sábado, junho 04, 2005

Não é uma questão de legalidade, estúpidos!

O ministro das Finanças, Campos e Cunha, acumula uma pensão vitalícia de mais de 20 000 contos por ano resultante da sua passagem pela administração do Banco de Portugal com um chorudo ordenado de ministro. Este senhor é o mesmo que pretende acabar com a acumulação de reformas e ordenados do Estado e é o mesmo que se propõe reestruturar o funcionalismo público em nome da contenção de despesas. Não há nada de errado na intenção de reestruturar a função pública, tarefa que se reconhece urgente, o problema é outro. É o decoro, a ética se se preferir; obviamente que uma reestruturação das despesas públicas terá inevitavelmente de afectar as classes médias, que é onde se situa a maior fatia do rendimento dispendido pelo Estado, não pretendo ser demagogo e afirmar que se resolve um problema de cariz estrutural e duradoiro pela redução dos ordenados da classe política ou das suas subvenções vitalícias. Não, de facto isso não resolveria o problema, mas é necessário que seja o topo da pirâmide, aqueles que têm os mais elevados rendimentos e privilégios no Estado a dar o exemplo,não podem ficar isentos desse processo, porque a quem vive com dificuldades não se pode pedir que entenda as regalias que os políticos responsáveis pelo estado deplorável do país detêm enquanto se lhes pedem sucessivos e muitas vezes insuportáveis sacrifícios.É essa questão que o ministro não entende, nem ele nem a tralha parlamentar ou a calaceira partidocracia reinante.

O que alega o ministro colocado perante esta acumulação de rendimentos e tão escandaloso privilégio? A legalidade. É legal e pronto! Diz o senhor que sempre declarou todos os seus rendimentos e que todos estão perfeitamente enquadrados na lei. Excelente! Seria melhor que fosse ilegal, era só o que faltava. Acontece que o problema não é a legalidade mas a moralidade, ou neste caso a falta dela. Nem tudo o que é legal é moral, ainda mais quando a legalidade se construiu por sinuosos caminhos e relações partidárias. É que o ministro Campos e Cunha era vice-governador do Banco de Portugal quando a administração desta entidade propôs ao então ministro das Finanças o novo regime de pensões de que beneficia agora o mesmo Campos e Cunha. O ministro das Finanças da altura era o inefável Sousa Franco, o tal que foi inicialmente apontado como um dos responsáveis pela derrapagem das contas públicas na governação de Guterres e que depois de morto foi quase santificado por todos os hipócritas que têm palavra neste triste exemplo de país em que nos transformámos. É caso para dizer que o actual ministro como que “auto-subvencionou-se” com a complacência do PS.

Perante este cenário e confrontado com esta situação, no mínimo pouco ética, o que responde o primeiro-ministro Sócrates? Que se trata de uma tentativa de assassinato político de Campos e Cunha. Deduzo eu, talvez abusivamente, que estará de regresso a obscura cabala contra o PS que já havia surgido aquando do caso Casa Pia. Essa sombria conspiração contra o Partido Socialista que anteriormente conseguira transformar as naturais preocupações de Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso sobre a segurança do embaixador russo no Iraque, Vladimir Titorenko, numa abjecta maledicência, parece querer ressurgir; as forças ocultas do mal parecem retornar o vil ataque conta o partido da liberdade, igualdade e fraternidade; mas Sócrates mostra-se atento à situação. Uma trágica comédia…

O facto de Campos e Cunha, bem como o primeiro-ministro, não compreenderem que o que está em causa aqui não é a legalidade ou ilegalidade da situação mas sim a moralidade ou a ética de quem governa, a capacidade de dar o exemplo por parte dos que são favorecidos e exigem ao cidadão médio constantes sacrifícios, não vem fazer mais que confirmar o que há muito se sabe: os políticos, fechados nos seus círculos de favores e influências, não entendem minimamente as populações que governam, não estão abertos à sociedade, apenas aparentam estar; de resto não fazem a mais pequena ideia do que o cidadão comum pensa ou deseja ou os problemas reais que enfrenta, não sabem com certeza o que significa viver com o salário mínimo ou com um salário médio. Nada disto é de estranhar, eles não vivem no nosso mundo; entre os condomínios privados, os ordenados milionários, as pensões acumuladas, não vivem nenhuns dos nossos problemas. Poderá haver ainda entre aquela gente quem entenda o que significa a moralidade, a justiça ou a decência?

7 Comentários:

Blogger social-patriota disse...

É o chamado défice-moral.

2:47 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

A tentativa de moralizar os vencimentos dos titulares dos cargos políticos parece ser apenas mais uma campanha de propaganda do que propriamente uma medida com algum impacto nas despesas públicas.

