sexta-feira, janeiro 27, 2006

Revisionismos

Tony Blair declarou a sua ira face à possibilidade do Irão acolher uma conferência sobre o holocausto. As declarações do primeiro-ministro britânico surgem na sequência de posições no mesmo sentido levadas a cabo pelos neoconservadores americanos. É o padrão habitual, de Washington vem a agenda política e em Londres faz-se o papel de fiel amigo para todas as ocasiões. Desta vez o fiel amigo, procurando mostrar a eterna lealdade, permitiu ao Irão classificar como fanáticas as declarações por si proferidas.

Não surpreende, quando o assunto é o holocausto o fanatismo é a moeda corrente. O holocausto é assunto proibido. Existe a versão oficial da história e é fundamental para o próprio sistema que ela seja incontestável. Todas as reflexões ou investigações sobre o holocausto devem conduzir à mesma verdade absoluta. É aqui que surge o problema, alguns historiadores têm levantado dúvidas e apontado incoerências na versão que pretendem impor-nos como infalível. É preciso reconhecer que entre os revisionistas da 2º Guerra Mundial existe de tudo, e muitos deles serão pouco sérios. Mas não todos, e essa é a questão, pela facilidade com que se rotula de nazi qualquer investigador que, estudando o holocausto, descubra fragilidades na versão oficial permite-se a confusão mais desejada por quem controla o sistema - acantonar os historiadores que rejeitem essa versão obrigatória dos acontecimentos com aqueles que, à partida, pretendem de facto criar uma imagem idílica do regime nazi e que pouca seriedade intelectual apresentam.

Por toda a Europa e América são detidos ou perseguidos judicialmente inúmeros homens cujo único crime é discordarem. Escrever aqui o nome de todos aqueles que no Ocidente viram a sua vida prejudicada por causa das suas posições intelectuais relativamente ao holocausto ocuparia algumas páginas. O delito de pensamento é uma realidade bem presente no Ocidente dito livre e democrático.

Se a versão oficial do holocausto é em absoluto a versão real não terão então aqueles que a propagam, utilizando todos os meios possíveis, incluindo a intimidação, que recear ser confrontados com posições divergentes e muito menos “negacionistas”. Se é seguro que a história sucedeu tal como somos “obrigados” a aceitar, se subjacente à versão oficial está a força dos factos e a investigação histórica objectiva e se do lado contrário estão apenas intrujões movidos por obscuros objectivos políticos, será fácil, confrontando posições, desacreditar as versões dissonantes.

Sendo assim levantam-se duas interrogações: O que receiam os detentores da “verdade histórica”, única e indiscutível, face a “evidentes falsidades”? E quem as receia?

Importa então lembrar alguns dados relevantes; o lobby judeu nos EUA é extremamente poderoso na sociedade e na política. O movimento neoconservador é um produto desse lobby e das instituições que o suportam. Isto torna-se especialmente importante quando sabemos que os EUA são a principal potência mundial. Os neoconservadores, lobbies judeus ligados ao Partido Democrata e à ADL e o Estado de Israel, têm pressionado os governos mundiais para perseguirem quem contesta o holocausto. Por proposta de Israel, com o apoio do governo norte-americano, a ONU instaurou um dia mundial em memória do holocausto. O cerco aperta, institucionalizar a data à escala mundial é apenas mais um passo na oficialização da versão que não é passível de discordância.

A questão não é saber se os judeus foram perseguidos pelo regime nazi mas saber em que moldes e que proporções atingiu essa perseguição. Porque não é então possível discutir essa realidade? Existem duas respostas que imediatamente ocorrem, a primeira é que a verdade indiscutível poderá ser afinal discutível e o seu suposto suporte factual e seriedade histórica poderão ser colocados em causa se confrontados com posições díspares. Se assim não for nada há a recear do confronto de posições, pois aqueles que detêm a verdade exporão a mentira e a falsidade das versões incoerentes e sem base factual dos “falsos historiadores”.

A segunda resposta é que sendo completamente falsas as contestações à história oficial da 2ª Guerra Mundial, as elites que controlam a política e a sociedade consideram que o cidadão médio não tem a capacidade intelectual necessária à distinção entre verdade e mentira e não deve por isso ser chamado a reflectir sobre o assunto dispondo de posições diferentes.

