filhos de um deus menor'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114092703476248283</id><published>2006-02-26T04:08:00.000Z</published><updated>2006-03-17T20:06:58.893Z</updated><title type='text'>O fim do primado político</title><content type='html'>Como apontou, e bem, Dominique Plihon, existem duas grandes forças motrizes no processo de globalização corrente, uma é a inovação tecnológica, símbolo máximo da nova economia do conhecimento, outra é a ascensão do “poder financeiro” a um  estatuto de sustentáculo primordial do novo capitalismo global, aquilo que poderemos denominar especificamente por globalização financeira, ou seja, a crescente interligação dos mercados de capitais à escala mundial e a consequente interdependência crescente das economias nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais é preciso situar historicamente o processo de globalização. A origem do fenómeno, como hoje o entendemos, encontra-se numa fase muito mais adiantada da História do que aquela que frequentemente é apontada como originária do processo. Na realidade é no século XIX, com a intensificação das trocas de mercadorias e capitais entre a Europa e o “Novo Mundo”, que a globalização, devidamente compreendida, tem início, com aquilo que Braudel chama a expansão da “economia-mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira guerra mundial veio colocar um travão à expansão do mercado global e à hegemonia liberal. Esta interrupção do processo de globalização perdurou até ao surgimento da segunda guerra e no imediato seguimento desta com os anos dourados do Keynesianismo. Do pós-guerra havia surgido, pelo acordo de Bretton Woods, o sistema monetário internacional que perduraria até 1973, a partir daí generaliza-se a flutuação monetária. Isto foi o resultado da estagnação do crescimento económico, que parecia já não encontrar soluções nas velhas políticas públicas keynesianas, a par dos efeitos dos choques petrolíferos de 1973 e 1979 que aumentaram as pressões inflacionárias já existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entender o que está por detrás das formas correntes da globalização e as forças que a impulsionam é preciso compreender o que se passou neste período. E aqui surge um dado fundamental, os credores e detentores do capital financeiro estavam a sofrer uma perda de riqueza causada pela queda das taxas de lucro e pela inflação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que os poderes financeiros começam a fazer pressão sobre o poder político para uma alteração do modelo económico de forma a liberalizar e globalizar a economia, acabando com as restrições à expansão capitalista. O culminar, bem sucedido, destas reivindicações deu-se com a chamada revolução conservadora anglo-saxónica( não confundir com a Revolução Conservadora europeia  de princípios diametralmente opostos) que levou ao poder os governos de Ronald Reagan e Margaret Tatcher e à transfiguração dos modernos partidos conservadores que passaram a ser, genericamente, “conservadores-liberais”, conjugação contra-natura nos desígnios e que está, em muito, na origem da derrocada do conservadorismo na vida política ocidental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo paradigma representou o ressuscitar do liberalismo clássico, de Smith, Ricardo ou Mill, e passou a ser vulgarmente conhecido por neoliberalismo. Os seus ditames baseiam-se na ideia de que os Estados, ou os poderes públicos, não têm capacidade de  gerir a economia, são inibidores do crescimento e é por isso necessário abrir toda a economia à iniciativa privada. Ao assumir que a toda a intervenção é prejudicial resulta que apenas um mercado financeiro completamente livre poderia assegurar a eficácia produtiva e o vigor económico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enquadramento normativo estabelece-se com a assumpção de que estas medidas resultariam numa melhoria do bem-estar a nível mundial e com a promoção de uma ideia que observamos amiúde nos círculos liberais, a de oposição entre a liberdade – sempre com uma dimensão estritamente individual -, representada pelas forças neoliberais, e um presumido totalitarismo do Estado, que procuraria conduzir o indivíduo em toda a sua acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, estabelecidas as justificações teóricas e definido um enquadramento normativo, estavam asseguradas as condições para a cedência das comunidade políticas, nacionais, face aos interesses financeiros, cedência amparada por uma argumentação passível de legitimar perante a opinião popular o universalismo expansionista e desagregador da globalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas palavras de Dominique Plihon(2003), a doutrina neoliberal surge como fundamento do consenso de Washington, que é um conjunto de directrizes definidas pelos países do G7, posteriormente G8, com a entrada da Rússia, e que defende que o caminho desejável da economia:” passa pela abertura das fronteiras, pela liberalização do comércio e da finança, pela desregulamentação e pelas privatizações, pelo recuo das despesas públicas e dos impostos para benefício das actividades privadas, pelo primado dos investimentos internacionais e dos mercados financeiros, em suma, pelo declínio da esfera política e do Estado em benefício dos interesses privados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este declínio traduz a submissão do poder político representante da comunidade nacional ao poder financeiro, que não conhece pátrias ou outras lealdades e interesses que não os do restrito e selecto grupo dos accionistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114092703476248283?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114092703476248283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114092703476248283' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114092703476248283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114092703476248283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/o-fim-do-primado-poltico.html' title='O fim do primado político'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114080526779892793</id><published>2006-02-24T18:16:00.000Z</published><updated>2006-03-17T20:07:38.640Z</updated><title type='text'>O "Dia D" como Hollywood nunca há-de mostrar ou "o livro que jamais será filme"</title><content type='html'>Graças ao impagável e pedagógico trabalho de Hollywood sabemos hoje que os soldados norte-americanos intervieram na segunda guerra mundial armados com sorrisos, torrões de açúcar, chicletes e bíblias. Em Madrid, por estes dias, aproximando-se o aniversário do famoso “Dia D” - 6 Junho – expõe-se inclusive uma colecção de fotografias de “soldados de cor” que tombaram nas costas da Normandia e que, portanto, jamais regressariam a casa. Foram, sem dúvida, vítimas daqueles esbirros de Mefistófeles, as «bestas negras» e seus aliados que, estes sim, combatiam com armas mortíferas e, por demais,  pretendiam – muito perversos, eles – tirar-nos os domingos de futebol e as férias pagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema deste conto de fadas é que logo surgem os historiadores – aos quais há agora que somar alguns soldados “irresponsáveis” que não têm outra alternativa que levar com câmaras digitais em cima – e nos estragam a festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que digo isto? As Edições Payot, de França, publicaram o ano passado um livro do professor J. Robert Lillly intitulado “La face cachée des GI’s. Les viols commis par les soldats américains en France, en Anglaterre et en Allemagne pendant la Seconde Guerre mondiale” que, a meu ver, deveria ser de leitura obrigatória para os nossos académicos e para algum leigo que ainda continue debaixo do seu jugo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo este historiador norte-americano, especializado em questões de criminologia, entre 1942 e 1945 cerca de 17.000 mulheres e crianças foram violadas em território europeu por soldados das “listas e estrelas”. Lilly estabelece em 2.420 as violações em Inglaterra, em 3.620 as violações em França e 11.040 as violações na Alemanha e acrescenta um dado mais: 84% dos violadores eram militares negros. Apenas metade dos violadores foram, em maior ou menor grau, sancionados. Em França, país “aliado” -  como a Inglaterra, não nos esqueçamos deste facto -, unicamente 21 militares, 18 negros e 3 brancos, foram fuzilados sumariamente por estas práticas aberrantes. Na Alemanha, pelo contrário, a situação foi infinitamente mais permissiva: só 1/3 dos violadores foram sancionados e não houve uma única condenação à pena capital. “À época