Não deixa de ser revelador esse tique da mania da perseguição do PS quando confrontado com factos que põem em causa os supostos sentimentos altruístas dos quais eles reclamam deter o exclusivo a solidariedade social, a protecção dos mais desafortunados, a defesa dos pobres e oprimidos. Foi assim quando o Ministério Público conduzia o Processo Casa Pia, com essa preocupação pelo eventual estado de saúde do embaixador R, (R de russo) com as escutas telefónicas nas quais revelavam o que o então presidente do PS sentia pelo segredo de Justiça: cabalas e perseguições politicas para desviar as atenções. Com este, temos mais do mesmo.

Nesta linha de raciocínio quando confrontado com os vencimentos dos gestores públicos a existência de Institutos Públicos sem utilidade que se conheça, as obras públicas megalómanas que se perspectivam e o consequente esbanjamento de recursos escassos com as largas derrapagens financeiras nas obras públicas, ás quais o Povo Português já se habituou espera-se uma resposta que está a ser alvo de uma campanha de descredibilização das suas politicas. Isto acaba em fuga ao assumir de responsabilidades.

Este episódio serve para pôr em evidência a legitimidade de um Estado opulento, ineficiente, esbanjador, indiferente ás efectivas necessidades do país real em pedir sacrifícios aos cidadãos e ás empresas, precisamente quem o alimenta e a quem o Estado deveria servir.

O que está em causa nesta estória e em todas as outras que antecederam e vão continuar a surgir é o qual o papel do Estado na sociedade. Isto sim tem Influência nas despesas públicas mas ainda mais importante num país como Portugal a ineficiência das funções do Estado com o impacto na economia real e na vida das pessoas. Este parece-me a mim, um tema que deveria merecer maior debate por parte do Movimento Nacionalista. Porque radicam aqui os grandes constrangimentos do Estado a dar resposta ás necessidades das populações, da competitividade empresarial, os interesses obscuros, a opacidade, os tráficos de influências que potencialmente podem pôr em causa a soberania e a independência Nacional.
É notório o desfasamento entre os partidos com os seus interesses as suas politicas e os cidadãos, seja em Portugal onde existe um país que eles idealizam e depois o país real com as empresas e as pessoas, seja na Europa para a qual os burocratas de Bruxelas começam agora a despertar (espera-se) com os referendos.

Ricardo

4:03 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

O problema na minha opinião não é a moeda única, esta é uma oportunidade fantástica para actuarmos num dos mercados mais competitivos do Mundo, aquele que deve ser o nosso centro de gravidade e ponto de referência: - A EUROPA, obtermos credibilização nos mercados internacionais, atrair e reter investimento estrangeiro de qualidade ( a salvo da desvalorização cambial) e assim desenvolvermos a nossa estrutura empresarial.

«A raiz do problema provém de há longas décadas, quando as sucessivas legislaturas não conseguiram estruturar o aparelho estatal de modo a que este tivesse um financiamento equilibrado. Houvessem derrapagens e estas eram corrigidas com o legítimo recurso às políticas monetárias e cambiais, nomeadamente através das “desvalorizações competitivas»

Portugal necessita de um novo paradigma económico, ultrapassar os custos baixos e passar para o valor acrescentado como toda gente afirma por aí à saciedade mas as empresas esbarram na pouca capacidade financeira, na ineficiência estatal que em tudo interfere, na opacidade do Estado, e por tudo isto na pouca competitividade nos mercados internacionais. Para uma economia que pretende transformar as exportações no motor de desenvolvimento económico em vez da procura interna isto é um obstáculo fundamental.
Com a diminuição do “poder de intervenção”dos Estados Nacionais em que perdem o poder de manobra que desfrutavam anteriormente, cada vez mais compete à sociedade civil, à iniciativa privada, ás empresas, aos cidadãos, defenderem a economia nacional.


«Enquanto não tomarmos consciência desta realidade, não abandonaremos o discurso da culpa é da Europa, da Espanha do Euro (não o 2004 isso foi muita bom)
argumento usado por uma classe politica e empresarial medíocre que tenta mascarar a verdadeira realidade, a verdadeira herança é um legado dos arquitectos sociais que castraram a identidade nacional, o gosto pelo risco, o espirito empreendedor de descoberta e de conquista do Povo Português que se afigura longe do “oásis” multiracial, facilitista, elitista, consumista, esquerdista, esbanjadora, chupista de subsídios da Europa, que nos quiseram fazer acreditar.»
Ricardo

4:07 da tarde  
Blogger O Jansenista disse...

O Prof. Marcelo diz que somos uns invejosos por criticarmos, e o Matraquilho abstém-se de comentar: ora cá está o poder dos telhados de vidro!
Quanto ao resto, um amigo meu já deslindou tudo: a pensão é do Campos, o vencimento é do Cunha! Elementar, meus caros!

12:49 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

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3:56 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

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3:01 da tarde  

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