domingo, outubro 23, 2005

O porco clandestino



República Islâmica da França, ano de 2010, vigora a Sharia, a lei islâmica, a carne de porco está interdita e o seu consumo é punido com a pena de morte. Este é o mote da novela de Alain Sanders, uma história agridoce, onde o humor surge entrecortado pela construção de um cenário negro prenunciador de uma realidade futura plausível de uma Europa que assiste impotente ao seu próprio baque.

Fébrier é o líder da resistência gastronómica à lei do ocupante agora vitorioso, Christian e Grandpierre são os homens que asseguram o transporte da carne de porco, possibilitando aos franceses que insistem em desafiar o novo regime a oportunidade de continuarem a saborear aquela carne. Descrevem-se os locais clandestinos onde se reúnem os franceses para partilharem os prazeres gastronómicos que agora lhes são vedados, as peripécias passadas para satisfazer as encomendas secretas que vão recebendo, faz-se o elogio da tradição gastronómica francesa mas, mais que isso, a exaltação da memória europeia.

A novela faz sorrir e ao mesmo tempo faz sobressair um sentimento de nostalgia, na procura de um tempo perdido. O drama quotidiano dos últimos franceses livres, os que persistem em desafiar a nova lei e, sobretudo, aqueles que fazem parte da resistência, porque é-se somente livre quando o espírito o é, conferem ao livro uma nota amarga que percorre grande parte das páginas. Há algo de sinistramente profético na obra que atenua o registo humorístico.

Viajamos pelas ruas da capital francesa; foram rebaptizadas, as mesmas ruas que ficaram eternamente no imaginário de quem visitou a “cidade luz” têm agora novos nomes, “boulevard Richard Lenoir” passou a ser “boulevard Ben Laden”, apercebemo-nos que afinal não teremos sempre Paris, que até o que tomamos como certo, eterno, deve ser protegido, defendido…

Através da proibição da carne de porco, dos consagrados vinhos franceses ( a suprema humilhação nacional), o livro estabelece uma alegoria deliciosa, utilizando a gastronomia, dum futuro europeu resultante da invasão do nosso espaço por culturas afro-asiáticas antagónicas à nossa identidade ao mesmo tempo que nos transporta para um outro passado, para a ocupação nazi, através da descrição das actividades da mítica( mais isso que real) “Resistência” e de pequenos pormenores cheios de simbolismo, os cristãos, por exemplo, são agora obrigados a cozer uma pequena cruz azul nas suas vestes.

O estilo cómico da narrativa é muito bem temperado pelo fatalismo de fundo, as pequenas tragédias diárias, a luta de uma resistência burlesca, que resiste quando já é tarde e a quem já só sobra o acessório. O conformismo, a demissão da luta, a rendição, tudo o que descambou no cenário retratado está implicitamente delatado, a França anestesiada perante a sua própria ocupação é aqui denunciada com um riso sonoro, tão ruidoso que poderá acordar o leitor.

O subtítulo do livro anuncia uma justíssima homenagem ao grande cineasta Claude Autant-Lara e ao seu “La Traversée de Paris”. Por outro lado, a data escolhida para o desenrolar da acção, procurando acentuar o carácter ficcional da obra, criando um álibi no irrealismo, patenteia o cuidado extremo, direi mesmo receio, que o autor evidencia perante o sistema e os seus tentáculos políticos, culturais e civis.

É uma comédia trágica, tal como a Europa é cada vez mais um reles teatro onde se encena uma peça escrita por dramaturgos de má qualidade e, no entanto, cada vez mais aclamados pela crítica, e a sala esgota, uma e outra vez, não que o público goste do que vê, a maior parte nem compreende a peça, mas os "especialistas" aclamam e como tal é preciso aplaudir…

A encomendar antes que os donos do “pensamento livre” decidam que a obra não é coisa com que a “plebe” se deva entreter, pelo sim pelo não.

26 Comentários:

Blogger Elise disse...

Oriana Fallaci, Hirsi Ali bem avisam...

4:35 da tarde  
Blogger Caturo disse...

Pois é, Elise, tal como a aristocracia romana da Antiguidade tardia já tinha quem avisasse para o perigo da invasão cristã, mas o alerta não pegou...