das vilações na Alemanha- escreve J. Robert Lilly - , os soldados negros beneficiaram, por outro lado, de uma espécie de reabilitação em razão da sua contribuição ao esforço de guerra”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro contém uma minuciosa tipologia sobre os autores das agressões e suas vítimas, assim como interessantes precisões sobre um grande número de actos de vandalismo cometidos pelos norte-americanos. Desgraçadamente, o texto não aborda a “libertação” de Itália onde as violações a mulheres e crianças – com a inestimável ajuda humanitária dos “partigiani” e das organizações mafiosas, que colaboraram amplamente com os invasores a troco de imunidade para as suas actividades criminosas - , alcançaram dimensões verdadeiramente dantescas e números ainda mais horrendos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém desmistificar, no calor daquela data, as “ânsias libertadoras” dos europeus durante a segunda guerra mundial. Basta recordar, escassos dias depois do desembarque norte-americano na costa da Normandia, os relatos do periodista Rex North, censurados pela “Psychological Warfare Division”, a estrutura de guerra psicológica do exército norte-americano,e que, em 2001, no nº 73 do “The Journal of Modern History”, foram amplamente reproduzidas. Num dos seus parágrafos podemos ler:” 60% da população local detesta-nos. O pior é que inclusive um em cada dois franceses prefere os alemães e assim é impossível ter confiança com os autóctones. Como todos, eu esperava que as tropas aliadas seriam acolhidas como libertadoras, mas uma semana depois sinto-me rejeitado pelos franceses. Acreditava vir encontrar uma população esfomeada e oprimida que aguardava os nossos soldados com impaciência, e o caso é que metade dos franceses que encontrei na Normandia não têm nenhuma vontade de ser libertados”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan C. García,«Mi amigo Pic», 5-5-2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114080526779892793?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114080526779892793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114080526779892793' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114080526779892793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114080526779892793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/o-dia-d-como-hollywood-nunca-h-de.html' title='O &quot;Dia D&quot; como Hollywood nunca há-de mostrar ou &quot;o livro que jamais será filme&quot;'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114065903404521798</id><published>2006-02-23T01:38:00.000Z</published><updated>2006-03-17T20:08:16.996Z</updated><title type='text'>Uma visão tradicionalista</title><content type='html'>Por que combatemos? Esta é a questão fundamental que todo o soldado político deve colocar. Por contraditório que possa parecer somos tentados a responder que lutamos pela Tradição e pela Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tradição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais não se deve confundir a Tradição com as tradições, isto é, os usos e costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tradição designa o conjunto dos conhecimentos de ordem superior referentes ao Ser e suas manifestações no mundo, tal como nos foram  legados pelas gerações anteriores. Ela assenta não no que foi uma vez, num tempo e espaço determinados, mas no que é de sempre. Admite uma variedade de formas - as tradições –, ao mesmo tempo que permanece una na sua essência. Não poderíamos confundi-la com a tradição religiosa única porque ela cobre a totalidade das actividades humanas, políticas, económicas, sociais, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seguimento de Joseph de Maistre , de Fabre d’Olivet e, sobretudo, de René Guénon, Julius Evola fala de uma «Tradição primordial» que, historicamente, permitiria contemplar a origem concreta de um conjunto de tradições. Tratar-se-ia de uma «tradição hiperbórea», vinda do Extremo Norte, situada no começo do presente ciclo de civilização, em particular das culturas indo-europeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista de Evola «uma civilização ou uma sociedade é tradicional quando é regida por princípios que transcendem o que é meramente humano e individual, quando todas as suas formas vêm do cimo e quando ela está toda orientada para o alto». A civilização tradicional assenta então em fundamentos metafísicos. É caracterizada pelo reconhecimento de uma ordem superior a tudo o que é humano e contingente, pela presença e autoridade de elites que retiram desse plano transcendente os princípios necessários para assegurar uma organização social hierarquicamente articulada, abrindo as vias para um conhecimento superior e conferindo por fim à vida um sentido vertical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo moderno é quanto a ele o oposto do mundo da Tradição que se personificou em todas as grandes civilizações do Ocidente e Oriente. É-lhe próprio o desconhecimento de tudo o que é superior ao homem, uma dessacralização generalizada, o materialismo, a confusão de castas e raças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Revolução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao termo Revolução deve ser entendido na sua dupla acepção. No seu sentido actual, o mais correntemente utilizado, Revolução significa mudança brusca e radical no governo de um Estado, a Revolução francesa e a Revolução soviética de 1917 são uma ilustração perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, no seu sentido primeiro, Revolução não significa subversão e revolta mas o contrário, a saber, regresso a um ponto de partida e movimento ordenado em torno de um eixo. É assim que, na linguagem astronómica, a revolução de um astro designa precisamente o movimento que ele realiza gravitando em torno de um centro, o qual contém a força centrífuga, impedindo o astro de se perder no espaço infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora nós estamos hoje no fim de um ciclo.Com a regressão das estirpes, a descida progressiva da autoridade de uma a outra das quatro funções tradicionais, o poder passou dos reis sagrados a uma aristocracia guerreira, depois aos comerciantes, por fim às massas. É a idade de ferro, o Kalî-Yuga  ariano, idade sombra da decadência, caracterizada pelo reino da quantidade, do número, das massas, e a correria desenfreada à produção, ao lucro, à riqueza material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser pela Revolução hoje, é pretender o regresso da nossa civilização europeia a um ponto de partida original, conforme aos valores e aos princípios da Tradição, o que passa, reivindicando a expressão de Giorgio Freda, pela «desintegração do sistema» actual, antítese do mundo tradicional ao qual aspiramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edouard Rix&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114065903404521798?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114065903404521798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114065903404521798' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114065903404521798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114065903404521798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/uma-viso-tradicionalista.html' title='Uma visão tradicionalista'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114062457698860233</id><published>2006-02-22T16:01:00.000Z</published><updated>2006-02-22T16:10:51.950Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;li&gt;&lt;a href="http://corserpentis88.blogspot.com/2006/02/do-orgulhosamente-ss-subservincia_22.html"&gt;Do orgulhosamente sós à subserviência abjecta&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grito de revolta que irrompe no "Corserpentis".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114062457698860233?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114062457698860233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114062457698860233' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114062457698860233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114062457698860233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/do-orgulhosamente-ss-subservincia.html' title=''/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114055010873055728</id><published>2006-02-21T19:21:00.000Z</published><updated>2006-08-25T22:58:00.600+01:00</updated><title type='text'>As caricaturas de Maomé(parte III)-Sobre o choque civilizacional</title><content type='html'>&lt;a href="http://us.news2.yimg.com/us.yimg.com/p/afp/20060206/capt.sge.hql52.060206104123.photo00.photo.default-384x274.