A ser este o problema fica a democracia ferida de morte na sua legitimidade pois se apenas alguns são capazes de distinguir o justo do injusto, a verdade da mentira, o bom do mau, não há possibilidade de justificar o sufrágio universal como meio de decisão sobre o poder.

Esta criminalização de vozes dissidentes é claramente uma forma de controlo sobre a opinião, é uma forma de terrorismo intelectual, “ou pensas como te ditaram ou sofres as consequências”, é a negação da ideia de liberdade de expressão de que se arrogam únicas detentoras as democracias. E não colhe o argumento de que a liberdade de expressão deve ser limitada para os “inimigos da liberdade”, logo porque são rotulados conforme os critérios subjectivos das estruturas do poder vigente. Ou existe liberdade de expressão ou não existe. Se a liberdade de pensamento é exclusiva aos que partilham as ideias do sistema então do mesmo se podem orgulhar os regimes não democráticos já que nesses também existe liberdade de expressão para todos os que sustentam as ideias oficiais ou oficiosas dos ditos regimes.

O Irão tem sido criticado pelo Ocidente, a sua falta de liberdade, o desrespeito pelos “direitos humanos”, falta de democraticidade, enfim, todos conhecemos a retórica. A isto juntou-se a crítica das posições tomadas pelo novo presidente, um lunático, uma ameaça à paz mundial, um factor de instabilidade na região, etc. E no entanto é ali que encontram um espaço de liberdade os académicos ocidentais que ousam discutir o holocausto.

Não está em causa a bondade ou não do regime de Teerão, nem tampouco se são movidos pela aversão a Israel, está sim em causa a falta de liberdade efectiva que existe nas democracias ocidentais , sempre tão altivas ao dar lições ao mundo sem fazerem um exame da sua própria legitimidade moral. E foi assim que o porta-voz de Teerão respondeu a Blair, lembrando que na democrática Europa os académicos vão presos por crimes de pensamento.

Por mim reitero que reconheço ao povo judeu o direito a uma terra como reconheço a todos os povos o direito a terem o seu espaço de autodeterminação. A minha posição é de curiosidade e interesse pela verdade e como tal manifesto o meu direito a ter acesso a toda a informação para que possa em consciência decidir. Não me move nada mais que isso. Rejeito sionismos como anti-semitismos primários mas não aceito que me pretendam impor uma versão da história sem que eu tenha o direito de dela discordar ou de ter acesso às opiniões de quem a conteste. O último refúgio da liberdade é sempre o pensamento e é esse que está aqui sob ataque. Todos sabemos que a história oficial é contada pelos vencedores mas a história real é muitas vezes uma questão diferente e bem mais complexa.

11 Comentários:

Anonymous The Studio disse...

O que tem mais piada em tudo isto é que, as opiniões dos Árabe são vacas sagradas. É-lhes permitido qualquer discurso que, dito por um ocidental, seria de imediato apelidado de racista e provavelmente teria problemas com justiça. O holocausto é outra vaca sagrada, tanto que negar o holocausto é considerado um crime contra a humanidade. Agora, os politicamente correctos estão com um problema bicudo em mãos: Andam duas vacas sagradas a marrar uma na outra. Eu estou a divertir-me à grande com esta história.

12:53 da manhã  
Anonymous joao disse...

O nitido pensamento schmittiano aqui inculcado.Grande guru esse intelectual alemão para monárquicos e afins do poder soberano,"O Príncipe",maquiavélico presente e ausente,assim como o "Trabalhador" de E.Jünger.É este o teu "Dasein" o teu círulo hermenêutico...Tal quer dizer,que como Schmitt compara os totalitarismos;fascismo,nazismo comunismo às democracias mundiais com os Estados Unidos à cabeça estás implicitamente a corroborar e a enfatizar a sua tese.De facto à luz da modernidade politica talvez tenhas razão,eheheheheh...é que os americanos apartir de 89 tornaram-se os "policías do mundo",logo aquele que era um poder soberano passou a ser PODER TOTAL.Concluo, ainda assim com estas palavras sensatas de Carl Schmitt;«Torna-se então possivel dizer que,numa sociedade despolitizada,o poder soberano desaparece não enquanto poder,mas apenas enquanto soberano,ou seja,que o poder soberano das democracias mundiais se transformam numa nova forma de poder.E,ao contrário do que uma representação habitual sugere,esta transformação move-se no sentido de uma intensificação do próprio poder,consumada no aparecimento de um poder que já não encontra em si os limites,a circunscrição e a visibilidade que a soberania não podia ainda deixar de encerrar.Dir-se-ia que o poder deixou aqui de ser absoluto para passar a ser TOTAL.» Ganda homem não é mene?
Aliás, tal como M. Heidegger já tinha afirmado.