Caros camaradas, já vivemos, neste momento, num ambiente de resistência ou pelo menos de semi-resistência - por conseguinte, creio que esse livro dificilmente será divulgado e muito provavelmente não será traduzido em Português, nem em muitas outras línguas para além do Francês.

5:22 da tarde  
Blogger Paulo Cunha Porto disse...

E pensar, meu Caro Rebatet, que o Profeta até nem era hostil ao vinho, tanto que fez dele um dos quatro Rios do Paraíso Islâmco. Mas interditou-o cá por baixo, pois sabia bem da tendência do seu povo para a pinguça.
Quanto à capacidade de resistência, até os noruegueses fizeram melhor, proibindo os véus nas escolas por... «razões funcionais».
Um abraço.

10:08 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Já está copiado e distribuido!

Militância.

Legionário

12:25 da tarde  
Blogger alex disse...

B-52 NELES!!

Militância!

10:41 da tarde  
Blogger Rodrigo Nunes disse...

«Oriana Fallaci, Hirsi Ali bem avisam...»

Vale bem a pena conhecer a obra de Fallaci, brava mulher

Caturo, podes encomendar em francês na Fnac.

Nelson,em minha opinião a solução seria resolver a questão dentro de portas,impedindo esta imigração.

Cumprimentos ao Paulo e ao Legionário. Talvez ache isto surpreendente( e daí talvez não ) mas não sou favorável à proibição do uso do véu islâmico.

12:54 da manhã  
Anonymous Mendo Ramires disse...

Eis um bom exemplo de o que deve ser uma recensão crítica sobre uma obra literária. Aguça o apetite da leitura e promove a vontade do saudável debate.
Assim - passo a passo - se vai resgatando a Cultura (sequestrada - há décadas - pela 'sinistra').
Saudações Culturais Nacionais!

1:38 da tarde  
Anonymous Mendo Ramires disse...

A propósito de moirama... É sempre bom recordar que hoje - 25 de Outubro - se assinala a Tomada de Lisboa aos mouros (1147): Marco fundamental da Reconquista e na Fundação.
Saudações Nacionais!

4:56 da tarde  
Blogger Rodrigo Nunes disse...

Muito bem lembrado Mendo.

9:27 da tarde  
Blogger alex disse...

"...não sou favorável à proibição do uso do véu islâmico."

PERDÃO?!?

Eu sou favorável à proibição daquela coisa.

E sou favorável aos festejos de Natal exuberantes, à Playboy às cruzes no sítio em que estão, à mini-saia, à carne de porco em catadupa, à cerveja e whisky a rodos, aos rituais e tradições de origem pagã, etc. etc

PORRA!
Era o que faltava.
Não, não estou para gramar ver candeeiros com duas pernas a deambularem pelas ruas.

O véu deve ser proibido, pelo simples facto de que estamos na Europa e não temos que aturar aquela 'coisa'.

Se eles vêm para cá ou 'dançam conforme a música' ou então: RUA!

Além disso, a legislação em boa hora aprovada pela laica República Francesa está a por muitos muçulmanos com vontade de abandonar França, pois têm, sido sujeitos a perseguições e autênticas humilhações dentro das escolas.

Pormenor 'delicioso': mesmo ao lado, estudantes com cruzes vistosas e estrelinhas de seis pontas reluzentes passeiam calmamente.


ehehehheheheheheh

9:33 da tarde  
Blogger F. Santos disse...

Para quem defende o primado da lei o Nelson parece divertir-se com a discriminação... E isso é verdade? O articulado da famosa lei estipula que são proibidos sinais religiosos ostentatórios. A coisa é de tal modo ridícula que pôs toda a gente a discutir até que tamanho uma cruz poderia escapar ao epíteto.
Tal como o Rebatet, não sou contra o uso do véu islâmico. A França jacobina, universalista, anti-particularista arrasa tudo o que é tradição à sua passagem.
Para o Nelson, que tanto aprecia a Grã-Bretanha, gostava de perguntar o que é que acha de não haver proibição de uso de véus, turbantes sikh, etc.

10:33 da tarde  
Blogger alex disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

11:14 da tarde  
Blogger alex disse...

"...parece divertir-se com a discriminação..."

Quem semeia ventos...
Se eles, nos países deles, nos descriminam, porque é que não nos podemos 'divertir' também?

"E isso é verdade?"