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://us.news2.yimg.com/us.yimg.com/p/afp/20060206/capt.sge.hql52.060206104123.photo00.photo.default-384x274.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nesta controvérsia se conjugaram interesses vários e actores distintos tentaram conduzir politicamente o assunto há algo que não deve escapar à análise por ser de importância fulcral para a Europa, e afinal não é coincidência que tenha sido precisamente dentro do espaço europeu que se desenvolveu o problema. A verdade é que era no Velho Continente que estavam reunidas as condições por excelência para que tudo isto ganhasse a relevância que ganhou. Se existiu uma manipulação do assunto ela foi apenas possível porque existia a condição necessária e suficiente para que tal sucedesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo obviamente da imigração islâmica na Europa, que tem já um peso inaceitável. E este peso, ou esta influência, tornou-se, uma vez mais, visível neste episódio das caricaturas como já havia surgido noutras ocasiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale a pena alegar que o problema se circunscreve a pequenas franjas de radicais lunáticos que mal representam o Islão. Isso não só não é completamente verdade como serve apenas para desarmar ainda mais os europeus que, crescentemente despojados da sua própria identidade e memória, se tornam progressivamente mais complacentes com humilhações às suas comunidades nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o acontecimento foi manipulado, entre outros(reforço o pormenor), por islamistas radicais, tal apenas pôde acontecer por existir quem pudesse ser manipulado. Essa é a realidade. E o que é mais grave, isso aconteceu também em pleno território europeu, com resultados que, em muitos casos, foram pouco menos que humilhantes para os europeus. O que dizer da sequência de acontecimentos na Noruega? Que patética capitulação! O editor do Magazinet, jornal cristão, o segundo a publicar as caricaturas depois do vizinho Jyllands-Posten andou a defender a publicação dos desenhos usando o hipócrita argumento da defesa da liberdade de expressão. Os extremistas islâmicos pressionaram jornal e governo da Noruega, inclusive existiram ameaças de morte - note-se, ameaças de morte por parte de islâmicos a cidadãos europeus em pleno espaço europeu legitimadas pela fraqueza dos governantes, se isto poderia passar-se em qualquer outro lado que não nesta Europa -, o resultado final foi um quadro, esse sim verdadeiramente caricatural, em que o editor do Magazinet, numa mesa juntamente com o Ministro do Trabalho e Inclusão Social da Noruega e Mohammed Hamdam, representante da comunidade islâmica do país, pediu perdão por ter publicado as caricaturas, enquanto o islâmico aceitava magnânime o acto de contrição. No final o líder islâmico não só perdoou o jornalista como deixou claro que agora este se encontrava debaixo da sua protecção, à salvaguarda por isso de ameaças de morte…ou seja, a lei na Noruega foi aparentemente definida pelos imãs do país. Sim, de facto uma hilariante caricatura do que é hoje a Europa. Mais valia o Magazinet ter estado quieto, se pretendia levar por diante a comédia da defesa da liberdade o que certamente não poderia fazer seria sujeitar-se a esta triste figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este episódio não serviu para mais que reforçar a posição e a força reivindicativa dos islâmicos na Europa. E depois a insolência destas gentes começa a ser constante, é natural, sai sempre reforçada pelas constantes capitulações ocidentais. Um claro exemplo de como, gradualmente, à medida que compreendem toda a verdadeira dimensão da impotência europeia e ganham consciência da sua própria capacidade de se imporem nas terras do Continente, vão pretendendo impingir a sua cultura em território infiel é a sondagem recentemente publicado pelo “The Daily Telegraph” em que se revelava que 40% dos islâmicos querem aplicar a sharia( lei islâmica) em solo britânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordemos  que em nome do Islão foi assassinado um cineasta holandês, Theo Van Gogh, naquela que deveria ser a sua terra. Em nome do Islão são lançadas fatwas contra os “blasfemos”. Foram as enormes bolsas de imigrantes islâmicos no seio da Europa que facilitaram, tragicamente, a execução dos atentados de Londres e Madrid, também eles, em certa medida, cometidos em nome do Islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembremos que os problemas da imigração islâmica não entroncam exclusivamente numa incompatibilidade de tradições religiosas mas estendem-se à cultura e à etnia, em âmbito mais alargado; em países particularmente tocados pela imigração islâmica as taxas de violação em grupo( gang rapes) são especialmente elevadas entre os jovens muçulmanos( com destaque para a Escandinávia), e as vítimas são preferencialmente mulheres europeias. Não só não revelam a mínima compunção como, não raras vezes, justificam semelhantes actos como se de uma merecida punição à mulher europeia se tratasse. Recordemos que nos recentes motins de “jovens” em França os principais envolvidos eram negros e muçulmanos, e não se limitam as explicações a problemas económicos como alguns tentaram fazer crer, não, existem de facto questões culturais no cerne destes problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria História mostra que a Europa foi no passado erguida em combate contra o Islão. É certo que então a Europa não era dirigida por traidores, é certo que então não era habitada por comodistas e cobardes, é certo que a civilização europeia são se limitava à berraria por uma qualquer liberdade sem fim para além de si e é certo que não era uma civilização sem outro Deus que não o mercado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão que se coloca então nesta altura e em face do caso despoletado pelas caricaturas de Maomé é saber da validade do argumento “Choque de Civilizações”. Ao contrário do que alguns possam pensar, pelo desenvolvimento dos dois primeiros textos, eu acho que existe de facto um choque civilizacional, já o tinha dito em textos anteriores não havia ainda “caso das caricaturas” algum; o que rejeito é a interpretação que se pretendeu dar ao termo e os objectivos estratégicos que me parecem ser procurados com o empolar desta situação, como se perceberá no final do artigo. De resto, reconhecer que o que está em jogo não é a liberdade de expressão e que existem forças políticas empenhadas em manipular esta problemática para alcançarem fins predeterminados não invalida reconhecer e compreender o problema do Islão infiltrado no seio europeu. Em boa verdade existe uma incompatibilidade de tradições entre a Europa e o Islão, e basta para tal atentar que a Europa foi erguida numa síntese entre o mundo greco-romano e o cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cristianismo e o Islão, apesar de serem ambas religiões do Livro, têm a separá-las uma importante diferença na interpretação da relação do divino com o poder político. Ao contrário do que sucede na Bíblia- “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”( Mateus 22:21)- no Alcorão não existe espaço para a separação entre a Igreja e o Estado. Antes pelo contrário , o Alcorão apresenta-se como fonte da lei – 45ª Surata;"18. Então, te ensejamos (ó Mensageiro) a sharia. Observa-a, pois, e não te entregues à concupiscência dos insipientes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sharia não se limita a ser uma referência moral, ela cobre todos os níveis da vida, religiosa, política, social e privada. As interpretações da Sharia variam no mundo islâmico mas com excepção dos secularistas que advogam a separação total da lei do Estado face ao Islão, posição que  grande parte dos muçulmanos considera inaceitável e incompatível com o Islão, todos os outros movimentos favorecem a imposição de alguma interpretação da Sharia( tradicionalista ou reformadora),que tem como fontes primeiras o Alcorão e a vida de Maomé. Face à inexistência de uma divisão clara entre poder divino e poder político no Alcorão, fonte da lei islâmica, surge claramente uma tendência  natural do islamismo para a teocracia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que para o Islão ateus,agnósticos ou pagãos são especialmente desprezados (Da 3º Surata:178. Que os incrédulos não pensem que os toleramos, para o seu bem; ao contrário, toleramo-los para que suas faltas sejam aumentadas. Eles terão um castigo afrontoso.), convém também notar que o Alcorão não deixa margem para dúvidas sobre os cristãos. Da 5º Surata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“17. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria. Dize-lhes: Quem possuiria o mínimo poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra? Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra, e tudo quanto há entre ambos. Ele cria o que Lhe apraz, porque é Onipotente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“72. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias disse: Ó israelitas, adorai a Deus, Que é meu Senhor e vosso. A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o fogo infernal! Os iníquos jamais terão socorredores.&lt;br /&gt;73. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade!, portanto não existe divindade alguma além do Deus Único. Se não desistirem de tudo quanto afirmam, um doloroso castigo açoitará os incrédulos entre eles.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Temos que o próprio Alcorão glorifica uma atitude guerreira em nome da fé e violenta face ao infiel, da 9ªSurata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“5. Mas quanto os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“30. Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“38. Ó fiéis, que sucedeu quando vos foi dito para partirdes para o combate pela causa de Deus, e vós ficastes apegados à terra? Acaso, preferíeis a vida terrena à outra? Que ínfimos são os gozos deste mundo, comparados com os do outro!&lt;br /&gt;39. Se não marchardes (para o combate), Ele vos castigará dolorosamente, suplantar-vos-á por outro povo, e em nada podereis prejudicá-Lo, porque Deus é Onipotente.&lt;br /&gt;40. Se não o socorrerdes (o Profeta), Deus o socorrerá, como fez quando os incrédulos o desterraram. Quando estava na caverna com um companheiro, disse-lhe: Não te aflijas, porque Deus está conosco! Deus infundiu nele o Seu sossego, confortou-o com tropas celestiais que não poderíeis ver, rebaixando ao mínimo a palavra dos incrédulos, enaltecendo ao máximo a palavra de Deus, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo.&lt;br /&gt;41. Quer estejais leve ou fortemente (armados), marchai (para o combate) e sacrificai vossos bens e pessoas pela causa de Deus! Isso será preferível para vós, se quereis saber.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“123. Ó fiéis, combatei os vossos vizinhos incrédulos para que sintam severidade em vós; e sabei que Deus está com os tementes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pois daqui decorrente que os cristãos não poderão ter senão um papel de submissão no Islão, que outra coisa poderia ser reservada aos blasfemos? E aqueles que nem seguem as religiões do Livro não são tampouco tolerados. Chegamos assim ao seguinte ponto de situação: no Alcorão não há espaço para a separação entre Igreja e Estado, apela o livro, pelo contrário, a uma sociedade enquadrada pela lei islâmica, pela sharia, que se legitima na vida de Maomé e nos ensinamentos do próprio Alcorão, o livro que considera blasfemos os cristãos e não tolera os que rejeitam o Deus monoteísta e que apresenta passagens que enaltecem a guerra pela fé. Acresce que são os próprios islâmicos a viver em terras europeias que não se coíbem de reconhecer que pretendem ver instituída a sharia, o que não é mais que o natural resultado da sua obediência religiosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que existe uma incompatibilidade civilizacional da Europa, erguida sob os pilares do mundo clássico e cristão, com o Islão. Essa colisão resulta da História, da cultura e da tradição religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se falamos de choque civilizacional devemos enquadrar devidamente a questão. Essa ideia assenta no pressuposto delineado por Samuel Huntington no seu livro “The Clash of Civilizations” de que serão sobretudo etno-culturais  e não ideológicos ou económicos os novos conflitos do século XXI. Os choques civilizacionais ou culturais a que a Europa está sujeita resultam não da existência de culturas diferentes da sua no mundo mas da coexistência dessas culturas no seu espaço, o que é diferente. É o próprio Samuel Huntington que o reconhece ao definir como uma das bases do conflito inter-civilizacional as diferenças culturais e étnicas submetidas à compressão do mesmo espaço. Não há lugar para dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo é também o próprio Huntington que reconhece a necessidade de alterar a política intervencionista e globalista do “Império neocon” num artigo da “Foreign Affairs de Outubro de 1997:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "Instead of formulating unrealistic schemes for grand endeavors abroad, foreign policy elites might well devote their energies to designing plans for lowering American involvement in the world in ways that will safeguard possible future national interests."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente é o mesmo Huntington que objecta ao expansionismo da democracia universalista e do liberalismo,liderado pelos EUA. Huntington não só recusa que os EUA devam empreender uma cruzada global pela imposição da democracia como recusa que outras civilizações possam ou devam necessariamente adoptar tal regime, defendendo que é a própria identidade cultural que define os sistemas de organização social de cada bloco civilizacional. Desta forma é o autor que reconhece, por exemplo, o autoritarismo asiático como um regime igualmente válido e resultante das próprias características dos povos considerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos assim que o choque civilizacional de Huntington não pode ser tomado por bandeira sem reconhecer que resulta também da convivência de povos e culturas opostas nos mesmos espaços, isto implica o reconhecimento de algo muito simples, a génese do actual problema das caricaturas é o multiculturalismo  e a imigração extra-europeia. Huntington é o primeiro a legitimar esta conclusão quando se opõe à imigração mexicana para os EUA por motivos étnicos, afirmando que a identidade dos Estados Unidos é anglo-saxónica e assim deve ser preservada por forma a salvaguardar a coesão nacional. E note-se que, ao contrário do que sucede com a imigração islâmica na Europa, a imigração mexicana não coloca problemas significativos de tradição religiosa. A crítica ao ideal multiculturalista vai mais longe no autor, que chega a afirmar que as diferenças étnicas e culturais são responsáveis pelos diferentes níveis de desenvolvimento das distintas sociedades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema com aqueles que nesta polémica se empenharam na promoção da ideia de choque de civilizações foi a sua desonestidade face ao problema real e ao termo. E isso é preciso denunciar. O choque civilizacional não se resolve pela intervenção militarista na Ásia ou pela imposição global da democracia mas, primeiramente, pela resolução do problema interno da imigração e do multiculturalismo, estes sim os verdadeiros factores desagregadores da coesão nacional e criadores de choques civilizacionais fatais para a Europa. A toda essa gente que se apressou em berraria histérica contra o Islão, descobrindo agora miraculosamente um choque de culturas onde anteriormente não viam mais que as maravilhas e riquezas do multiculturalismo, não ouvimos por uma vez uma abordagem séria ao cerne do problema, não os ouvimos dizer claramente que a resolução da questão é indissociável da rejeição terminante da sociedade multicultural, não os ouvimos propor qualquer solução para o problema da imigração, e no entanto bastaria conhecer minimamente Huntington e a sua obra, que propagandearam,para o entender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, em vez disso gritaram furiosamente por mais uma cruzada global em nome da democracia e da liberdade de mercado, usaram a ideia de choque civilizacional para promoverem o intervencionismo nas sociedades islâmicas onde são os islâmicos, por direito, que devem decidir sobre o seu modo de vida. Não só se serviram da ideia de choque de civilizações, manipulando selectivamente a essência da obra de Huntington, como procuram utilizá-la para alcançar uma tese que se lhe opõe: o “fim da História” de Francis Fukuyama, que legitima uma superioridade intrínseca da democracia liberal, da “religião dos direitos humanos”, do mercado global e, por tabela, valida moralmente o intervencionismo necessário para a imposição universal desses valores, tendo sempre os EUA como exemplo, nunca reconhecendo como parte fulcral do problema os conflitos étnicos criados pelo próprio dogma multicultural. É natural, não convém à democracia universalista e economicista a compreensão de algo que surge evidente em Huntington, o homem não existe sem identidade e esta é estabelecida por oposição ao que é diferente, ela não se define nem pelo mercado nem pela liberdade individualista da democracia-liberal. Perceber isto permitiria compreender o cerne do problema islâmico na Europa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114055010873055728?