3:09 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Porra! Este filho de Coríntio é uma sumidade!
T’ou banzado! È muita areia para um lacónico (lacedemónio)

NC, o material penso que lhe irá ser enviado ainda hoje.
Desculpe as possiveis gralhas e erros orto...pédicos.

Legionário

10:44 da manhã  
Blogger miazuria disse...

Lúcida reflexão, nas palavras e na linha de pensamento.

Saudações

11:35 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Enfim aceite-se a verdade! Que ela incomoda muita gente, lá isso incomoda!

5:03 da tarde  
Blogger HNO disse...

Parabéns pelo excelente "post" e pela lucidez da análise.
De facto já não se trata de história, mas de um dogma... como tal indiscutível.

7:45 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Muito obrigado Legionário!

NC

12:56 da manhã  
Blogger alex disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

7:24 da tarde  
Blogger alex disse...

" É preciso reconhecer que entre os revisionistas da 2º Guerra Mundial existe de tudo, e muitos deles serão pouco sérios. Mas não todos,..."

Claro, como em tudo na vida.

" O delito de pensamento é uma realidade bem presente no Ocidente dito livre e democrático."

O que é extraordináriamentre preocupante.
As tentações anti-democráticas e as traições hipócritas à democracia são cada vez mais evidentes.
O BOS tem alguma razão quando diz que, desde 1989, a 'democracia ocidental' tem vindo a perder as caacterísticas...democráticas.
Tá mal.

"O movimento neoconservador é um produto desse lobby e das instituições que o suportam."

Até certo ponto tem razão, mas está longe de ser assim tão...'simples'.

"A ser este o problema fica a democracia ferida de morte na sua legitimidade pois se apenas alguns são capazes de distinguir o justo do injusto, a verdade da mentira, o bom do mau, não há possibilidade de justificar o sufrágio universal como meio de decisão sobre o poder."

Sou forçado a dar-lhe toda a razão.

"...é uma forma de terrorismo intelectual,..."

Correcto. Começa a fazer lembrar (nesta e noutras matérias) a URSS e a própria Alemanha nazi, dois regimes que recorriam abundantemente a estes (e outros) 'expedientes'.

"Não está em causa a bondade ou não do regime de Teerão,..."

Ufa!
Ainda bem que o Rodrigo não é dos que aderiu à 'Liga dos Amigos do Ahmadi-não sei-o-quê'.
Aquela teocracia é 'genéticamente' anti-ocidental (com ou sem a questão de ISrael, que é só uma desculpa).
Se tivessem os meios e os recursos militares que têm Israel ou os EUA (livra!!) já estávamos ou de nádegas p'ró ar virados para a Península Arábica ou reduzidos a um lamentável e bucólico amontoado de poeira radioactiva.

Independentemente do que se pense da questão israelo-palestiniana é necessário manter o regime persa debaixo de estreita vigilância. Não por ser persa, mas pela natureza ideológica de tal regime.

"E no entanto é ali que encontram um espaço de liberdade os académicos ocidentais que ousam discutir o holocausto."

Ehehehe! Essa não vale.
Porque será? ;)

"Por mim reitero que reconheço ao povo judeu o direito a uma terra como reconheço a todos os povos o direito a terem o seu espaço de autodeterminação."

Outra coisa não seria de esperar de um nacionalista sério.

"Todos sabemos que a história oficial é contada pelos vencedores..."

Sempre assim foi ao longo da História.
Geralmente, só se sabe toda a 'verdade' muitos anos depois.
Às vezes séculos.

7:29 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

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5:03 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

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12:41 da manhã  

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