´É verdade sim senhor. Vi, há pouco mais de um mês, um documentário britânico em que, ora com cãmara á vista ora com cãmara oculta, se mostravam directores de vários estabelecimentos de ensino franceses em atitudes descriminatórias, persecutórias e vexatórias em relação às muçulmanas que insistiam em levar o véu...enquanto se mostravam alunos de cruz (algumas bem grandes) ou estrelinha a passear alegremente pelos estabelecimentos.

A Igreja já não é uma 'oprimida' na V Republica Francesa.
O articulado foi, em larga medida, para disfarçar e para enganar os mais 'incautos'.
É óbvio que os visados eram e são....os muçulmanos.

"...o que é que acha de não haver proibição de uso de véus, turbantes sikh, etc."

Ai não há?!
TÁ MAL!
Devia haver...pois se até a maioria dos turcos rejeitam a Sharia e o véu.....
Pensando bem, felizmente que a actual República da Turquia foi fundada 'por-quem-a-gente-sabe'.
Ao fim de 80 anos, já foi feita boa 'obra' na Anatólia
:)


Saúde e felicidade,

aos 3 de Brumaire de CCXIV

:o)

11:20 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Um Copy-Paste:
" a Turquia é uma nação que nasceu duma aliança de mercenários ( pagos pelos Judeus 'Turcos' ) e bandidos desterrados que 'limpou' milhões de indo-europeus (gregos/helenos, arménios e curdos) da Ásia Menor... e inventou 1 país destruindo vestígios de civilizações milenares."

9:10 da tarde  
Blogger alex disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

9:33 da tarde  
Blogger alex disse...

hahahahha

O multisecular Império Otomano foi então uma....miragem!
OS turcos já dominam a Anatólia há mais de um milénio.
Dizer que a Turquia foi 'inventada' é uma fraude histórica infantil.

*é claro que já estava a demorar a 'cassete' dos judeus.
Está bem, eu confesso.
É óbvio que os judeus são culpados de tudo, inclusive do pulgão nos feijões e da crise na colheita da abóbora em Santa Cona do Assobio.

9:35 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

" a actual República da Turquia foi fundada """por-quem-a-gente-sabe"""."

Não fujas com o rabo à seringa.

9:53 da tarde  
Blogger alex disse...

Referia-me a outra 'organização' bem mais poderosa que os tótós dos judeus, nascida da 'obra' de Jacques de Cahors (também conhecido como Papa João XXII) e que mantem intensa influência desde 1320/1330.

Capicce??

ou não capicce nada

10:32 da tarde  
Blogger Rodrigo Nunes disse...

No que toca a maçonarias ninguém capicce mais que o Nelson, ainda o havemos de convidar para fazer uma intervenção sbre o tema num dos nossos colóquios :)

10:56 da tarde  
Anonymous espírito disse...

...eu acho é que o Buíça anda a ler demasiada livralhada "de supermercado "... ;)

11:19 da tarde  
Blogger alex disse...

eu acho que o 'espírito' se calhar anda a bater à 'porta' errada...ou então está com 'pobreza de espírito'

:))

11:27 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Nem Islão, Nem Sião, Europa Livre!

Nuno Neves- CI

9:25 da manhã  
Anonymous Puro disse...

"Nem Islão, Nem Sião, Europa Livre!"
E acrescento nem cristianismo, nem Deuses, nem nenhuma religião, Europa sem religiões, Europa livre, Europa Ateista
Sieg Fuckin Heil \o
Europa pura em sangue e mente \o

12:59 da manhã  
Blogger miazuria disse...

Correccao:

A França nao proíbe o véu islamico, o que faz é eliminá-lo dos lugares públicos:escolas, reparticões públicas, etc.

Nas escolas privadas islâmicas o véu é autorizado.

Não confundamos as coisas.

Saudacões.

10:42 da manhã  
Blogger Caturo disse...

E acrescento nem cristianismo, nem Deuses, nem nenhuma religião, Europa sem religiões, Europa livre, Europa Ateista

E eu acrescento que isso é que não. Viva a Europa verdadeiramente livre, isto é, a Europa Integral, a Europa Inteira, a Europa não mutilada do seu vértice superior que é a espiritualidade, a Europa com todos os seus Deuses autênticos, anteriores à imposição do credo semita universalista.

12:12 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

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1:53 da manhã  

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