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114055010873055728/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114055010873055728' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114055010873055728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114055010873055728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/as-caricaturas-de-maomparte-iii-sobre.html' title='As caricaturas de Maomé(parte III)-Sobre o choque civilizacional'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114032791198639920</id><published>2006-02-19T05:28:00.000Z</published><updated>2006-03-17T20:10:00.533Z</updated><title type='text'>Cinematografia comparada</title><content type='html'>“O Triunfo da Vontade” de Reni Riefenstahl e “Outubro” de Sergei Eisenstein são ambos filmes de propaganda da maior envergadura, tanto em conteúdo como em execução. Enquanto Riefenstahl se concentra na exploração da imagética do nacional-socialismo Eisenstein concentra-se na recriação de uma etapa crucial da luta de classes soviética. Os dois filmes tentam manipular a «Weltanschauung» política dos espectadores empregando diversas técnicas cinematográficas inovadoras, como montagens audaciosas e imagens hipnotizantes que parecem sempre persistir sobre o ecrã( por exemplo as intermináveis paradas nacional-socialistas em “O Triunfo da Vontade”). Devemos compreender, não obstante, que o nacional-socialismo e o comunismo estavam quase diametralmente opostos no espectro político da época. Enquanto o nacional-socialismo tentava concentrar-se no aperfeiçoamento da raça nórdica o comunismo tentava abarcar toda a humanidade. [*]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard Taylor diz que quase não existem arquivos visuais sobre a Revolução de Outubro. Os soviéticos puderam utilizar esse facto em seu proveito. Começaram a estabelecer «uma base de legitimidade histórica para o regime e a ausência de provas documentais adequadas deu aos realizadores soviéticos uma ocasião de ouro para reconstruírem as realidades da História russa e de melhorá-las um pouco» (Taylor 93). Isto, claro, significa que os soviéticos não fizeram nada mais que glorificar a construção do seu Estado bolchevique. Puderam fazer isso porque tinham o controlo total dos meios de comunicação( era, afinal, um regime totalitário).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empregando um realizador tão célebre quanto Eisenstein apoderaram-se de um duplo crédito: Por um lado por ter um tal génio criativo do seu lado, por outro porque Eisenstein( sendo um grande artista) foi capaz de superar uma simples dramatização do acontecimento. Como diz Pudovkin, « o artista soviético deve sentir que a sua criação depende constantemente dos desejos e interesses do povo»(Pudovkin 51).Isso quer dizer que o artista deve satisfazer os desejos do povo fazendo-o crer que vive realmente no paraíso dos trabalhadores. Claro, Eisenstein estava perfeitamente consciente desta intenção quando filmava “Outubro”, como se torna óbvio quando vemos a forma finamente estilizada e o conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece totalmente evidente que se “Outubro” é «um símbolo da união do artista com a sua época» (Zorkaya 69) o filme é também uma grande mentira no sentido em que não representa o que se passaria realmente durante a Revolução de Outubro. Ao contrário, o filme é uma simples figuração do acontecimento. Outubro é dedicado ao décimo aniversário da revolução, degradando-se assim num mero espectáculo de celebração. Ele é certamente destinado à massa russa e àquilo que esta supostamente teria ganho com a Revolução. É honesto supor que esta era a ideia por detrás do filme mas, na realidade, as massas foram as últimas a ganhar algo na Revolução. Isto faz de “Outubro” nada mais que uma grande mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado quando comparamos “Outubro” a “O Triunfo da Vontade” torna-se rapidamente claro que este último é superior ao primeiro. “O Triunfo da Vontade” não é uma recriação de acontecimentos reais, mas mais um documentário ( ainda que também seja propaganda) sobre os próprios acontecimentos. Leni Riefenstahl foi incumbida por Adolf Hitler de fazer um documentário sobre o Congresso do Partido em Nuremberga ( 1934).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Robert Gardner ( que entrevistou Riefenstahl) ela foi ao princípio reticente em fazer o filme porque «não conhecia nada do Partido e da sua organização»(Hull 74). Riefenstahl insistiria também em que a película fosse sobretudo financiada por ela mais que pelo partido. Todas as circunstâncias mencionadas anteriormente são bons indicadores de que “O Triunfo da Vontade” é, ao menos na sua essência, menos obra de propaganda que “Outubro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provavelmente verdade que “O Triunfo da Vontade” é o filme de propaganda mais impressionante ( e provavelmente o mais eficaz) jamais produzido. Segundo Siegfried Kracauer «Leni Riefenstahl fez um filme que não só ilustra perfeitamente o Congresso, mas consegue exprimir todo o seu significado. As câmaras exploram sem cessar as caras, e cada um destes grandes planos é uma prova da perfeição com a qual a metamorfose da realidade foi alcançada»(Kracauer 301).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riefenstahl consegue mostrar o que era realmente o Congresso do Partido: a pompa e o esplendor, uma espécie de exemplo para as massas. Mas era a realidade do próprio espectáculo. Podemos pois deduzir que Riefenstahl não fez mais que registrar a atmosfera grandiloquente em seu redor. Ela não teve de embelezar ou completar qualquer coisa pelo exagero, como Eisenstein fez certamente em “Outubro”. A razão pela qual Riefenstahl não foi forçada a inventar a sua exposição da glória nacional-socialista foi pela facto de ela estar no seu meio e não numa recriação( como Eisenstein enquanto propagava a glória comunista).Enquanto “Outubro” é uma adaptação infiel de um acontecimento histórico, “O Triunfo da Vontade” pode ser visto como um simples registro da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard Taylor diz que  “O Triunfo da Vontade” é «ao mesmo tempo um soberbo exemplo de cinema documental e uma obra-prima da propaganda»( Taylor 177). Esta declaração resume as opiniões divergentes sobre o filme. Se a maior parte dos críticos se apressam a não ver nada mais no filme que uma peça de propaganda desavergonhada,outros dizem que o filme tem um valor em si enquanto documentário. O facto de não haver qualquer comentário em voz-off ou qualquer cena organizada especialmente para o filme deveria provar que a única propaganda que dele podemos retirar vem do seu conteúdo. Mas é preciso notar que Riefenstahl não criou o conteúdo uma vez que não fazia mais que registrá-lo. É a razão pela qual  “O Triunfo da Vontade” tem por subtítulo:«O documento do Congresso do Partido do Reich,1934».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Taylor, Leni Riefenstahl afirmaria numa entrevista que «tudo (em “O Triunfo da Vontade”) é real. E não existem comentários tendenciosos pela simples razão que o filme não tem comentários de todo. É a História. Um filme puramente histórico.» (Taylor 189). Isto não é certamente verdade para “Outubro”. Muito curiosamente, segundo Taylor «a ausência de material documental (sobre a Revolução de Outubro) …significou que os historiadores e realizadores ulteriores recorreram a “Outubro” como fonte documental» (Taylor 93). É verdadeiramente irónico, com efeito se pensarmos que  “O Triunfo da Vontade” é considerado como um infame filme de propaganda enquanto que, como nos apercebemos agora, “Outubro” adquiriu o estatuto de «fonte documental». Não podemos deixar de perguntar se não seria necessário fazer o inverso, considerando as circunstâncias nas quais os dois filmes foram realizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constantin von Hoffmeister&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obras citadas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hull, David Stewart. Film in the Third Reich. Los Angeles: University of California Press, 1969. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Kracauer, Siegfried. From Caligari to Hitler. Princeton: Princeton University Press, 1974. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pudovkin, V. Soviet Films: Principal Stages of Development. Bombay: People's Publishing House, 1950. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Taylor, Richard. Film Propaganda: Soviet Russia and Nazi Germany. New York: Barnes &amp; Noble Books, 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zorkaya, Neya. The Illustrated History of the Soviet Cinema. New York: Hippocrene Books, 1989. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[*]Naturalmente a distinção que o autor aqui faz entre o nacional-socialismo e o comunismo, de tão simplista, acaba por ser falhada.Compreendo que o objecto do texto fosse outro mas não poderia deixar de referir que a diferenciação entre as duas doutrinas não é minimamente conseguida com esta frase, sem prejuízo da qualidade do resto do artigo.Mas sobre este assunto falarei posteriormente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114032791198639920?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114032791198639920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114032791198639920' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114032791198639920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114032791198639920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/cinematografia-comparada.html' title='Cinematografia comparada'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-114005033869893120</id><published>2006-02-16T00:33:00.000Z</published><updated>2006-02-16T15:00:13.166Z</updated><title type='text'>As caricaturas de Maomé(parte II)-O labirinto neoconservador</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.dundee.ac.uk/pressreleases/photos/contoct/labyrinth.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.dundee.ac.uk/pressreleases/photos/contoct/labyrinth.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro texto sobre a polémica das caricaturas referi os indícios que apontam para uma manipulação política do assunto por parte de diferentes eixos com propósitos distintos. Por esta altura creio ser interessante analisar o curioso mundo das ligações políticas neoconservadoras na Dinamarca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas ligações passam por vários vectores que abordarei aqui, a saber: o jornal Jyllands-Posten, que encomendou (em defesa da liberdade de expressão, certamente) os desenhos, o instituto neoconservador dinamarquês CEPOS, David Gress, George Shultz e Daniel Pipes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 11 de Março de 2004 é fundado o CEPOS( centro dinamarquês de estudos políticos), um “Think Tank” dinamarquês de inspiração “liberal” com ligações a importantes instituições neoconservadoras americanas, entre as quais o AEI (American Entreprise Institute), a Hoover Institution e a Heritage Foundation. Ligado ao CEPOS está também o jornal Jyllands-Posten, que foi desde o princípio um dos principais promotores do referido instituto. Dois homens adquirem aqui um papel chave na compreensão dos laços transatlânticos entre este centro e os neoconservadores americanos. David Gress e George Shultz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Gress é um historiador dinamarquês que adquiriu a nacionalidade norte-americana e trabalhou como investigador na Hoover Institution de 1982 a 1992.Regressou à Dinamarca e lecciona na Universidade de Aarhus. Gress é membro fundador do CEPOS , foi um dos seus principais angariadores e é também colunista do Jyllands-Posten, tendo sido um dos mais empenhados defensores de Flemming Rose e da publicação das caricaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;George shultz é membro da Hoover Institution e da AEI e é também um dos principais estrategas da Administração Bush, fazendo parte de um grupo denominado “Vulcanos”( em honra do Deus Romano) que engloba entre outras figuras os reputados neoconservadores Dick Cheney e Paul Wolfowitz. Este grupo ficou particularmente ligado à definição da politica externa norte-americana após o 11 de Setembro e à invasão do Iraque. A agenda destes conselheiros de Bush é claramente belicista, assenta na premissa de que é necessário impor pela força os interesses estratégicos americanos no mundo de forma a alcançar a “Pax Americana”. Mas Shultz é igualmente conselheiro do CEPOS e membro honorário da sua Direcção. Acumula ainda o cargo de co-presidente do CPD (Committee on the Present Danger), um grupo actualmente empenhado nas pressões sobre o Irão(toda esta história é um emaranhado de coincidências inofensivas…). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem também é membro do CPD é Daniel Pipes. Pipes é um judeu neoconservador, especialista em assuntos do Médio Oriente, que foi nomeado por Bush para a direcção do “US Institute of Peace”, sendo conhecido pelo seu sionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem é colaborador da “FrontPage Magazine”, uma revista neoconservadora que tem como pilares editoriais o apoio à política externa de Bush, o apoio incondicional a Israel no conflito com os palestinianos e uma crítica feroz e constante do Islão. Essa revista é responsável por sites como o “Jihad Watch”, cujo único objectivo é a crítica diária e incessante do Islão, e a “Campus Watch”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “Campus Watch” é um projecto do Middle East Forum, um "Think Tank" fundado e dirigido por Daniel Pipes para supostamente pensar os interesses dos EUA no Médio Oriente, escusado será dizer que esses interesses para o referido "Think Tank" passam pelo papel pivot de Israel na região. A “Campus Watch”, especificamente, é um programa destinado a acompanhar o ensino da situação política do Médio Oriente nas universidades americanas e que denuncia aqueles que criticam a actuação de Israel. Tem “listas negras” com nomes de professores cujas posições divergem da linha neoconservadora (fortemente anti-islâmica e sionista). Mais grave, a “Campus Watch” encoraja os próprios alunos a denunciar esses professores e utiliza a influência dos neoconservadores na comunicação social(que é enorme) para fazer acusações públicas a esses académicos. Uma verdadeira caça às bruxas…&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pipes foi também um dos signatários do PNAC (Project for the New American Century) um projecto que visa definir a estratégia que permitirá aos EUA manterem o estatuto hegemónico no século XXI. De acordo com as directrizes do PNAC o controlo do Médio Oriente é fulcral para manter a posição dominante dos EUA no planeta e o plano passa por intervir, militarmente se necessário,na região e assegurar simultaneamente a posição estratégica do aliado israelita. O PNAC é um projecto que emana do AEI e está instalado no mesmo edifício que serve de sede a este último instituto, o tal que mantém ligação directa ao CEPOS, sobretudo através de Shultz que, como apontei, faz parte de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo jornalista que haveria de encomendar as caricaturas de Maomé, Flemming Rose, deslocar-se-ia propositadamente aos EUA em Outubro de 2004, à sede do Middle East Forum, em Filadélfia. Dessa visita resulta uma pequena entrevista com o presidente do instituto, Daniel Pipes. A entrevista de Flemming Rose surge com o sugestivo título: “A ameaça do islamismo” e é publicada no Jyllands-Posten em 29 de Outubro de 2004, um ano antes do mesmo jornalista decidir satirizar Maomé nas páginas do mesmo jornal que mantém estreitas ligações ao CEPOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-114005033869893120?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/114005033869893120/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=114005033869893120' title='67 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114005033869893120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/114005033869893120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/as-caricaturas-de-maomparte-ii-o.html' title='As caricaturas de Maomé(parte II)-O labirinto neoconservador'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>67</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-113977963092769950</id><published>2006-02-12T21:16:00.000Z</published><updated>2006-07-23T21:03:23.233+01:00</updated><title type='text'>As caricaturas de Maomé (parte I)-compreender o jogo</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.seaserpent.com/images/portfolio/chess_game.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.seaserpent.com/images/portfolio/chess_game.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que tudo já foi dito sobre a recente polémica despoletada pelas caricaturas de Maomé. Li as mais variadas opiniões e as mais diferentes abordagens políticas da questão. Da esquerda à direita li análises plenas de interesse e outras que me pareceram pouco conseguidas. O problema foi tratado de todos os ângulos possíveis, sucederam-se as mais esmeradas teorias aos mais simplistas juízos. De qualquer forma parece-me que quer nos jornais, quer nas televisões quer sobretudo na Internet a questão foi tratada ao pormenor e todos dispõem dos recursos que permitam formar um juízo sobre o assunto. Mas como é matéria que continua na ordem do dia ocorre-me deixar também algumas notas sobre a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como afirma e bem Alain de Benoist aquilo que deve começar por suscitar curiosidade e reflexão é o intervalo de tempo decorrido entre a publicação das caricaturas no Jyllands-Posten em 30 de Setembro do ano transacto e o eclodir do problema em toda a sua dimensão actual, em Janeiro deste ano. O que ocorreu nesse período? Benoist aponta a vitória do Hamas nas eleições palestinianas. É um facto. Tal como é do conhecimento público a pressão que desde então tem sido exercida por EUA e Israel sobre a UE para que cesse a ajuda financeira à Autoridade palestiniana. É inegável que a explosão de revolta no mundo muçulmano, incluindo a palestina, em torno da publicação dos desenhos, afecta negativamente a imagem dos islâmicos perante a opinião pública europeia e  reforça a posição dos que pretendem que a Europa deixe de ajudar a Autoridade palestiniana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não é este o único acontecimento que a meu ver merece consideração. Toda esta polémica coincide também com o aumento das pressões sobre o Irão por parte da Agência Internacional de Energia Atómica( IAEA) que votou  uma resolução contra o país que será levada perante o Conselho de Segurança da ONU. Há muito que se coloca a hipótese de se estar perante a possibilidade de uma intervenção militar no Irão e esta intervenção, a acontecer, será muito mais facilmente justificada se a opinião pública ocidental tiver do mundo islâmico em geral uma imagem de fundamentalismo descontrolado, enraivecido e perigoso. Os ataques às embaixadas europeias em alguns países islâmicos e alguns protestos tresloucados dos muçulmanos em terras europeias compuseram o quadro na perfeição. Se atendermos ao esforço de guerra norte-americano no Iraque e no Afeganistão, esforço humano e financeiro, se olharmos para o caos provocado no Iraque, em que não se avista um fim para o problema e muito menos o fim que os americanos apresentaram como desejado e provável no início da intervenção, facilmente concluímos que na conjuntura actual não é possível aos EUA intervirem militarmente no Irão sem o contributo significativo dos aliados europeus. A validação do envolvimento europeu num eventual ataque ao Irão ganhou assim força perante os cidadãos dos países europeus que passaram a ver no mundo islâmico a imagem da irracionalidade, particularmente preocupados agora pela possibilidade de verem um regime representante deste Islão armado com capacidade nuclear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atentemos nos equilíbrios militares da região para melhor delimitar o problema. O Irão está rodeado por vários países com armamento nuclear: A Rússia, a Índia, o Paquistão, a China e Israel. No entanto ao Irão pretende-se vedada essa possibilidade. O Irão pela sua situação geográfica e pela sua dimensão é uma peça decisiva nos equilíbrios da região e como sabemos o controlo dessa área, pelo que representa em recursos energéticos, é considerada fulcral por todas as potências mundiais, muito em especial pela maior de todas, os EUA. O que é que distingue todos estes países da região com armamento nuclear do Irão e que torna este último o alvo ideal para ser vendido como a grande, quase única, ameaça à paz mundial? Nenhum deles, com excepção do Irão, é declaradamente inimigo do Estado de Israel e nenhum deles, com excepção do Irão, constitui uma ameaça directa ao controlo petrolífero dos norte-americanos na zona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surge também uma questão adicional para se compreender este enredo; a imagem percepcionada na Europa das sublevações nos países islâmicos está longe de levar em atenção que estas foram sobretudo concentradas em alguns países e locais com situações políticas muito particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na palestina as reacções foram lideradas não pelo Hamas mas pelas forças políticas derrotadas nas eleições. Numa área tão sensível como aquela é fácil perceber que essas forças políticas procuraram reconhecimento por parte de uma população que encontra na sua identidade religiosa um dos factores principais de reacção face a Israel. Procuraram capitalizar o problema para obtenção de proveitos políticos face à derrota eleitoral. Na Síria  temos um regime autoritário que mantém controlados todos os movimentos islamistas radicais, que não têm qualquer acesso ao poder. Debaixo de enorme pressão dos EUA, por causa da situação no Líbano, o Baas (partido do governo), ao permitir as manifestações anti-ocidentais, procurou enviar uma mensagem clara ao mundo, mostrar que é a opção ao islamismo radical no país e, por razões conexas, que é o único parceiro possível de negociação. Indonésia e Paquistão são países governados por regimes aliados dos EUA e que se apresentam igualmente como a solução que evita a queda do poder nas mãos de movimentos fundamentalistas islâmicos ( embora no caso indonésio existam outras tensões internas que foram secundarizadas por este episódio).Estes protestos não só permitiram a esses governos apaziguar internamente contestações permitindo a expressão pública da defesa do Islão como proporcionaram externamente a projecção da sua imagem como contraposição a uma alternativa islamista radical. No Irão as manifestações foram obviamente potenciadas pela situação de conflito atrás descrito entre o país e o Ocidente. Resta Iraque e Afeganistão, em ambos os casos trata-se de países invadidos e controlados por tropas ocidentais, lideradas pelos EUA, e onde as populações são facilmente manipuladas para expressões de rebelião. Não só isso mas o exacerbar da questão permite também legitimar a ocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural que num quadro destes se crie um efeito “bola de neve” que faça alastrar os protestos radicalizados a outros países mas a sua manifestação inicial deu-se num círculo restrito de nações que apresentavam características propícias ao deflagrar e conduzir da situação no mundo islâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente existe outra questão a ponderar; inicialmente o jornal dinamarquês publicou 12 caricaturas, porém, como a própria BBC noticiou, surgiram a circular no Médio Oriente outros desenhos que não os originais, incluindo uma caricatura que mostrava Maomé com a cara de um porco. Alegadamente essa imagem, como outras que não haviam sido publicadas originalmente no jornal, terá sido levada para o Médio Oriente por um grupo de muçulmanos da Dinamarca que se terá deslocado à região em Novembro último. Mas o problema não se esgota aqui, aparentemente as diplomacias ocidentais nada fizeram para esclarecer junto do mundo islâmico que aqueles desenhos não tinham sido publicados em qualquer jornal europeu. Porquê?... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sinais que se retiram de toda esta polémica parecem indicar que o problema foi claramente manipulado e empolado para servir fins políticos. Quais e por quem é a pergunta que se coloca. Creio que perante os dados disponíveis o exacerbar deste problema serve de antecâmara à futura definição geopolítica do Médio Oriente e aos movimentos que se preparam para a configurar. Os pontos de actuação desses movimentos serão a Palestina e o Irão, passando pela definição da situação no Iraque. O que está em jogo é o controlo do mercado energético, a segurança de Israel e os tipos de regime que se estabelecerão em determinados países muçulmanos. As forças em acção em todo este imbróglio são, por um lado os EUA e seus aliados mais próximos, por outro os regimes de países com maiorias islâmicas que pretendem manter-se no poder e controlar os movimentos islamistas nos seus territórios e finalmente estes próprios movimentos islamistas que estão espalhados por todo o mundo(com forte presença na Europa) e pretendem extremar posições como forma de conquistar apoio entre as populações muçulmanas. Por razões diferentes todos estes 3 eixos têm interesses em inflamar o problema e todos terão contribuído para tal. Em tudo isto o que menos pesou foram eventuais movimentos espontâneos de islâmicos em simples “revolta desinteressada” contra uma ofensa religiosa, parece-me antes que se prepara o estabelecimento dos equilíbrios geoestratégicos do Médio Oriente para o século XXI.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-113977963092769950?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/113977963092769950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=113977963092769950' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/113977963092769950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/113977963092769950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/as-caricaturas-de-maom-parte-i.html' title='As caricaturas de Maomé (parte I)-compreender o jogo'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-113962197178418180</id><published>2006-02-11T01:29:00.000Z</published><updated>2006-02-11T18:55:59.433Z</updated><title type='text'>Retratos</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.photofiordland.co.nz/Photo%20Art%20Fiordland/images/Sheep.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.photofiordland.co.nz/Photo%20Art%20Fiordland/images/Sheep.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Todos iguais, todos diferentes»: Este slogan publicitário em voga é perfeitamente ilustrativo da nova ordem. O propósito da aspiração igualitária contemporânea é postular para qualquer um o direito a aceder ao reconhecimento daquilo que é, em tanto que tal, fora de toda a legitimidade extrínseca ao indivíduo. A subjectividade é, em si, um critério de verdade. A obra propriamente dita não é mais o princípio fundamental do acesso ao reconhecimento. O narcisismo contemporâneo tende a desvirtuar mesmo o princípio do acesso ao reconhecimento, tradicionalmente fundado sobre a expressão de um talento, em benefício do direito ao aparecimento. De certa maneira o extraordinário desenvolvimento da indústria do divertimento responde ao desejo de se aceder o mais rapidamente possível ao estatuto social de «gente», a partir de um modo de selecção tão impiedoso quanto arbitrário: aquilo que faz com que você agrade ou não, seja manhoso e malicioso ou não, sensual ou não, etc., em suma, que você irrompa no “ecrã” da sociedade do espectáculo ou não. Neste quadro, a democracia televisiva dá hoje a não importa quem, desde que reúna os requisitos, os meios de «existir» aos olhos dos outros. Porque a condição requerida para aparecer nos projectores da sociedade do espectáculo não é a singularidade mas antes o inverso: a semelhança ao protótipo procurado com o qual se identificarão os «adolescentes» e os «jovens», que são os consumidores privilegiados da indústria do divertimento. Interroguemos um adolescente e vejamos o que representa a seus olhos, hoje, um médico, um juiz ou um professor ao lado de um animador bilionário ou dum futebolista analfabeto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paul-François Paoli&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-113962197178418180?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/113962197178418180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=113962197178418180' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/113962197178418180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/113962197178418180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/retratos.html' title='Retratos'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-113950114083631538</id><published>2006-02-09T15:35:00.000Z</published><updated>2006-02-09T16:05:40.930Z</updated><title type='text'>Notas</title><content type='html'>&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/o-poder-cultural.html"&gt;O poder cultural&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/herana-da-revoluo-francesa.html"&gt;A herança da revolução francesa&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/estado-poltico-estado-administrao.html"&gt;Estado-político, Estado-administração&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/escola-e-poltica.html"&gt;A escola e a política&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/anlise-de-gramsci.html"&gt;A análise de Gramsci&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/poder-cultural-e-sociedade-civil.html"&gt;Poder cultural e sociedade civil&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/o-papel-dos-intelectuais.html"&gt;O papel dos intelectuais&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/penetrao-de-contra-valores-nas.html"&gt;A penetração de contra-valores nas sociedades contemporâneas&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/02/o-combate-total.html"&gt;O combate total&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividido em 9 partes o &lt;a href="http://www.viriatos.blogspot.com/"&gt;Manuel&lt;/a&gt; publicou um ensaio de Alain de Benoist que considero absolutamente imprescindível.Um documento essencial para qualquer nacionalista que pretenda conhecer os pilares do poder da esquerda nas nossas sociedades e os caminhos que temos de percorrer. A ler e reler...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto o &lt;a href="http://www.insilencio.blogspot.com/"&gt;Gonçalo&lt;/a&gt; desafiara-me para uma entrevista que já está publicada no seu blog, passe a publicidade em causa própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Batalha Final regressará ao ritmo normal no fim-de-semana, pelo menos assim espero...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11141500-113950114083631538?l=batalhafinal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://batalhafinal.blogspot.com/feeds/113950114083631538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11141500&amp;postID=113950114083631538' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/113950114083631538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11141500/posts/default/113950114083631538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://batalhafinal.blogspot.com/2006/02/notas.html' title='Notas'/><author><name>Rodrigo N.P.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11141500.post-113901490587577802</id><published>2006-02-04T01:01:00.000Z</published><updated>2006-02-05T04:03:13.870Z</updated><title type='text'>Carvalhadas</title><content type='html'>Já disse algumas vezes que não consigo ver o programa “Prós e Prós” da RTP por mais que 10 ou 20 minutos. É uma questão de salvaguarda da minha sanidade mental. Curiosamente parece que é sina minha nesses 10 minutos em que o televisor está sintonizado no referido programa apanhar as declarações mais…espantosas. Nesta semana, quando inadvertidamente fazia zapping, parei no “Prós e Prós”( designação apropriada a esse projecto televisivo desde a célebre emissão sobre os distúrbios em França) na altura em que tomava a palavra Carvalho da Silva, dirigente da CGTP, estrutura sindical controlada pelo PCP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei qual seria o tema em debate mas a intervenção de Carvalho da Silva foi sobre a Segurança Social. Mais precisamente sobre a sustentabilidade da Segurança Social. Como não estava a acompanhar o programa não ouvi a intervenção que antecedeu a do sindicalista/comunista mas pelo que disse percebi que do lado oposto alguém havia defendido a necessidade de reformas na Segurança Social do desagrado do dirigente sindical. Ora a indignação do sindicalista manifestou-se num protesto contra as reformas propostas pelos oponentes no debate afirmando que o necessário seriam políticas que garantissem a sustentabilidade do sistema. Quais? Perguntou e bem um dos participantes. Carvalho da Silva respondeu: medidas estruturais! Até aqui tudo certo, todos estamos habituados a ouvir este tipo de soluções que na verdade não encerram solução alguma, apenas generalidades. O pior veio de seguida. Quando lhe perguntaram que medidas estruturais seriam essas o dirigente da CGTP respondeu que seriam medidas demográficas e políticas que criassem emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às políticas que criem emprego, enfim, se formos até à escola mais próxima e colocarmos a questão a um miúdo de 15 anos ele é bem capaz de dar uma resposta semelhante à de Carvalho da Silva. Já a questão demográfica foi um caso diferente. E como resolveria então Carvalho da Silva o problema demográfico? Resposta do homem da CGTP, citando de memória:” vivemos numa sociedade globalizada, o mundo tem muita gente, a globalização não serve só para algumas coisas…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem aqui dois factores a levar em consideração:&lt;br /&gt;&l
